Feminicídio em sede da Secretaria de Educação do DF

Uma servidora da educação acaba de ser morta pelo marido no prédio da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal na manhã desta segunda-feira, 20 de maio, Dia da Pedagoga. Após matar a mulher, o marido se matou. O secretário de educação, Rafael Parente, confirmou as duas mortes e cancelou a Caravana da Educação na regional do Núcleo Bandeirante.

O Distrito Federal é campeão em feminicídios no país. Outro dado que chama a atenção é a frequência com que homens retiram a própria vida após matarem suas ex-companheiras. Isso faz com que políticas como o endurecimento de pena para praticantes deste tipo de crime sejam tão eficientes quanto ameaçar um membro do Estado Islâmico de ser preso em Guantánamo. É claro que medidas protetivas que restringem a convivência do agressor e vítima em espaços físicos próximos colabora em casos menos graves, mas o fato é que continuamos a ter mortes de mulheres das formas mais covardes possíveis.

Claramente não é hora para tergiversar e dizer que é necessário militarizar a sede da Secretaria de Educação ou os locais onde trabalham os companheiros das professoras. Contudo, precisamos de uma mudança de cultura de uma geração e isso só se faz através da educação, da escola, do currículo integrado à prática de atividades cotidianas de crianças e adolescentes. Mas não é só: a escola não é uma bolha isolada do mundo, então a atual geração de adultos deve dar a sua contribuição, exigindo que o debate de direitos humanos seja levado para televisão, jogos digitais, missas, cultos e sobretudo dentro de casa.

O momento atual de exaltação da virilidade, de “menina veste rosa e menino veste azul”, da ode ao obscurantismo e outras posturas bizarras revela catalisadores de ações que vão ao encontro de ações feminicidas. A liberação da posse e porte de armas é mais um elemento que coloca as mulheres em situação de risco, uma vez que diminui suas chances de defesa. A cultura patriarcal de um país colonizado por 4 séculos e com mentalidade escravocrata que acha que o espaço do homem é o público e o da mulher é o privado nos coloca diante de uma certeza amarga: não será este o último feminicídio no Brasil.

Nós, docentes da educação básica, somos uma classe majoritariamente feminina. Se um homem pode entrar na sede da Secretaria de Educação e matar a atual companheira, qual segurança têm as milhares de professoras que estão em escolas e possuem maridos não menos violentos? Quem será a próxima e com quais consequências? Teremos estudantes atingidos?

Voltando ao debate das possíveis soluções do problema, o respeito às mulheres deve ser um componente curricular transversal e interdisciplinar desde os anos iniciais. Salto importante foi dado com as próprias empresas, do protetor solar às cervejarias, deixarem de direcionar suas propagandas à visão da mulher como produto a ser consumido. Outro ponto positivo foi a aprovação pela CLDF do PL 233/2019 de iniciativa do Deputado Distrital Fábio Felix (PSOL), tornando obrigatório o debate da Lei Maria da Penha nas escolas do DF. Tivéssemos adiantado esse esforço, vidas como a da servidora e de muitas outras mulheres teriam sido poupadas.

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Triste fim de Rafael Parente

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Rafael Parente, Secretário de Educação do Distrito Federal. Foto: Diário do Poder.

Até o início de 2019, qualquer pessoa que procurasse saber na internet sobre Rafael Parente iria se deparar com informações que somam o perfil acadêmico ao de um gestor. Doutor em Educação pela Universidade de Nova York e ex-subsecretário de Educação do Rio de Janeiro, Parente transita entre movimentos ligados à educação e às recentes agremiações políticas “nem nem” (nem esquerda, nem direita), como o Movimento Agora! Logo, sabemos bem que a reivindicação de uma apresentação imparcial não passa de uma tentativa mal sucedida de dizer que dialoga com todo mundo – embora sempre decida pela bandeira dos liberais. E se você acha que conhece o sobrenome Parente não se engane: Rafael é filho de Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras e que também comandou as pastas da Casa Civil e Planejamento.

Porém, como diz o ditado, a primeira impressão é a que fica e a primeira medida de Parente à frente da Secretaria de Educação foi o projeto de Gestão Compartilhada ou, como vamos tratar nesse texto, a militarização das escolas. Assim, solicitou à Sérgio Elias Machado, Subsecretário de Educação Básica, que escrevesse um parecer sobre a militarização das escolas. Sergio fez um parecer contrário e o colocou no SEI (Sistema Eletrônico de Informações), o que possibilitou ser visto por outros servidores e gerou um desgaste para Parente. Ora, Sergio não foi colocado como gestor à toa: tinha o aval de Parente como qualquer gestor que ocupa os principais cargos da Secretaria de Educação. Portanto, o parecer de Sergio é o parecer de uma equipe que estava em sintonia com muitas coisas, dentre elas, a de uma educação libertária e não opressora. Se tem alguém que mudou não é Sérgio e sim Parente.

Em seguida, Parente tratou de se aprofundar naquilo que nunca foi: um capitão-do-mato subserviente aos interesses de Ibaneis, o ex-presidente da OAB que esqueceu propositalmente o que são direitos humanos. Parente foi à porta do MEC dizer à Velez, ex-ministro da educação, que se o governo federal tem verbas para escolas militarizadas, que começasse pelo Distrito Federal. O problema é que quem paga a banda escolhe a música e com verbas de um governo inconsequente como é o de Bolsonaro e da Polícia Militar do Distrito Federal, que também administraria a parte burocrática e disciplinar nos projetos de militarização, a autonomia das escolas foi duramente atingida. Embora liberal, Parente passou de progressista à conservador em pouco tempo, por puro apego ao cargo.

Mas Parente não se contentou em ser o porta-voz das escolas militarizadas do DF: a postura de polícia, de perseguição, adentrou ao seu habitus de gestor. Um exemplo foi quando a Escola Classe da 115 Norte fez uma peça para as crianças sobre a Reforma da Previdência e colocou nas redes uma foto com os(as) docentes da escola e uma faixa se posicionando contra a medida do governo. O Escola Sem Partido, que não tem mais o que fazer do que ser o “cartaz proibitivo da parede” nas redes sociais, tratou logo de cobrar do secretário uma postura do que consideravam ideologicação das crianças. Até aí tudo nos conformes, pois não se espera outra coisa de um movimento que tenha como guru o Olavo de Carvalho. O problema foi Parente responder que tomou ciência do caso e encaminhou a “denúncia” ao Ministério Público! Saudades da época em que o Twitter de Rafael Parente era utilizado para atacar o Escola Sem Partido, defender a educação sexual nas escolas e a liberdade de cátedra.

Dia desses eu assistia um documentário gravado há alguns anos na TV Escola sobre uma instituição mantida pela Fundação Steve Jobs nos Estados Unidos que tem práticas inovadoras na educação, dentre elas, o uso de tablets por docentes e estudantes. A escola tem parcerias com o MIT (Massachussetts Institute of Technology) no Vale do Silício, um dos maiores conglomerados de empresas de tecnologia no mundo e também com a própria Apple, sem depreciação do estudo de ciências Humanas. Qual não foi a minha surpresa ao ver Parente dando uma declaração defendendo o método completamente inovador em que as crianças escolhem as atividades que fazem e, por mais que seguissem um currículo, tinham a liberdade de fazê-lo no seu tempo, aprender por diferentes meios e serem avaliadas de várias formas?

Justiça seja feita, Parente teve uma briga com Clemente, secretário da Fazenda do DF, para implementar nas escolas do DF justamente um projeto que distribuía tablets nas escolas e fazia a formação com os(as) docentes para trabalharem o currículo em sala. Porém, joga muito mais peso na ampliação do modelo de escolas militarizadas – que nunca serão escolas militares – do que em projetos que deram certo em sua gestão como Subsecretário de Educação no Rio de Janeiro ou que são parte de suas rodas de debate com o Agora! Vejam bem: não falo de mamadeira de piroca ou kit gay, falo do Movimento Agora!, das ideias liberais de Luciano Huck que seriam muito menos perniciosas à educação pública do DF do que a política do big stick para a periferia.

E onde foi parar esse Rafael Parente? Por que o cara que fez doutorado e domina o debate de TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) e aparece num documentário internacional comentando o tema de repente vira um braço do Escola Sem Partido? Por que alguém que sempre defendeu a autonomia dos estudantes aparece em fotos sorrindo ao lado de policiais dizendo que estudantes negras devem prender o cabelo porque isso é parte da disciplina? Onde está a crítica de Parente ao permitir que um grafite de Mandela feito por um membro da comunidade da Estrutural possa ser remanejado sem debate algum com a comunidade simplesmente porque a PM quer? Onde estão as publicações das redes sociais de Parente que batiam nas posturas conservadoras que insistiam em opinar em educação? Essa nunca foi a trajetória de Parente, mas parece que ele quer dar um novo desenho ao seu perfil a partir de agora. Enfim, existe um Rafael Tenente habitando Rafael Parente e o resgate deste último é fundamental para que a educação pública do DF não seja ainda mais prejudicada.

