CARTA ABERTA DE RONDONISTAS DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA EM CAMPO ALEGRE DO FIDALGO – PIAUÍ

“Você só pode falar de composteira se for especialista na área. Vocês não tem formação no tema e portanto não podem abordar isso em sala.”
Carmem Regina Mendes de Araújo Correia, técnica-administrativa e atual Coordenadora do Núcleo Projeto Rondon UnB, em reunião com monitores no dia 17/01/2013.

Em virtude dos últimos acontecimentos ocorridos com o Núcleo do Projeto Rondon UnB, rondonistas que estão na Operação Canudos do Ministério da Defesa, na cidade de Campo Alegre do Fidalgo, no Piauí, em pleno período letivo – por vontade própria e sem nenhum arrependimento – e representando a Universidade de Brasília, vem à público esclarecer alguns fatos.

O Núcleo do Projeto Rondon UnB foi criado em 2007 e desde então apresenta os seguintes resultados:

· Participação em 26 operações rondonistas, sejam do Ministério da Defesa, da UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina) ou organizadas pelo próprio Núcleo, totalizando 113 municípios e 829 estudantes que foram a campo nesse tipo de atividade (residência universitária em Projeto Rondon), o que significa que a cada 50 cidades brasileiras, uma já teve 7 estudantes da UnB em atividade de extensão;

· Criação da disciplina Construção de Projetos Sociais Multidisciplinares, em que participaram 2.314 estudantes, sendo 667 da área de Ciências Exatas, 794 de Ciências Humanas e 853 das Ciências da Saúde, executando atividades que integram ensino às oito áreas da extensão universitária em regiões administrativas de baixo Índice de Desenvolvimento Humano do Distrito Federal como Ceilândia, Estrutural, Itapoã, Recanto das Emas e Santa Maria, dentre outras com menor regularidade;

· Em 2011 foi um dos poucos projetos da UnB que foi aprovado pelo ProExt (Programa de Extensão Universitária) do Ministério da Educação, arrecadando recursos que foram utilizados na Operação Território da Cidadania, ao longo de 2012, nos municípios goianos de Água Fria de Goiás, Alto Paraíso, Cabeceiras de Goiás, Cavalcante, Planaltina de Goiás e São João D´Aliança;

· De todos os trabalhos da Universidade de Brasília aprovados no SEREX 2012 (Seminário Regional de Extensão – Centro-Oeste), ocorrido em Goiânia/GO, mais da metade foram escritos por monitores do Núcleo;

· Um dos poucos projetos da UnB que participou do V CBEU (Congresso Brasileiro de Extensão Universitária), em 2011, na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), com 2 professores e 8 estudantes;

· Participação em todas as Semanas Universitárias (antiga Semana de Extensão), desenvolvendo diversas ações com todo o tipo de público, integrando estudantes, professores, técnicos e comunidade nas atividades;

· Colaborou com vários PEACs (Projeto de Extensão e Ação Contínua) da UnB;

· Integra momentos presenciais, como as aulas semanais e trabalho online, com as saídas de campo em que estudantes executam ações ou participam de trabalhos desenvolvidos nas comunidades em que atuamos;

· Utiliza sistematicamente a plataforma Moodle, melhorando a comunicação com discentes e enriquecendo a construção das atividades, o que é reconhecido até mesmo por estudantes que não gostam do ambiente virtual de aprendizagem; e

· Realizou atividades extensionistas em várias localidades do DF, sempre visando proporcionar aos estudantes da disciplina a possibilidade de conhecer distintas realidades socioeconômicas.

O trabalho realizado sempre esteve comprometido com os princípios de uma extensão universitária emancipatória, multidisciplinar e conectada com uma construção coletiva do conhecimento. Não realizamos apenas ações pontuais, mas investimos na construção do vínculo e acompanhamento das comunidades em que atuamos. Não falamos mal de nenhum projeto e jamais agimos na surdina para que qualquer um deles acabasse. Outrossim, enaltecemos o que fazemos porque consideramos não só importante, mas essencial. Sabemos competir de forma leal, ainda que nossa preferência seja pelo trabalho colaborativo e não–excludente. As ações executadas pelos monitores não são meramente burocráticas, mas identificam no estudante seus conhecimentos acadêmicos e a vivência que antecede a sua entrada na educação superior, trazendo isso para a troca dentro e fora da sala de aula. As comunidades em contato com o Rondon reconhecem essa perspectiva.

No município de Campo Alegre do Fidalgo, no Piauí, problemas como escassez de água, condições adversas do clima e limitações estruturais pela baixa arrecadação, quase que comum às cidades pequenas, não tem impedido que essa experiência se mostre bastante enriquecedora tanto para a comunidade quanto para nosso grupo. A realidade climática do nordeste independe dos rondonistas, mas a realidade social, que mesmo de forma tímida já começou a mudar com as atividades realizadas no município. A semente foi plantada e o conhecimento para isso nasceu no Núcleo. O maior passo, que hoje damos cotidianamente, foi ter saído do discurso para a prática. Não gostaríamos que a partir de agora o Núcleo se tornasse um cemitério da inovação e práticas pedagógicas colaborativas que conseguimos ao longo de anos, que culminavam na extensão universitária. Felizmente no caminho não há só pedras, mas também as mãos da população piauiense que nos contagia de felicidade e nos levanta a cada momento.

“O Antonio Carlos fica até dia 15 de janeiro (de 2013) e depois vamos ter outra pessoa na coordenação do Núcleo”.
Thérèse Hofmann Gatti Rodrigues da Costa, decana de Extensão da UnB, em reunião no dia 10/01/2013 com pauta única sobre a Operação Canudos, pegando o próprio coordenador de surpresa ao informar sobre seu afastamento na frente do grupo.

O Professor Antonio Carlos dos Anjos Filho foi contratado na gestão da Professora Leila Chalub à frente do DEx para administrar o Núcleo, tornando-se em seguida o Coordenador Geral do mesmo. Sempre dedicou-se bastante, tendo bom relacionamento institucional com a comunidade universitária, Coordenação do Projeto Rondon do Ministério da Defesa e outras instituições de ensino superior. Em vários momentos, andou no próprio veículo, sem nenhuma ajuda de custo, nas regiões de Goiás, Minas Gerais e Tocantins, procurando conversar com prefeituras para realizar as operações rondonistas do Núcleo. Chegou a retirar dinheiro do próprio bolso para que as turmas pudessem fazer saídas de campo para as comunidades, o que a nova coordenadora já adiantou para os monitores em reunião no dia 17/01/2013 que não irá fazer.

Repudiamos a tentativa de constrangimento de nosso Coordenador, seja na situação supracitada ou em outras, com ou sem o conhecimento da equipe, fazendo inferências desrespeitosas ao excelente trabalho que vem sendo realizado. O Professor Antonio Carlos é um dos principais responsáveis pela transformação de uma sala abandonada no subsolo do ICC Sul em um dos locais mais produtivos da universidade. Dessa forma, se a nova coordenadora não irá pagar do próprio bolso, que bom que o Núcleo vai ser, enfim, institucionalizado. Senão conosco, que seja com outras pessoas. Fazemos votos para que façam um excelente trabalho.

“Pintar o rosto de uma criança é tão importante quanto ensiná-la a ler e escrever. É Pintando o rosto de uma criança que você pode olhar se ela sofre algum tipo de violação de direitos como abuso sexual, violência doméstica e outras. É na pintura do rosto que se pode ver, olhem só, o rosto da criança. Quem aí já olhou, olhou de verdade, o rosto de uma criança?”
Professor Antonio Carlos dos Anjos Filho, durante o V CBEU.

Não negamos a importância da pesquisa na universidade, mas trabalhar de maneira covarde para que um Núcleo que opera inúmeras atividades de extensão da UnB se transforme em mais uma sala de projetos de pesquisa é contraproducente. Infelizmente, a visão que se tem de extensão universitária é essa: algo que só traz despesa e não gera resultados mensuráveis, enquanto projetos de pesquisa trazem recursos e pontos de produtividade no CNPq. Essa é uma visão equivocada, uma vez que a universidade deve ser assentada no tripé ensino – pesquisa – extensão, sem hierarquia de nenhuma dessas partes. Portanto, tememos pela quebra na continuidade das atividades que vem sendo desenvolvidas nas comunidades do DF e universidades parceiras.

Informamos também que concluiremos a disciplina Construção de Projetos Sociais Multidisciplinares – 2/2012, adiantando que nenhum de nós tem o interesse de continuar em nenhuma das atividades deste Núcleo, incluindo a disciplina supracitada, a partir do 1/2013. Essa medida torna-se necessária diante das atitudes autoritárias, verticais, anti-éticas e desrespeitosas executadas pelo DEx nos últimos dias. Julgamos desastroso e inconseqüente retirar o Coordenador do Núcleo em reunião que não tinha essa pauta, bem como consideramos uma afronta decidir mudar a fechadura do Núcleo de um dia para outro, sabendo que no local encontram-se materiais didáticos de professores e estudantes. Observamos que é no mínimo questionável fazer essa ação num momento em que 8 monitores e 2 professores encontram-se em atividade fora do DF e com certa limitação na comunicação.

Apesar de tudo que ocorreu, esses conflitos nos fortaleceram em Campo Alegre do Fidalgo. As atividades continuam e nosso compromisso com as práticas extensionistas que sempre realizamos se mantém inalterado. Não abandonaremos o município como o DEx fez conosco e não precisamos de estar vinculados à um local que nos apóia de forma superficial. Olhando para enxergar soluções em meio aos problemas, uma das principais características dos rondonistas em momentos de crise é buscas soluções para as dificuldades ao invés de apenas piorá-las. Talvez aí esteja de fato a nossa liberdade e, por mais que não esteja, valeu a pena tudo que passou.

