KKKarrefour: o racismo à brasileira

Não é de hoje que pessoas negras são vistas com desconfiança por seguranças de supermercados. Infelizmente, o caso da morte de João Alberto Silveira Freitas (40), o Beto, no Carrefour de Porto Alegre não é o primeiro e está longe de ser o último. Interessante notar que a mesma rede de supermercados esteve envolvida na morte de um cachorro em 2019, mesmo ano em que um jovem negro foi morto, também asfixiado, no supermercado Extra.

A violência institucional dos grandes varejistas, quando não é contra animais como o finado cachorro Manchinha, tem direção objetiva: pessoas negras. Experimente colocar na internet fotos ou vídeos de pessoas brancas de terno sendo agredidas em mercados. Achou? Você se lembra de alguma vez ver uma pessoa branca ser abordada em uma loja e agredida até a morte? Você que acha que no Brasil todo mundo é negro, miscigenado, já viu algum agente de segurança pedir para um ruivo encostar e colocar a mão na parede enquanto uma arma é apontada para a cabeça dele?

Dos dois seguranças do CARREFOUR que mataram Beto, um era PM “temporário”, seja lá o que isso for. A Brigada Militar, PM do Rio Grande do Sul, lançou nota dizendo que o PM não estava em horário de serviço e que era habilitado a fazer somente serviços administrativos e vigilância penitenciária. Ora, não é segredo que vários policiais pelo Brasil fazem bicos para conseguir manter as contas. Saem, pois, de uma rotina estressante e por vezes, emendam em serviços de segurança informais onde “ganha” o empregador por não constituir vínculo empregatício e o empregado por complementar a renda em casa. Justifica? Óbvio que não e querer ir por esse caminho é legitimar a ação racista cometida pelos seguranças do CARREFOUR, mas é apenas mais um elemento da cultura brasileira, a despreocupação com as consequências advindas da precarização do trabalho. Essa precarização é mantida e incentivada por vários grupos de hipermercados e, não sei se já disse nesse texto, o CARREFOUR é um deles.

Façamos um paralelo com a história da América e nosso histórico de colonização.

A Ku Klux Klan (KKK), movimento de extrema-direita surgido nos EUA no século XIX, voltou a aparecer em atos antidemocráticos no século XXI. Por incrível que pareça há seguidores desta seita no Brasil, especialmente na região sul. São eles que vibram quando acontece uma morte como a de Beto no Carrefour de Porto Alegre. Quando um presidente como Bolsonaro relativiza a morte de negros, são eles que aparecem inclusive se candidatando, como o pai da governadora interina de Santa Catarina, um nazista assumido que tem uma suástica desenhada ao fundo de sua piscina. Quando o Ministério Público aplica multas simplórias e não obriga a formação em direitos humanos nas empresas de segurança, hipermercados sentem-se à vontade para continuar com a contratação precária de capitães do mato disfarçados de “prevenção de perdas”. Quando a imprensa omite o nome do CARREFOUR ou do EXTRA em matérias sobre morte de negros por jagunços ou funcionários falecidos e escondidos por guarda-chuvas, outros seguranças são incentivados a agirem para defender um patrão que nem conhecem, mas que lhes paga em dia pela higienização social do estabelecimento. É o caso do CARREFOUR? Sim, é sim o caso do CARREFOUR.

Nos EUA, a morte do negro George Floyd em maio de 2020 em Mineápolis causou protestos por todo o país, tendo inclusive reflexão direta na eleição de Joe Biden por causa da alta votação de negros que historicamente não votavam – lá o voto não é obrigatório. A imprensa conservadora, dentre elas a Fox News, mostrava os atos dia e noite como ações de vândalos. Em vão! Por semanas, os atos cresceram e para além de reivindicar a punição dos policiais assassinos de Floyd, exigiram mudanças estruturais. A proibição de técnicas de imobilização com o joelho nas costas pela polícia local, como fizeram com Floyd nos EUA, como fizeram com Beto no Brasil, é apenas um dos ganhos desse processo de mobilização da população negra naquele país. A eleição da primeira mulher vice-presidente negra, Kamala Harris, bem como de candidatos(as) negros(as) e outras minorias como pessoas transgênero, bem como mandatos socialistas, são espólios do #BlackLivesMatter pelas ruas incendiadas. Entre o fogo da KKK e dos protestos da população negra, venceu esse último.

E no Brasil? Vamos nos limitar ao boicote ao Carrefour ou o caso da morte de Beto na véspera do Dia da Consciência Negra abrirá nossos olhos para o racismo institucional do poder Judiciário com as multas pra inglês ver, dos eufemismos de uma imprensa canalha, da concentração de recursos de campanha dos partidos políticos em candidatos homens brancos, das políticas públicas do poder executivo voltadas para os bairros com menor concentração de negros(as), do Legislativo formado por militares, pastores, ruralistas e empresários, quase todos homens brancos com repulsa à qualquer política de ação afirmativa? Já passou da hora de #VidasNegrasImportam ser mais do que uma hash tag ou a ação isolada de black blocks para se tornar uma ação direta da sociedade brasileira. Que a morte de Beto seja o estopim para o nosso levante contra o racismo estrutural.

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Homenagem póstuma à Elisa Ayan Ferreira

Jardim de Infância da 305 Sul. Brasília, DF, 1987.

Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.

Antoine de Saint-Exupéry em O pequeno príncipe.

Hoje, 09/11/2020, uma parte da gordinha se foi.

Aqueles olhos azuis que encantavam de tanto amor, enfim, fecharam-se para sempre. Após a morte de meu pai há um ano, a saúde de minha mãe ficou bastante debilitada. Para piorar, o isolamento devido à pandemia a deixou ainda mais depressiva – viveu o último mês acamada no hospital em sua segunda internação em poucos meses.

Enfim, acabou a dor. Não tem mais vários exames, procedimentos invasivos ou remédios que curam uma doença e provocam outra. Já não grita mais de dor, não tem delírios, não há mais sacrifícios para realizar as atividades mais simples como ir ao banheiro.

Minha mãe foi muito guerreira. Nunca se escorou em ninguém pra fazer sua vida. Foi mais que visionária: no Setor Comercial Sul, em Brasília, teve uma agência de empregadas domésticas e uma banquinha de vender picolé, mas onde também vendia perucas! Vendeu cachorro-quente no Cruzeiro Velho “que vinha gente da Asa Norte comer”, como ela gostava de dizer. Tinha uma memória irretocável de dizer todos os números do jogo do bicho. Falava o preço de produtos de supermercado e lembrava dos mesmos um mês depois. Era capaz de chegar em casa e lembrar qual foi a 17ª “pedra cantada” na terceira rodada do bingo. Quem a conheceu sabe que não é exagero.