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Paródia – uso do por que

Artista: Wesley Pelo Qual e Sabida

Música: Porque com clareza

Escrita por: prof. Rafael Ayan

Musica original: https://youtu.be/J2Ra63wi5gE

Se o uso do porque você não sabe

Se liga e aprende aqui com o 5° C

Tá junto e sem acento é verdade

Então explica algo esse porque

Se o porquê vai aceitar uma troca

Com o artigo ele vem na compressa

Vou escrever com acento e junto

Vem se liga nessa

Sabe o por quê

No fim isolado

Vai ter acento e estar sempre separado

Sabe o por que

Acento não deixa

Basta trocar “por qual motivo” com certeza

E se deixa

Numeral ao lado

É junto e sempre acentuado

Com a paródia

Com o teatro

Porque já tô sabendo os 4

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Eleições Sinpro: #LulaLivre… ou melhor: #Chapa3Livre

Que a eleição do Sinpro/DF é um jogo de cartas marcadas todo mundo já sabe. Porém, isso não nos impede de rir da própria tragédia, como nos ensinaram os gregos. Poderíamos escolher várias aspectos para criticar o processo eleitoral do Sinpro, mas aqui elenco apenas um: o tempo! Ah, o tempo… este que é imperativo à todos, como disse Carmen Lúcia à Gilmar Mendes que queria dar um de seus discursos de 4 horas para votar algo simples.

No último dia 08 de maio passou em minha escola uma representante do Sinpro para, segundo ela, fazer duas atividades: mobilizar para o ato do 15 de maio e, pasmem, fazer propaganda da Chapa 1!  Primeiro detalhe que faz a diferença: ela disse que é da atual diretoria do Sinpro. Ora, se estamos em processo eletivo, certo é que não há diretoria e sim uma Comissão Eleitoral que assume as funções da diretoria até que seja concluída a eleição. É óbvio que a Chapa 1 usa toda a estrutura da CUT, CNTE, PT, PC do B e do próprio Sinpro para a eleição de um dos maiores sindicatos da América Latina, mas também não pode escrachar, vá lá. Quando perguntei se ela estava lá como Chapa 1 ou como Diretoria do Sinpro, gaguejou tanto para me explicar que parecia o coronel Flagra tentando justificar o uso de uma servidora da Câmara dos Deputados como empregada em sua residência.

Pois imaginem vocês que enquanto colegas professores(as) da Chapa 3 – única chapa de oposição nesta campanha – têm que se desdobrar entre o tempo de trabalho e, quando dá, passar nas escolas e apresentar seu programa, a Chapa 1 tem todo o tempo do mundo para fazer campanha. Para elucidar ainda mais com um exemplo prático: perguntei à esta diretora do Sinpro o que ela tinha feito de manhã e ela me respondeu que tinha passado em muitas escolas e que ela se desloca a pé. Respondi que eu tinha que ficar na escola em meu horário de coordenação, mas gostaria de fazer campanha para a Chapa 3. Continuando, perguntei o que ela faria a tarde e ela encheu a boca para falar que tinha que passar nas escolas da QNJ de Taguatinga. De minha parte, respondi que tinha 29 estudantes (até então, porque não há limites para lotação de sala na SEEDF) e que novamente a Chapa 1 estaria na rua fazendo campanha enquanto colegas que defendem a Chapa 3 estariam, vejam só o “absurdo”, trabalhando.

Em geral funciona assim: o Sinpro não pode dar nenhum incentivo fiscal ou de pessoal à nenhuma chapa, a menos que ofereça o mesmo às outras. Porém, o Sinpro é filiado à CUT e contribui mensalmente para esta central sindical e ela pode ajudar quem bem lhe entender. É como uma lavagem de dinheiro no quintal de casa, burlando as regras que visam deixar o processo um pouco mais democrático para tornar esmagadora a vitória da burocracia sindical – expressão pra não dizer que não falei da Chapa 2 nesse texto, os laranjas do PCO. Logo, não bastasse o tempo livre que acompanha a Chapa 3 em todas as suas visitas às escolas, soma-se à isso a marmita, o deslocamento, o adesivo, o jornalzinho, tudo pago com o dinheiro dos(as) professores(as), quer dizer, da CUT. Depois reclamam quando cada vez mais docentes se desfiliam do sindicato, por mais que esta atitude aprofunde nossa fraqueza frente ao governador Ibaneis.

E pensar que eu nem iria falar nada, nem quis participar nominalmente da chapa esse ano por completa desilusão com o sindicato e o sectarismo da esquerda. O que me levou a indagar a diretora do Sinpro foi o fato dela chegar na sala dos professores gritando que tinham arrancado cartazes da Chapa 1 e outros sobre a Reforma da Previdência. Grande parte dos(as) docentes da minha escola sabem que eu apoio a Chapa 3, até porque enviei no grupo de Whats App dos(as) docentes o pouco que a Chapa 3 produziu de material de campanha – não tempos especialistas pagos para isso. Porém, por mais injusto que seja este e todos os outros processos de eleição do Sinpro, jamais rasguei cartaz algum, nem mesmo o do PCO da campanha passada que, também pago pela CUT, era somente um ataque à chapa de oposição, acariciando a chapa da situação. Tampouco tiraria um cartaz que mobiliza a classe contra a Reforma da Previdência, uma pauta nacional e que é um dos consensos entre docentes.

A postura da diretora do Sinpro ao visitar a escola levava as pessoas a crerem que seria eu o responsável e por isso resolvi pedir que uma colega da direção perguntasse se foram os diretores que tiraram porque não aguentava mais aquela gritaria vindo de alguém da Chapa 1, que pode reclamar de tudo, menos de desonestidade por parte da concorrente. Depois do início da confusão, a situação normalizou e pude ter uma conversa muito respeitosa com esta diretora,que inclusive calculou meu tempo de aposentadoria, para meu completo desespero. Fosse ela unicamente com este objetivo e soubesse que não é pra mim que a CUT ou direção do Sinpro deve mirar sua raiva, a conversa teria sido melhor, ainda que permanecesse a injustiça de ter uma chapa usando todo o tempo do mundo para fazer campanha enquanto a outra trabalha.

Portanto, colega professor(a), quando for alguém da Chapa 1 fazer propaganda em sua escola, pergunte se eles dão aula e em qual horário. A maioria leciona ou é orientador no período noturno, quando a maior parte das escolas do DF não funciona – e praticamente o que sobra para a Chapa 3 fazer campanha quando não está em seu horário de trabalho, com a diferença de não ter pagos marmita, verba de deslocamento, adesivo ou jornalzinho. Chega a ser asqueroso um diretor vir dizer “eu tô lá na escola tal 20 horas”, quando nós mortais pegamos até abono para poder minimamente correr de uma escola para outra.

Na época da eleição presidencial em 2018, os petistas reclamaram muito de Lula não poder fazer campanha porque estava preso. Pois bem, saibam que é assim que a Chapa 3, de oposição à diretoria do Sinpro, se sente nas eleições. Que tal fazer uma campanha #Chapa3Livre ?

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UnB resistirá ao fascismo de Bolsonaro

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Corredor do Instituto Central de Ciências, em frente ao DCE (Diretório Central dos Estudantes). Foto: Beto Monteiro/Secom UnB.

Quem controla Weintraub

No dia 14/04/2019, semana em que Weintraub chegou ao MEC (Ministério da Educação), escrevi para este blog um artigo de opinião informando que a saída de Vélez não era uma troca de 6 por meia dúzia. Menos de um mês depois e a observação se confirmou: a UnB teve cerca de 30% do orçamento cortado pelo novo ministro. E não pense que leu errado porque foi exatamente o que aconteceu: o novo ministro, sem abrir processo algum para apurar responsabilidades por possíveis “balbúrdias” resolveu atacar de forma covarde a melhor universidade do Centro-Oeste.

O ministro não observou os índices acadêmicos da UnB, que melhoraram nos últimos anos e a colocam como a 5ª melhor federal do país e 16ª da América Latina. Assim, decidiu de forma unilateral e sem nenhum critério científico pela afronta a uma das melhores universidades do país. A UFF (Universidade Federal Fluminense) e a UFBA (Universidade Federal da Bahia) foram outras duas importantes instituições que, assim como a UnB, tiveram grande parte de seu orçamento retido pelo MEC.

Como bom pet de Bolsonaro e Paulo Guedes, Weintraub não tardou a seguir as ordens de seus donos e com uma cajadada só matou dois coelhos: por um lado atingiu o bolso da UnB para custear importantes atividades de ensino, pesquisa e extensão e, por outro, agradou ao lunático Olavo de Carvalho e sua batalha contra o que chama de marxismo cultural. A baixaria contra a UnB é simbólica, dentre outras coisas, pela importância geopolítica da universidade.

 

Os reais motivos para o ataque à UnB

Recentemente na UnB os candidatos a presidência em 2018 Fernando Haddad e Guilherme Boulos participaram de atividades em que criticaram a Reforma da Previdência. Para Bolsonaro não é viável ter uma universidade localizada ao lado da Esplanada dos Ministérios com um público de 60.000 estudantes, técnicos e professores protestando contra o governo. Se 5% desse total resolver sair de seu local de trabalho para lutar por direitos, serão 3.000 pessoas em frente ao Congresso Nacional, fora os sindicatos e outras organizações classistas do DF ou de outros estados.

Para quem acha que é teoria da conspiração, basta ver a ordem de Sérgio Moro para sitiar a região central de Brasília, dando ares de legalidade ao endurecimento da ação policial contra a liberdade de expressão. Já conhecíamos esse tipo de arbitrariedade vindo do AI-5 em 1968, mas de alguém que até pouco tempo representava o Judiciário, poder que foi esvaziado durante a ditadura militar, é de fato uma novidade. Moro vendeu-se de corpo e alma para o cargo e não engana mais sequer os que imploraram para que Lula fosse preso. Pois bem, nem Moro e nem o MEC conseguirão intimidar a UnB.