Aproveitamos para agradecer as centenas de pessoas que já fizeram parte do Núcleo, sejam estudantes, professores, monitores, técnicos e comunidades do DF e entorno. O trabalho de todos vocês foi fundamental para que atingíssemos não somente os dados que apresentamos na primeira parte, mas muitos outros resultados quantitativos e qualitativos, dentre os quais olhar no rosto de centenas de crianças, adultos e idosos e vê-los sorrirem, aprendendo e ensinando conosco.

Brasil! Extensão! Rondon! UnB!

Campo Alegre do Fidalgo, Piauí, 19 de janeiro de 2013.

Assinam essa Carta:

Bianca Paula dos Santos
Breno Marra Rabelo
Larissa Moreno
Marcos Aguiar Matos
Marcos Ferreira Calixto
Pedro Henrique de Souza Oliveira
Rafael Ayan Ferreira
Tomé de Pádua Frutuoso
Wevertton Felipe Brasil de Oliveira

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Cinco pães, um leite e um revólver por favor!

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* Texto enviado ao lançamento do site www.10porhora.org

Então, enquanto houver armas, vão ter pessoas matando e morrendo. Enquanto não criarmos a cultura do respeito, de valorizar o próximo, entender que ele tem laços, relações, que ultrapassam desentendimentos pessoais ou outras pendências, vamos assistir à homicídios, seja na conquista de um tênis, na fuga de um assalto à banco ou numa chacina em escola.

Mais uma vez um caso que apavora o mundo: massacre em escola nos Estados Unidos. Essa prática vem se repetindo, ou seja, não foi a primeira vez e, infelizmente, parece não ser a última. Em cima disso pensei em escrever algo pedagógico e vivencial sobre o que é ter uma arma.

Uma pergunta fundamental que não fazemos é: pra quê serve uma arma, como um revólver? Na minha casa tem cama que uso para dormir. Tem talheres que eu uso pra comer. Tem geladeira, onde conservo alimentos. Tem ração pra alimentar meu cachorro. Tem um flutuador que joga cloro na piscina e ajuda a mantê-la limpa. Não tem cortador de grama, então peguei o do vizinho, pois grama tem em minha casa. Meu outro vizinho, o do lado esquerdo, tem ração pra gato, mas não peguei isso com ele, pois não tenho gato. Também não peguei fita cassete com um terceiro vizinho, do outro lado da rua, pois não tenho vídeo cassete em minha residência. Lá em casa tem até coisas que não uso, como dois volantes com marcha para jogos de automobilismo, e eu não tenho esse tipo de jogo no computador. Então pensei: o quê eu não tenho em casa que me seria útil? Já sei: acho que está faltando uma arma nessa casa! E foi assim que eu pensei em quais seriam as vantagens e desvantagens de se ter um revólver comigo. Fui numa lojinha de R$ 1,99 e comprei um revólver de plástico pra ir me acostumando com a ideia e fui fazer alguns testes. Seguem os resultados:

  • Vou dormir em cima de um revólver? Não! Até tentei, mas só consegui por uma hora e fiquei com uma marca vermelha nas costas. Ainda bem que não tenho namorada pra não ser mal interpretado.
  • Vou comer com um revólver? Não! Tentei sopa, churrasco, lasanha, batata frita. Quando ia desistir, tentei sorvete e banana. Nada deu certo. Foi um dia quase sem comer, só lambendo o que o revólver encostava.
  • Vou conservar alimentos com um revólver? Não! Não cabia nem uma azeitona no tambor do revólver. Foi o máximo que pensei pra essa função.
  • Vou alimentar meu cachorro com um revólver? Não! Ele até mordeu, mas largou em seguida e preferiu sua bolinha, que também é de plástico. Acho que o formato não agradou.
  • Vou limpar a piscina com um revólver? Não! Joguei o revólver de plástico na piscina e o máximo que ele se assemelhou ao flutuador foi ficar boiando, mas limpar que é bom nada.
  • Vou cortar a grama com um revólver? Não! O revólver amassou mas não cortou nada. A grama continuou alta.
  • Vou alimentar o gato do vizinho com um revólver? Não! Se nem meu cachorro que morde até latinha não quis, logo gato, que é mais fresco do que tudo, não iria aceitar.
  • Vou assistir filme com um revólver? Não! Apertei o gatilho umas dez vezes, coloquei contra a luz, virei, apertei o gatilho novamente, procurei enfiar na tomada, mas imagem que é bom nada.
  • Vou me divertir com jogo de automobilismo, ou mesmo de tiro, com um revólver? Não! Não tinha entrada USB, mas se tivesse, se tivesse…

Diabo, mas que coisa! Será que revólver não servia pra nada? Será que vou ter que entrar em algum reality show e ganhar 1 milhão de reais e comprar um míssel Tomahawk pra que veja algo útil numa arma, se é que tem? Preferi preservar o público de mais um bate-boca vergonhoso e continuei pensando em alguma coisa que eu pudesse fazer com o diacho de um revólver. Pensei se seria útil pra trocar o pneu do carro, acessar a internet, ligar pros meus pais, escrever receita, lavar a louça, mas nada, absolutamente nada do que eu pensava em fazer com a arma me parecia funcional. Talvez a inutilidade seria porque era de plástico e não de verdade. Foi aí que tive a grande ideia: e se alguém viesse me roubar eu desse uns tiros no cabra? E se eu andasse com o revólver debaixo do banco do carro para poder brigar com mais segurança no trânsito? E se eu desse tiros para o alto numa festa para demonstrar toda a minha virilidade masculina enrustida atrás de comentários em redes sociais no mundo virtual?

Foi a partir daí que pensei, também, nas desvantagens, se é que essas próprias vantagens não podem ser consideradas como algo negativo.

Alguém que vem roubar sua casa certamente está mais preparado do que eu. Parando pra refletir, nem policial que tem treinamento, não saca o revólver da cintura todo dia. Por quê eu, que trabalho, estudo, tenho família, assisto futebol, faço festa, vou à festas, reclamo da vida, enalteço a vida, me diga, por quê eu iria saber utilizar uma arma melhor do que um assaltante que faz isso com regularidade? Você aí que me lê: já viu um médico construir ponte e um engenheiro fazer cirurgia cardiovascular? E olha que nem tenho criança em casa, o que seria um risco e preocupação a mais.

Para o trânsito é o mesmo raciocínio. Não preciso me proteger de ninguém, mas de mim! Se ando com uma arma em meu carro, o maior perigo sou eu mesmo, que terei que controlar minha raiva pra não disparar contra quem me deu uma fechada ou bateu em minha traseira. Isso é vantagem? É achar que o outro também tem arma e tenho que entrar nessa barbárie?

Quando vamos numa festa, se for do tipo americana, levamos o que vamos beber. Caso seja festa open bar, levamos o ingresso. Levamos amigos, um presente pro aniversariante, o amigo do amigo, um trocado pra “intera do cabô a cerva”. Se eu levasse uma arma, quais benefícios ela me traria? Já sei: rolou uma briga e eu posso resolver o problema, pois uma vez que estou armado, ninguém irá mexer comigo. Legal, se isso é vantagem, então por qual motivo todo mundo não vai pra festa armado? Imaginem só uma festa com 50 pessoas, o que é pouco, e de repente rola uma briga, e todo mundo está armado? Seria uma loucura cada um querendo resolver o problema tendo uma arma letal na cintura. Logo, não vi vantagem alguma nessa imbecilidade de andar armado.

Armas só servem para matar e alimentar a indústria armamentista. Embora a função da arma seja clara, que é atingir alguém, podemos inventar qualquer desculpa para se ter um objeto desse em casa, de acordo com a realidade de cada local. Exemplos: podemos ter arma porque é um direito e a constituição permite, porque é bonito, porque é para caçar. Sinceramente, eu prefiro a proibição pelos seguintes motivos: não se pode ter arma porque ela pode ser acessada por uma criança, porque serve para matar, para enriquecer a indústria bélica, porque não tem outra função senão acabar com a vida, porque é necessário treinamento pra operar uma arma, pois não é uma colher ou torneira.

Relatório da ONU diz que a diminuição do número de armas não tem relação direta com a redução do número de homicídios. Bom, pode até não ter, mas o certo é que não tendo arma, uma pessoa demoraria muito mais tempo para matar outra, sendo contida ou causando um estrago menor no número de pessoas. Se não é isso, experimente dar uma pistola pra cara cidadão no planeta e depois me conte, se você sobreviver – e eu também –, o que aconteceu.

Em 2005, o Brasil, através de referendo popular, votou no Artigo 35 do Estatuto do Desarmamento – e não na aprovação da íntegra do Estatuto, como acreditaram alguns. O povo brasileiro optou pela liberação da compra e posse do registro da arma na forma da lei. O Estatuto, que é a Lei 10.826/2003, permite que magistrados e membros do Ministério Público, auditores e analistas tributários, agentes penitenciários e guardas municipais e pessoas físicas que comprovem a efetiva necessidade de portar arma possam efetuar o registro na Polícia Federal. Ninguém nunca viu plantação de fuzil ou pistola em morro ou outro local. Arma vem de indústria, não é fabricada em casa, numa esquina qualquer. Aqui chegamos no segundo ponto da justificativa pra se ter uma arma: o lucro das empresas que as fazem!