Tendo apenas a 5ª série, sempre me acompanhou de perto na escola. Quando criança, me acordava sempre com um café com leite, pão quente e ovo mexido. Sempre respeitou meus posicionamentos, minhas escolhas profissionais e políticas. “Rafael vai ser professor”, repetia o que dizia o pai dela, o sírio Cibhy Ayan, quando me via escrevendo ainda criança. Herdou o semblante calmo de minha vó Virgínia, aquele que só de entrar no espaço contamina os mais incrédulos a dizer: nossa, que energia boa! Perdi a conta de quantas pessoas me disseram que foram ajudadas por minha mãe quando chegaram em Brasília ou simplesmente ao passar, em algum momento, pela vida dela.

Infelizmente meus filhos serão privados de conviver com uma pessoa de um coração tão grandioso como foi minha mãe. Porém, como disse, uma parte da gordinha se foi. A outra parte, que é o caráter, a empatia, o companheirismo, a humildade, tudo isso permanece porque sonhos não envelhecem nem morrem. A alegria de encontrar sorriso mesmo no meio das doenças que a encontraram nos últimos anos: esse é o seu legado.

Vai lá mãe, descanse. Hoje Enzo e Raíssa cantarão “brilhem, brilhem estrelinhas”, assim no plural, porque se existe esse tal de paraíso a senhora acabou de encontrar o papai para ele lhe fazer outro acróstico, como o que ele lhe recitou por mais de meio século. Se estiver me vendo, prometo que farei de tudo para que se orgulhe de mim, para que eu seja um bom marido para a minha esposa, Danielle, que segurou a sua mão antes de sua partida. Por mais que eu tenha muitos defeitos, vou sempre pensar na senhora como um referencial para que minha vida pessoal seja tão boa e alegre como a que a senhora teve com o papai.

Além de homenagear a minha mãe, quero aqui agradecer ao esforço, ou melhor, à entrega total que minhas irmãs, Denise, Eliane e Márcia, fizeram pela minha mãe, sobretudo nos últimos meses quando ela praticamente mal falava e ficava o tempo inteiro sentada ou deitada em casa. Não fossem minhas irmãs, minha mãe já teria partido há muito tempo. Se alguém ainda viu minha mãe viva esse ano é porque elas abdicaram da própria vida para poder prolongar a vida da nossa matriarca.

Beijo gordinha, te amo.

SEPULTAMENTO

Elisa Ayan Ferreira (25/02/1936 – 09/11/2020)

Cemitério: Campo da Esperança – Asa Sul

Terça-feira, 10/11/2020, 11h00 – Capela 02

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A distante educação a distância

Fonte da imagem: medium.com

Com a chegada da pandemia ao Brasil as escolas passaram a ter que dar uma alternativa às famílias para a continuidade dos estudos e garantir o direito à educação de milhões de estudantes. Contudo, a modalidade não é algo que se faça apenas com acesso a internet e computador. Há metodologia na EaD, uma forma científica de se estabelecer relação entre o professor, mediador do aprendizado, e estudante, coparticipante na construção do conhecimento. Não dá simplesmente para filmar uma aula presencial e entregá-la no Youtube ou plataforma. Soma-se a isso o problema de a EaD nunca ter sido verdadeiramente um instrumento utilizado na educação brasileira, tanto em escolas públicas quanto particulares.

Também não podemos esquecer das muitas especificidades da educação. Há estudantes do ensino especial que precisam de atenção direta de um educador, daí ficarem em turmas em que são atendidos com apenas mais um discente. Não dá para repassar as atividades para os responsáveis fazerem com estes estudantes, como se o trabalho com pessoas autistas, down, com deficiência intelectual ou múltiplas fosse algo que se aprende com um simples tutorial de duas páginas. Os professores estudaram muito, fizeram cursos de especialização, alguns até mestrado e doutorado, para atuar no ensino especial. Ignorar isso é achar que qualquer pessoa pode substituir o trabalho de um profissional através de movimentos repetitivos, como se a educação pudesse ser uma esteira de uma linha de produção em que só temos que encaixar as peças.

Na alfabetização os desafios não são menores. O BIA (Bloco Inicial de Alfabetização), que consiste do 1º ao 3º ano, é um momento em que as crianças aprendem pela socialização. Qual o impacto da pandemia no aprendizado de crianças que agora não frequentam parquinhos, praças ou outros espaços de convivência? Para a educação do campo, de povos indígenas e quilombolas, que trabalham com interstício entre a ida à escola e período de colheita, por exemplo, o retorno às aulas mesmo diante de uma vacina pode representar um alto nível de evasão escolar. E para quem acha que o Ensino Médio está mais fácil, saiba que o DF é a unidade da federação com maior concentração de renda do país e isso se reflete em estudantes que compartilham o aparelho celular – e o sinal de internet da farmácia ou do trio bomba da esquina – com os irmãos em casa. Não podemos espetacularizar a pobreza para dizer “basta querer que se consegue”.

O mercado de empresas que oferecem aulas on line cresceu, como o de ensino de idiomas e cursinhos pré-vestibulares. Para a classe média que pode pagar, vai ver que não é nenhuma revolução no método de ensinar pelos motivos que já foram elencados aqui no texto. A Secretaria de Educação do DF (SEDF) utiliza de forma tímida para formação de professores o Moodle, um ambiente virtual de aprendizagem de código aberto e gratuito. Porém, por anos a SEDF gastou fortunas alugando auditórios de faculdades para fazer formações por regionais que poderiam muito bem terem sido feitas via EaD – e hoje paga o preço pelo fato dos professores estarem pouco familiarizados com as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação). Atualmente, a SEDF utiliza o Google Classroom como sala de aula virtual para os estudantes, mas sem muta interatividade, o que leva a crer que os estudantes têm apenas um drive e não um espaço de comunicação.

Portanto, os professores são tão vítimas quanto os estudantes na forma como o governo quer substituir as aulas presenciais, e isso não é só no DF. Se de um lado há um pai nervoso por achar que as atividades virtuais não contemplam o que ele espera da escola, do outro há professores precarizados, com anos de salário congelado e sem os instrumentos mínimos (e conhecimento) para fazer melhor. Acreditem: os professores estão trabalhando mais na pandemia e adoecendo por isso, pois tem que cumprir prazos inexequíveis e preencher documentos administrativos que pouco ou nada contribuem com o aprendizado do estudante. A Organização do Trabalho Pedagógico (OTP) parece mais o “vigiar e punir”, de Foucault (1926-1984), em que se prioriza um grande volume de informações sem qualidade e que gera um desgaste enorme nos docentes.

O momento atual é fundamental para que escola e família possam se olhar sob uma perspectiva mais humana, compreensível e acolhedora. Os professores não são os inimigos da educação, qualquer que seja a modalidade. E o mais importante: aulas presenciais só depois da vacina!

Artigo de opinião originalmente publicado em Conversa Informal, jornal comunitário da Região Administrativa XXX (Setor Habitacional Vicente Pires), em Setembro de 2020. Disponível em: <http://jornalconversainformal.blogspot.com/2020/09/jornal-conversa-informal-de-setembro.html>. Acesso em: 09 set. 2020.