Com ou sem a aprovação da Reforma da Previdência – ou com a aprovação desidratada, como deverá passar – Bolsonaro continuará com ações que sempre movimentaram os movimentos sociais na Esplanada dos Ministérios. Algumas delas: pacote de medidas de criminalização da pobreza de Moro, flexibilização para atividades de mineração (mesmo após os acidentes de Maraiana e Brumadinho), não demarcação de (sic) nem um centímetro para terra indígena e até fim das cotas e outras sem tanto apelo popular como a redução da maioridade penal. Bom se adiantar e colocar os “autos de resistência” sob a patente do Ministério da Justiça e não mais dos juízes. Afinal de contas: o juiz agora é ministro.

 

Ditadura militar

Por duas décadas a Universidade de Brasília resistiu à ditadura militar, numa época em que as Forças Armadas estavam em sincronia e não com grande parte do generalato conspirando diariamente para ver Mourão plagiando o golpe de Michel Temer. Foram muitos professores expulsos e estudantes presos, mortos ou desaparecidos, como o líder estudantil e estudante de geologia Honestino Guimarães. Ementas de cursos foram mudadas, havia militares vigiando as aulas, ora uniformizados, ora à paisana. Tanques disputavam o espaço com os fusquinhas nas ruas e o ICC (Instituto Central de Ciências) era palco de perseguições, agressões e mesmo tiroteios, como mostra o documentário “Barra 68: sem perder a ternura” do cineasta Vladimir Carvalho.

À época, estudantes das áreas de humanas, biológicas e exatas costumavam se respeitar e por vezes se abraçaram e impediram colegas de serem levados pela polícia. A ideia de Darcy Ribeiro do prédio do ICC, em que todas as áreas dialogavam entre si, era muito mais do que um bacharelado interdisciplinar ou estudantes de engenharia serem obrigados a cursar Introdução a Sociologia, mas um projeto de convivência humanitária e respeito às diferenças. Também os professores tinham preocupação em servir ao país e, longe de serem de esquerda, estavam mais distante ainda de flertar com torturadores ou governos autoritários.

 

Agradecimento do MEC à geração Y

Não é motivo desse texto se aprofundar no assunto, mas segue uma afirmação: a popularização da internet não trouxe jovens mais críticos, mas uma geração de preguiçosos intelectuais educados por memes. Digo isso porque quando fiz o mestrado na área de Educação e Comunicação na Faculdade de Educação da UnB, em 2011/2013, acreditava que a facilidade de acesso à informação poderia revolucionar a juventude para melhor. Confesso, com tristeza, que me enganei! Informação não se converte necessariamente em conhecimento. Informação pode servir à ignorância, intolerância, homofobia, racismo e todo tipo de discurso de ódio que assistimos nas redes sociais.

Alguns pesquisadores dirão que perdemos a batalha da informação, mas é nítido que o poder econômico, embora não tão presente como na mídia tradicional, sempre dá um jeito de monopolizar o conteúdo e fluxo de informações da internet. Essa questão é tão nítida que somente numa rede dominada por “mecenas” como Luciano Hang, dono da Havan, temos milhões de brasileiros recebendo e acreditando que o MEC na gestão do PT usou as escolas para distribuir “mamadeiras de piroca” para a população.

Uma outra avaliação possível: a popularização da internet não atingiu somente os mais jovens mas aqueles que nasceram antes de 1980. Isso explicaria o discurso conservador presente na web uma vez que a população com mais de 30 anos e com acesso à internet é maioria no país. Infelizmente, não é raro vermos jovens e até mesmo crianças reproduzindo ataques à gays, nordestinos e, pasme, contra universidades. O conservadorismo fez escola, não sem partido mas com a ideologia do partido deles: o fascismo.

 

A necessária autocrítica da classe média

Mas o que a geração Y tem a ver com o ataque do MEC à UnB?

O governo Bolsonaro só encontra espaço para suas atitudes autoritárias porque sabe que este discurso de ódio é acolhido por parte de estudantes da universidade. Quando há poucos dias Bolsonaro anunciou que não iria mais investir em cursos de Sociologia e Filosofia nas universidades federais, os seguidores de Bolsonaro pularam de alegria, achando que atingiria somente o cabeludo ocioso que passa o dia na grama e jamais os que querem ser profissionais liberais competitivos no mercado de trabalho.

Não demorou para a conta vir amarga: um corte geral no financiamento de verbas que atingirá todos os cursos de graduação e pós, das saídas de campo para as pesquisa em botânica na Fazenda Água Limpa ao acompanhamento in loco dos estágios nas empresas de engenharia. Logo a UnB que está entre as 400 melhores instituições do mundo na área de saúde. Para se ter uma ideia, somente os Estados Unidos tem mais de 400 instituições superior com cursos de graduação em saúde, fora Europa, Ásia e outros países que investem bastante nesta área. Acabou a “balbúrdia” de pesquisar doenças tropicais, vacinas e ficar entre as melhores faculdades de saúde do mundo. O que o estudante de medicina com camisa do MBL tem a dizer sobre isso?

O MEC joga duro com a UnB porque sabe que nesta universidade está lotado o professor Bráulio Tarcísio Pôrto de Matos, vice-presidente do Escola Sem Partido. Se tinha alguém achando democrático a UnB ter um professor defendendo uma imparcialidade que ele mesmo não carrega nas ementas das disciplinas que oferta, que perceba agora que o docente construiu embaixo das barbas da turma academicista do “deixa disso” um movimento que sufocará a própria direita da universidade.

E quanto ao grupo dos que reclamam dos que “não estudam” e passam o dia inteiro em redes sociais criticando a universidade e os que se mobilizam contra o governo? Bem, pra esses também não haverá verbas. É o fim da “balbúrdia” do laboratório bem equipado, da ampliação e modernização de salas de aula, da construção de auditórios, da compra de equipamentos com tecnologia de ponta. Pode continuar a xingar os comunistas o dia todo no Facebook que não vai mudar nada, mas apenas mostrar o que é um fantoche obediente. Para os “baderneiros”, nenhuma surpresa. Para os “iluminados”, no mínimo uma traição.

Adivinhe quem gostou e caçoou da situação da UnB? O MBL (Movimento Brasil Livre), que defende publicamente que nossas universidades sejam uma franquia da Kroton com um papel higiênico no banheiro e nenhum incentivo à produção acadêmica. Observe que voltamos ao ponto inicial: a UnB não está sendo prejudicada por não ter qualidade acadêmica e sim por ser de excelência. Simultaneamente, Kroton e outros grupos educacionais que recebem verbas públicas direta ou indiretamente não foram atingidas por similar medida do governo e nem chamadas de improdutivas ou acusadas de terem “balbúrdia”. Quem conhece a realidade da rede Kroton sabe que qualidade passa longe de suas faculdades, com salas lotadas, trabalhos sendo apresentados nos corredores e professores com especializações em cursos conhecidos pela venda de diplomas.

Triste pensar que vamos ter que esperar as Forças Armadas invadirem novamente a UnB para tomarmos atitudes mais sérias. Não defendi expulsar o professor Bráulio ou algum estudante que organiza ato em comemoração ao Golpe de 1964, por mais inconsequentes que ambos sejam. Falo de percebermos que Bolsonaro é um inimigo comum de qualquer que seja a ideologia que defenda uma universidade plural, democrática e de excelência, contanto que esta ideologia não seja o fascismo e outros pensamentos que visam exterminar minorias. Quando Bráulio achar que os estudantes são tábua rasa, estes devem lhe mostrar os problemas da educação pública e a difícil vida de professor aviltada pela falta de investimento público e agora pelas baboseiras cartesianas dos olavistas que saíram do armário. Quando um estudante quiser filmar um professor dando aula, a turma deve se colocar ao lado do docente e defendê-lo de mais uma peça publicitária do escritório de fake news do Carluxo.

É o momento da classe média que reivindica qualidade acadêmica fazer a autocrítica de que a infantilidade de hierarquização entre áreas do conhecimento não favoreceu nenhuma delas, mas colocou no poder alguém que admira a própria preguiça intelectual e quer acabar com o que temos de melhor na educação superior brasileira. Os centros acadêmicos, o DCE (Diretório Central dos Estudantes) e os sindicatos dos técnicos e professores devem dar uma resposta à altura da medida de Weintraub contra a autonomia didático-financeira da Universidade de Brasília, indo para a porta do MEC e denunciando o roubo institucional de uma verba que não é esmola e sim da universidade por direito. É hora dos egressos, do empresário fora do país ao assessor parlamentar passando pelo professor da educação básica se juntarem para defender a sua alma mater. Nem mesmo o eleitor de Bolsonaro pode fugir desta tarefa, pois a UnB é atemporal e os governos não.

Bolsonaro foi com muita sede ao pote com esta última ação porque deve agir rápido diante da mobilização social contra a Reforma da Previdência e semanalmente dar uma satisfação ao seu mentor especialista em educação que reside na Virgínia (EUA). Se a classe média não deixar de lado o complexo de vira-latas e admitir que a democracia, com todos seus defeitos, é o melhor caminho, a universidade perderá muito mais do que 1/3 de seu orçamento. Será difícil principalmente pelo fogo amigo, mas a UnB resistirá à Bolsonaro e seus tentáculos podres como o MBL, Escola Sem Partido e aloprados. Não há fuzil ou astrólogo charlatão que pare uma ideia.