Há empresas que além de vender pra civis, ainda vendem pro governo, pra que repasse aos militares. Com isso, garantem a circulação do capital: tem arma a polícia, os assaltantes e quem quer se proteger de alguma coisa, como uma batida de carro ou um empurrão numa festa, alimentando o patrimônio dos donos de indústria de armas e dando falsa noção de que está mais seguro. Para quem não sabe, a indústria bélica é a que mais lucra no mundo, sendo a responsável por grandes massacres civis. O cineasta estadunidense Michael Moore no filme Tiros em Columbine (2002) revela bem a ignorância dos estadunidenses em se ter uma arma e como o lobby armamentista é forte no Congresso daquele país. No Brasil não é diferente e se expressou na política, em 2005, na figura de Alberto Fraga, do Partido Democratas do DF (à época Partido da Frente Liberal, PFL), que presidiu a “Frente da Bala” para ganhar o posicionamento no plebiscito que votou a proibição da venda de armas e munição.

O caso é que ninguém perde nada com o desarmamento, a não ser quem quer acertar contas com outra pessoa ou grupo ou empresas belicistas. A movimentação de gasto com img2armas gira em torno de 1,5 trilhão de dólares ao ano, configurando a maior indústria no mundo. A empresa brasileira Forjas Taurus, uma das principais do ramo, divulgou em seu site que teve lucro de 7,9% no terceiro trimestre de 2012, alcançando receita consolidada de R$ 151,1 milhões. O mesmo site revela que a empresa tem ações na BM&FBovespa, a bolsa oficial do Brasil, atingindo nível 2 de Governança Corporativa. A insaciável indústria de armas tinha que aumentar sua frente de capital e assim o fez. Há países que fazem propaganda dizendo que estão em missão de paz no Haiti, enviam tropas, mas na verdade o que fazem mesmo é vender armas para o país. É aquela história de ganhar dos dois lados, comum nesse tipo de ramo. Se você não tem arma em casa – e alguns outros poucos produtos que eles vendem pra dizer que não são somente assassinos –, pode se orgulhar de não ter contribuído com o enriquecimento desses canalhas e a morte de pessoas.

Explicada essa conjuntura, há de se dizer que não há nenhum tipo de segurança que dê conta de matadores em série que atacam universidades e escolas. Se todo estabelecimento tivesse uma dupla de policiais armados na entrada, o assassino iria arrumar uma forma de matar os dois ou contorná-los e continuar com seus planos. A medida que alguns parlamentares querem tomar no Congresso dos EUA, impedindo a venda de armas de assalto, não será um golpe duro nesses massacres. Pode reduzir o número de vítimas, mas os assassinos saberão onde encontrar as armas. O quê não pode é a continuação da venda de armas como se fosse pão, algo comum, que se atém ao universo de quem compra e de ninguém mais. Nos EUA, quando se permite que civis tenham armas, é o mesmo que dizer: você tem o direito de matar e outras pessoas o direito de morrer, então compre sua arma para ter somente direitos e não deveres,para que mate e não morra.

Para algumas pessoas, a sensação de impotência também entristece. Impotência de não poder ajudar com alguma coisa, ou de ver o bandido preso e poder perguntar por quê ele fez aquilo ou exigir pena de morte, essas coisas que vem na cabeça de familiares, amigos e anônimos revoltados com o que aconteceu na escola dos EUA. Esses matadores não querem aparecer em vida, pois sabem que vão morrer. Tem conseguido aparecer em morte, obtendo uma visibilidade que talvez procurassem quando vivos. Enquanto você lê esse texto, é óbvio que há outros assassinos que observam tudo de longe nos EUA e em outros lugares. Daí, esperam a poeira baixar sobre o caso que está repercutindo na mídia para fazerem a mesma coisa e, assim, terem exclusividade no seu ato. Se é uma doença não sei, mas existe, e todos eles querem uma visibilidade que não tiveram em vida.

Então, enquanto houver armas, vão ter pessoas matando e morrendo. Mesmo com as restrições, ainda é relativamente fácil se conseguir uma arma, e até incentivado em alguns países, como os EUA. Só falta venderem pistola combinada com pão e leite. Enquanto não criarmos a cultura do respeito, de valorizar o próximo, entender que ele tem laços, relações, que ultrapassam desentendimentos pessoais ou outras pendências, vamos assistir à homicídios, seja na conquista de um tênis, na fuga de um assalto à banco ou numa chacinaimg5em escola. Até mesmo muitos comunistas abandonaram a ideia de revolução armada, dado o avanço da tecnologia militar e as guerras que cada vez mais se fazem apertando botões ao invés de gatilhos. Sou desses comunistas! Não dos que já acreditou em revolução armada, mas dos que acham que revolução se faz na consciência, na emancipação coletiva, horizontal, pela educação de um povo, e não na ação forçada por quem quer ser vanguarda e tomar o trono dos autoritários de outrora. Não acredito em Deus, sou agnóstico, mas é em momentos como esses, do massacre de 20 crianças de 6 e 7 anos, que só posso imaginar que qualquer lugar fora desse planeta, dentro da ciência ou em um outro plano espiritual – que também não acredito mas se acreditasse seria dessa forma –, é mais seguro do que viver subjugado à sede de indústrias armamentistas por dinheiro e a de pessoas que se dizem cristãs ou com outras crenças em melhorar o mundo, tornando-o uma arena permanente.

É assustador assistir filmes como os de Michael Moore e ver que em algumas cidades nos EUA, dependendo do tipo de conta que se abre no banco, ganha-se como incentivo uma arma. Não sei por quê mas eu nunca me acostumei com essa imagem passada nos filmes de que todo mundo tem uma carabina em casa e aí não pode nem cair uma bola no quintal do vizinho que sai alguém enfezado segurando uma escopeta e perguntando o quê estão fazendo naquela propriedade. Está aí o símbolo da civilização, pra quem acha bonito as cercas vivas e a falta de muros nas casas dos EUA. Prefiro mil vezes a cordialidade dos brasileiros, mesmo o problema das armas tendo chegado por aqui.

Bem, o revólver de plástico continua em minha casa. Está lá parado, sem nenhuma função. Se alguém quiser, pode pegar, é de graça, e me conte se achou alguma finalidade. Sobre um revólver de verdade, vão me ver enterrado com a bandeira do Vasco da Gama em cima do caixão e não irei pegar numa desgraça dessas, nem pra brincar de caçar ou atirar em latinhas. Fico satisfeito em atirar nos biscoitos do Fofão, aqueles da embalagem verde brilhante, da década de 1980, no Parque de Diversões Nicolândia em Brasília. Sendo assim, minha preferência é conectar sustentabilidade através da educação, que é o que realmente muda a realidade sem matar ninguém.

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Dia 16 de dezembro, vote Dany Silva 687 para Conselheira Tutelar de Vicente Pires

ATENÇÃO: nosso local de votação é na Escola Classe Vicente Pires, ao lado da Feira do Produtor. Para ver o local de votação e número de outros candidatos, clique no link abaixo:

http://www.crianca.df.gov.br/processo-de-escolha-para-conselheiro-tutelar.html

Olá colegas de Vicente Pires!

No dia 16 de dezembro de 2012, domingo, ocorrerá a eleição para o Conselho Tutelar do Distrito Federal. Esse é um momento fundamental na política de nosso bairro e mesmo do DF, em que os políticos vigaristas envolvidos em vários esquemas de corrupção apoiam candidatos que serão seus cabos eleitorais nas eleições de 2014. O Conselho Tutelar é o responsável por proteger as crianças e adolescentes da violação de direitos, dentre as mais comuns, abandono de incapaz, exploração sexual, violência doméstica, trabalho infantil, bullying e outras.

E você, quer que tenhamos no Conselho Tutelar um cabo eleitoral de um politiqueiro que vai estar apertando sua mão daqui a dois anos ou uma pessoa que realmente trabalhe no Conselho Tutelar de sua cidade? Quer um conselheiro tutelar que não está nem aí para as denúncias de pedofilia, ou quer alguém que já tenha um histórico de lutas em defesa dos direitos da criança e adolescente? É isso o que está em jogo pessoal! Sempre vemos pessoas que aparecem no nada, somente nas eleições, querendo o cargo de Conselheiro Tutelar para angariar barganha com deputados distritais mais tarde. Podemos colocar um basta nisso, elegendo uma pessoa que já batalha na causa há um bom tempo.

Mas quem seria uma opção confiável para votar em meio à tanta politicagem e descrença com nossas crianças?

Danielle de Paula Benício da Silva, a Dany Silva 687, nasceu na Ceilândia, tem 26 anos e é moradora de Vicente Pires. É estudante de Serviço Social na Universidade Católica de Brasília e educadora social do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua desde 2002. Também desde esse ano participa da organização do 18 de maio, que é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Foi representante juvenil do Comitê Nacional de Enfrentamento a Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Estudou na Universidade de Havana, em Cuba, no ano de 2006, em que pôde perceber a política pra infância e adolescência adotada naquele país. Em 2008, foi uma das organizadoras do III Congresso Mundial de Enfrentamento a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e, logo depois, educadora social do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do DF (CEDECA-DF). Já trabalhou com ações sociais em vários locais, inclusive em Fortaleza, Ceará, onde coordenou um projeto financiado pela ONU (Organização das Nações Unidas) sobre juventude urbana. Dany Silva 687 também realiza trabalhos de formação de jovens em diversas temáticas como o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), Direitos Sexuais, Prevenção da Violência Sexual contra Crianças e Adolescente e sobre gênero/raça e etnia para crianças, adolescentes, jovens e suas famílias nos CRAS (Centro de Referência em Assistência Social), CREAS (Centro de Referência Especializado em Assistência Social), escolas e postos de saúde.

Portanto, dia 16 de dezembro, nós de Vicente Pires temos uma ótima opção. Dany Silva 687, pra garantir a defesa dos direitos de nossas crianças e adolescentes e não a politicagem dos cabos eleitorais de mensaleiros.

