Simples desejo: Luciana Melo e uma outra história do Brasil

A história do Brasil é bastante conhecida: veio Pedro Álvares Cabral, fez trocas (escambo) com os índios (que também não é o melhor termo), chamou Pero Vaz de Caminha que escreveu pro monarca português e todos viveram felizes para sempre. Será? Certo é que os povos que habitavam a América eram milhares antes da chegada dos europeus e, em poucos anos, tiveram seu contingente populacional reduzido à quase nada. Isso tem nome: etnocídio!

Infelizmente, o massacre sofrido pelos povos indígenas e negros não é contado nos livros didáticos, livros esses escritos por quem ganhou a guerra: os brancos. O Ministério da Educação ainda está longe de selecionar bons livros para o PNLD (Plano Nacional do Livro Didático), que são os livros distribuídos nas escolas públicas. Nas escolas particulares então nem se fala. Desse jeito fica fácil compreender como que as crianças crescem, tornam-se adolescentes, jovens, adultos e muitas não reconhecem o sistema de cotas. Pudera: em anos de escolarização foi naturalizada a sua condição de se submeter aos mais ricos, em geral brancos, desde o livro didático ao observar que quando olham para presídios ou empregos de menor remuneração encontram parentes ou amigos, mas quando olhavam para a universidade era mais difícil encontrar essas pessoas mais próximas deles.

Mas o quê a excelente cantora Luciana Melo tem a ver com isso?

Bem, ocorre que resolvi mudar, ou melhor, contar a verdade, sobre a história do Brasil. E que não venham relativizar a verdade, a menos que algum ilusionista tenha feito o trabalho que as armas letais com pólvora dos europeus fizeram no Brasil.

A paródia abaixo é da música Simples Desejo, de Luciana Melo. A música será referência na novela Sangue Bom, da Globo. Independente de quem goste ou não de novela não se pode negar que os estudantes as assistem. Assim, sabendo que as crianças verão a novela, a jogada da paródia – e é sempre bom fazer isso – é pegar uma música que esteja tocando muito no momento e colocar algum conteúdo nela. Dessa forma, toda vez que ouvirem a música na novela irão associar ao conteúdo que aprenderam na escola. Para além disso, Luciana Melo é uma cantora negra, referência nacional, e a música é linda, ou seja, dá para aproveitar o talento da cantora de todas as formas.

A paródia abaixo fala da chegada de Cabral, o extermínio dos indígenas que viviam no Brasil, saque de riquezas, açoite aos negros e da vontade de libertação da ganância europeia para conseguir um simples desejo: sua terra e os seus bens! A paródia é um ótimo recurso didático para se trabalhar com crianças, assim como o teatro.

Ouça a música/paródia e cante para sua turma da escola, faculdade, namorada, avô, amiga, pra todo mundo que acha que somente negros foram escravizados e que a colonização europeia foi um processo sem muitas guerras. Descubra você também um outro “descobrimento” do Brasil, que valoriza a cultura dos povos indígenas e negros que construíram essa nação. Em tempos de racistas, homofóbicos e estelionatários é sempre bom reforçar

Em tempo… Nessa quarta-feira, 24/04/2013, às 14h00, na Hora Cívica da Escola Classe 40 da Ceilândia, Distrito Federal, o 5º Ano E, dividido em 3 grupos, irá apresentar 3 peças representando negros, brancos e índios no achamento do Brasil. Em seguida, cantaremos a paródia e vou colocar uma apresentação no data show com fotos e vídeos da turma confeccionando o figurino na aula dessa terça-feira 23/04/2013 – é segredo para eles também! Estou muito ansioso, mas confiante. Ocorra o que ocorrer, minha turma já é vencedora e eu os amo de qualquer forma.

Para efetuar download da paródia (2 por folha, incluindo a letra original), clique aqui!

 Simples desejo

Paródia de música homônima de Luciana Melo

Criação: Prof. Rafael Ayan 

Escola Classe 40 – Ceilândia – DF

Música no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=WAWPeh0Ut5s

Preparação para o teatro: https://www.youtube.com/watch?v=EwzZdofVjr4 

Cabral, chegou aqui com Caminha, Caminha

E decretou a sentença

A terra iria ficar

Colonizada

.

Letal, vieram lá de Lisboa, Lisboa,

Mataram muitas pessoas

Roubaram as riquezas suas

.

Conviver, não é bater,

Fizeram isso muito

Na escravidão, uma multidão

De negros em protesto

.

Pra brigar, pra lutar

Os Bantos e os Tamoios

Nunca quiseram o governo português

Eles só tinham um simples desejo

.

REFRÃO

Eles queriam suas terras e os seus bens

Eles queriam suas terras e todos os seus bens

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Jackie Chan sai do armário!

Jackie Chan é conhecido mundialmente por socos e pontapés, não da forma violenta dos filmes de ação, mas sempre em um contexto engraçado. O ator nasceu na China, país em que a repressão à livre orientação sexual ainda é um tabu.

Pois bem… há pouco tempo, em apoio à causa LGBTTT, Jackie Chan é estrela de uma campanha do grupo Aliança Gay e Lésbica contra a Difamação (GLAAD) e disse:

“Não basta falar sobre aqueles que lutam por liberdade, por igualdade. (…) Eu estou com vocês. Eu quero aqueles que lutam. Acredite. Eu sei que eu luto muito contra. Estou saindo do armário, por aqueles que lutam pela igualdade”.

Parabéns à Jackie Chan pela postura. Mais um artista internacional na luta contra o preconceito.

Veja o vídeo no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=BxpsUMZk_C0

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Rimando com Fora Feliciânus

Oi pessoal! Segue abaixo poesia que fiz sobre o atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Pastor Marcos Feliciânus, o racista e homofóbico que já deveria estar preso mas continua tentando se segurar no poder.