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Já sabemos como é não ter Ministério da Educação

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Não é 6 por meia dúzia

Engana-se quem pensa que a chegada de Abraham Weintraub ao MEC (Ministério da Educação) é mais do mesmo. Numa primeira observação, Weintraub e o antigo ministro, Vélez, guardam semelhanças: indicados pelo lunático Olavo de Carvalho que, dos Estados Unidos, só teria voz num governo completamente perdido como o de Bolsonaro, seguem a cartilha de guerra cultural ao marxismo nas escolas, seja lá o que isso represente. Portanto, continua a guerra olavista contra o “perigo do comunismo” na educação brasileira, por mais que seja cada vez mais um parto fazer greve entre os professores da educação básica ou superior, tamanha a falta de consciência política da classe com o momento atual do país. Contudo, as semelhanças cessam aqui.

Se por um lado a saída de Vélez e entrada de Weintraub é a permanência dos devaneios olavistas na pasta com o terceiro maior orçamento da Esplanada dos Ministérios, por outro representa uma derrota dos militares, que perderão outros cargos estratégicos no MEC. Essa derrota do setor verde-oliva foi em parte sinalizada com a saída do militar Marcus Vinícius Rodrigues da presidência do INEP (Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), em momento cambaleante da gestão de Vélez e sem previsão para a organização do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), o segundo maior do ramo no mundo. Nada é tão ruim que não possa piorar: o INEP não tem sequer uma gráfica para reproduzir as provas com agilidade e segurança em um curto espaço de tempo.

Na semana em que assumiu, Weintraub exonerou outros cargos, numa “brincadeira” de dança das cadeiras que já custou mais de 200 mil reais aos cofres públicos com verbas referentes à mudança de servidores para Brasília que não se mantém no cargo. Prova disso é a ex-secretária-executiva do MEC Iolene Lima que defendia uma educação (sic) sob a ótica da palavra de Deus: ocupando o segundo maior cargo no MEC, ela não passou três dias no cargo! Agora pergunta se ela vai devolver o dinheiro desta voltinha cara que deu em Brasília e que durou apenas até a divulgação de seu primeiro vídeo tosco em que tenta falar sobre educação.

Quando Bolsonaro nomeou Weintraub ele não só aceitou a indicação de Olavo de Carvalho, mas fortaleceu uma indicação de Paulo Guedes num momento de desgaste do Ministro da Economia frente à (falta de) articulação para a aprovação da Reforma da Previdência. Weintraub, um economista com 20 anos de experiência no mercado financeiro e que nunca colocou o pé numa escola pública é quem vai dar as cartas. Entre os professores universitários comenta-se que Weintraub entende tanto de educação quanto o Tiririca entende de física quântica. O novo ministro será a mão do rei para diretrizes muito claras: cortar despesas e direcionar investimentos que antes iriam para a alfabetização e formação de professores para o capital rentista, como a Bolsa Banqueiro que consome 43% do orçamento. Não seria estranho o aumento do percentual da DRU (Desvinculação dos Recursos da União) ou até se acabassem com ela, uma vez que Guedes afirmou que é contra a vinculação de investimentos para qualquer área – com exceção daquelas que podem elevar as ações de sua empresa, o BTG-Pactual.

 

As perdas na Educação Básica e na Educação Superior

 

A EC 95/2016 aprovada no governo Temer foi um banho de água fria nos gastos sociais do Brasil. Áreas como a educação, mobilidade e seguridade (assistência social, saúde e previdência social) foram duramente atingidas e o resultado é nítido nas escolas e UPAS, das capitais ao interior. A política de Estado Mínimo de Weintraub vai piorar a situação, fazendo valer a frase de Darcy Ribeiro de que “a crise na educação no Brasil não é crise e sim projeto”.

Para a educação superior, os concursos públicos para técnicos-administrativos e docentes, uma marca do governo Lula, serão congelados, vide a nova regulamentação para abertura de concursos imposta por Guedes em plano federal. As bolsas de mestrado e doutorado sanduíche fora do país e outras formas de fomento à pesquisa via CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) serão disputadas a tapa mesmo para as pesquisas nas áreas de ciências exatas e biológicas, com o recrudescimento de apoio à pesquisas em ciências humanas. Até mesmo a Educação à Distância deverá sofrer duros cortes no orçamento, ou seja, programas como a UAB (Universidade Aberta do Brasil), que há 10 anos forma milhares de professores, estão com os dias contados. Olavo de Carvalho, com uma preguiça intelectual de fazer inveja à Alexandre Frota, colocará o seu recalque para vigiar de perto essa diretriz, vingando-se dos docentes das universidades públicas que ataca há anos e nunca conseguiu mais do que interações estúpidas em suas redes sociais.

Para a Educação Básica a perspectiva é ainda pior: se antes as escolas deveriam filmar estudantes cantando o hino e ao final bradar o slogan de campanha de Bolsonaro – o que faz o MEC responder na justiça por esta ordem impensada –, agora o contigenciamento de recursos de Weintraub somado à PEC dos Gastos terá como produto o esvaziamento dos caixas das prefeituras, responsáveis pela manutenção do Ensino Fundamental. O FPM (Fundo de Participação dos Municípios), que em muitas cidades chega a ser a maior fonte de recursos, será insuficiente para o pagamento da folha salarial, colocando principalmente habitantes do interior em colapso. A baixa arrecadação terá reflexos no FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e afetará programas como o PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola). O Novo Ensino Médio aprovado no do governo Temer, que necessita de mais investimentos para montagem de laboratórios para o Ensino Técnico, será reconfigurado. Sequer os poucos avanços conseguidos na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) serão seguidos por alguém que tem síndrome do pânico de comunista. Quem dera o Brasil tivesse 1% do número de militantes que Bolsonaro acha que temos!

Anotem aí: a curva ascendente da melhora da nota do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) que vimos na última década, sobretudo nos Anos Iniciais, irá cair de forma vertiginosa com o abandono da valorização da educação somado aos problemas econômicos que deixam as famílias brasileiras de baixa renda mais vulneráveis à pauperização do trabalho. A relação direta entre pobreza e educação tomará contornos bem mais visíveis na gestão Bolsonaro.

 

Mas e o PT?

 

A constatação de que o governo atual será de caos completo na educação não é mais novidade nem mesmo para os eleitores mais fanáticos de Bolsonaro. Ao invés de cobrar seriedade do governo e o fim da disputa imbecil entre militares e olavetes no MEC, alguns eleitores ainda insistem na máxima: melhor do que o PT! O vazio do discurso político criou espaço para a barbárie travestida de militância do “Meu partido é o Brasil”. Em outras palavras: a troca da análise objetiva da realidade por memes do MBL (Movimento Brasil Livre) criou um exército de cyber militantes desinteressados com a real situação do país, pois o importante foi tirar o PT do poder. Tal postura é tão infantil que se projetarmos todos os brasileiros concordando que o PT fez o pior governo que o Brasil já teve, e isso está longe de acontecer, não possibilita enxergar que ainda assim Bolsonaro pode fazer o pior governo que o Brasil já teve.

Antes, tínhamos ao menos um norte, um horizonte para a educação do país: o PNE (Plano Nacional de Educação); os 64 programas contidos no PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação) de 2007, alguns sem regulamentação pelo Congresso; O Universidade Sem Fronteiras; o ENEM e o IDEB como avaliações de larga escala e comparação com o PISA (Programme for International Student Assessment) e países mais bem avaliados em educação pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico); até mesmo o Projeto Rondon mantido entre Ministério da Defesa e instituições de ensino superior. O que o MEC produziu em 100 dias de governo? Nada, absolutamente nada! O MEC é a selfie do governo Bolsonaro: cada semana uma declaração polêmica criando uma cortina de fumaça para não mostrar que o governo está perdido na pasta. Os estrategistas políticos social democratas acham que para melhorar alguma coisa, teremos que dar um passo atrás pra dar dois passos à frente: apoiar a tomada completa do MEC pelos militares e limpar as indicações de Olavo de Carvalho no ministério. A que situação vergonhosa chegamos.

É óbvio que muitas das políticas educacionais do PT devem ser discutidas. O REUNI (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) aumentou as vagas nas universidades federais, mas cobrou o preço ao atingir a qualidade do ensino, pesquisa e extensão por não investir proporcionalmente ao número de novos estudantes. A repaginação do Proinfo (Programa Nacional de Tecnologia Educacional) em 2007 ficou apenas como curso de informática básica aos docentes, uma vez que passados 12 anos a maior parte das escolas do DF, capital do Brasil e com quase todas unidades de ensino em meio urbano não tem metade da rede com internet sem fio em toda a escola. A UAB, originalmente pensada para licenciaturas em âmbito regional, permitiu que a UnB (Universidade de Brasília) abrisse um curso de formação de professores no Acre, enquanto a UFAC (Universidade Federal do Acre) atuava em outros estados (uma desperdício de recursos físicos e humanos por má gestão e ineficiência).

Porém, esta é a diferença fundamental do MEC nos governos do PT para o MEC atual: existiam ações, políticas para serem criticadas, extintas ou reformuladas. Mas e agora? Qual serão nossas faixas nos protestos em frente ao MEC? Nazismo é de direita? Ditadura não se comemora? Bolsonaro tem a ideia, vejam bem, a ideia de militarizar as escolas. Sequer projeto para isso existe, daí o MEC ter terceirizado a proposta e passado 10 milhões de reais pro GDF implantar essa excrescência, na gestão de Rafael Parente na Secretaria de Educação. Deve seguir a mesma linha com outras secretarias de educação estaduais alinhadas ao governo federal, como São Paulo. E quando a população começar a achar que o MEC não está cumprindo suas obrigações, virá nova polêmica para abafar o eixo principal do debate. Vou arriscar soja transgênica na merenda escolar para agradar a bancada ruralista ou então curso de tiro e desconto em compra de armas de fogo para professores. O que poderia parecer uma piada de mal gosto até o ano passado, atualmente é perfeitamente viável. Tal qual Bolsonaro surgiu num momento de vácuo no debate político do país, na fragilidade do MEC surgirão os piores projetos para dar conta de um problema que o próprio governo criou com sua inércia.