Dia 16 eu vou votar em uma mulher de luta. Não esqueça: o número é 687 e o nome é Dany Silva.

Dia 16, eu vou votar em Dany Silva 687 pra Conselheira Tutelar de Vicente Pires.

Conheça Dany Silva no Facebook:

https://www.facebook.com/danielledepaula.sanchez?fref=ts

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Saibam mais…

Candidatos ao Conselho Tutelar assinam carta-compromisso com os direitos de crianças e adolescentes

 

No dia 16 de dezembro haverá, em todo o Distrito Federal, eleição dos/as novos/as Conselheiros/as Tutelares, para mandato ao longo do triênio 2013-2015.A construção deste processo eleitoral envolveu longas batalhas, com constantes mudanças nas regras e datas. Ao final, quase 700 candidatos/as estão em ritmo de campanha, buscando apoio da população para se elegerem.

Neste triênio, os/as futuros/as conselheiros/as conviverão com um processo eleitoral de grande porte, a realização da Copa das Confederações e Copa do Mundo e um contexto onde vemos o aumento das violações de direitos, em distintas esferas, exigindo participação cada vez mais ativa, independente e críticas daqueles/as responsáveis por zelar pelos direitos das crianças e adolescente.

Com intuito de fortalecer o debate a respeito do papel dos/as conselheiros/as tutelares nesta conjuntura, CEDECA, CECRIA, MTST, CFEMEA, Coletivo da Cidade, Comitê Popular da Copa, Jornal O MIRACULOSO e outras entidades organizaram, na noite de 28 de novembro, um debate aberto e divulgado a todos/as os/as candidatos/as, convidando-os/as para a assinatura de carta de compromisso com os direitos da criança e do adolescente.

O debate organizado foi uma das únicas oportunidades em que a população pôde conhecer melhor os/as/ candidatos/as ao cargo de conselheiro tutelar, bem como estes puderam aprofundar e discutir temas centrais de sua atuação. Neste sentido, este espaço contribuiu de maneira relevante para o fortalecimento do processo eleitoral para os Conselhos Tutelares e para a política de infância e adolescência do Distrito Federal.

Ressalta-se que a carta continua aberta a novas assinaturas, mantendo seu caráter universal e democrático, e tornando-se um instrumento perene de reflexão e comprometimento com os direitos das Crianças e Adolescentes.

Fique sabendo: O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) define o Conselho Tutelar como sendo o “órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente” (extraído do art. 131).

Abaixo estão os nomes dos/das candidatos/as que se assinaram a Carta Compromisso no encontro, e em seguida a publicação da carta na íntegra.

Link para saber o número do/a candidato/a, local de votação e outras informações:

http://www.crianca.df.gov.br/processo-de-escolha-para-conselheiro-tutelar.html

 

Assinam a Carta Compromisso:

Alessandro Andrade   Estrutural

Alisson Marques         Guará

Bruno Calazans          Riacho Fundo I

Clemildo Sá                Brasília

Cristiane                     Sobradinho II

Daniela                       Riacho Fundo II

Daniella Eleutério       Lago Norte

Dany Silva                  Vicente Pires

Delma                         Brazlândia

Indinara                      Guará

Ivone                           Sobradinho I

Jaqueline                     São Sebastião

Lua Ísis                       Brasília

Graça                         Santa Maria

Marcão                       Samambaia

Natálicia                     Sobradinho II

Nilmar Lobo               Taguatinga

Ricardinho Leal          Ceilândia

Rodrigo Campos        Sobradinho II

Rosália                        Brazlândia

Serginho Leonel         Brazlândia

Victor Nunes             Brasília

Zita                             Planaltina

 

Carta Compromisso Candidatas/os ao Conselho Tutelar

As/Os Conselheiras/os Tutelares do Distrito Federal para o próximo mandato, triênio 2012-2015, têm o desafio de lutar pela garantia dos Direitos das Crianças e Adolescentes e avançar na construção do Sistema de Garantia de Direitos – SGD, em um processo de crescente criminalização da pobreza, das crianças, adolescentes e da Juventude. Não é um desafio fácil.

A população infanto-juvenil do Distrito Federal não vê na aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, principalmente no que se refere ao princípio de prioridade absoluta. Atualmente, verifica-se:

Uma política pública que prioriza a relação com a Copa do Mundo ao invés das políticas de inclusão e promoção social. Enquanto os investimentos no Sistema de Garantia de Direitos, no Sistema Socioeducativo, na Educação Infantil e na Saúde Mental foram quase nulos nestes dois anos, a construção do Estádio segue em ritmo acelerado e consumindo bilhões. Enquanto a política de segurança é reforçada, pouco se fez para fortalecer programas como o Enfrentamento da Violência Sexual e Erradicação do Trabalho Infantil;

A falta de prioridade e sensibilidade por parte do judiciário e do GDF culminou recentemente e mortes seriadas na Unidade de Internação do Plano Piloto (antigo CAJE), que continua funcionando superlotada a despeito de decisões que ordenam seu fechamento urgente. Executivo, Legislativo (por não fiscalizar) e Judiciário, em última instância, foram os responsáveis pelas mortes destes adolescentes;

O aumento da política de repressão e criminalização de nossos adolescentes, com abordagens violentas por parte dos órgãos públicos do Executivo e Judiciário, o cerceamento ao direito de ir e vir, em especial relacionado às crianças e adolescente em situação de rua faz com que o DF tenha o maior índice de encarceramento de adolescente no país, o que mostra, por um lado, a falência das medidas e políticas de inclusão e ressocialização e, por outro, o crescimento de um modelo de cidade que leva a exclusão social;

Algumas medidas mais recentes, como a violência policial e de agentes da AGEFIS contra conselheiros tutelares que lutavam pelos direitos das crianças em ações irregulares na Vila Estrutural, apenas demonstram a visão predominante de que iguala pobreza a criminalidade e, portanto, retira a liberdade de toda uma classe social já marginalizada.

Mas esse cenário não é novo. O movimento de garantia de direitos sempre se defrontou com uma forte oposição de reconhecer crianças e adolescentes como sujeitos de direitos. A mesma dificuldade enfrentam todos os movimentos sociais que lutam pela justiça na defesa dos segmentos historicamente oprimidos no Brasil.

É hora de avançarmos nas políticas públicas destinadas ao público infanto-juvenil. É necessário repudiar as tentativas de redução da idade penal. Nesse sentido, destaco e defendo estes princípios fundamentais, que devem orientar a atuação da(o) conselheira(o): a) a proteção integral; b) a prioridade na elaboração do orçamento público; c) a condição peculiar de pessoa em desenvolvimento e; d) a participação popular.

A reivindicação da garantia integral e indivisível dos direitos é imprescindível para a organização do Sistema de Garantia de Direitos, incluído o Sistema de Medidas Socioeducativas. Os direitos fundamentais devem ser garantidos pela simples condição de crianças e adolescentes serem pessoas e não em virtude de necessidades.

Cabe ao Estado promover, por meio de recursos públicos, a execução de políticas públicas destinadas à efetivação dos Direitos Fundamentais. Isso significa que dívidas fiscais e gastos com eventos bilionários não são prioridades, muito menos obras que não levam ao bem-estar do povo. Ademais, o Estado não deve se valer da articulação entre governo e sociedade civil para implementar medidas de terceirização e privatização.

As/Os Conselheiras/os Tutelares, para além de agentes públicos, são representantes da comunidade na articulação da rede de proteção de crianças e adolescentes e desempenham papel fundamental no controle social dos poderes estatais. Estas/es têm a obrigação de participar dos fóruns da sociedade civil organizada, do fortalecimento da Associação de Conselheiras/os Tutelares e contribuir para a formulação das resoluções do Conselho de Direitos.

Por fim, entendo que somente a organização popular poderá consolidar a conquista de direitos e compreendemos que a defesa da criança e adolescente deve estar associada à luta por uma profunda transformação social. Comprometo-me em apoiar, assim, todas as manifestações de organização da sociedade e da classe trabalhadora em defesa dos direitos e contra as opressões do sistema capitalista.

Nestes termos assino esta carta:

Brasília, 28 de novembro de 2012.

___________

Para quem irá votar em outras Regiões Administrativas do DF, sugiro os seguintes candidatos:

RA I – Brasília

Victor Nunes 139

https://www.facebook.com/victor.nunes.75033?fref=ts

___________

RA V – Sobradinho


Raquel Bento  604

https://www.facebook.com/raquel.bento.790?fref=ts

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Crônica crônica: 10 mandamentos para tornar o Caldas Country Melhor!

Já há algum tempo tenho pensado em escrever sobre isso, sobre a bagunça generalizada que se tornou o Caldas Country, onde tudo parece um sonho: se morrer vai acordar e está tudo bem, se for preso vai acordar e está tudo bem, se brigar vai acordar e está tudo bem. Enfim, está sempre tudo bem, porque aquilo ali é um sonho para muitos, ou um pesadelo, porque não é possível tanta loucura, pra não dizer crime, sem que nada seja feito.

É claro que aqui temos uma separação entre o que é o Caldas Country, um evento que ocorre em local fechado e com ingressos de valor elevado, e o que ocorre do lado de fora, que a produção do evento diz não ser culpada. Seja o que for, o fato é que quando se fala Caldas Country hoje, é também fora do cercadinho onde está a vodka com energético. Pra quem não sabe, o Ministério Público de Goiás já estuda acabar com a farra em 2013, proibindo a venda de ingressos.