Felizmente, cada dia o referido pastor vem perdendo mais apoio entre os evangélicos, que percebem que não é uma questão de ser contra religiosos mas sim de não ter um imbecil criminoso que não gosta de negros ou gays e discrimina as mulheres como presidente de uma comissão que deve proteger esses grupos.

Para efetuar download do arquivo em Word da poesia abaixo, basta clicar aqui!

.

Rimando com Fora Feliciânus

.

Querem me demonizar

Me chamar de satanista

Se eu não vir a concordar

Com a eleição de um racista

.

Falo aqui de um pastor

Que em dois processos é réu

Filiado sem rancor

À uma legenda de aluguel

.

Preside a Comissão

De Direitos Humanos

Estou falando, meus irmãos

De Marcos Feliciânus

.

Tu já deves conhecer

O bandido não tem fé

Sua sigla é o PSC

Adora atacar mulher

.

Só sabe pedir dinheiro

Mas não cuida das ovelhinhas

Não se pode dizer o mesmo

Do seu cabelo com chapinha

.

Em vez de sair do armário

De dançar como Lacraia

Quer ser como Bolsonaro

Misturado ao Malafaia

.

E falando com jeitinho

Enganou muito fiel

Prometendo um cantinho

Uma vaga lá no céu

.

Cheque pré ou carro batido

Tudo isso ele empenha

Mas não há milagre concedido

Se entregar cartão sem senha

.

Não adianta ficar parado

Me olhando de cara feia

Deus tá vendo seu pecado

Escondendo o pé de meia

.

Ser gay é opção

E ser negro é azar

Assim disse nosso irmão

Sem nunca pestanejar

.

E ainda quer ser presidente

De tão importante comissão

Insultando nossa gente

O pastor do mensalão

.

Vergonha na cara não tem

Gosta de se promover

Nunca fez o bem

Só seu deus que tem poder

.

Mas o povo se rebelou

Saiu às ruas marchando

E em coro então gritou

Fora Feliciânus!

.

Os atos se espalharam

No Brasil e outras nações

Evangélicos reclamaram

Mas hoje entendem as razões

.

Que os protestos não são contra

Um cristão ou um pastor

E o motivo de nossa bronca

É um racista sem pudor

.

Que já deveria estar preso

Longe do Congresso Nacional

E não fingindo estar ileso

Como se fosse uma pessoa normal

.

Portanto avante população

Não nos deixemos enganar

Ou renuncia de bom coração

Ou a Comissão nunca vai andar

.

Chame seus amigos de anos

Sejam do trabalho ou da igreja

Explique quem é Feliciânus

E tudo o mais que planeja

.

Nosso movimento traz alegria

E a luta é algo precioso

Garantindo o direito das minorias

Contra o fundamentalismo religioso

.

Segure a minha mão e vem cantando

Seja qual for sua crença

Desse jeito estaremos lutando

Pelo respeito às diferenças

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SAIBA MAIS…

Vários(as) deputados(as) progressistas lançaram uma Frente Parlamentar de Direitos Humanos paralela à CDH justamente pela presença do bandido Feliciano na presidência da Comissão. Conheça abaixo quem são esses parlamentares e com qual tema trabalham nessa frente.

1. Chico Alencar (Psol-RJ) – liberdade à crença e à não crença;
2. Domingos Dutra (PT-MA) – democratização da terra;
3. Erika Kokay (PT-DF) – crianças e adolescentes;
4. Janete Pietá (PT-SP) – gênero;
5. Jean Wyllys (Psol-RJ) – LGBT e outras expressões de gênero;
6. Luiza Erundina (PSB-SP) – verdade e direito à informação;
7. Luiz Couto (PT-PB) – violência e grupos de extermínio;
8. Luiz Alberto (PT-BA) – temas étnicos e raciais (1);
9. Padre Ton (PT-RO) – temas étnicos e raciais (2);
10. Nilmário Miranda (PT-MG) – combate à tortura e sistema carcerário;
11. Vitor Paulo (PRB-RJ) – idosos e pessoas com deficiência.

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Dininha com a bola toda

Dininha com a bola toda

Turma da Mônica. Desenho de Maurício de Sousa.

E todo mundo dizia que Dininha, uma menina negra de 10 anos e que gostava de ler e escrever, achava a escola muito boa não só para brincar mas também para estudar, claro. Na verdade, seu nome era Maria Clara. Dininha é o diminutivo de Dina, ou Dona Dina, a Dinorá, cearense e mãe da personagem principal dessa história. Quase ninguém sabia o nome de Dona Dina, mas conhecia muito bem os deliciosos doces que fazia. O pai, Seu João, que nasceu em Tocantins na época em que ainda era Goiás, era motorista de transporte coletivo, mas só o chamavam pelo apelido de Buzina, pois tinha mania de cumprimentar com três buzinadas as pessoas que conhecia. Dininha tinha apenas uma irmã mais velha que se chamava Maria Aparecida, ou Cida, de 18 anos, que também gostava de estudar e vendia os doces que Dona Dina fazia, ajudando nas contas de casa. Dininha, Dona Dina, Buzina e Cida moravam juntos em um quartinho alugado na Ceilândia, região do Distrito Federal.

Dininha sempre estava alegre e brincando, mesmo que algumas vezes isso gerasse problemas. Os meninos da escola não gostavam de jogar futebol com ela. Diziam que ela era mulher e seu lugar não era no futebol, mas sim cuidando da casa. Que casa? Ela já tinha casa para cuidar? Mesmo se tivesse, é justo mulher cuidando da casa enquanto homens jogam futebol? Os meninos afirmavam que futebol era esporte de homem! Dininha não ligava e seguia fazendo seus gols, esforçando-se também para tirar boas notas na escola e dar um futuro melhor para os pais – uma responsabilidade pesada de quem deveria se preocupar em ser apenas criança. Pensamento de gente grande em cabeça de criança: está aí outra característica de Dininha imposta pela sua condição social.