Será no governo Bolsonaro que as instituições de Ensino Superior ligadas à venda de diplomas abrirão mais vagas na modalidade à distância; em que o Instituto Ayrton Senna vai pregar alguma ideia mirabolante de metodologia ativa para aprendizagem; em que o Luciano Huck e a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) vão achar alguma forma de vender um produto do Itaú camuflado de material didático. O resultado, pelo menos os professores do DF conhecem bem: um monte de armário laranja do Ciência em Foco servindo de criadouro de ratos e 150 milhões de reais desviados.

O MEC foi nos 100 primeiros dias de 2019 um palco para o stand up sem graça de Vélez e agora será o bunker de Weintraub para conduzir cortes na pasta alegando que o Brasil gasta muito proporcionalmente ao PIB nesta política social, como o próprio presidente disse há pouco tempo. Além dos que não compreendem a gravidade de termos um MEC paralisado num país do tamanho do Brasil, somente o Escola Sem Partido comemora esta algazarra. E não tenha dúvida: na hora em que um eleitor do Bolsonaro ler esse texto, se ler, a lobotomia vai disparar automaticamente: mas e o PT?

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De volta para a educação ou versos contra a militarização

Charge: Latuff, 2014

 

Se de cordel tu gosta

Agora vou recitar

É sextilha na escola

E a questão tu vai matar

O assunto dessa prosa

É intervenção militar

 

Prometendo disciplina

E respeito ao professor

Foram lá chamar os tiras

Mas nenhum orientador

Fosse lá na medicina

Era greve dos “dotor”

 

Mas parece que ultimamente

Muita gente sem noção

De maneira inconsequente

Vem falar de educação

E já temos quociente:

A escola da exclusão!

 

Quem é branco não precisa

Amarrar o seu cabelo

Quem é negro toma pisa

O Apartheid vem primeiro

Preconceito que se ensina

Com um jeitinho brasileiro

 

Mãos pra trás, vai cabisbaixo

Pra passar pelo portão

O Mandela grafitado

Já mandaram pra prisão

“É melhor do outro lado”

Informou o capitão!

 

Professor que sou de escola

Um profissional do ensino

Sei que a coisa não melhora

Se filmar cantarem o hino

E mandar para um fanático

Que nomearam ministro

 

E a farda, muito cara,

Até hoje não se tem,

Calça jeans, camisa clara,

Lembra até a FUNABEM

É a farda improvisada

Pra não ser um Zé Ninguém

 

O calçado, não se sabe

Como é que vão arrumar

Tem corrente no whats app

Suplicando por um par

“Pode ser kichute ou Nike,

Deus te ajude” vão falar

 

A pulseira é uma ou nada

Cuidado pra não abusar!

Ontem uma desavisada

Com duas no braço a andar

Esqueceu a tabuada

E uma teve que tirar

 

Só um ponto de luz no brinco

Pra não chamar a atenção

O aprendizado é reduzido

Se na sala uma “sem noção”

Quer mostrar que existe brilho

Onde se cultua a escuridão

 

E aluno vem daí:

Ser sem luz, a tábua rasa

Que só deve repetir

Inventaram o subpraça

Se não aprende a competir

Multiplica sua desgraça

 

Outra regra irracional

É fecharem o portão

Pro milico isso é normal

Pro discente é outro não

O “pulinho na regional”

É desculpa de direção

 

Estudantes com transtorno

Aqueles que são preteridos

Terão primeiro um esporro

Depois serão transferidos

O IDEB é o retorno

Para um sistema militar falido

 

Para os que laudo não tem

É melhor providenciar

Impossível ficar sem

Na cultura militar

Não é pessoa de bem

Aquela que não quer estudar

 

E alguém que estudar não quer

Muitas coisas podem ser

Se ela for PNE

Militar não vai querer

Mas se o médico diz que é

“É frescura”, vão dizer

 

Rafael Pullen Parente

Que trabalhou no Rio

De forma intransigente

Como nunca antes se viu

Pegou as escolas da gente

E vendeu por 200 mil

 

Logo ele que pesquisa

TICs e suas utilidades

Desde 2010 não atualiza

O seu currículo lattes

Vem dizer que acredita

Nessas falsas facilidades

 

No leilão, no último banco,

Quieto sem nada falar

Um sujeito meio Rambo

Esperou pra arrematar

Pintou o muro de branco

E nele: Polícia Militar

 

E falou de seu jeito:

“A jeripoca vai piar!

Posso fechar o Conselho

Professor vai se ferrar

Sem abono ou atestado

E fim do Calendário Escolar”

 

Sobrou pra festa junina

Pro intervalo que desestressa

E foi aí que o coxinha

Que se acha classe média

Percebeu que foi pra chincha

Que era só mais uma peça

 

“Mas isso é palhaçada!”

Disse o docente eufórico

“A ordem está assinada

Inclusive pelo Pedagógico”

Se é gestão compartilhada

Está aí o diagnóstico

 

Violência nas escolas

É ruim, um descalabro,

Mas não vão ser as esporas

Que trarão aprendizado

E se hoje isso te empolga

Amanhã és o cavalo

 

Não vamos esquecer

Daquele que não nos esquece

O seu nome é MP

Está sempre contra as greves

Mas quer ver desaparecer?

É só falar FUNDEB

 

Quanto ao promotor carola

Que pro Nordeste fez viagem

Pra debater violência na escola

Recebendo diária e passagem

Onde está o MP agora?

Mais dinâmica é sacanagem!

 

E não é que direções

Que aceitam a militarização

Não pensam em soluções

Terceirizam a educação

E são baixas suas menções

Quando o assunto é prestação

 

Se lhe falta competência

Senso de coletivismo

Deixe à prova esta contenta

Ponha a sua conta em risco

Por que veio se não aguenta?

Era só pelo carguismo?

 

Mas se insiste a direção

Pra escola ser militarizada

Coerência é uma lição:

Peça pra ser exonerada

E o plano da eleição

Deixe ao lado da privada

 

Uma coisa é certeza

Não se pode contestar

A criminalização da pobreza

Só tende a piorar

Mais escolas e menos cadeias

É pelo que devemos lutar

 

Me despeço do poema

Desejando mais amor

Não quero fazer dilema

Tampouco prego a dor

Pois sou professor da gema

E não apoio ditador

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Antes era escola… Agora é quartel!

Primeiro dia de aulas no CED 01 da Estrutural, uma das escolas públicas do DF onde foi implementado o modelo cívico-militar.

Dei aula em 2017 e 2018 no CED 01 da Estrutural, escola que sofreu uma ridícula intervenção militar do governo Ibaneis.

ANTES podia entrar até de chinelo, pois há muitos alunos que não tem o que comer. AGORA é tênis preto e limpo.

ANTES podia entrar sem uniforme, pois muitos alunos não tem nem casaco na época de inverno e dependem, dentre outras coisas, de doações de professores. AGORA estão em período de transição pra adotarem farda impecável sendo que parte do setor Santa Luzia da Estrutural não tem água nem energia.

ANTES podia chegar atrasado, pois a prioridade era disputar o estudante com o tráfico de drogas e o trabalho infantil. AGORA o portão fecha e o estudante volta pra casa, ou pro tráfico, ou pro trabalho infantil.

ANTES podia usar cabelo black power, pulseira, colar, brinco com mais de um ponto de luz (quanta imbecilidade!). Agora é o racismo declarado de cabelo curto pra homens e meninas, sendo que pra quem é negro cabelo mais curto ainda pra não parecer burlar a regra e somente uma pulseira (pois a partir de duas julgam que prejudica o aprendizado).

ANTES a pobreza não era criminalizada. AGORA, a juventude negra é o alvo do fascismo travestido de educação moral e cívica.

ANTES tinha um grafite do Nelson Mandela na entrada da escola, local sugerido e portanto aprovado pela própria direção, feito no final de 2018. AGORA o grafite foi para o super visualizado estacionamento dos professores, enquanto o muro da entrada ficou branco a “pedido” (mando) da direção disciplinar composta pelos militares.

ANTES a matrícula era feita diretamente na secretaria, com muitos pedidos de conselheiros tutelares para matricular jovens em conflito com a lei e cumprindo medida sócio-educativa. AGORA já falam em prova de seleção, eliminando estudantes com algum diagnóstico ou com problemas de aprendizagem, pra forçar uma subida na nota do IDEB maqueando a incompetência de militares que nunca resolveram o problema da segurança mas prometem melhorar a educação.

ANTES o deputado distrital Rodrigo Delmasso aparecia somente em ano eleitoral pra dar uma emenda à escola e fazer propaganda fora do período eleitoral travestida de palestra contra as drogas, mandando que as crianças entregassem panfletos com o balanço do mandato para os pais e sendo rechaçado por alguns docentes que devolviam o material. AGORA, na base do governo, Delmasso indica o CED 01 da Estrutural para ser uma das 4 escolas pioneiras na implementação da intervenção militar porque manda na escola e sabe que a direção “não vai botar a mão no fogo” e aceita tranquilamente qualquer ingerência em meia (ou nem isso) gestão.