Lembro que meus pais compraram um chalé em Caldas Novas por volta de 1995. Ao falar das baixarias que ocorrem na cidade no grupo da Universidade de Brasília no Facebook, um jovem chegou a dizer “é só eles não irem pra lá no Caldas Country”. Então agora é assim, tem que escolher a data que a cidade não estará tomada pelos vagabundos para que um casal de idosos possa viajar pra lá. Do contrário, serão desrespeitados. Quem manda escolher o feriado pra viajar, não é mesmo? No Caldas Country de 2010, único que fui, na hora de sair da cidade alguns “espertos” quiseram me cortar pelo acostamento, criando uma espécie de “quarta faixa”, a faixa dos que merecem chegar na frente dos que saíram mais cedo. Coloquei meu carro nas duas faixas e não deixei ninguém passar. Fui ameaçado várias vezes e nenhum policial apareceu, mas quando é pra cobrar os valores cada vez mais abusivos de IPVA que não geram retorno algum pra população, os arautos da lei estão sempre por perto e não deixam escapar ninguém.

Entre a desordem ocorrida na cidade, há sexo explícito na calçada, jovens que atearam fogo em um carro, veículos que foram destruídos, uma galera muito “sussa” que colocou tijolos e fez churrasco no meio (bem no meio) da rua, uma ambulância invadida e até o posto da PM que foi tombado patrimônio da selvageria pelos bebuns. Quem dera estivéssemos numa revolução socialista e o posto fosse tomado para cumprir as funções de guarda comunitária! E quem ganha com Caldas Country? Quanto a prefeitura arrecada de impostos e quanto vale uma criança ir à padaria pra comprar pão e se deparar com um carro pegando fogo porque na cidade tudo pode? Será que o dinheiro compra a dignidade dos moradores de Caldas Novas e dos turistas que vão para a cidade esperando confraternizar e se vêem em meio à barbárie?

Você que agora lê esse texto, não sabe se na sua vizinhança estão fazendo churrasco ou transando, pois é algo que ocorre dentro de cada casa, sem atrapalhar ninguém. Existem coisas que são do espaço privado e torná-la pública não é outra coisa senão uma afronta não à lei, mas ao bom convívio em sociedade. Então, será que a solução seria acabar com o Caldas Country ou melhorá-lo? Estou certo que podemos acabar com a canalhice na cidade e para isso existem algumas medidas simples:

  1. Quando pegar pessoas transando na rua, bater com o cacetete com força na cabeça, para sangrar, como um alerta, para que se perceba que Homo sapiens e Canis lupus familiaris não são a mesma espécie. Depois disso, até no quarto de motel o cara vai pensar duas vezes se está num local público antes de mandar sangue pra deixar o pênis ereto.
  2. Quando um bombado parar o carro na via, descer e começar a dançar arrocha, um fuzileiro naval contratado especialmente para o Caldas Country dará uma voadora no imbecil, derrubando-o e fazendo uma chupeta ligando o indicador direito no pólo positivo e o indicador esquerdo no pólo negativo. Ah sim, para a corrente elétrica, o fuzileiro utilizará um teaser, aquela arma que dá choque.
  3. Quando invadirem uma ambulância, o BOPE, que é bom pra dar porrada em estudante que protesta contra corrupto, vai enfim cumprir uma ação social e levar os delinqüentes pra cadeia. Só irão sair depois de construírem 1.000 macas e 10 hospitais cada um.
  4. Quando chegarem com som alto nos chalés, querendo que você ouça arrocha, serão detidos por poluição sonora e só sairão da cadeia após fazerem 1.000 instrumentos musicais para a escola de música de Goiás.
  5. Quando um grupo de covardes chutar alguém no chão até que a pessoa desmaie, ela será amarrada e jogada à 50 jardas de um gol num campo de futebol americano. Só irá ser desamarrada depois que todos do time deram um chute ou quando o placar marcar 5 gols.
  6. Quando um machista quiser brigar pra beijar uma mulher à força, xingando a garota de piranha, será mergulhado num tanque com minhocas amarradas ao corpo, e só irá sair depois de escolher qual piranha quer beijar.
  7. Quando pularem num carro parado ou em cima de um posto policial, será lhes dado um pogobol para que tente sossegar o facho, pulando por pelo menos 24 horas. Quem cair sobe e tenta de novo, até conseguir pular 24 horas seguidas.
  8. Quando fizerem churrasco no meio da rua ou buzinar próximo à hospitais, ficarão durante todo o mês de agosto em frente a Pracinha de Caldas Novas, descalços, enquanto houver luz do sol, com direito à um copo d´água de 200 ml, pedindo dinheiro, que ao invés de ir pra outra bebedeira irá para uma instituição de caridade.
  9. Quando tentar passar pelo acostamento ou estacionar em vaga de idoso ou pessoa com necessidade especial, vai pra cadeia e só sairá depois que fizer 1.000 cadeiras de rodas e construir 10 escolas, para evitar uma futura geração de mal educados como eles.
  10. Quando urinar na piscina, um sistema de tecnologia irá disparar uma sirene e um holofote será jogado em cima do porco humano. Automaticamente as pessoas sairão do local para que o mijão lave todas as piscinas do clube, sendo permitida a sua entrada somente de fraldas.

Pronto. Dessa forma teremos um Caldas Country bem melhor, alegre, divertido, em que poderemos levar nossos amigos sem saber que vamos ser empurrados por conta de brigas de vândalos. E essas regras valem tanto para o espaço se dentro do show como para fora, pra que empresários que só pensam no próprio bolso não queiram tirar a responsabilidade de si. O que temos que ter claro é que medida social existe e muitas vezes dá certo para o cara que mata porque foi roubar um tênis, pra crianças aliciadas pelo tráfico, pra adolescentes que roubam comida em supermercado pra alimentar o irmão doente, pra jovens carentes em conflito com a lei por causa do vício de crack. Pra playboy bêbado, os pontos acima estão até insuficientes, e tenho certeza que a população de Caldas Novas trocaria todo esse “investimento” em sacanagem por um bom sossego no feriado do 15 de novembro.

Quem lucrou mesmo com o Caldas Novas foram os donos de hotéis, as cervejarias, os produtores de shows, as bandas que se apresentaram e as doenças sexualmente transmissíveis. Para os trabalhadores, pros honestos, sobrou uma montanha de papel não reciclável, cacos de vidro, muros urinados, brigas de bêbados, assassinatos e a possibilidade de uma criança ir visitar um amigo e ver dois imbecis transando encostados num carro, achando que o mundo não iria acabar dia 21 de dezembro mas sim naquele minuto – o que também não justificaria. Provavelmente o “inteligente” que falou no grupo da UnB que idosos não podem ir à Caldas na data do evento, vai dizer que as crianças também não. Poderia se abandonar a cidade durante o Caldas Country e a partir daí todo mundo que entrasse assinaria um termo de livre consentimento para ter ânus e carro violados.

Bem gente, é claro que aqui há alguns fatos que ocorreram no Caldas Country 2012, mas que vem se repetindo todos os anos. Nenhum dos atos citados nos 10 mandamentos foi inventado, mas sim as penas para cada um deles. Certamente o Ministério Público de Goiás irá agir para que os abusos não sejam cometidos em 2013, e tomara que a polícia seja eficiente nisso, porque pra bater em sem-terra eles estão sempre dispostos. Nenhuma medida que tomarem irá impedir o trânsito caótico, a falta de dinheiro nos caixas eletrônicos ou a inflação nos preços dos shows, que também é um problema para uma população que recebe salafrários de todo canto do país e sequer podem desfrutar do espetáculo. Acho que eles se sentem como nós brasilienses quando dizem que aqui só tem corrupto, um insulto à nossa cidade, como o Caldas Country está sendo um insulto aos moradores de Caldas Novas. Porém, é preciso que se tomem atitudes drásticas em relação aos criminosos que fazem da cidade uma terra sem regras.

Eu adoro festa, é difícil achar alguém que não goste. Não é para acabar com a festa, mas com os excessos que fazem da festa um antro de baderneiros. Quando começarem a prender, acaba a sensação de impunidade. Não serão as medidas acima porque elas sequer existem como efeito de interpretação da lei, mas que bom seria se fossem aplicadas pelo menos para quem quer compartilhar Gustavo Lima em via pública, não acham?

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Positivismo, eleições pro DCE da UnB e consequências da despolitização.

Na foto, de 2010, o imparcial, neutro, não-filiado e apartidário Thiago Matias, ex-integrante da Aliança pela Liberdade, como candidato a deputado federal pelo Democratas, abraçado ao aprendiz de bicheiro e agora sem partido – pode até entrar pra Aliança -, Demóstenes Torres. A foto é do blog do próprio positivista.

Época de eleição pra DCE é sempre a mesma conversa: qual o seu partido? Desde quando saí do movimento estudantil, em 2008, até agora, jamais fui filiado à nenhum partido político, ainda que tenha minhas preferências.

O que me intriga é a ignorância de alguns estudantes da UnB que acham que é preciso ser de partido para tomar os mesmos direcionamentos de uma dada sigla. Pura bobagem! Várias são as gestões de DCE que entram em todo o país e tem composição partidária e, no meio do processo, os independentes conseguem dar a linha na gestão, ou os grupos racham, ou acontece uma infinidade de coisas que não é a cartilha do “partido tal é dessa chapa”, como se fosse uma condição sine qua non para um dado fato social (Durkhein) acontecer.