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Patrimonialismo em Vicente Pires

Você já ouviu falar em patrimonialismo? Pois bem, em resumo, patrimonialismo é a apropriação do público pelo privado. Analisando o conceito na administração pública, isso significa que não há distinção entre o que é gasto com demandas do interesse público e o que é gasto com demandas que são de cunho privado – o que ocorre, não raro, de maneira intencional. Foi uma prática comum durante a Idade Moderna (1453 – 1789), mas é duramente combatida até nas monarquias remanescentes, como as da Europa e em outros locais com regime democrático. Portanto, há uma sobreposição, uma mistura, grosso modo, entre o que interessa à população e ao indivíduo. Obviamente este indivíduo está numa posição de representação pública, de destaque, seja um deputado, um governador, um presidente, um juiz ou até um administrador regional. Vejamos o caso de Vicente Pires, região administrativa do Distrito Federal.

O cargo de administrador regional é de livre escolha do governador, o que torna os administradores verdadeiros servidores biônicos, puxa-saco de quem quer que seja a o Executivo local. Enquanto isso, pavimenta a construção de sua candidatura a deputado distrital, muitas vezes utilizando indevidamente a exposição na mídia e recursos públicos para colocar a agenda pessoal à frente das obrigações do cargo. De posse desse pequeno histórico do patrimonialismo, vamos conhecer o caso de Daniel de Castro Sousa, administrador de Vicente Pires. A Assessoria de Comunicação (Ascom) do bairro é tão ruim que revela muitas coisas para além do patrimonialismo.

No Facebook, a última publicação da página oficial da Administração (https://www.facebook.com/adm.vicentepiresoficial) é de 27/04/2020, uma operação tapa buracos. Observando o perfil, nada aconteceu em Vicente Pires depois disso. A página também mostra um e-mail de contato (shvicentepires@gmail.com), ou seja, com domínio não institucional.

Caso queira se comunicar com um e-mail institucional de Vicente Pires, você pode encontrá-lo no site da Região Administrativa, na parte “Fale com a RA (http://www.vicentepires.df.gov.br/category/sobre-a-ra/fale-com-a-ra/). Lá, a intenção de colocar dados institucionais era tanta que chegaram a colocar duas vezes, um “cartão” duplicado de Alessandro Gomes de Araújo, Chefe da Assessoria de Comunicação. Nas faculdades de comunicação social utiliza-se um termo em inglês para eventos do tipo: “sausage filling”. Assim, o “Fale com a RA” poderia ser mudado tranquilamente para “Fale com Alessandro Araújo”, sem prejuízo semântico – embora não possamos dizer o mesmo em relação à administração pública:

Bem, como é nitidamente visível, o contato com a Administração de Vicente Pires dá-se por um e-mail institucional com o nome do Chefe da Ascom. Caso ele venha a mudar sua lotação ou seja desligado do serviço público, algo comum quando uma Administração Regional tem como administrador alguém que o “título” de pastor precede o nome. Mas para quê memória institucional não é mesmo? Quem quiser saber qual é o e-mail atual para contato com a administração, que acesse a página e veja quem é o chefe da Ascom. Nada de cadastrar e-mails institucionais das administrações regionais no Outlook, isso é para metidos a hacker.

O perfil do Instagram da Administração de Vicente Pires (https://www.instagram.com/adm.vicentepiresoficial/) é o book de 15 anos que Daniel de Castro nunca teve. Nem Narciso na Grécia antiga, que deu nome ao termo narcisismo, tão comum em época de selfies, imaginaria um espelho tão fiel como é o Instagram de Vicente Pires para o pastor. Bem, para dar uma variada, o Instagram de vicente Pires também comenta perfis de humor, como é o caso de @taguadadepre (Taguatinga da Depressão). Tempo não falta para a equipe da Ascom se passar por defensora do bairro enquanto é paga com dinheiro público:

Os comentários no perfil são os mais hilários possíveis. A única explicação cabível seria o perfil @taguadadepre pertencer à alguém da Ascom de Vicente Pires, pois não houve defesa alguma do bairro e os internautas não economizaram em risadas e descrédito nos comentários da publicação, promovendo o perfil de humor. Mas calma que o melhor está por vir: o perfil da Administração de Vicente Pires no Instagram cita o nome do administrador – o que não é nenhum problema – mas coloca em seguida o Instagram de Daniel de Castro que, ao que tudo indica, é pessoal!

A utilização do banner Administração Regional de Vicente Pires nas publicações, de forma maior, centralizada e abaixo dos cards, ocorre a partir do dia 26/03/2020 em ambos os perfis, Daniel de Castro (https://www.instagram.com/p/B-NT86phi6u/) e Adm. de Vicente Pires (https://www.instagram.com/p/B-NURPRjlmI/). Pouco tempo depois o mesmo banner é estendido a toda faixa de baixo dos cards, também na mesma data. Tudo leva a crer que as contas são associadas, uma vez que as publicações são praticamente as mesmas. A diferença está em poucas publicações, como as datas comemorativas. O perfil de Daniel de Castro faz propaganda (agora sem dúvidas) de seu site pessoal (www.pastordanieldecastro.com.br). Ao acessar o site WordPress. não há conteúdo, somente um banner com uma foto de Daniel, como não poderia deixar de ser, e a hashtag piegas escrito #vicentepireseuacredito. Nem uma foto do guarda-roupas do Sidney Magal seria tão cafona.

um bônus: embora suplente, Daniel de Castro se apresenta em suas redes sociais como deputado distrital. contudo, como alguém pode representar os poderes Legislativo e Executivo ao mesmo tempo, sendo deputado distrital e administrador regional? Aliás, o site da Câmara Legislativa do Distrito Federal (http://cl.df.gov.br/deputados-2019-2022) não traz Daniel de Castro como um dos representante da atual legislatura.

Diante de tudo isso, resta saber se a equipe que é paga por dinheiro público para administrar as redes sociais da Administração de Vicente Pires, administram também as redes sociais de Daniel de Castro, vejam bem, de Daniel de Castro e não do Administrador. A sinuca de bico é a seguinte: se o perfil Daniel de Castro no Instagram é pessoal, então Daniel ou alguém para quem ele pague para gerenciar seu perfil publica quase sempre no mesmo horário que o perfil da Administração de Vicente Pires. Caso o perfil Daniel de Castro seja institucional (administrador), então Daniel de Castro deve explicar por que não faz referência explícita à esse “detalhe” na rede social e por que ele utiliza o perfil para mensagens que não são de interesse público.

Ai, ai, um Estado pra chamar de seu. E ainda tem gente que diz que não há política no Instagram.

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PT: da frente ampla de outrora para a frente ampla de agora

Oba! Maluf vai se juntar a Padilha. Podemos esperar uma nova ...
Lula, Hadda e Maluf ao anunciarem o apoio do PP ao PT na eleição para a prefeitura de SP em 2012.