ANTES a direção era democraticamente eleita pela comunidade e seguia um plano que fora apresentado e votado por pais, professores e alunos. AGORA, desenterraram os moralistas que estavam com as barbas de molho pescando na Serra da Mesa e cagando regra nas redes sociais e os colocaram como tiranos para dar as cartas em todos os assuntos da escola, interferindo inclusive na parte pedagógica uma vez que disciplina e cidadania compõem o Projeto Político-Pedagógico da instituição.

ANTES a gestão era fraca, mas democrática e construída coletivamente. AGORA dizem que a gestão é compartilhada, mas até o momento a única coisa que a direção pedagógica fez foi ceder os já poucos espaços físicos para os militares, ficar de boi de piranha pra imprensa e bater continência para as atrocidades que sitiaram uma instituição de ensino que precisa de qualquer coisa que não seja mais violência, ainda mais com o selo estatal de um ex-presidente da OAB-DF que trabalhou com direitos humanos e um secretário de educação que jogou toda a sua produção acadêmica no lixo por causa de um cargo.

ANTES era escola. AGORA é quartel.

A única parceria identificada até o momento foi entre o racismo e o preconceito de classe, numa gestão em que a parte pedagógica entra com a bunda e a parte disciplinar com o pé (de bota).

Vigiar e punir: o eterno projeto de educação pra periferia.

Tristes tempos, mas resistiremos.

Prof. Atividades Rafael Ayan

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Quer médico? Vai pra Cuba!

 

Fotos: Araquém Alcântara. Clique nas fotos para ampliá-las.

A incompetência de Jair Bolsonaro não é surpresa para ninguém. Porém, ao acostumar-se a 28 anos de vida parlamentar de deputado, enriquecendo e gastando recurso do auxílio moradia para (sic) comer gente, ficou mal acostumado e não percebe que um presidente eleito, ainda que não empossado, é uma instituição e não um terrorista que coloca bomba em empresas públicas para chantagear o poder público à aumentar o próprio salário. Quando não dormia nas sessões, Bolsonaro passava vergonha em audiências públicas em que não sabia o que falar e, por esta razão, restaram-lhe os gritos e o que é inerente à sua figura: homofobia, misoginia, racismo e inúmeras manifestações de intolerância. Contudo, Bolsonaro tem que entender que sua fala tem consequências maiores do que ações no Supremo Tribunal Federal.

Em menos de três semanas de eleito e ainda sem assumir a presidência, Bolsonaro coleciona trapalhadas na política externa: a) cisão com o mundo árabe ao informar que irá transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, fazendo o Egito cancelar reunião de negócios de investidores do Oriente Médio com empresários brasileiros e o ministro de relações exteriores Aloysio Nunes; b) estranhamento com a China, uma das maiores compradoras do Brasil, ao criticar o Partido Comunista do país e elogiar a política comercial de Trump, dizendo que é um modelo para o país; c) afastamento do ambiente de negócios com a América Latina, incluindo o Mercosul, causando uma fissura em uma relação comercial de duas décadas; d) Ataque à Noruega, dizendo que uma das principais investidoras em políticas contra desmatamento da Amazônia tem muito a aprender com o Brasil nessa área; e) escolha de Ernesto Araújo para o Ministério das Relações Exteriores, que se diz contra o globalismo e é próximo da política autoritária de Trump. O fim do Programa Mais Médicos, certamente, é a pior medida tomada por um presidente que sequer foi empossado e por conta dos milhões de atendimentos nos maiores rincões do país faz o pior inimigo de Bolsonaro torcer para que ele resolva rapidamente a situação, o que significa torcer para o governo dar certo.

Para que sua leitura desse texto seja melhor aproveitada, peço que primeiramente se desarme. Por mais que o texto seja escrita numa perspectiva de esquerda, há consensos que podem ser tirados tanto da causa quanto da consequência desta medida de Bolsonaro. O consenso sobre a causa é que os médicos cubanos não vão embora por uma questão financeira, de quebra do Estado brasileiro por não conseguir pagá-los. Falaremos sobre a causa mais tarde. O consenso sobre a consequência é que, segundo dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), cerca de 30% dos atendimentos em 1.575 cidades, sobretudo os que tem menos de 20.000 habitantes, ficará completamente prejudicado. Em mais de 1.000 municípios só há médicos cubanos! Sabemos que a maior parte dos médicos brasileiros jamais trabalhará para o SUS, seja qual for a proposta salarial e de condições de trabalho que o Estado oferecer.

Logo, sendo qual for a sua orientação ideológica ou opinião sobre Cuba, o responsável direto pela falta de atendimento dos locais mais pobres do país em que cubanos atendiam é Bolsonaro, por sua posição política atrasada sobre Cuba que mais cedo ou mais tarde seria refém de sua desastrada política externa. O que decorrer dessa atitude, do agravo à dor de garganta à morte de fetos não por aborto mas por falta de acompanhamento de médicos cubanos, é ele, o mito, quem deve ser responsabilizado. Em tempo: o nome do programa é Mais Médicos e não Médicos Cubanos. Se a maior parte dos médicos são cubanos, então certamente te enganaram muito sobre aquele seu jargão “vai pra Cuba”. Lembre-se que nem todo brasileiro tem condições de pagar por um plano de saúde que age com lobby no Congresso Nacional e elege os pastores, militares e ruralistas que legislam contra a população.

 

Revalida, ou seja, valida novamente

 

Até pouco tempo quem fazia a revalidação do diploma de médicos estrangeiros eram as universidades federais. Em 2006, quando era estudante da Universidade de Brasília (UnB), fui integrante da Câmara de Graduação, que fazia esse papel de revalidação dos diplomas. Era latente o corporativismo dos professores de medicina nestas câmaras, que inclusive tinham uma participação esmagadora de docentes de todas as áreas e um número irrisório de estudantes, servidores técnico-administrativos e integrantes da sociedade civil.

O Revalida é um exame novo que objetiva avaliar a qualidade da formação de médicos formados fora do país. Ocorre que não são somente médicos formados em Cuba que não  passam no Revalida, mas também os formados em universidades européias e americanas. Aliás: proporcionalmente, os resultados são análogos ao compararmos a revalidação de diplomas de Cuba, Europa e Estados Unidos. Como em Cuba a especialidade é em medicina da família e no atendimento primário – daí inclusive os ótimos níveis de saúde na população cubana –, os participantes do Revalida sofrem ao perceberem testes centrados na medicação e no modelo mercadológico de consultas/exames, fruto da imposição dos planos de saúde à esta política social, via CFM (Conselho Federal de Medicina) e CNE (Conselho Nacional de Educação) através das diretrizes curriculares do curso de medicina.

Isto não quer dizer que a formação em medicina no Brasil seja ruim. O que se coloca é que a grande parte dos brasileiros que têm problemas de saúde (alguns levando à morte) não é porque tenham câncer ou alguma bactéria desconhecida, mas por conta de gravidez sem pré-natal, esquistossomose, vermes adquiridos por falta de saneamento básico ou sanitização de alimentos, sexo inseguro, compartilhamento de seringas por uso indevido de drogas, depressão etc. Adivinha quem atuava nessas áreas e foi o responsável por reduzir drasticamente os números do caos na saúde pública do país? Aqueles que o Bolsonaro mandou pra Cuba!

Ser médico da família não é ser menos importante do que um neurocirurgião. Médicos da família salvam inúmeras vidas. Adiante, Cuba não é uma formadora de médicos de segunda categoria. Foi Cuba o primeiro país a extinguir a transmissão de HIV de mãe para filho. Outras conquistas de Cuba que pego emprestado das publicações da colega Anjuli Tostes, auditora da Controladoria Geral da União (CGU) sobre o tema:

  • Medicamentos custam 40 vezes menos que no Brasil;
  • Desde 1990 trouxe 25.000 crianças que foram afetadas por irradiação no acidente de Chernobyl para serem tratadas em Havana, sem que elas paguem por isso;
  • Todos estudantes de medicina, inclusive de outros países como os Estados Unidos, estudam sem pagar mensalidade na ELAM (Escola Latino Americana de Medicina);
  • Mortalidade infantil de 4 por 1.000 e expectativa de vida de 79 anos, ambas melhores do que nos EUA;
  • Mutirões de médicos cubanos fazendo operação de catarata em diversas partes do mundo, principalmente na África, sem cobrança aos usuários;
  • Programas análogos ao Mais Médicos funcionando em parceria com mais 66 países do mundo, mesmo na Europa, o que significa que de cada 3 países do globo, em um deles há médicos cubanos salvando vidas.

Como “não existe almoço grátis”, uma máxima que os liberais insistem em repetir, é claro que toda essa expertise em saúde, da atenção primária à medicina de ponta, custa   caro. Quem financia? Os próprios médicos que lá estudam, tornam-se servidores do Estado e retornam o investimento estatal em sua formação para Cuba. Porém, é uma verba ínfima perto do que o governo cubano coopta por outras formas, incluindo o comércio com outras nações.

 

Salário dos médicos cubanos

 

Cuba já existia antes do Mais Médicos. Nunca precisou desse programa para sobreviver, para “financiar sua ditadura”. Aliás: Cuba viveu por mais de meio século com embargo econômico dos EUA que se estendeu aos países que se curvaram à Doutrina Truman, como a ditadura militar brasileira. O Programa Mais Médicos (PMM) é apenas um dos investidores na política de saúde de Cuba, que não é só para a ilha e sim para o mundo como mostrado neste texto. O convênio estabelece que o Brasil paga a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) que repassa o dinheiro ao governo cubano que, por sua vez, retém 70% e paga 30% aos médicos.