Num dia, apareceu outra mulher para jogar bola com a criançada. Essa mulher, que era adulta e amiga da professora da turma, fez tudo que podia no futebol: driblou, desarmou, deu chapéu, drible da vaca, embaixadinha, gol de cabeça, de bicicleta e tudo que tinha direito. Dininha, claro, ficou encantada com aquela mulher que jogava tão bem. Os meninos puderam ver que uma mulher pode jogar melhor do que os homens. Aliás, sem machismos: eles viram que mulher pode jogar e pronto! Daquele dia em diante, os meninos passaram a aprender muito com Dininha: matemática, linguagens, ciências da natureza, ciências humanas, artes e, é claro, futebol, a especialidade da garota.

Ah, sim, não podemos esquecer de apresentar quem foi a mulher que jogou futebol na escola. O nome dela era Marta. A jogadora era atacante da Seleção Brasileira Feminina de Futebol de Campo e foi muitas vezes considerada a melhor jogadora do mundo. Não era toda criança que tinha a sorte de treinar com a atleta, mais respeitada do que muito homem preconceituoso que poderia ter deixado Marta e Dininha sem realizar duas coisas que fazem muito bem: jogar futebol e combater intolerâncias.

Texto escrito em 14/03/2013

Ceilândia – Distrito Federal

Marta, jogadora da Seleção Brasileira Feminina de Futebol de Campo. A melhor jogadora do mundo.

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Violência contra a mulher: denuncie!

Na semana do Dia Internacional da Mulher, infelizmente, temos de dizer que muita coisa ainda há de se fazer para a igualdade de direitos entre os gêneros. Podemos dizer isso a partir de muitos exemplos de agressões às mulheres, manifestados por seres desprezíveis que deveriam estar, no mínimo, presos, longe de qualquer convívio com a sociedade.

Quem não se lembra do vereador da cidade de Pontes e Lacerda, em Mato Grosso, que agrediu a repórter Márcia Pache comum tapa no rosto quando esta tentou lhe entrevistar sobre os seus crimes de corrupção na cidade? E olha que não foi nem a primeira vez hein. Pois é, o DEM (Partido Democratas), partido mais corrupto do país (o que mais perdeu parlamentares por corrupção desde 2000) e um dos que mais diminui e agoniza frente o crescimento do bloco de siglas de orientação social-democrata, não o afastou do cargo, mas lhe deu a possibilidade de presidir o Diretório Municipal. O PPS (Partido Popular Socialista), a “esquerda que evolui”, é quem detém a prefeitura de Pontes e Lacerda atualmente e, vejam só, nomeou o espancador de mulheres como Secretário de Desporto e Lazer. Ah sim, tem uma mulher aí na história, também temos que falar dela né? Então, ela está até hoje afastada do emprego para tratar de depressão, mas é claro que não tem nada a ver com o tapa que recebeu do deputador. Deve ser, sei lá, por causa do Big Brother Brasil. Os bandidos do DEM querem abafar o caso e não se envergonham de acobertar um canalha… e pelo jeito o PPS também não! Veja o vídeo do vereador do DEM batendo na repórter clicando no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=i8sWbdF6sxw

Revoltante no vídeo como que o policial, presente no momento da agressão, tentar contornar a situação, dizendo que “é uma situação constrangedora para a própria polícia” e que “não é possível prender porque a legislação é branda em relação à isso”.

Muitos outros casos poderiam ser contados e outros não. Como exemplos de casos que podem ser contados, temos o assassinato de uma vendedora de shopping em Brasília, ocorrido no horário de expediente pelo ex-companheiro, inconformado pelo término do relacionamento. Porém, a violência doméstica ocorre em território privado e muitas mulheres não denunciam, o que acaba prejudicando a justiça a prender esses vigaristas. Por isso, a maioria dos casos não é contado, pois não sai do ambiente interno da casa e, quando algum amigo do casal sabe da agressão, prefere dizer que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”.

Você pode denunciar casos de agressão às mulheres pelo disque-denúncia, ligando 180. O serviço é da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres e conta com profissionais treinados para receber a denúncia. Em caso de já prever que vai ser agredida, como uma ameaça por telefone de que o agressor caminha ao seu encontro, ligue para a polícia no 190.

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O Monge, o Executivo e Yoani Sanchéz: transformando uma falsa perseguição em dólares, muitos dólares!

Olá pessoal.

Essa é Yoani Sanchez, perseguida política em Cuba. Vejam nessa foto atual como parece que foi libertada de um cativeiro pelos seguidores de Ernesto Che Guevara:

yoani

Só o fato de ser propagandeada pelo guia comercial disfarçado de revista conhecido como Veja, além de outras mídias burguesas sem princípio ético algum, já seria motivo suficiente para desconfiarmos que há algo de estranho nessa “perseguição política de Fidel Castro”. E não é que temos razão de sobra para isso?