Ultimamente pessoas ligadas à movimentos de esquerda, seja partidos políticos ou outros arranjos, se debruçam sobre um dilema: é possível uma frente ampla para derrotar o governo federal e que congregue lideranças da esquerda e da direita, incluindo de Marcelo Freixo (PSOL-RJ) ao General Santa Cruz que chegou a participar do governo Bolsonaro? Como militante do campo progressista, me coloco entre o que vê com algumas, ou melhor, com muitas ressalvas a participação em uma frente que seja um engodo para enganar a classe trabalhadora, concentrando expoentes do golpe de 2016 como – agora – militantes anti-Bolsonaro, como é o caso de Kim Kataguiri e até mesmo Michel Temer. Porém, é necessário lembrar que há ações na política muito mais nocivas do que uma frente ampla contra a Dinastia da Rachadinha que se instalou no Palácio do Planalto.

Ora, que tipo de mensagem passaríamos à população se estivermos ao lado daqueles que aprovaram a Reforma da Previdência e que, embora agora se apresentem como oposição ao governo, topam esperar mais um pouquinho pelo impeachment caso os deputados alinhados a Bolsonaro aceitem uma Reforma Tributária nos marcos que o mercado exige? Aliás, essas reformas contarão com o voto do Centrão, aquele corrupto Centrão da época da eleição, da música em dó menor do General Heleno e que agora é solução para a permanência de Bolsonaro no poder. Imaginem só as famílias Ferreira Gomes e Jereissati, duas representações de coronéis do Ceará que sobreviveram com maestria à República do Café com Leite, gritando “Fora Bolsonaro” uma semana depois de aprovarem a privatização do saneamento básico no Senado? Como colocar lado a lado um privatista como Fernando Henrique Cardoso ao lado de um socialista e líder popular por moradia como Guilherme Boulos?

Falando no Legislativo, que é o local que aprova muitas das leis que fazem sangrar o apertado orçamento da população, não é raro vermos o PT votando projetos prejudiciais aos trabalhadores juntamente com aqueles que não querem fazer uma frente ampla. Em resumo é o seguinte: o PT recusa fazer uma frente ampla para derrotar Bolsonaro não pelos motivos elencados no primeiro parágrafo mas sim pelo fato de que não aceita nada em que ele próprio não seja o protagonista. Voltamos à década de 1990! Se pegarmos até mesmo os governos petistas de 2003 a 2016, vemos que por vezes foi a direita que fez questão de votar com o PT, como no caso da Reforma da Previdência de 2003, com consequências que nenhuma frente ampla ou o nome que for nesse país jamais ousou fazer.

Portanto, o debate sobre fazer ou não uma frente ampla com quem até 2018 estava com o adesivo 17 no peito é uma coisa. Posso até ser convencido de que é o único modo de pressionar para Rodrigo Maia aceitar o pedido de impeachment de Bolsonaro e voltar a colocar a população nas ruas ou, em época de pandemia, nas redes, de forma mais frequente e politizada, por mais que seja uma tarefa árdua e que passe por outros processos. Contudo, não acho que o PT tenha tanto peso para falar o que podemos ou não fazer diante de tal proposta, uma vez que atuou no Legislativo e no Executivo, nas esferas federal, estadual e municipal, em ações (por votos ou políticas públicas) bem piores do que a tal frente ampla agora anunciada. Ainda que a atual frente não seja ampla e sim total, do tipo “basta ser contra Bolsonaro que é aceito aqui”, o PT teve a sua parcela de culpa na desconfiança que agora a esquerda sofre, como o PSOL e movimentos sociais como o MST, MTST e outros.

Outro ponto que deve ser deixado claro é que de longe o governo do PT foi melhor do que o de Bolsonaro. A democracia estava preservada, não havia disputa entre o Executivo e o STF pela patente das Forças Armadas, o Ministério da Educação não era cota de um terraplanista em isolamento social há duas décadas na Virgínia (EUA), o Itamaraty era respeitado e convidado para mediar conflitos na ONU, o SBT e a Record não eram empresas de comunicação estatais e a entrada do Palácio da Alvorada não era pit stop do A Praça é Nossa. As conferências nacionais, bem ou mal, funcionavam, assim como os conselhos de direitos. A população LGBTQIA+ se sentia mais segura porque não havia espaço institucional, ao menos não no governo, para a proliferação dos discursos de ódio. A Fundação Palmares não era Fundação Capitão do Mato. Existia corrupção, e muita, mas a Polícia Federal não era um moleque de recados do Ministro da Justiça. Enfim, não há problema em dizer que tivemos avanços nos governos petistas, o que não os impede de fazer a tão cobrada autocrítica, aquela que o Lula vai morrer sem conhecer.

Por fim, pensar a frente ampla é um exercício que deve ser muito bem pensado entre os proponentes, sempre com um pouco mais de atenção ao que diz o PT e seus tentáculos como CUT e UNE. E por razões óbvias: a postura com que o PT se manteve diante de muitas votações no Congresso Nacional e de projetos apresentados por Lula e Dilma, fez estragos enormes na forma como a população vê a esquerda e não podemos correr o risco de cometer o mesmo erro. Com deputados estaduais, prefeitos e governadores não foi diferente e o Comitê Popular da Copa e manifestações de 2013 foram uma expressão dessas “contradições”. Decorre daí o debate sobre tática e estratégia que volta e meia permeia a formação das organizações de esquerda.

E para a frente ampla que quer derrotar Bolsonaro? O PT pode argumentar o que ela pode ou não fazer? Quando Lula quis o apoio do PP (Partido Progressista) de Maluf em 2012 para a eleição da prefeitura de SP, Maluf exigiu que Lula o visitasse em casa com Haddad e tirassem fotos rindo para a imprensa. Tudo isso por mais um minuto do tempo de TV. O PT cumpriu o protocolo à risca. Ali foi frente ampla? Há autocrítica de colocar um candidato do campo progressista com um defensor da ditadura que não podia nem pisar na Ponte da Amizade que seria preso pela Interpol? O Henrique Meireles no Banco Central foi frente ampla? Em 2013 quando o PT rifou a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados para o pastor Marco Feliciano foi frente ampla? Será que agora o PT quer nos alertar dos erros que sempre cometeu ou vai fazer um malabarismo retórico e falar de presidencialismo de coalisão? São essas as nossas reflexões para este momento.

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MPDFT recomenda volta dos professores ou corte de salários

Transparência do GDF encontra eco no MPDFT - JBr.
Sede do MPDFT. Foto: Jornal de Brasília.

A PROEDUC (Promotoria de Justiça de Defesa da Educação), promotoria do MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) avançou sobre os(as) professores de escolas públicas do DF. Através da RECOMENDAÇÃO Nº 004/2020–PROEDUC, de 21 de maio de 2020, enviada ao Secretário de Estado de Educação, recomenda a imediato inserção dos(as) docentes nas atividades de teletrabalho.

