Já tomou sua vacina?

Charge: Blog do AFTM

Artigo de opinião originalmente publicado em Conversa Informal, jornal comunitário do Setor Habitacional Vicente Pires, Região Administrativa XXX do Distrito Federal. Ano 19, n. 02/2022, disponível em: <https://jornalconversainformal.blogspot.com/2022/02/jornal-conversa-informal-de-fevereiro.html>. Acesso em 20 fev. 2022.

Há 10 anos essa pergunta não faria o menor sentido ou, na pior das hipóteses, não teria o sentido que tem na atualidade. Falo do ano 2022 d.C., caso esse texto lhe chegue em algum momento futuro do século XXI e pareça uma distopia do próximo milênio – se o aquecimento global não nos destruir antes, ainda neste século! É duro de admitir, mas pouco mais de 10 anos do crescimento do pensamento conservador no Brasil foi o suficiente para acabar semanticamente com ditados populares como “eu me governo, sou maior e vacinado”. Quem se arrisca a dizer essa frase pode perceber o receptor ouvindo algo do tipo “sou maior e comunista”. Tristes tempos.

A pergunta do título desse texto tinha vários significantes de sentido claro. Vejamos alguns:

  1. Ao falar “já tomou” não se abre a possibilidade do “nem vou tomar”, mas apenas “já tomei” ou “não tomei porque faltou”. O “já” é um reforço que antecede, caso sua resposta seja negativa, a pergunta “não tomou ainda por quê?”. O natural era duvidar de quem não tomou a vacina e não o contrário.
  2. A utilização do pronome possessivo “sua” dá a ideia de posse. As pessoas falavam “fui tomar minha vacina” e se orgulhavam dela. Os governos não a hesitavam em comprá-las. E quando falo em governos, cito aqui desde o período da República do Café com Leite até 2018, passando inclusive pelo governo militar de 1964 a 1985. Hoje a vacina é da China, dos EUA, da Índia… onde foi parar a NOSSA vacina?
  3. Vacina. Leia pausadamente: va-ci-na. Vacina era algo absolutamente comum na cultura brasileira. Todo mundo com mais de 20 anos (leia novamente, 20 anos, sim, VINTE!) tem uma marca de vacinação no braço e mais uma dezena delas na caderneta de vacinação. De onde tiraram um “virar jacaré” nessa história? Por que as pessoas que desconfiam do Butantan e da Fiocruz não falam nada do ano de 2021 em que o Brasil bateu o recorde de liberação de defensivos agrícolas (leia-se agrotóxicos)?

O que temos de certo até o momento é que em abril de 2021 tivemos 82.266 mortes por Covid no país, média de 2.742 por dia, ao passo que em novembro do mesmo ano a queda no número de óbitos foi de mais de 93%. Os números não são meus, mas do próprio Ministério da Saúde – e olha que há tempos aquilo ali é um bunker de negacionistas, com exceção da maioria dos servidores de carreira. O número de mortes diminuiu ao mesmo tempo em que se aumentou o retorno das atividades presenciais, com abertura de comércio, eventos esportivos e casas de festas.

O que contribuiu para a diminuição das mortes?

Se você acha que a diminuição das mortes é consequência da imunização de rebanho, o que nem o governo ousou dizer, saiba que as internações e mortes voltaram a aumentar com a variante Ômicron. Outro dado: 80% das internações é de quem não está com o esquema vacinal completo.

Chegada a vez das crianças a politização da vacina voltou com mais força. É verdade que o número de crianças que morreu por Covid é pequeno. Contudo, esse número existe e ele é maior se pensarmos no quantitativo de menores de 11 anos com sequelas da doença.

Também se diz que a vacina para Covid foi feita em pouco tempo. Ora, a vacina para H1N1 também não demorou a ser inventada em 2009. Na época ninguém questionava sua eficácia, eficiência ou laboratório que fabricava. Ao invés de brigar com instituições científicas, foram feitas parcerias com laboratórios, ampliado o tempo de atendimento em UBS para vacinação e compra em larga escala do maior número de imunizantes possível.

Outra coisa: desde 2009 todo ano tomamos reforço da vacina contra H1N1. Ninguém questiona os reforços – ou ao menos não questionava! O problema atual nunca foi de confiança em vacina e sim de ações negacionistas do governo que contaminaram parte da população e fizeram doenças que já estavam erradicadas, como o sarampo, voltarem por falta de vacinação.

Dessa forma, tudo o que os responsáveis precisam é de uma orientação clara e uníssona do governo, jamais que alimentem desconfiança em imunizantes. Em resumo: é mais fácil morrer, ter sequelas e mesmo transmitir Covid sem a vacina do que imunizado. Por fim, tenho um conselho se você é contra a vacina porque acha que muda o DNA: aproveita essa chance com todas as forças! Você e o mundo merecem.

Sobre ayanrafael

Pedagogo, Assistente Social e Mestre em Educação pela Universidade de Brasília. Trabalhou como técnico-administrativo na Universidade de Brasília, como Professor de Atividades da SEEDF (Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal) e atualmente é Especialista Socioeducativo - Pedagogo na Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania do Distrito Federal, lotado no Centro Integrado 18 de Maio.
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