Mas então por quê Cuba fica com a maior parte dos salários dos médicos cubanos?

Bem, imagine que você é o chefe de Estado (ditador ou eleito em urnas eletrônicas com  fraude, como ocorria no Brasil até a eleição de Bolsonaro) de uma ilha minúscula que faz oposição política à maior máquina de guerra do mundo. Das sete horas da manhã às cinco da tarde, não há crianças pedindo esmola ou sendo prostituídas nas ruas do país: estão todas na escola e todas têm onde morar. Com todas as dificuldades do pouco espaço territorial e com um embargo de 50 anos, vendendo banana, charutos, boxeadores e jogadores de beisebol, pra ser bem performático, você consegue manter não somente uma educação de qualidade como uma saúde em que qualquer operação, da fimose à separação de siameses, é garantida de forma rápida e eficiente pelo sistema público de saúde. Por qual razão deve-se deixar que os egressos de medicina sigam livres para clinicar em algum lugar no mundo sem que haja o retorno do tanto que o povo cubano, arduamente, gastou para a formação dessas pessoas?

Se você acha que esta é uma medida comunista, saiba que situação parecida ocorre com servidores efetivos que solicitam afastamento para estudos no Brasil, exigindo que aqueles que forem afastados “terão que permanecer no exercício de suas funções após o seu retorno por um período igual ao do afastamento” (Lei n. 8.112/1990, Seção IV, Art. 96). Nada mais natural do que cobrar de um servidor que solicitou afastamento com remuneração para estudos e continuou a receber salário que pague o Estado caso não permaneça no setor público pelo mesmo período em que ficou afastado. É este princípio de solidariedade entre Estado e população assistida na educação superior que a classe média brasileira, acostumada a saquear a nação oferecendo baixa produtividade em troca, insiste em (não querer) entender.

Já que os eleitores de Bolsonaro se importam tanto com o salário dos médicos cubanos, clique aqui para ver os concursos para médico no Brasil no ano de 2018. Vários  processos foram prorrogados ou reabertos. Ainda há os que não conseguiram preencher a vaga. Além disso, vamos acabar com essas clínicas comunistas que cobram 100 reais pela consulta e repassam somente 30 reais para os médicos, ou é implicância com Cuba e essas clínicas estão corretas na forma como agem? Mas fiquem tranquilos que antes do final do mês o Bolsonaro resolverá o problema de médicos que o país não solucionou em décadas. Aaahhhhh o mito!

 

Solidariedade e financiamento do Estado

 

O que estranha os brasileiros quando Cuba retém parte do salário dos médicos cubanos é, sem dúvida alguma, um desdobramento da falta de consciência política da população. É o mesmo pensamento que faz uma professora ser contra o Programa Bolsa Família (PBF), sem compreender que o auxílio proporcionado pelo programa tem ação direta na alimentação, participação na escola e frequência ao posto de saúde, ou seja, ofertando mínimos sociais e visando, dentre outras coisas, melhoria no aprendizado. O PBF é um financiamento solidário com distribuição direta de renda aos mais pobres e por isso atacado pela classe média que não se contenta em não abocanhar uma parte maior do orçamento.

Para a maior parte dos brasileiros, um médico e até mesmo outros profissionais com formação em nível superior são considerados doutores, fruto do seu esforço, de seu estudo. Não compreendem que para a maior parte da classe média, fazer uma faculdade não passa de um desdobramento do ensino médio, de uma boa educação com investimentos vultuosos em capital cultural como cursos de línguas e pré-vestibular, passando pela natação, judô e dentista semestralmente – além de não terem que trabalhar e estudar. Ao fazer o curso de medicina em universidades públicas, os universitários têm reforçada a visão meritocrática alimentada pela família, mídia e círculos sociais, jurando que os milhares que deixaram para trás os fazem bons. Pior: afirmam não ter dívida com os miseráveis do país que bancaram sua formação, da compra da cachaça ao pagamento da conta de luz e até do gatonet!

 Certo é que embora seja visto como um espaço hegemônico da esquerda, as universidades concentram o que existe de mais sofisticado no pós-modernismo “nem nem” (nem direita, nem esquerda): defendem a privatização, pois vêm de uma educação básica realizada completamente em escolas particulares, mas não pagaram um centavo em sua formação e nem querem pagar, em forma de serviços, após formados. Iniciativas governamentais já foram feitas neste sentido, exigindo que bolsistas de Licenciatura de faculdades particulares permaneçam um tempo, após formados, lecionando em escolas públicas. O princípio de restituição é o mesmo.

Deixo claro que não quero com isso defender a cobrança de mensalidade em universidades públicas, mas o episódio do Mais Médicos deixa evidente a fábrica de playboys sangue-sugas em que se transformaram as universidades públicas. Claro que é uma generalização e conheço médicos que fazem um excelente trabalho no SUS e nem pensam em clinicar para planos de saúde, mas vale a reflexão. O perfil de universitários de instituições públicas mudou, em parte, com estudantes de classes populares que começaram a frequentar os cursos de medicina após cotas sociais e raciais, além da expansão do número de vagas pós 2007 com o Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Públicas Federais (REUNI), parte integrante do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) do segundo mandato do governo Lula – verdade seja dita, em muitos locais, a expansão se deu de forma precarizada.

Entretanto, por mais que tenha havido uma mudança no perfil do universitário de medicina no Brasil, com mais negros, pobres e egressos de escolas públicas no ensino superior público e privado, nada se compara à formação humanista da ELAM. Além de estudarem medicina, os universitários cubanos têm aulas sobre a importância da integração latino-americana, de uma medicina da família que aproxime os usuários do profissional. Não é um curso que faça dos usuários eternos clientes dos fármacos de laboratórios que pagam as viagens de verão dos médicos, um ouvinte disciplinado do “é virose” com uma receita repetitiva. Vejamos o exemplo do direito, outro curso elitista e que ainda mantém imbecilidades como as expressões em latim. O Direito tem egressos que aceitam trabalhar no interior do país por propostas bem menos vantajosas do que as oferecidas para profissionais de medicina. É verdade que muitos dos instrumentos para a atuação de profissionais do direito estão disponibilizados na internet. Do pouco de material físico com que trabalha um procurador, um defensor público, nada se compara à simples materiais de sutura em uma unidade básica de saúde. Porém, a visão de fortalecimento de Estado, ainda que a graduação pregue “captar grandes clientes para trazer dinheiro pro escritório”, permite com que a situação de profissionais de direito no interior do país não seja tão caótica quanto a dos médicos. Mas não é só: pensar o país, seus problemas e soluções, na saúde, educação, justiça social, seguridade, é algo pela qual os estudantes de Direito passam, mas não os de Medicina.

 

As famílias dos médicos cubanos

 

Bolsonaro afirmou que vai conceder asilo aos médicos que quiserem permanecer no país. Vejamos quantos serão os médicos, dos 8.300 restantes do programa (45% de um total de 18,3 mil) que aceitarão a proposta. Será que deixarão de viver na perigosa Cuba comunista comedora de criancinhas para morar num país que sequer os reconhece como profissionais? Está na hora de quebrar um paradigma histórico que Bolsoetornaro sempre incentivou, o de que cubanos são reféns em seu país. O retorno à Cuba será com a sensação de dever cumprido e por isso rejeitarão qualquer asilo, até porque ninguém coage suas famílias. Restarão os ingratos que em muitos lugares do mundo não conseguiriam concluir o Ensino Fundamental, mas ficarão no Brasil falando mal do país que investiu em toda a sua educação, da creche à pós-graduação.

Dizer que as famílias de médicos cubanos não podem vir ao país é mentira! Na internet já há inúmeros depoimentos de pessoas do interior do país que afirmaram que conheceram familiares dos médicos cubanos, confraternizaram com eles e até fizeram amizade prometendo um dia também visitá-los, o que não é permitido não por proibição de Cuba mas por falta de recursos financeiros do povo brasileiro. Esta é uma mentira que não dura nem até o edital relâmpago que o Ministério da Saúde vai lançar em breve, almejando, mais uma vez, preencher vagas de médicos para atuarem no interior, em regiões em que o transporte é a hidrovia porque helicóptero não chega.  Daí surge a segunda dúvida: a classe média não entende por que as famílias destes profissionais, mesmo vindo ao Brasil, retornam para casa. Em Cuba a medicina não é uma profissão liberal, ou seja, não existem aqueles caras que ficam nos centros urbanos com placas no corpo com anúncios que vão de habilitação para carteira de motorista à venda de aliança de ouro, passando pelo famoso atestado médico com eufemismo de “exame admissional”.

Se você precisar de um médico em Cuba, ele irá ao seu hotel e lhe dará todo o tratamento  que precisa sem cobrar um centavo por isto. Não é a toa que moradores de cidades dos EUA descapitalizadas após a crise de 2008, como Detroit, procuram Cuba para se tratar. Bombeiros que ficaram com problemas respiratórios após salvarem a vida de milhares de americanos nos atentados de 2001 contra o World Trade Center também se tratam em Cuba, pois a seguridade social americana, pior que o modelo bismarckiano, não lhes garante acesso sequer à nebulizadores – o filme Sicko, de Michael Moore, disponível na Netflix, mostra bem isso.