O território de Guantánamo, em Cuba, foi arrendado perpetuamente pelos EUA em 1903  para fins de mineração e operações navais. Não é à toa que sempre que a mídia burguesa ou os Estados Unidos se referem à Guantánamo, precedem esse nome de “base naval”, querendo sair das finalidades às quais o território foi destinado e do estigma de um porão de tortura e outras práticas contra os direitos humanos. Ao longo de todo o século XX, várias foram as denúncias contra os desrespeitos da Convenção de Genebra (1864), Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU, 1948, após as crueldades do nazismo) e da revisão da Convenção de Genebra em 1949, motivada por este último documento da ONU. A prisão de Guantánamo foi reabastecida de “terroristas” sempre que a economia estadunidense precisava equilibrar as contas e apelava para a forma mais rápida e lucrativa, até hoje, de conseguir dinheiro: a indústria bélica! Foi assim na I Guerra Mundial (que não ficou localizada somente na Europa e teve a atuação discreta dos EUA para enfraquecer as potências européias após o neocolonialismo do século XIX), na II Guerra Mundial (após o ataque à Pearl Harbor), na Guerra do Vietnã, nas investidas contra as espionagens da KGB na Guerra Fria e principalmente após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. O Prêmio (?) Nobel da Paz e presidente dos EUA, Barack Obama, chegou a dizer que iria acabar com a prisão, mas o que fez foi intensificar as torturas numa busca incessante pelo corpo de Osama Bin Laden, garantindo sua releição após a derrocada da economia estadunidense com a bolha imobiliária de 2008.

Mas… e Yoani com isso? Ora, Ainda que tenham muitas pessoas que foram presas planejando atentatos terroristas, de destruição em massa, agindo da mesma forma como os EUA fazem no Pentágono (com o adendo de não serem penalizados por isso), é inegável que na prisão yankee em território cubano também estão muitos perseguidos por fazer oposição política à Obama e seus moleques de recado na Europa e Oriente Médio. Essas pessoas estão sendo mortas, como muitas outras, pelos fuzis, mísseis e embargos econômicos dos EUA, mas a militante virtual Yoani jamais escreveu uma linha sequer dos abusos cometidos por seus patrocinadores em seu blog Generación Y (Geração Y), nem mesmo da (pasmem) prisão de crianças em Guantánamo.

Yoani foi beneficiada pela nova lei de imigração cubana, depois de tentar sair por mais de 20 vezes da ilha. Ela só não consegue explicar como que saiu de Cuba em 2002, indo morar na Suíça, e por quê retornou em 2004, se a ilha é tão ruim assim. Aliás, se olharmos o quanto de dinheiro Yoani ganha em Cuba fazendo o papel de refugiada no próprio país, essa pergunta fica mais clara. Ainda, muitos produtos, até para a necessidade básica dos cubanos, tentam entrar na ilha, mas são impedidos pelo bloqueio imposto pelo “democrático” Estados Unidos. Essa intervenção também impede a exportação de produtos cubanos, ou seja, é de dentro pra fora e de fora pra dentro. Depois se perguntam porque em Cuba a população vive em condições tão ruins. Tão ruins? Vamos ver como isso funciona e qual é o país que Yoani Sanchéz denuncia…

Cuba tem o menor índice de mortalidade infantil das Américas. Não se vê crianças cubanas entregues ao trabalho infantil, à prostituição, ou ao abandono dos pais, pois em Cuba tem-se educação integral de verdade, não só no papel. Na educação cubana, não tem essa de “ensinar a ler e escrever”, pois eles seguem muito mais o educador Paulo Freire do que os próprios brasileiros. Então, quando Freire dizia que “a leitura de mundo precede a leitura da palavra”, temos a materialização dessa prática com a derrocada do regime ditatorial de Fulgêncio Batista em 1958 e a chegada ao poder de Fidel Castro. As crianças cubanas crescem sabendo da situação política de seu país enquanto olham os charutos sendo enrolados nas coxas das mães. É a 16ª colocação no ranking mundial da educação elaborado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), sendo o país da América Latina que mais investe porcentagem do PIB em Educação (10%), enquanto o Brasil teve como meta investir 7% do PIB no Plano Nacional de Educação 2001-2010, meta que não cumpriu e repetiu para o plano seguinte. Quem anda de manhã ou a tarde em Cuba, vai pensar que os comunistas comeram as criancinhas, pois elas não estão nas ruas, vendendo chiclete nos semáforos, trabalhando em minas de carvão ou sendo exploradas sexualmente. Porém, se forem nas escolas, poderão vê-las matriculadas em tempo integral, com assistência médico/odontológica de qualidade oferecida pelo Estado e praticando um ou mais esportes em estruturas tão boas que deixam países capitalistas industrializados comendo poeira.

Falando em esportes, na ilha de Fidel (de Fidel, da distribuição de renda, dos dentes sem cáries, dos médicos que conhecem as famílias pelos nomes, dos reitores que varrem a universidade e não acham que essa seja atividade menor), esse é outro ponto forte. Nas olimpíadas, Cuba aparece como uma das principais potências. No boxe e atletismo, são vários os destaques. Metade na população pratica algum esporte e há investimentos altíssimos para atletas públicos de alto rendimento. Com a queda do muro de Berlim em 1989 e da antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) em 1991, caíram também os investimentos na ilha, que ainda assim conseguiu manter um alto padrão de qualidade nos esportes. O fato do esporte estar integrado ao trabalho e à educação proporciona que Cuba tenha um dos melhores índices de saúde no mundo.

Em Cuba, tem-se a relação de 1 médico para 148 habitantes, a melhor do mundo. Das 15 províncias (conhecidas no Brasil por estados), 13 tem faculdade de medicina. Somente em 2012 foram formados quase o dobro de médicos que a ilha tinha em 1959, início do governo de Fidel Castro. Possui a ELAM (Escola Latinoamericana de Medicina), com sede na capital Havana e vários cursos na área da saúde como enfermagem, odontologia e psicologia, formando além de cubanos estudantes advindos da América Latina, Ásia, África e até do seu algoz, os Estados Unidos. Os candidatos de baixa renda tem preferência no processo seletivo. Dessa forma, de cada 4 estudantes da ELAM, 3 são de comunidades carentes. Além do conhecimento técnico sobre saúde, esses estudantes aprendem sobre a literatura comunista, o que contribui para a sua formação humana e para terem um outro olhar sobre a saúde, compreendendo que antes do cartão de crédito há um ser humano, uma identidade a ser respeitada. Por ter um caráter classista ao invés de ser um curso técnico sobre como operar o corpo humano, os egressos da ELAM voltam para suprir a necessidade de profissionais de saúde em suas comunidades. Os médicos, ao invés de ficarem o dia na internet procurando concursos onde se encontra o melhor salário, são integrados aos bairros em que atuam, acompanhando todas as doenças daqueles locais, sabendo o que é hereditário e o que depende de outros fatores, gerando uma proximidade convertida em qualidade de vida para a população e para os profissionais. Isso significa que a medicina cubana aliada à visão comunista do Estado gera um impacto positivo crescente sobre os maiores rincões de pobreza no mundo.