Nas eleições pra DCE da UnB, a Aliança pela Liberdade (outra vez citados na web, virando tag, agradeçam pessoal!) tem posicionamentos que seriam tomados, sem tirar nem por, pela juventude do PSDB ou do DEM. Não à toa PSDB ou DEM se sentem contemplados com a atual gestão do DCE. Não é necessário fazer outra chapa se as propostas da aliança cabem bem num partido como o DEM. Aliás, um dos membros da Aliança, que foi Representante Discente no CONSUNI (Conselho Universitário, maior conselho da UnB), foi candidato a deputado federal pelo Democratas em Goiás, em 2010. Provavelmente para ele esqueceram de pedir o registro de não filiado no TSE, ou ele fraudou, sei lá. Pouco importa! Vamos lembrar quem é ele? Thiago Matias, que na foto acima aparece abraçado ao recebedor de mimos de Carlinhos Cachoeira, o eterno porta-voz contra as cotas raciais e sociais DEMóstenes Torres. Para quem quiser conhecer melhor sobre esse filho pródigo da Aliança pela Liberdade, pode acessar o blog dele e ver a campanha neutra do DEM:

http://thiagomatias.blogspot.com.br/2010_07_01_archive.html

Já a Juventude do Democratas utiliza seu blog para fazer referência à Aliança pela Liberdade, quando essa ganhou a eleição pra DCE em 2011, em reportagem do jornal Valor Econômico:

http://www.juventudedemocratars.blogspot.com.br/2011/11/une-perde-o-protagonismo-nas.html

Pelo que dá pra ver o DEM direciona mais a Aliança pela Liberdade, que não tem nenhum filiado, do que se todos os outros milhares de estudantes da UnB fossem filiados à outros partidos. Mas coitados dos garotos, eles que não podem ser culpados de serem citados pelo Democratas. Estranho mesmo nenhum site progressista tê-los citado, a não ser para criticar, como o DEM cita coletivos LGBTTT ou negros para gozá-los. Mas o Reinaldo Azevedo, sim, aquele que adora generalizar a comunidade acadêmica da UnB como um antro de vagabundos, parece também ter gostado da vitória da Aliança pela Liberdade:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/%E2%80%9Calianca-pela-liberdade%E2%80%9D-toma-posse-no-dce-da-unb-e-a-primeira-chapa-nao-esquerdista-a-vencer-a-eleicao-na-historia-da-universidade-ate-eu-fui-citado/

E Reinaldo Azevedo gostou da gestão e em abril de 2012, voltou a defender os “apartidários”, em episódio que novamente envolveu o DEM:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/alianca-pela-liberdade/

Saindo do mundo da fantasia e vindo pra realidade pessoal, pergunto: alguém acredita em coincidência, em imparcialidade, em neutralidade? Uma integrante da gestão Aliança pela Liberdade que em 2012 xingou estudantes comunistas de sujos, demonstra sua raiva, seu ódio sem fundamentação, à grupos que defendem a entrada de estudantes carentes, negros e que apóiam a greve dos professores. A palavra SUJOS revela muita coisa, mas muita coisa mesmo no campo da intolerância, da falta de respeito, de não se entender em coletividade.

Porém, o resultado pior disso tudo não é a Aliança pela Liberdade. Querendo ou não, eles tem seus posicionamentos, seu programa, sua organização, e é isso que estudantes mais progressistas reclamam. Até aqui estamos no campo da política, não há problema algum e o mundo não irá acabar se a Aliança ganhar o DCE por 10 anos seguidos.

O que acho lamentável, contraproducente, é uma Chapa Troll. Isso não é democracia, mas democratismo. Inscrever uma chapa para fazer propostas como “caipirinha no RU”, “trepódromo” ou disciplina “Prática Desportiva de Kama Sutra” é deplorável. Isso sai do campo da política, do que é saudável numa universidade, que é a juventude debatendo os melhores projetos para um DCE, se é o apoio ou não às cotas, fundações, relação com reitoria etc. O mais próximo que a Chapa Troll se aproxima de política é ser uma Chapa Laranja, testa de ferro da Aliança pela Liberdade, falando talvez muita coisa que a Aliança pensa mas tendo a ciência que é outra chapa, ou seja, fazendo a Aliança correr por fora.

Uma Chapa Troll não contribui em absolutamente nada com o processo eleitoral, ou até contribui, de forma covarde, fazendo o papel de escudo de outra chapa. É desse tipo de atitude que nasceu o adjetivo pelego na política. Talvez por isso no debate do Ceubinho da terça-feira, 20/11/2012, a Chapa Troll não tenha comparecido. Será que a Aliança deu uma enquadrada e falou pra eles não irem pra não roubar voto? Será que o papel da Chapa Troll nas eleições é apenas servir de moleque de recado da Aliança e tirar votos de chapas progressistas através de piadinhas? É o que veremos…

– Cotas…cotas… eu acredito no estudo. Estudei muito para chegar à esta universidade. E você o que fez pra estar aqui?
– Além de estudar? Trabalhei bastante né. Afinal, alguém precisa trabalhar neste país.

Estamos num momento crucial na educação superior brasileira. Momento em que a cada ano entrarão pessoas com renda média de 1,5 salário mínimo, que não aceitarão piadinhas classistas como as da Chapa Troll. Vai ser cada vez mais latente o olho-no-olho na sala de aula com estudantes negros, carentes, indígenas, que por décadas foram excluídos da universidade, chegando num meio conservador que não direciona o ensino, pesquisa e extensão para os problemas de suas comunidades. Os partidos são o menor problema do movimento estudantil em todo o país, e são vários os gargalos. É legítimo os partidos levarem qualquer tipo de demanda para dentro de uma gestão de DCE e cabe à ela aceitar ou não, colocando em votação em seus fóruns deliberativos ou, quando for o caso, agir de acordo com o programa com que foi eleita. Os estudantes precisam amadurecer para isso, e quem quer que esteja na gestão vai ter que ter um olhar muito atento para essa questão. Qualquer grupo que ganhar terá que dialogar com os que perderam, pois o encontro da classe proletária com a classe média que historicamente está na UnB não vai se dar de forma tranquila. Os trabalhos em grupo, a fila do RU, os grupos de pesquisa, os comentários em sala de aula, tudo isso agora terá sempre alguém de uma comunidade carente de olho, que não vai aceitar a perpetuação de preconceitos contra seus pares. Definitivamente, a Chapa Troll não se atentou à isso, e parece nem querer se atentar… até que a primeira pedra quebre a janela.

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Escola ou prisão? Seu filho à um bip de distância… e muitos abraços também!

Se a escola é interessante, com professores motivados salarial e pedagogicamente, com estrutura, interface com momentos fora do espaço físico da escola – mas não da educação – como museus, parques, exposições, cinema, teatro, shows, participação da comunidade na elaboração, implementação, execução e avaliação das atividades curriculares e processo de ensino/aprendizagem voltado ao cotidiano em vez da pedagogia tradicional travestida de data show, por quê o estudante iria querer ficar fora dela? Por quê iria ser necessário um chip no uniforme?

Central que detecta a entrada e saída de estudantes. Agora os bedéis (monitores que vigiam quem mata aula) perderam o emprego!

Imagine que você é pai ou mãe de um estudante na faixa de 15 anos, do primeiro ano do ensino médio. Sempre que seu filho entra ou sai da escola, seu celular recebe uma mensagem: é o aviso de que ele entrou ou saiu da escola, através de um chip que faz parte do uniforme e uma central de monitoramento que fica no portão do recinto educacional. Genial? Não, apenas mais uma forma de vender uma tecnologia que promete ajudar na educação, mas que terá como único efeito a retaliação. Ainda não foi divulgado qual é a empresa que vai ganhar a bufunfa para implantar esse sistema, mas pra fugir do argumento que o chip “só” seve pra isso, já prometeu aumentar a frente de capital e oferecer outros serviços como acompanhamento do boletim – como se não fosse mais fácil e gratuito manter o boletim no site da escola ou criar reuniões periódicas de acompanhamento pedagógico presencial! É provável que o (des)governador petista ONGnelo Queiroz adote o sistema para todo o DF, pois pintou alguma oportunidade de gastar dinheiro e que não seja com educação, ele faz de tudo para conseguir. Até porque isso vai gerar alguma mediação, mesmo que simbólica, com os pais de estudantes, o que o governo lê como votos na próxima eleição. Muitas discussões poderiam ser feitas a partir dessa vigilância on line, como por exemplo, “poderiam quebrar a central portão que lê os chips” ou “uma outra pessoa entra com o uniforme de um faltante” ou até mesmo “a melhoria do controle do fluxo de pessoas na escola”. Infelizmente, nenhuma delas é a questão central desse debate, pois são todas observações secundárias.

Não estamos a falar de algo de um futuro muito longe, mas do presente. O Centro de Ensino Médio 414 de Samambaia, região administrativa (bairro) do Distrito Federal, já implementou o uniforme com o chip, fato que foi amplamente noticiado pela mídia. Ora, é claro que o sistema é falho por alguns dos motivos apresentados no início desse texto. Para além disso, qual o objetivo do chip? É manter os pais informados da entrada e saída da escola? Mas é claro que os adolescentes querem entrar na escola. Alguém duvida disso? Por qual motivo um jovem iria querer matar aula? Pois é, se você tem certeza que os estudantes não querem ir pra escola – e eu também tenho –, podemos chegar no seguinte raciocínio: os jovens que entram com chip na escola não veem a hora de passar no portão de novo sair dela!