Para acessar o documento da PROEDUC/MPDFT, clique aqui!

No documento de 7 páginas, 6 são de contextualização dos decretos do GDF sobre fechamento de serviços na cidade e, em especial, das escolas. Porém, 3 pontos chamam a atenção, quais sejam:

1- A posição do SINPRO de que o teletrabalho não se aplica aos professores e do direito à imagem dos(as) profissionais. Cita como exemplo uma matéria do site do SINPRO e coloca a data de acesso do documento: 14 de Maio de 2020. Em outras palavras, há pelo menos uma semana a PROEDUC se mobilizava para redigir a Recomendação. O documento da promotoria diz ainda que o direito de imagem não é absoluto e que é razoável que os professores atuem no teletrabalho, bem como posteriormente nas aulas presenciais.

2- Informa que os(as) profissionais da educação – portanto não só professores -, com destaque para a expressão até mesmo (grifo meu) antes de se referir ao conjunto de professores(as) temporários(as), continuam a perceber a remuneração sem descontos, incluindo a GAPED (Gratificação de Atividade Pedagógica).

3- Cita que o “Plano Volta às aulas” e o “Programa Escola em Casa DF” deve ser construído coletivamente por todos os profissionais do ensino conforme decretos estabelecidos pelo próprio GDF.

Por fim, segue ipsis litteris a recomendação da PROEDUC:

RECOMENDA

Ao Excelentíssimo Senhor Secretário de Estado de Educação do Distrito Federal para que, no âmbito de suas atribuições, por meio de seus órgãos, adote as providências cabíveis no sentido de determinar – imediatamente – a todos os servidores da Carreira de Magistério Público e da Carreira Assistência da SEEDF e, também, os professores contratados em caráter temporário, lotados em unidades escolares ou em unidades administrativas ou ainda na rede conveniada, salvo situação de afastamento legal devidamente justificado, que exerçam suas funções laborais de forma adequada, seja por meio de instrumentos de intermediação tecnológica (teletrabalho, teleaulas e aulas virtuais, entre outros), ou, presencialmente, acaso haja determinação de regresso às aulas presenciais pelo Chefe do Poder Executivo local , sob pena de desconto de seus vencimentos em folha de pagamento e a incursão em demais responsabilidades determinadas na lei.

Como se pode ver, a PROEDUC que nunca fez nada para que as escolas tenham uma rede wifi ainda que precária agora querem que professores(as) resolvam os problemas da exclusão digital dos discentes. E para quem acha que não é isso a conversa fica sem sentido, pois a volta às aulas só é viável se todos estudantes puderem ter a mesma oportunidade de estudo – e olha que falei apenas do acesso! Precisou uma pandemia para que a PROEDUC percebesse o que o atraso educacional do país não se dá somente em avaliações positivistas, mas também em questões estruturantes como acesso à internet.

Sobrou, mais uma vez, para os(as) professores(as) que para continuarem a ter salário vão ter que fazer vídeo-aulas abertas e arcar com todos os problemas que advém daí, como o roubo de propriedade intelectual. Deixo claro que não sou contra ensino à distância e inclusive fiz o meu mestrado sobre o tema, mas da forma como ocorre com o GDF e agora com uma ação desastrosa da PROEDUC é fingir que o problema foi resolvido.

Mas a PROEDUC já é bem conhecida da classe docente do DF. É sempre ela a primeira a ir contra a greve de professores(as), alegando o caráter assistencial(ista) de que muitas crianças só têm refeição na escola. Fome: outro problema que professores(as) têm que resolver. Caro colega professor(a), quando lembrar que está a quase uma década sem aumento e que nem a última parcela da reposição salarial negociada em 2012 foi paga, lembrem-se que o governo sempre teve um aliado grande para chicotear os(as) docentes: a PROEDUC. Talvez seja a nossa vez de, exercendo nossa cidadania, exigir do MPDFT qual é a produtividade da PROEDUC e se há promotores que participaram daqueles colóquios com nomes bem extensos em resorts all inclusive no Nordeste brasileiro, pagos com o dinheiro dos contribuintes. Cada viagem dessa que fosse cortada já daria pra equipar muitas escolas ou colocar antenas nos ginásios dos CAICs que atenderiam comunidades inteiras.

E aí PROEDUC, topa essa defesa da educação ou vai dizer que têm orçamento próprio pra gastarem como quiserem?

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O pé na porta de dentro pra fora

Jair Bolsonaro e Sérgio Moro. Imagem: Poder 360.

Sérgio Moro não só pediu demissão. Ele acusou o presidente Bolsonaro de 3 crimes, quais sejam:

  1. Dizer, em ato OFICIAL, que a exoneração foi a pedido. Não há documento assinado por Valeixo solicitando exoneração a pedido, embora a turma de Bolsonaro esteja neste momento fazendo piquete na porta do MJ pra que o ex-diretor Geral da PF assine uma exoneração a pedido.
  2. Falsificar a assinatura eletrônica de Sérgio Moro na exoneração de Valeixo.
  3. Interferir nas investigações da PF, que é órgão de Estado e não de governo, sobretudo com interesse pessoal em investigação de fake news e atos contra a democracia que envolvem os filhos.

O preço de se manter uma dinastia de incompetentes, mesmo num presidencialismo com todos os defeitos como é o brasileiro, é bastante alto. Agora é uma questão de lógica e os eleitores de Bolsonaro terão que escolher: ou o presidente é corrupto ou quem traiu a nação foi Sérgio Moro com informações falsas.

Ao menos um herói morreu hoje, mas o certo mesmo é que os dois foram pro saco. Não é de hoje que Moro segura as investidas da familícia contra a democracia.

É Hora de tirar o pato amarelo da FIESP do fundo do armário pra dormir de conchinha e chorando, porque essa noite vai ser longa pra quem acreditou que votar num parasita que nunca fez nada como deputado iria mudar o país pra melhor.

A choradeira vai ser tão grande que agora a orientação de ficar em casa vai ser seguida à risca pelo gado.

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SUS e o Zé Ruim

SUS: Repasse precisa de aprimoramento – Jornal Contábil - Com você ...

SUS e o Zé Ruim

Paródia baseada em Geni e o Zepelim de Chico Buarque

Acompanhe com a música original:

https://www.youtube.com/watch?v=jWHH4MlyXQQ

 

 

Fruto de 88

De um processo bem afoito

Também de muita pedrada

Sua estrutura é muito grande

Tem quem ache delirante

O cuidar sem pagar nada

.

Coisa de gente cretina

De banqueiro, de sovina,

Querem dominar o Estado

Se a barriga está doendo

E a testa aquecendo

Ele te dará cuidados

.

É o sistema de saúde

Com defeitos, com virtudes,

Que a todos vai servir

Tem universalidade

Integral com equidade

E os incautos dizem assim

.