Mas esses números não agradam à todos… A filóloga Yoani Sanchéz formou-se em Cuba sem nunca ter pagado um centavo, como qualquer outro cubano, como qualquer estrangeiro que estude em Cuba, seja na faculdade ou ensino básico. Yoani faltou às aulas de ética profissional e por mais que o mundo comece a acordar que história de imparcialidade na imprensa não existe, a blogueira funcionou como um catalisador desse tipo de opinião. Reclama de perseguição política, mas tornou-se conhecida justamente por publicar um blog direto de Cuba, com um período de intervenção em que seu blog era proibido de ser acessado de dentro do país. Embora ganhe milhares de dólares dos EUA e suas instituições capangas para falar mal de Fidel, como boa mercenária que é, Yoani prefere continuar a viver por lá para ficar com a fama de pobre coitada – claro, tudo isso acompanhado de um bom saldo bancário. Queriam os prisioneiros de Guantánamo, como as crianças que já foram presas por acusação de terrorismo, passarem pela mesma perseguição implacável que Yoani está sofrendo.

Como no livro O monge e o o executivo, de James Hunter, há que se diferenciar poder de autoridade e de que forma cada um deles é utilizado. Para os cubanos que acompanham o crescimento e desenvolvimento do país, os irmãos Castro tem poder. Esse poder, que a imprensa divulga como um reinado de décadas, é compartilhado pelo povo. No Brasil, com tantas trocas de presidente, a população não chega aos pés das políticas sociais e participação política dos moradores de Cuba. Para esse mesmo povo cubano, Yoani é autoritária, pois não conseguindo ter poder, carisma, apelou para o caminho mais fácil e aceitou as migalhas que caem da mesa do Tio Sam para propagandear contra a revolução comunista com ares de liberdade de expressão. Não é que não se possa ser contrário ao regime em Cuba, mas a forma como Yoani age demonstra que antes de investigar qualquer situação, ela já tem o laudo de que é algo ruim e causado pelo atraso do comunismo. Essa metodologia contraria qualquer tratado científico sobre prática jornalística. Definitivamente, Yoani não exerce liderança alguma, mas é campeã de arrecadação de investimentos. Tudo isso no conforto de seus bens e serviços pagos pelos mesmos vagabundos que bancaram a sua atual turnê mundial por 12 países para desgastar a imagem de Fidel Castro.

No Oriente Médio vemos muitos países sem tradição alguma nos esportes, sem respeito às mulheres, sem saúde, educação, lazer, trabalho digno. Na América Latina, Ásia, África, vemos a mesma coisa. Mas onde está a primavera cubana, a insatisfação da população, revoltando-se contra o governo dos irmãos Castro, como assistimos em outras nações? Ela existe no blog de Yoani Sanchéz, mas na vida real, nos corações cubanos, o que se tem é agradecimento e respeito por viverem em uma ilha no quintal dos Estados Unidos que dá exemplo de universalização de políticas sociais.

É Yoani… você vai continuar ganhando seu dinheiro imundo das mesmas cobras que pressionam Cuba a abrir o país para a obsolescência programada de suas bugigangas,  com seu filho matriculado em escola cubana por você mesma ter certeza que é uma das melhores educações do mundo. Mas para não abrir mão da sua vida de rainha com viagens pelo mundo, continuará com seu papel de Revista Veja na República das Bananas… banana pra você. Yoani leu o livro de Hunter e avançou para um novo capítulo: como ser autoritária com cara de perseguida política e ganhar milhares de dólares em meio à uma crise de identidade. Crise porque seu blog saturou e as pessoas começaram a se perguntar o óbvio: cadê a população apoiando Yoani, como em nações em que se morre para lutar contra ditadores? Yoani não sabe responder, mas se deu de presente uma capa social em que fala no nome da população cubana sem nunca ter sido chamada para tal. Após seu blog começar a dar sinais de esgotamento e tentar sair do país (sic) por 20 vezes, conseguiu uma saída de gala, hospedando-se nos melhores hotéis e voando de avião por todo o mundo para relatar sua experiência no cativeiro com ar-condicionado que chama de casa.

Para o capitalismo, Yoani Sanchéz é um símbolo de prestígio: criou uma demanda para produtos de consumo (blog, livros, palestras, mentiras contra Fidel), inventando uma perseguição no país com os melhores índices sociais do mundo, tudo isso criticando o comunismo. Olhando assim fica fácil entender como nossa mártir, perseguida politicamente, consegue fazer uma turnê mais badalada do quê a de Madonna.

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UTILIDADE PÚBLICA – posse dos(as) professores(as) da Secretaria de Educação do DF!

Atenção professores(as) efetivos convocados para a Secretaria de Educação do DF: saiu o aviso n. 1/2013 informando sobre a continuação da posse do concurso de 2010! Após vários exames médicos e odontológicos e apresentação na perícia, chegou a hora de começar a trabalhar.

A posse começa dia 21/02 e vai até o dia 02/03/2013, de acordo com a área e classificação. O local é o mesmo para todos(as) professores(as): EAPE, na 907 sul. Parabéns à todos(as) aprovados(as) e um bom trabalho pela educação do DF.