A questão de fundo que está por trás disso tem a ver com a relativa independência cada vez maior da mulher ocorrida principalmente no fim do século XX. Ela, a dona-de-casa, agora não acompanha mais os filhos no deslocamento pra escola, tampouco tem tempo para saber da outra dona-de-casa quais são as novidades dos meninos que jogam bola na rua, dentre elas, quem “cabulou” aula. O sistema capitalista imprimiu à sociedade brasileira a necessidade das mulheres deixarem o ambiente privado e saírem na busca de complementar o orçamento familiar. Em outras palavras: estava faltando passarinho voando pra trazer minhoca para o ninho. Nesse tempo, sobrou para o contra turno de crianças e jovens serem educados por uma mídia extremamente conservadora, que não perdeu tempo em anunciar a “novidade” dos chips no uniforme com muito entusiasmo. Desse modo, é bom que tenhamos isso claro: a ausência da educação familiar, entendendo família no sentido social (quem convive com o educando, que pode ou não ser a família biológica), transferiu para a escola muitas responsabilidades e por conseguinte a irresponsabilidade da mídia para nossos jovens. E quando se está em casa sem os pais, basta escolher um canal e mesmo sem perceber ser educado pelo que há de pior na TV, pois nem os programas educativos que por lei devem compor uma parte mínima da programação das emissoras são cumpridos.

É certo que no Brasil os jovens que se encontram no ensino médio tem mais anos de escolarização formal do que os pais, pois esse é um dado que cresce exponencialmente no país. Porém, ter mais anos de escolarização não significa necessariamente ter aprendido mais. Também não é exclusividade do século XXI ser a escola um espaço ruim, sem amizade, sem significado e significância, em que se tente tapar o problema da não atratividade da sala de aula com um chip. Se a escola é interessante, com professores motivados salarial e pedagogicamente, com estrutura, interface com momentos fora do espaço físico da escola – mas não da educação – como museus, parques, exposições, cinema, teatro, shows, participação da comunidade na elaboração, implementação, execução e avaliação das atividades curriculares e processo de ensino/aprendizagem voltado ao cotidiano em vez da pedagogia tradicional travestida de data show, por quê o estudante iria querer ficar fora dela? Por quê iria ser necessário um chip no uniforme?

Michel Foucault

Michel Foucault jamais pensaria que o controle fosse alcançar formas tão avançadas. No livro Vigiar e Punir, de 1975, o filósofo francês estabelece que as instituições que pretendem disciplinar devem fazer duas coisas, a saber: a) controlar os corpos dóceis através da observação e registro; e b) proporcionar a internalização da individualidade disciplinar nesses mesmos corpos sob seu controle. De outro lado, a educação bancária de enxergar no educando um depósito do que não lhe interessa, ou do que lhe interessa mas não na forma como é ensinada – um problema de metodologia de ensino –, ainda dá as cartas nas escolas.

Paulo Freire

Para além disso, como ensinou o educador Paulo Freire, o gene do opressor também reside no oprimido, o que significa que a educação bancária faz escola! Quando não são chips no uniforme, é a escola que se confunde com academia de ginástica e manda colocar uma catraca eletrônica com reconhecimento de digital. Foi o que aconteceu com uma escola do Guará, outra região administrativa do DF. O próximo passo deve ser o reconhecimento de íris. A única coisa que não é reconhecida é o fato de que a escola não é um espaço educativo para os jovens, que eles reconheçam como importante e defendam como à um amigo, ao videogame, à pista de skate, ao shopping ou qualquer outro local que identifiquem como “legal”, “massa”, “muito doido véi”. Obviamente não é o caso de dar uma de Ministério da Educação e culpar os professores, que são as pessoas que ainda seguram o pouco que resta de qualidade na educação brasileira. É, sim, o fato de integrar escola e comunidade, ciência e senso comum, estudante e professor, ao invés de insistir no erro de enxergar uma escola de qualidade em Parâmetros Curriculares Nacionais desatualizados ou num chip de controle de entrada e saída da escola. Estar com o corpo presente na sala e a cabeça em qualquer lugar continuará sendo a regra, pois isso o chip não conseguiu resolver e pode até piorar os conflitos.

Realmente o chip no uniforme causou uma revolução na educação: o controle via SMS, ou seja, não saímos do mesmo ponto, pois os jovens continuam sem querer ir pra escola. É nosso atestado, repito, nosso, não só do Centro de Ensino Médio 414 da Samambaia, da incompetência de termos alternativas viáveis e não punitivas para a juventude do DF. Vamos torcer pro aparelho não dar problema e vermos os jovens que estavam assistindo aula, mesmo que sem interesse, apanharem porque o celular dos pais não recebeu mensagem da entrada. Nossa revolução do momento é como a música de arrocha que não para de tocar nas baladas: 180, 180… 360.

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Entenda como você é atendido no balcão do Mc Donald´s!

Segue abaixo a ficha de avaliação de um balconista do Mc Donald´s, com todas as características que ele deve manter pra ser bem avaliado. Agora dá pra entender muitas das “mensagens subliminares” que estão por trás da padronização do atendimento.

Para quem trabalha com recursos humanos, é um bom material para se discutir fordismo, taylorismo e toyotismo na conjuntura atual.

Boa refeição, digo, leitura.

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Quem vai entrar na Arca de Dirsomar?

Alagamento em via marginal da EPTG: problema é recorrente na altura de Vicente Pires, que cresceu desordenadamente até virar região administrativa (Antônio Cunha/Esp. CB/D.A Press - 26/11/11)

Foto: Correio Braziliense, 16/04/2012.

Vejam esses vídeos da chuva do dia 21/09/2012.

Rua próxima à Feira do Produtor:

http://www.youtube.com/watch?v=fPzrhKaRUVY&feature=youtu.be

Rua 10:

http://www.youtube.com/watch?v=CfrrFSr-5kw&feature=youtu.be

Moradores(as) de Vicente Pires, infelizmente desconhecemos o conceito de políticas públicas em Vicente Pires. Embora tenhamos nos tornado a Região Administrativa XXX em maio de 2009, vimos que isso foi unicamente uma jogada política do Governo Arruda (o que ficou conhecido pelo Mensalão do Democratas) e que continuou com o governador ONGnelo, que embora goste de cachoeira, não precisava ter nos afundado tanto em buracos e enxurradas.

Asfalto em Vicente Pires é eleitoral: promessa de sempre. Só perde pra eterna promessa de regularização, a galinha dos ovos de ouro de Dirsomar, aquele que gosta de fazer dos jornaizinhos comunitários o seu booking de debutante. Não há uma só foto em que ele não apareça e conteúdo que é bom nada! Dirsomar assumiu a Secretaria de Micro e Pequenas Empresas e Economia Solidária no início do Governo Agnulo. Saiu para a entrada do antigo desafeto e agora companheiro de negociatas, Raad Massouh (ex DEM e agora PPL).

Dirsomar Chaves, além dos ensaios fotográficos em jornais de Vicente Pires, em que não perde a oportunidade de desfilar sua demagogia, é o eterno presidente da ARVIPS (Associação de Moradores), em que ninguém nunca sabe quando abre  edital para concorrer mas recebe os e-mails chamando pra votar. Não é à toa que com toda essa politicagem, os juízes do Miss Vicente Pires 2011 tenham sido pessoas muito gabaritadas para o “cargo”, como um diretor da ANTT.

Bem, o que precisamos saber é o seguinte: com o dilúvio caindo sobre Vicente Pires e vendo a pororoca passar em frente às nossas casas, quem vai poder entrar na Arca de Dirsomar? Será que vão ser os maiores correligionários? Os que conseguirem fazer mais faixas do tipo “Obrigado Dirsomar” pra beirar um cafézinho na Administração? Ou será um casal de cada puxa-saco da máfia nepotista que já foi denunciada pela imprensa tempos atrás? Pois é, essa arca parece grande mas tem diminuído ultimamente, principalmente com os desgastes que já vem de longa data entre Geraldo Magela, padrinho político de Dirsomar, e o governador ONGnelo.

Vamos esperar os próximos capítulos dessa saga, enquanto nossos carros perdem a suspensão e nós perdemos a paciência ao ir pegar ônibus e não ter canoas para atravessar os afluentes do córrego Vicente Pires.

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ENEPe: um espaço de construção coletiva e emancipação!

32º ENEPe

Hoje, terça-feira, 17/07/2012, às 19:00, é um dia especial: estarei na mesa intitulada Plano Nacional de Educação, pelo 32º ENEPe (Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia), que ocorre de 17 a 22/07/2012 na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), campus Pampulha. O primeiro encontro que participei foi o 25º ENEPe, na UFMG, de 17 a 23/07/2005. Mal sabia eu que esse espaço iria transformar toda a minha trajetória acadêmica: nos anos de 2007 e 2008, participei da Executiva Distrital e Entorno dos Estudantes de Pedagogia (ExDEEPe), da Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe). Antes disso, inúmeros FONEPes (Fórum Nacional das Entidades de Pedagogia), ENEPes e reuniões da ExNEPe complementaram meus conhecimentos sobre educação de uma forma bem mais proveitosa do que na sala de aula. É um momento que tem um misto de nostalgia, agradecimento e muita ansiedade.

Nostalgia porque lembra quando entrei para o movimento estudantil, em 1998, com 15 anos, secundarista no Elefante Branco, colégio de Brasília. Isso foi assim iniciei o Ensino Médio e naquela época não tinha uma leitura de luta de classes, de identidade com as mobilizações sociais que volta e meia tomam a Esplanada dos Ministérios. Terminei o Ensino Médio no Setor Oeste, outra escola, ainda participando esporadicamente de coletivos estudantis que mais pautavam festas e jogos esportivos do que discussões políticas, compreensível para um adolescente. Após isso veio o período como pré-vestibulando e depois, com a entrada na graduação em Pedagogia na Universidade de Brasília, as coisas passaram a fazer mais sentido. Foram cinco anos como discente, trabalhando e estudando na mesma universidade, ganhando e perdendo posição no Centro Acadêmico Pedagogia do Oprimido, no Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães e nos muitos encontros de pedagogia. Agora retorno à mesma universidade depois de ter prometido a mim mesmo que não iria mais aos encontros da pedagogia. Pra piorar ainda mais a situação, o Pará, minha segunda terra depois de Brasília, irá se candidatar à sede do ENEPe 2013. Parece um vício que tentamos largar mas não conseguimos. Sorte que nesse caso é algo benéfico para nossa formação.