SUS eu não vou engolir

SUS eu não vou engolir

Tem é que privatizar

Vende logo isso aí

SUS atende qualquer um

Do rico ao pobre

.

Eis que surge ecoante

Como o tal Ulstra brilhante

Mas brincou o Zé Ruim

Vírus não tem armistício

2019 o início

E pra outros era o fim

.

Do Palácio da Alvorada

O Transmito tem a sacada

Tava pronta a panaceia

Pandemito ignorante

Tocou logo o berrante

Vem gado e alcateia

.

Mas tinha aderido ao alarme

Quem antes era unha e carne

Um maneta a aplaudir

Moro e Guedes de pijama

Enviaram um telegrama:

Tá sozinho o Jair

.

Mas o SUS vai resistir

Mão do SUS não vou abrir

Tem que descentralizar

Para o povo incluir

SUS atende qualquer um

Do rico ao pobre

.

Da metrópole à cidadela

Nas mansões e nas favelas

O Covid ia ligeiro

E o Justus tão pomposo

O dono da Havan, teimoso

Só pensavam no dinheiro

.

Companheiro Osmar Terra

Pegou um cheque com a donzela

Rachadinha dos milicos

O Dudu que não era nobre

Bananinha que se encobre

Reclamou: não é bem isso!

.

E o povo na agonia

Vê que o rei na economia

Não faz nada sem o peão

Mesmo o dono do Madero

Desarmou-se por inteiro

Perde o anel, mas não a mão

.

Investe no SUS ali

SUS me atende bem aqui

Vamos te recuperar

Te tirar da UTI

SUS atende qualquer um

Do rico ao pobre

.

Vendo o gado coagido

Militares ex-amigos

Deu pra trás um longo passo

A proposta incipiente

De cortar o ganho da gente

Foi parar no fim do ralo

.

De falar tanta besteira

Dia e noite, a tarde inteira,

Um fascista isolado

Braga Neto agradecia

O Mourão com o Temer ria

Já tá tudo acertado

.

SUS que foi agraciado

Viu que a verba do seu lado

Não se deve reduzir

Pra acabar a cantoria

Amanhã é outro dia

É maior o que há por vir

.

Joga verba bem aqui

Vem aloca bem aqui

SUS precisa respirar

É pra todos, é pra mim

SUS atende qualquer um

Do rico ao pobre

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Escola não é depósito de Coronavírus!

Imagem microscópica do Coronavírus. Fonte: Folha de São Paulo

Se você acessou este texto porque identificou no título o Coronavírus como sinônimo de criança, menino(a) ou adolescente então provavelmente você é profissional da educação ou tem uma relação muito próxima com alguma escola e sabe muito bem a potencialidade que esta instituição tem para disseminar a doença na população. Por outro lado, se você acessou por curiosidade de saber a relação entre coronavírus e escola, este texto é bastante esclarecedor.

As medidas de suspensão das aulas na educação básica e superior não é medida unilateral de governo de esquerda ou direita e sim o cumprimento de orientação da OMS (Organização Mundial de Saúde) para frear o avanço de pandemias. Elas ocorrem em todo o mundo e atingem, além de escolas e faculdades, estabelecimentos como teatro, cinema, igrejas, restaurantes e congêneres. Para além desses locais, os efeitos da circulação de pessoas tornam-se proibitivos ou com moderada restrição resultando em organização de filas em serviços essenciais como bancos, farmácias, supermercados, farmácias e órgãos públicos. O teletrabalho com ferramentas de atendimento a distância deixa de ser uma disputa entre sindicatos e governo e passa a ser uma necessidade de saúde pública – obviamente nos serviços cabíveis.

Se em locais como filas de comércio a orientação é de um metro de distância entre as pessoas, na creche continua valendo o “não me pega, do bico da cueca”. Se para bares a orientação é o distanciamento de 2 metros entre as mesas, no 4º ano o Enzo não vai parar de usar o tubo da caneta para cuspir borracha salivada na Valentina. Se para eventos esportivos a orientação é para fechar os portões ao público, na aula de educação física e recreação não tem uma quadra para cada dois estudantes brincarem de gol a gol. Se nas secretarias de Estado a orientação é para trabalharem em casa pelo SEI (Sistema Eletrônico de Informações), os donos de escolares não vão comprar outro veículo para manter distância entre as crianças. Se até mesmo as missas foram proibidas, como dizer para uma criança com deficiência intelectual grave que não pode abraçar os colegas com o nariz escorrendo? Não é preciso dizer que as salas de aula superlotadas e com pouca ventilação da rede pública brasileira e até mesmo as salas com ar condicionado de escolas particulares são os “criadores” que o vírus aguarda para se proliferar de forma mais cruel do que em outros países.

Felizmente e ainda não se sabe o porquê, o vírus em crianças de 0 a 9 anos é praticamente inofensivo. De cada 200 crianças, 5 desenvolvem uma forma grave do Covid-19 e 1 em cada 500 desenvolvem a forma crítica. Não há vítima fatal de Coronavírus com menos de 9 anos entre as mais de 5.000 mortes até esta data. Porém, o que preocupa é o fato de terem que ser cuidadas por adultos, muitas vezes avós com mais de 60 anos. Nessa faixa etária a mortalidade é de 3,5%. Acredite: mesmo pouco atuante na maioria da população, muitos de nós perderemos pessoas de nossas famílias ou conhecidos se um plano de contigência sério, com forte atuação do SUS (Sistema Único de Saúde), não for colocado em prática. Não dá pra dizer que morrerá um idoso de cada família, mas devemos nos preocupar com a senhora do bairro que encontramos na padaria e não sabemos o nome. Como ficaria a situação de idosos alfabetizados na EJA (Educação de Jovens e Adultos) que de noite compartilham a mesma sala da escola que crianças e adolescentes do ensino regular?

Se você é responsável por alguma criança em idade escolar e que esteja matriculada mas não associou o título deste texto ao jargão “escola não é depósito de criança”, famoso entre docentes, então você é daquele segundo grupo relatado no parágrafo inicial, que enxerga a escola como um serviço que não tem a educação como vetor principal, independente da natureza administrativa da instituição de seu filho ser pública ou privada. O distanciamento de responsáveis da escola é que gera comentários do tipo “ei governador, com quem vou deixar meu filho?” ou “lá vem esses professores folgados que não querem trabalhar!”. Este distanciamento/estranhamento das ações da escola perpassa a reunião bimestral, as apresentações de final de ano, a participação no Conselho Escolar (que tem mais poder que a Direção da escola) e em sugestões de melhora do ensino. A colaboração dos responsáveis pode ser tanto na gestão da escola como na abordagem do currículo, nas atividades extraclasse e no planejamento do calendário anual. Fizessem isso, saberiam o quanto o Coronavírus encontra na escola um aliado para a sua proliferação.