Clique no link abaixo para ver qual será o dia de sua posse!

http://www.cre.se.df.gov.br/ascom/documentos/linkmateria/cronog_posse.pdf

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Vicente Pires: onde estão as emendas parlamentares que “vem” pro nosso bairro?

Olá colega!

Você fiscaliza as emendas parlamentares que vão pro seu bairro? Infelizmente essa não é uma prática comum aos brasileiros que, depois de elegerem seus (nossos) corruptos, viram as costas pra política, pensando que a gestão da cidade não é responsabilidade de todos. Daí a diferença entre a democracia representativa, foco de corrupção com nicho de currais eleitorais onde se perpetuam desvios de verbas, para a democracia participativa, em que qualquer cidadão pode e deve fazer parte das decisões que interferem na vida de toda comunidade.

Pois bem, se você mora em Vicente Pires, tem uma razão a mais para se preocupar com orçamento: a destinação de emendas parlamentares por deputados distritais para Vicente Pires é, no mínimo, curiosa. Isso é o que mostra um portal (http://www.eufiscalizo.com.br) que tem como objetivo a fiscalização de emendas parlamentares à LOA (Lei Orçamentária Anual) no Distrito Federal. Vejamos as 4 emendas aprovadas para Vicente Pires em 2012 que juntas somam 850 mil reais…

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Emenda N°46
Valor: R$ 350.000,00 
Autor: Dr. Charles 
O valor será gasto em: Execução de obras de urbanização
Região do DF onde será gasto o recurso: 30 – REGIÃO XXX – VICENTE PIRES
Ação: 01110- EXECUÇÃO DE OBRAS DE URBANIZAÇÃO
Função: 15- URBANISMO
Subfunção: 451 – INFRA-ESTRUTURA URBANA
Unidade Orçamentária: ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE VICENTE PIRES

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Emenda N°55
Valor: R$ 150.000,00 
Autor: Dr. Charles 
O valor será gasto em: Reforma e ampliação de praças
Região do DF onde será gasto o recurso: 30 – REGIÃO XXX – VICENTE PIRES
Ação: 03902- REFORMA DE PRAÇAS PÚBLICAS E PARQUES
Função: 15 – URBANISMO
Subfunção: 451 – INFRA-ESTRUTURA URBANA
Unidade Orçamentária: ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE VICENTE PIRES

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Emenda N°464
Valor: R$ 150.000,00 
Autor: Washington Mesquita 
O valor será gasto em: CONSTRUÇÃO DE QUADRA POLIESPORTIVA EM VICENTE PIRES
Região do DF onde será gasto o recurso: 30 – REGIÃO XXX – VICENTE PIRES
Ação: 01745- CONSTRUÇÃO DE QUADRAS DE ESPORTES
Função: 27 – DESPORTO E LAZER
Subfunção: 031- AÇÃO LEGISLATIVA
Unidade Orçamentária: ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE TAGUANTINGA

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Emenda N°500
Valor: R$ 200.000,00 
Autor: Chico Vigilante 
O valor será gasto em: EXECUÇÃO DE OBRAS DE URBANIZAÇÃO EM VICENTE PIRES
Região do DF onde será gasto o recurso: 30 – REGIÃO XXX – VICENTE PIRES
Ação: 0111O – EXECUÇÃO DE OBRAS DE URBANIZAÇÃO
Função: 15 – URBANISMO
Subfunção: 392- DIFUSÃO CULTURAL _
Unidade Orçamentária: ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE PLANALTINA

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E aí, algo de estranho? Caso more em Vicente Pires, está tudo estranho. Certamente você deve estar se perguntando:

1- Desde quando Vicente Pires tem quadra de esportes poliesportiva? O que se tem é um asfalto pintado ao lado da Administração que as crianças da escola classe utilizam, algo muito aquém do que esperamos como política pública de esportes.

2- Onde estão estas obras de urbanismo? Ao que parece, a única coisa arquitetada em Vicente Pires é a forma de incompetência ao gastas verbas públicas, ou competência para qualquer outra coisa que não seja benfeitoria.

3- Você que lê esse blog agora, poderia dizer em que local Vicente Pires tem praça ou parque? o Taguapark nos foi expropriado pela Administração de Taguatinga com o lobby dos comerciantes e politiqueiros que tudo isso envolve. Praça Vicente Pires nunca teve, a não ser que estejamos nos referindo aos militares de baixa patente.

4- Última e definitiva pergunta: cadê o dinheiro minha gente?

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Olha o Dirsomarzão velho de guerra aí! Esse faz… pose. Nunca vi pra gostar de posar pra ! Foto: http://vicentepiresonline.blogspot.com.br/

 Ao lado, foto do nosso salvador da pátria Dirsomar Chaves no portal chapa branca Vicente Pires On Line. Quando não é guia comercial travestido de jornalzinho de matéria comprada, são esses blogs de puxa-saco querendo cargo no governo no Trem da Alegria do Governador ONGnelo. Dirsomar é filiado ao PT e apadrinhado político de Geraldo Magela, outro petista que ocupa a pasta da Secretaria de Habitação e foi candidato ao governo do DF em 2002, chegando em segundo lugar com Roriz (o das bezerras de ouro).

Quem mora por essas bandas está acostumado a ver faixas com os dizeres “obrigado Dirsomar” quando se faz algum recapeamento no asfalto. Como não há obras de escoamento pluvial, basta uma chuva para que tudo vá embora como num tsunami. Na rua 10, a pororoca começa com água que vez desde o Buritinga e acaba na rua 3. Podemos até dizer que do asfalto eleitoral, que dura 4 anos, Dirsomar inventou um novo tipo: o asfalto pluvial. E aí é só chover que volta a choradeira de suspensão dos carros e estamos de novo nas mãos de Dirsomar, que quer ser o Ramiro Bastos de Vicente Pires. Em locais que não há políticas públicas, os coronéis aproveitam para prometer tampar a ausência do estado como se tampa um buraco, ou seja, venha a mim e peça benção que eu dou uma olhadinha na sua rua.