É um momento de agradecimento por entender que o espaço desses encontros contribuíram, e muito, com minha formação. Reforma Universitária, PDE, REUNI, DCE, MEC, UNE, CONLUTE (atual ANEL), assistência estudantil foram alguns dos temas recorrentes nesses anos. Aliás, a maioria desses temas não se aprende na graduação, mas nos debates, na disputa de posição, nas plenárias, nos grupos de discussão, nas eleições para centro acadêmico e DCE, nas assembleias estudantis. Infelizmente, o ensino tecnicista universitário não está preparado para tratar a formação profissional dos estudantes, entendendo aqui por profissional alguém que está além da aplicabilidade de habilidades e competências reproduzidas de forma inconsciente e/ou subjetiva, adquiridas (e não aprendidas) em seu processo (de)formativo na graduação. Graças à espaços como o ENEPe pude complementar essa carência de informações da sala de aula.

Por fim, é certo que a ansiedade aumenta a cada minuto. Saí do movimento estudantil quando me formei em julho de 2008 e desde então o mais próximo que me reaproximei foi quando ajudei na construção do ENEPe 2010, em Brasília. O público do ENEPe que participa dos espaços políticos e acadêmicos do encontro é muito politizado, crítico, o que exige bem mais das pessoas que participam como facilitadores (também conhecidos como palestrantes). Ansiedade também por estar num espaço que foi um dos principais locus de minha formação política. Ansiedade pelos novos amigos que estão por vir, que sempre conhecemos nos encontros, de vários estados do país. Muita ansiedade porque sei que será uma atividade também de aprendizado para mim, tanto com as outras pessoas que participarão da mesa como com os estudantes que lá estarão. Ansiedade porque embora tenha participado de todos os FoNEPes e ENEPes desde 2005, até depois de formado, algumas coisas acontecem como se fosse a primeira vez.

Espero que o 32º ENEPe consiga cumprir seus objetivos, integrar os estudantes, encaminhar um plano de lutas que vá ao encontro da educação de qualidade, laica, gratuita e sobretudo pública. E tomara que não restrinja suas pautas somente à educação superior, como é de praxe, mas também à educação básica, com escolas sucateadas e professores em regime de trabalho pauperizados, em condições que chegam a lembrar o escravismo. Essa é a importância de um ENEPe. não é um espaço que será levado em consideração quando o governo for definir a pauta de uma lei que atinja a educação. O governo não houve nem os professores, quiçá estudantes, e não estou hierarquizando mas apenas colocando como as coisas são ruins para serem mudadas dentro da própria lógica do capital. Porém, a defesa de algumas pessoas de que o ENEPe deve acabar é algo muito perigoso, egocêntrico, que visa somente a destruição de pautas que muitas vezes são contrárias à manutenção do status quo. Dito isso, algumas críticas que podem parecer técnicas, positivistas, isentas de juízo de valor, tem o único intuito de jogar pra baixo uma construção coletiva de décadas, que até hoje apresenta uma imensa rotatividade nas forças que compõem a ExNEPe (ao contrário da corrupta UNE que está nas mãos do PC do B há anos) e contribui para a formação de profissionais críticos/reflexivos do ato de ensinar e aprender, ao invés de meros executores de currículos.

Desejo desde já uma ótima atividade para as pessoas que me acompanharão na mesa: uma representante do MOCLATE (Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação) e Mariana Reis, metre em educação pela UFRJ. Mariana foi minha contemporânea quando ainda era militante no movimento estudantil de pedagogia. Juntos, passamos várias madrugadas discutindo em muitas cidades do país, com muitas discordâncias, é verdade, mas todas significativas pra que nos transformasse nas pessoas que somos hoje: produtos dos encontros de Pedagogia, ainda envolvidos em causas sociais (e sem nenhuma pretensão de deixar de nos envolver), sempre com discordâncias, necessárias até para que ampliasse a minha visão, a dela e a de todas as outras pessoas que participavam dos mesmos espaços do que nós.

Bom encontro à todos(as)!

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Hackers ajudam PF a mapear ameaças

Apontado como líder do grupo Sanctos, Marcelo Valle Silveira foi preso em 22 de março (Reprodução/TV RPC/D.A Press)

Segue matéria de Gabriela Furquim. Espero que seja o desmantelamento da quadrilha de Valle.

Informações de cinco membros de grupo que prega a violência contra negros, homossexuais, mulheres e judeus são entregues à instituição

fonte: http://www2.correioweb.com.br/euestudante//noticias.php?id=30547&tp=25

Apontado como líder do grupo Sanctos, Marcelo Valle Silveira foi preso em 22 de março
O grupo hacker Anonymous afirma que identificou cinco membros do bando comandado por Marcelo Valle e Emerson Rodrigues, presos pela Operação Intolerância da Polícia Federal, em março deste ano, por tramarem um ataque a estudantes da Universidade de Brasília (UnB) e disseminarem mensagens de ódio contra negros, homossexuais, mulheres e judeus (veja Memória). Nomes, fotos, possíveis endereços e telefones foram entregues à Polícia Federal. Conhecida como Sanctos, a rede criminosa liderada por Valle continuou a espalhar o medo após a detenção dos líderes. Os cinco membros apontados pelo grupo hacker seriam os responsáveis pelas atualizações no blog e nas redes sociais antes alimentados pela dupla presa. Após a denúncia do grupo hacker, as páginas na internet do Sanctos foram deletadas. De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Federal, nenhuma informação sobre as investigações serão divulgadas até a conclusão do inquérito.

Uma das informações divulgadas pelos suspeitos causou pânico em professores e alunos da UnB. Em 13 de março, uma ameaça de bomba do grupo levou à suspensão das aulas na universidade. Docentes e chefes de departamento recomendaram que os alunos evitassem locais de grandes concentração de pessoas, como centros acadêmicos, lanchonetes e até mesmo a biblioteca da universidade, temendo um massacre nos moldes do ocorrido na Escola Municipal Tasso de Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, onde um atirador matou 12 estudantes em 7 de abril de 2011. O grupo de hackers identifica os cinco membros apontados como os autores das ameças aos alunos da UnB e a celebridades como Simony e Monique Evans, além do deputado federal Jean Wyllys.

Segundo um membro do grupo Anonymous, que pediu para não ser identificado, a rede criminosa recrutou muitos simpatizantes em quatro anos da campanha de ódio alimentada por Marcelo Valle. “Além desses, tem mais, são muitos. Em todos esses últimos quatro anos, eles se multiplicaram e estão por todo o país. Há uma espécie de hierarquia nessa quadrilha. Os mais destemidos e os que escrevem melhor em nossa língua são os mais respeitados”, afirma.

Ajuda
O grupo de hackers colaborou com a Polícia Federal para a prisão de Marcelo Valle e Emerson Rodrigues rastreando-os na internet. Segundo o integrante do Anonymous, após a identificação da dupla que encabeçava a rede criminosa, ficou mais simples chegar aos outros cinco membros. “Eles têm o mesmo modus operandi. É uma quadrilha feita para ‘trollar’ e provocar pânico na internet, mas não há como evitar os rastros na rede e, como um quebra-cabeça, as coisas vão se juntando”, conta o hacker.

Em 2005, o aluno de mestrado da UnB Rafael Ayan foi alvo das primeiras ofensas e ameaças de Marcelo Valle. “Nós discutimos um dia, ele me chamou de macaco e me agrediu. Desde então, recebo ameaças na internet e por telefone do Marcelo e dos seguidores”, afirma Ayan. Ele pensou que, quando Valle foi preso, finalmente estaria livre das ameaças, mas a tranquilidade não durou muito tempo. “Agora estamos disputando sua cabeça, afirmaram em e-mails e telefones. É nítido que, com os anos, as mensagens de ódio dele tocaram outras pessoas doentes como ele e criaram uma rede. Só não esperava continuar sendo vítima”, diz.

O especialista em informática Emerson Eduardo Rodrigues e o ex-estudante da UnB Marcelo Valle Silveira Mello continuam presos. Em 27 de abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de habeas corpus apresentados pelos advogados de defesa da dupla, alegando que as investigações sobre as atividades dos acusados não cessaram. Eles estão presos na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde foram localizados pela polícia.

Memória

Ameaça de bomba
Em 22 de março, a Polícia Federal deflagrou a Operação Intolerância, que colocou na cadeia dois suspeitos de planejar um massacre contra alunos da UnB (foto). Os alvos de Marcelo Valle, 26 anos, e Emerson Rodrigues, 32, eram os estudantes de Ciências Sociais. Os dois acabaram presos em Curitiba. Os investigadores acreditam que a dupla não blefava, pois Marcelo carregava o mapa de uma casa no Lago Sul, onde tradicionalmente são realizadas festas do curso. Os planos da dupla eram postados em páginas da internet com grande adesão de seguidores e entusiastas. Os sites também disseminavam mensagens contra mulheres, gays, negros, judeus e nordestinos e foram denunciados por mais de 70 mil pessoas para a Polícia Federal. Após a prisão da dupla, os sites de ódio continuaram sendo alimentados por seguidores da dupla. Em 14 de abril, uma ameaça de bomba publicada na página silviokoerich.org, atualmente fora do ar, provocou pânico em alunos e professores. A suspeita de que Marcelo Valle e Emersom Rodrigues tenham publicado nos sites de dentro da prisão é completamente refutada pela polícia.

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