Os profissionais da educação já sabiam que mais cedo ou mais tarde a ausência dos responsáveis na aproximação com a escola teria consequências devastadoras. Contudo e justificadamente não imaginavam que seria o Coronavírus o responsável pelo puxão de orelha, por dizer “senhora, a escola não é nada disso não, a nossa função aqui como docente é outra”. Portanto, não é sobre com quem seu filho irá ficar. É claro que é compreensível que há crianças que dependem da escola até para se alimentar. Sobre isso, escolas públicas do Rio de Janeiro abrem no horário do almoço para servir refeições aos matriculados, mas isso tem duas consequências que voltam o debate ao seu início: a escola como instituição assistencialista e a aglomeração de crianças para a refeição, quebrando o protocolo de segurança.

O debate sobre com quem deixar os filhos passa por questões mais amplas que não serão abordadas neste texto, a saber: a) o abandono dos pais, entendendo o termo pais como pessoas do sexo masculino e não de forma generalizada; b) legalização do aborto; c) construção de creches e escolas de Anos Iniciais do Ensino Fundamental; d) valorização da mão-de-obra feminina. Perceba que este é necessariamente um debate de gênero, da inserção da mulher na sociedade como sujeita de direitos e não a construção judaico-cristão de mulher como mãe, cuidadora do lar e gestora do espaço privado.

Permitir que a escola funcione normalmente é colocar em risco direto estas professoras e seus familiares, sobretudo os idosos. Nenhum lugar é tão propício à reprodução do vírus do que a escola, com a inocência de crianças brincando e se segurando a todo momento. Vale lembrar que há décadas escolas públicas e privadas orientam que crianças com sintomas de doenças infecto-contagiosas – e não o laudo concreto do médico – devem ficar em casa. Se você já respeitava essa determinação, não é agora com o Coronavírus que vai fazer diferente não é mesmo?

Por fim, a educação é um dos setores mais agredidos ultimamente no Brasil. Corte de verbas, demonização de docentes, negacionismo científico (como os inconsequentes contra vacinas), militarização de escolas como forma de disciplina, congelamento salarial e outras formas de pauperização do trabalho docente são apenas alguns dos exemplos a serem citados. É uma profissão com um grande número de mulheres que também tem filhos. Como se não bastasse, por carregarem o preconceito de “vocação para o amor”, são as “escolhidas” pelo machismo dos irmãos homens a cuidarem dia e noite de pai e mãe idosos, enquanto aqueles fingem não ter responsabilidade alguma com os genitores.

Permitir que a escola funcione normalmente é colocar em risco direto estas professoras e seus familiares, sobretudo pessoas próximas a 60 anos e idosos. Nenhum lugar é tão propício à reprodução do vírus do que a escola, com a inocência de crianças brincando e se segurando a todo momento. Vale lembrar que há décadas escolas públicas e privadas orientam que crianças com sintomas de doenças infecto-contagiosas – e não o laudo concreto do médico sobre a enfermidade – devem ficar em casa. Pra quem não respeitava essa determinação, achou absurdo os protocolos internacionais de contenção do vírus. Se você já respeitava essa determinação, não é agora com o Coronavírus que vai fazer diferente não é mesmo?

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Regina Duarte anuncia equipe da Secretaria de Cultura

As duas últimas semanas foram de apreensão na Secretaria de Cultura do governo Bolsonaro. Primeiramente a atriz Regina Duarte noivou com a pasta e, enfim, aceitou o pedido na quarta-feira, 29/01/2020, para ser a Secretária. Como forma de dizer que o governo é independente e sofre pressão da mídia corporativa, Regina aceitou conversar com Rafael Ayan, editor deste blog independente e com circulação no meio político e artístico do Brasil e Suriname. Veja abaixo entrevista que a agora secretária deu ao blog, comentando a equipe de governo a bordo do luxuoso Cruzeiro MSC Fantasia do Grupo Hinode.

Rafael: obrigado pela entrevista. Antes de entrarmos no assunto principal da pauta, gostaria que comentasse a atitude do ex-titular da pasta, Roberto Alvim. Achou correto o vídeo?
Regina: achei fraco. A luz não favoreceu a expressão do Alvim. O microfone estava longe da fonte e exigiu uma maior entonação, o que pode deixar a entender que ele gritava como um nazista e…

Rafael: mas me refiro ao conteúdo e não somente à forma, que também foi assustadora.
Regina: achei sem graça. Faltou ele entrar mais no personagem do que deixar o personagem entrar nele.

Rafael: ok, vamos falar da sua equipe. Por que a escolha de Agnaldo Timóteo para a Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic)?
Regina: Olha, o Agnaldo é armamentista e tem um pensamento bem alinhado ao do governo. Além do mais, quando era vereador, ele disse publicamente “quem nunca fez um Caixa 2?”, naturalizando uma prática de corrupção no país. Acho que por isso foi recomendado pelo Ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Ele vai se sair bem.

Rafael: e quanto à Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual (SDAPI), quem vai para este importante cargo em tempos de massificação da cultura por meios digitais?
Regina: o cantor Latino. Esse fui eu quem fez questão de indicar. Latino processou a Disney em 2017 dizendo ser o autor da música “Let it go” (tema de Frozen). A Damares não ficou muito satisfeita, mas conversei com ela direitinho. Latino também viveu o outro lado da história: foi acusado de plágio pela música do cachorrinho de sua ex, Kelly Key, e de ter feito uma versão de Gangnam Style, do-sul coreano Psy, antecipando o K-Pop no país. Olha, me desculpe, mas quem é copiado pela Disney jamais vai se queimar plagiando Psy. Ele é o cara certo para cuidar de direitos autorais.

Rafael: na Secretaria de Diversidade Cultural (SDC) quem vai dar as cartas?
Regina: se estivéssemos no início de 2019 seria o Alexandre Frota, mas ele está tão queimado que não serve mais nem pra fazer figurante de novela da Record. Vai acabar no Superpop pedindo os peitinhos das Ninjas do Funk que ele disse ter pago a operação de silicone. Machista até prp padrão Bolsonaro, cruzes! Pensei na Pepê e Neném, mas como teria que ser Pepê OU Neném, não quis criar racha entre as duas. Então vai ser a Luiza Tomé mesmo.

Rafael: mas por que a Luiza Tomé?
Regina: o Bolsonaro disse que ela é uma atriz famosa e tem que chefiar algo. Mal sabe ele que tem mais de 10 anos que ela está na geladeira e não aparece nem em comercial de verdurão de Carapicuíba. Mas deixe ela lá pra Globo ver o que faço com vozes dissonantes.

Rafael: e quanto à Secretaria da Economia Criativa (SEC)?
Regina: vai ficar com o Ronaldinho Gaúcho.