Dirsomar ainda não se decidiu qual recorde quer bater: o de faixas que manda colocar agradecendo o seu nome, o de fotos com caras e bocas em jornais vagabundos sem nenhuma independência ou conteúdo ou o de manchetes do tipo “agora sai a regularização de Vicente Pires”.

Nunca vi faixa de Dirsomar quando chove em Vicente Pires. Já teve caso de jornais do bairro que em 12 páginas havia 13 fotos de nosso heróis, um verdadeiro book de debutante. Sobre a regularização, essa é a eterna promessa que garante muitos votos de pessoas desinformadas que acham que ele tem esse poder. Se nem quando foi Secretário de Micros e Pequenas Empresas e Economia Solidária teve força pra mudar algo, não venha querer nos convencer do contrário agora.

Atentem-se à isso moradores: a regularização, asfalto de qualidade, fiscalização das emendas parlamentares não vão sair numa canetada, mas sim em nossa mobilização coletiva. Segue abaixo o funk do Dirsomar pra você cantar toda vez que passar por cima de um buraco e lembrar que 850 mil reais estão bem investidos na urbanização, parques, praças e quadras poliesportivas, tudo que o Vicente Pires não tem.

Funk do Dirsomar!

Ele não manda

Ele só grita

Ele é pop

Capa de revista

Ele é treze

Mas quer pintar o sete

Tira foto no buraco

Pra postar na internet

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Ocupação da reitoria da USP e a eterna luta por democracia nas universidades

Charge: Latuff 2011

Em novembro de 2011 houve um dos maiores conflitos entre estudantes e a Polícia Militar (PM) na Universidade de São Paulo (USP). À primeira vista, todas as análises poderiam parar por aí, mas é prudente identificar causas para além dos achismos de sempre e da opinião de jornais que não tem, como nunca tiveram, compromisso algum com o povo brasileiro, fazendo matérias de encomenda por dinheiro ou até posicionando-se em editoriais contra o movimento estudantil, seu histórico inimigo de classe. Daí explicam-se as declarações raivosas e inconseqüentes de muitos âncoras de telejornais ou editoriais impressos em apontar os estudantes como causadores do problema. Pois bem, vamos traçar alguns paralelos entre USP e Universidade de Brasília (UnB) e ver se o que ocorreu em São Paulo é esse trem fantasma apontado pela imprensa.

No primeiro semestre de 2008 eu era formando em Pedagogia pela UnB e um dos coordenadores do Diretório Central dos Estudantes (DCE) desta instituição, além de compor o Conselho Universitário (CONSUNI), órgão máximo deliberativo da universidade. Naquela época, estávamos em uma dura campanha contra o reitor fanfarrão Timothy Martin Mulholland. Os jornais da época queriam fazer parecer que a revolta dos estudantes da UnB era apenas contra a forma como foi mobiliado o apartamento funcional de representação do gabinete do reitor, mas foi uma luta muito maior. As pautas tinham como eixo a democracia, ferida muitas vezes na gestão Timothy e em outras que o antecederam. Fomos contra o Conselho Diretor da Fundação Universidade de Brasília (FUB), que o atual reitor, Ivan Camargo, quer reativar, por ser o foco onde se iniciaram muitos dos problemas da gestão Timothy, sem nenhuma transparência. Prova disso é que até hoje ninguém conseguiu ter acesso às atas do deste Conselho Diretor da FUB. É dessa época a conquista da paridade, ainda que potencial, e o fim das reuniões do Conselho Diretor da FUB, o que levou para o CONSUNI, espaço não democrático mas ao menos com possibilidade de visualização dos processos, os trambiques que se ajeitavam naquele Conselho e transformaram a universidade num balcão de negócios. A investida contra as fundações privadas ganhou fôlego e a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), que há quase 10 anos não tinha suas contas aprovadas, foi descredenciada. Dessa forma, vê-se que ao contrário do noticiado pela imprensa, o movimento dos estudantes da UnB tinha uma pauta bem mais extensa do que a superficialidade do que queriam os burocratas.

Pensando no caso da UnB, o reitor João Grandino Rodas fez da reitoria uma Tróia, talvez querendo esconder alguns de seus atos nos últimos anos. Resumindo: antes que começassem a levantar suspeitas de suas administração, deu um passo à frente dos opositores e armou um circo para desestabilizar o movimento estudantil. O motivo é algo que alimenta uma mídia ávida por uma matéria que vende muito e mesmo com avanços na sociedade ainda tem aceitação no povo: drogas. Sabia ele que bastava atrair os estudantes para um confronto criado por ele mesmo que rapidamente a situação sairia do controle e viraria uma ocupação que duraria até quando ele quisesse, e assim fez.

Portanto, o que ocorre na USP é uma situação parecida com a da UnB: um reitor incompetente que perdeu o apoio inclusive dos professores que o elegeram e fez a universidade cair no ranking de produtividade nacional e internacional. Mais do que tudo, não soube lidar com a diversidade de uma das universidades com maior multiculturalismo no mundo, colocando a PM para suprir a sua ignorância e covardia de dialogar com demandas de uma instituição no coração de uma cidade cosmopolita e que deveria dar exemplo de solução pacífica de conflitos, como foi toda a história dos paulistas após a Revolução de 1932. Ao contrário do que coloca a mídia burguesa golpista, com o perdão da redundância, os estudantes da USP não queriam ser livres para fumar maconha, uma vez que mesmo infeliz, não posso deixar de fazer a comparação e dizer que na reitoria se é livre para a corrupção e a PM não faz nada. O grito dos estudantes da USP é para que não se deixe prevalecer a voz dos ditadores, que abafam seus tapetes de milhares de reais comprados com verba pública, colocando a PM em meio à uma luta política e chamando a imprensa pra fazer a divulgação de suas intempéries como se fosse defesa do patrimônio público. Qual patrimônio? O tapete voador das Mil e Uma Noites que Rodas comprou com nossa grana? Para quem não sabe, a invasão da PM ao campus veio bem no momento em que os estudantes se preparavam para denunciar o reitor por contratação indevida de funcionários. Para quem acredita em coincidência… não, nem para eles.