Dito isso, fica evidente por que as famílias dos médicos cubanos não querem vir para o Brasil. Os brasileiros sabem bem que um salário de 11 mil reais, embora os coloque no grupo dos 10% mais ricos do país, é insuficiente para manter uma saúde e educação de qualidade como eles têm em Cuba, por mais que o modelo de seguridade social beveridgiana do SUS garanta a gratuidade do atendimento e as matrículas no ensino fundamental estejam quase universalizadas. Quem irá trocar a educação de Cuba, com escolas equipadas e professores qualificados, pelas quatro horas adicionais de almoço e origami (quando tem papel) que as escolas brasileiras chamam de educação integral?

 

Então você pensa: “por que é que eu vejo na TV cubanos fugindo da ilha e não o contrário, americanos chegando em Cuba?”. Perceba que se você for em Cuba, o único cuidado que deve ter é o mesmo para quando for à praia de Boa Viagem em Recife: tubarões. Fique tranquilo que ao menos que apareça um helicóptero da CNN no ar, nenhum fusquinha anfíbio abarrotado de gente vai passar por você na praia. Não é de agora que a mídia internacional, pelos interesses mais diversos possíveis – mas sempre envolvendo dinheiro – atacam Cuba. Meios de comunicação como Globo, Folha de São Paulo, revista Veja são apenas alguns dos veículos que embora os “caixa2deBolsonaro” achem comunistas, sempre fizeram o papel de atacar a esquerda de forma rasteira e mentirosa. Vão chorar lágrimas de sangue ao ver o povo brasileiro sofrer sem atendimento médico.

             

A exposição do Conselho Federal de Medicina

 

O ano de 2013 marcou uma série de manifestações por justiça social e combate à corrupção, com milhares de pessoas nas ruas do Brasil e até no exterior. O PT temia pela eleição que se aproximava e fuga de investimentos nos mega eventos da Copa das Confederações (2013), Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016). Quando pressionada por melhoras no país, com destaque para áreas como a saúde, Dilma Roussef anunciou o Programa Mais Médicos. Não demorou para o Conselho Federal de Medicina (CFM) rejeitar a proposta, patrocinando ações intolerantes como escrachos na chegada dos médicos cubanos nos aeroportos.

No dia 14/11/2018, assim que ficou confirmada a decisão de Bolsonaro pela saída dos médicos cubanos, o CFM lançou uma nota (clique aqui para ler) informando que o Brasil tem médicos suficientes para atender o país. Evidente: após o fracasso da campanha contra os médicos cubanos em 2013, por sobrevivência e coerência política, o CFM deveria seguir a mesma linha e publicar um texto do tipo “já vai tarde”, como que querendo reconfortar a população brasileira que o atendimento permanecerá sem baixas. Com isso o CFM perdeu uma ótima oportunidade de permanecer em silêncio ou reconhecer que o Mais Médicos foi um diferencial que ajudou e muito a saúde brasileira.

O CFM sabia que a entrada do Brasil no Mais Médicos era um caminho sem volta, pois instituído o programa e aumentado o número de intercambistas, ao saírem por uma briga com governo posterior, como é o caso agora, deixaria exposta a classe médica por não assumirem os papeis que os médicos cubanos assumem: pegar uma canoa e remar horas para atender um idoso ribeirinho com osteoporose que tropeçou e quebrou a perna. Para quem não sabe, o Mais Médicos não é um convênio com Cuba e sim um programa aberto a qualquer profissional formado em medicina, incluindo brasileiros. Para quem não lembra, quando instituído em 2013, o programa ofertou a possibilidade dos médicos brasileiros trabalharem com salário integral, levando suas famílias para onde quiserem e (obviamente) sem fazer o Revalida. Se os médicos brasileiros não aceitaram na conjuntura econômica de 2013, não é na crise de agora que correrão para o programa.

O fato é que agora o CFM está preocupado e pressionando Bolsonaro para uma rápida solução, pois corporativistas como são sabem bem que as vagas não serão preenchidas, ainda mais por um governo que tem Paulo Guedes que preza por salários baixos e corte de direitos trabalhistas. Por isso, se apressaram ao afirmar na nota que:

3) Cabe ao Governo – nos diferentes níveis de gestão – oferecer aos médicos brasileiros condições adequadas para atender a população, ou seja, infraestrutura de trabalho, apoio de equipe multidisciplinar, acesso a exames e a uma rede de referência para encaminhamento de casos mais graves;

Ora, condições de trabalho é o que deve ser dado a qualquer trabalhador e não somente aos médicos. Se o policial não tem viatura e o professor não tem quadro, é claro que o trabalho fica prejudicado. Falando em uma perspectiva moralista e conservadora, para vermos a posição do CFM com o mesmo olhar que alguns médicos observam a nota: se a falta de gaze e bisturi mata o paciente na maca, a falta da viatura não permite que o policial chegue a tempo na denúncia de agressão domiciliar e a falta de quadro mata toda uma geração que não aprende a ler nem o mundo, nem as letras e outros códigos. Outra reflexão que deve ser feita: profissionais de saúde como técnicos de enfermagem, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc não tem um programa específico para si, do tipo “Mais Enfermeiros” ou “Mais Assistentes Sociais”. Por que será?

 

Braço forte, mão amiga!

 

O Brasil acabou de eleger um presidente militar reserva da reserva dos reservas. Com forte apelo aos militares, não tanto porque gosta deles e mais pelo que recebe da Taurus para promover o armamento civil, Bolsonaro jogou antecipadamente boa parte de seus eleitores contra um governo que nem começou. Sobrará para as forças armadas salvar a imagem de um “militar no poder”. Acontece que a grande massa de mão-de-obra verde oliva não é qualificada para substituir os médicos cubanos. São jovens, grande parte sem concluir o ensino médio, que entraram para as forças armadas para conseguir um soldo e ranchar (comer) no quartel. São aqueles caras que o ditado diz “pau pra toda obra”, da campanha contra a dengue e vacinação de cães, aqueles que pagam 10 flexões sem mexer o pescoço como um professor de aerobahia.

Conheci excelentes praças e oficiais do exército quando participei como estudante em uma operação do Projeto Rondon em Camamu, interior da Bahia, em 2007. Em 2011 e 2012, enquanto mestrando/professor da disciplina do Núcleo do Projeto Rondo da UnB que preparava os graduandos para as operações do Ministério da Defesa e ações próprias da universidade, me aproximei mais dos militares e vi a importância e profundidade de seu trabalho. A pergunta é: o quanto esses jovens militares, que têm suas famílias no interior do país ou nas periferias dos grandes centros urbanos sendo atendidas por médicos cubanos, estão dispostos a colaborar efetivamente com um governo que nem assumiu e já pode ser o responsável direto pela morte de seus familiares?

O que vai acontecer é que o núcleo militar ligado à Bolsonaro, com a interlocução do General Heleno no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), vai deslocar seu quadro de oficiais médicos para os locais deixados pelos médicos cubanos. Pois bem, ocorre que os médicos das forças armadas já atuam em municípios sem cobertura mínima do SUS, mas são ações pontuais e quase sempre em cidades distintas daquelas em que o Mais Médicos enviou profissionais. Entre um militar e um civil médicos, é obrigação deste último o atendimento à população nas demandas da saúde, sendo o militar médico para atender a demanda própria das forças armadas. Se não é este o entendimento, então o Estado brasileiro paga, desnecessariamente e há muito tempo, os militares médicos para não trabalharem, pois se podem ser deslocados para substituir os médicos cubanos é a prova de que não são necessários nos quarteis ou hospitais militares.

O número de militares médicos é muito pequeno. Além de perder a cobertura médica para os militares do quartel e em hospitais das forças armadas, a utilização deles não faz cócegas na carência do número de profissionais cubanos que deixará o país. Ainda que tenham médicos cubanos que queiram ficar no Brasil – e agora que viu a bagunça que fez Bolsonaro não falará mais em Revalida para os cubanos, mas somente para a imprensa para manter a aparência –, o estrago já está feito. O grito de guerra do exército brasileiro só vai servir para ser contado em uma segunda história do Brasil em que os militares perderam uma ótima oportunidade de se manter longe do executivo federal quando este é ocupado por um populista inconsequente, desinformado e intolerante, nada diferente do que foi nos últimos 28 anos enquanto era deputado, mas com consequências muito maiores pra nação.

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Quem é Marcos Pontes, futuro Ministro da Ciência e Tecnologia?

A última vez que Marcos César Pontes – futuro ministro da Ciência e Tecnologia – atualizou o currículo Lattes foi em 20/11/2012. Dei print logo porque sei que é capaz dele atualizar esses dias, mas segue o link pro Lattes:

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4630643H4

Pelo jeito há 6 anos Marcos Pontes vive de seu belo sorriso estampado nos livros destaque de livrarias de aeroporto. O que muita gente não sabe é que Marcos Pontes é só um tenente-coronel que por influência da diplomacia de Lula pegou uma carona pra ver o mundo azul como o soviético Yuri Gagarin, primeiro ser humano a chegar ao espaço. É de Gagarin a célebre frase:

“A Terra é azul. Como é maravilhosa. Ela é incrível!”

Como política de financiamento, atualmente a NASA já oferece esse tipo de “serviço” para milionários dispostos a pagar alguns milhões de dólares pela aventura do rolezinho lá em cima, o que deixará um pouco menor o recalque de Luciano Gang, dono da Havan.

Temos um verdadeiro astronauta de mármore no #MCT

Música maestro…

Sempre estar, lá
E ver ele voltar
Não era mais o mesmo
Mas estava em seu lugar

Sempre estar, lá
E ver ele voltar
O tolo teme a noite
Como a noite
Vai temer o fogo

Vou chorar sem medo
Vou lembrar do tempo
De onde eu via o mundo azul

 

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