Rafael: mas ele tem restrições para sair do país e multa ambiental por construir um trapiche na orla do rio Guaíba, em Porto Alegre. Como vai tratar de economia criativa, inclusive com outros países?
Regina: o fato da multa ambiental o aproxima do presidente Bolsonaro. Sabemos como são esses ecochatos comunistas: você quer desenvolver a cidade, gerando emprego e renda, e é multado. Para além disso, ele é dono de 3 zonas, então ficar com mais uma não faz diferença.

Rafael: o Brasil tem se destacado em produções audivisuais. Quem será o representante do governo para dialogar com os cineastas na Secretaria de Audiovisual (SAv)?
Regina: vai ser o apresentador Carlos Massa (Ratinho).

Rafael: mas o que Ratinho entende de audiovisual?
Regina: me desculpe Rafael, mas acho que está por fora. Ratinho comanda uma cadeia de rádios no Paraná, monopolizando a comunicação e utilizando-a inclusive a favor do próprio filho, como na última eleição em que Ratinho Júnior foi eleito governador daquele Estado. Tudo debaixo do nariz do Ministério Público do Paraná que só tem tempo para confabular alguma forma de dizer que o Sérgio Moro não é corrupto. Além do mais, Ratinho pegou seu programa no SBT, que é uma concessão do Estado, e fez do quadro “2 dedos de prosa” uma verdadeira TV estatal em horário nobre. Propagandeou da Reforma da Previdência até o uso indiscriminado de armas por civis. Toda segunda-feira é dia de algum puxa-saco do Bolsonaro, senão o próprio, participares do quadro. É isso que queremos fazer na Cultura, mas agora em grande escala e com mais tempo. Adianto que o Olavo de Carvalho será convidado especial para falar sobre o mundo dos terraplanistas, nova série que será lançada pelo governo.

Rafael: eu pensei que seria o Carlos Bolsonaro.
Regina: ele já está muito ocupado fazendo vídeo de mamadeira de piroca pra encaminhar pro whats app. Não dá pra ele ver todo vídeo bizarro que sai na web.

Rafael: quem será o chefe na Secretaria de Infraestrutura Cultural (Seinfra).
Regina: o Eduardo Costa. Ele tem experiência com infraestrutura. Há anos faz botox e uma série de procedimentos milionários caríssimos na própria face. Vai cuidar com carinho do país. Não é possível que nossa cultura mais feia que o semblante dele. E olha que ali já investiu milhões pra tirar aquela lata desgastada.

Rafael: ultimamemte o país vive uma guerra de desinformação quanto à captação de recursos via FAC (Fundo de Apoio à Cultura) nos Estados ou até acessando a Lei de Incentivo à Cultura. Como a senhora pretende incentivar financeiramente projetos de cultura no país após a PEC do Teto e sucessivos cortes e contigenciamentos de Paulo Guedes?
Regina: ah é. Vamos dar prioridade para leis como a Lei de Incentivo à Cultura que você citou.

Rafael: quem bom saber que vão investir na Lei Rouanet. Uma boa notícia e…
Regina: Lei Rouanet? Jamais! Eu não disse isso nunca.

Rafael: mas Regina, este é o nome da Lei de Incentivo à Cultura e é o mínimo que precisa sab…
Regina: então vamos mudar porque Lei Rouanet é pra comunistas.

Rafael: falando nisso, a senhora deve R$ 319.600 para a Lei Rouanet por conta de irregularidades na prestação de contas de uma peça de 2018. Como a senhora pretende pagar a dívida.
Regina: não posso falar porque agora sou gestora desta rubrica.

Rafael: mas antes a senhora não falava porque não tinha dados.
Regina: pois é, podemos mudar de assunto?

Rafael: sim, como quiser. Há alguma novidade em sua gestão, algum cargo criado?
Regina: sim. Por ser um país que adora telenovelas, vou criar a Secretaria de Mídias Literárias e Companhia (Semilicia). O Secretário será Fabrício Queiroz. Vinculada à esta secretaria haverá um Núcleo de Dramaturgia Especial (Nudes) chefiado por Flávio Bolsonaro. Afinal, a família do presidente sempre tem que estar em todos os espaços do governo. É a meritocracia não é mesmo?

Rafael: mas por que o Flávio? Só pelo fato de ser filho do presidente? Isso é republicano?
Regina: ora, quem consegue interpretar tão bem a novela sobre a morte de Marielle e intervir para que a Justiça não resolva o caso? E as rachadinhas? Já teve choro, pedido de arquivamento pro STF, choro de novo, descoberta de que os assassinos são vizinhos do presidente… é a maior novela que já ocorreu no país. Nem Avenida Brasil tem tanto capítulo. Flávio soube como lidar com os holofotes e não se entregar. É o vilão da novela que nunca é capturado.

Rafael: bate-bola. Namoradinha do Brasil?
Regina: agora só de 34% do Brasil.

Rafael: viúva Porcina.
Regina: Sérgio Reis.

Rafael: Rainha da Sucata.
Regina: Luciano Hang da Havan.

Rafael: luta.
Regina: José Aldo.

Rafael: velocidade.
Regina: Emerson Fittipaldi.

Rafael: entregar o jogo.
Regina: Felipe Melo.

Rafael: matrimônio.
Regina: Zezé di Camargo.

Rafael: paternalismo estatal.
Regina: Maitê Proença.

Rafael: esquecimento.
Regina: Sarah Sheeva.

Rafael: sem noção
Regina: Glória Perez.

Rafael Ayan: por amor.
Regina: Zizi Possi.

Rafael: empreendedorismo.
Regina: Edir Macedo.

Rafael: mais uma vez obrigado Regina e boa gestão.
Regina: eu que agradeço. Brasil acima de tudo e Deus acima de todos.

……….

Confira agora a equipe completa de Regina Duarte na Secretaria de Cultura do governo Federal

Agnaldo Timóteo – Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic)

Cacá Diegues – Fundação Nacional de Artes (Funarte)

Carlos Vereza – Diretoria de Culto (DICU)

Carolina Ferraz – Assessora para assuntos de Riqueza (ASSERIR)

Datena – Diretor de Comunicação Não Violenta (DCNV)

Eduardo Costa – Secretaria de Infraestrutura Cultural (Seinfra)

Fabrício Queiroz – Secretaria de Mídias Literárias e Companhia (Semilicia)

Flávio Bolsonaro – Núcleo de Dramaturgia Especial (Nudes)

Helio Bolsonaro – Fundação Palmares

Latino – Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual (SDAPI)

Luiza Tomé – Secretaria de Diversidade Cultural (SDC)

Márcio Garcia – Diretoria de Cultura de Emancipação e Consentimento Adolescente (DICUECA)

Mylla Christie – Diretoria de Fortalecimento Institucional (DIFOI)

Ratinho – Secretaria de Audiovisual (SAv)

Roberto Justus – Diretor de Recursos Humanos (DRH)

Ronaldinho Gaúcho – Secretaria da Economia Criativa (SEC)

Yudi Tamashiro – Diretoria de Abstinência (convênio Ministério dos Direitos Humanos)

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