Pior nisso tudo é encontrar estudantes que defendem a ação da PM. Uma coisa é defender PM no campus. Eu sou contra, mas acho legítimo debater com quem tem posição favorável à isso. Outra coisa é ver estudante defendendo policial que utiliza gás de pimenta em estudante algemado e sentado, o que configura tortura! Gás de pimenta é para ser utilizado a favor do vento e em local aberto, para dispersar manifestações ou para efetuar a prisão de indivíduo após cessada a comunicação verbal, utilizando por um segundo na direção do tórax e em seguida levando-o para local arejado. Em qual dessas situações se configura um estudante sentado e algemado dentro de um prédio?

Outros estudantes, que estavam de fora da ocupação da reitoria, mas filmando lado a lado com policiais à paisana, foram presos e agora compõem o “time” de potenciais criminosos que estavam depredando a universidade, mesmo já tendo adentrado algemados o cordão de isolamento da PM. Não deveriam estar lá? Tinham que estar em casa e assistir seus colegas serem espancados e difamados na TV, como fazem os fofoqueiros nas redes sociais? Não se pode compreender como que não há informação de ocupações de reitoria em que se utilizou algum coquetel molotov, mas vídeos de execução por parte de policiais militares tem aos montes na internet. Não quero aqui julgar todos policiais por conta da atitude de alguns, mas tirem suas próprias conclusões.

Enquanto o movimento estudantil europeu vai às ruas protestar contra aumento de mensalidades, os do Brasil só querem “join to my cause” com a foto de Renan Calheiros no Facebook. Na Inglaterra, quando um estudante é preso, os outros vão juntos para tentar libertar, mesmo sabendo que podem ser presos e, assim, sendo um grupo, dificultar a criminalização, a individualização de um ato político e a possibilidade de tortura quando se leva um ou poucos manifestantes. No Brasil, os estudantes que protestam são ridicularizados por seus próprios pares que, ao invés de apoiá-los, torcem para que sejam presos e sirvam de exemplo. Mal sabem eles o mal que isso representa, dando margem à ações cada vez mais freqüentes e violentas por parte do Estado contra manifestações populares. Se olharmos a Europa em recessão e o Brasil em crescimento, podemos dizer que junto com a ampliação da linha de crédito – e do endividamento das famílias brasileiras – veio a soberba e mania de riqueza substituindo o espírito de solidariedade comum ao povo brasileiro e principalmente à juventude. A ética protestante nunca se fez tão presente. Talvez isso explique se preocupar com garrafas com gasolina (o que não é coquetel molotov) e naturalizar centenas de policiais usando fuzis e helicópteros, tudo isso com nossos impostos, contra quem está acostumado a segurar livros. Novamente não vê-se a preocupação com a res publica como com as mesas e cadeiras da USP. Por mais que esses estudantes reagissem, é justo centenas de policiais e atiradores atirarem em manifestantes? Se a resposta para essa pergunta é não, então por quê diabos eles utilizavam armas letais?

Enfim, a promotora Eliana Passarelli acusou os “perigosos” estudantes de posse de material explosivo, desobediência à ordem de funcionário público, formação de quadrilha e destruição de patrimônio público. Como disse a promotora Passarelli, “não dá pra dizer que estamos lidando com estudantes, eles são bandidos”. Enquanto isso, mocinhos como Paulo Maluf, procurado (?) pela Interpol, continua “foragido”, mas faz alianças nas eleições e dá tempo de TV à candidatos que chegam a ganhar a prefeitura de São Paulo, como o ex-ministro da Educação e atual prefeito Fernando Haddad, que até o momento faz jus ao seu doutorado em pilantropia e continua tão imparcial e cartesiano quanto Durkheim, tentando entender se o que ocorreu na USP tem as três características de fato social. Os policiais que são filmados em execução e confessam o crime, não tem seus rostos mostrados na imprensa como os “marginais” maconheiros da USP. Geraldo Alckmin continua imune ao massacre da comunidade de Pinheirinho, como a população de SP continua sem política habitacional. Porém, os viciados da USP vão responder por tentar tirar a universidade das mãos de um facínora, como se uma ocupação de reitoria das mais politizadas que já se teve fosse capaz de causar um rombo nos cofres públicos. Tivesse vergonha, a imprensa não estaria confundindo os estudantes com o (esse sim promotora Passarelli) bandido João Grandino Rodas. Infelizmente, em terra de corrupto, quem tem um promotor é rei.

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NOTA PESSOAL DE ESCLARECIMENTO SOBRE O PROJETO RONDON NA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

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Com crianças em Campo Alegre do Fidalgo, Piauí, na Operação Canudos do Projeto Rondon do Ministério da Defesa. Na disciplina Construção de Projetos Sociais Multidisciplinares da UnB, há o intercâmbio, sem hierarquização, do saber popular com o conhecimento científico, fazendo com que a produção em sala de aula tenha interação com as atividades de campo e vice-versa, além da construção coletiva entre estudantes de diversos cursos.

O Essencial é invisível aos olhos.

Antoine de Saint-Exupéry em O Pequeno Príncipe

Venho através dessa esclarecer que:

1-      Desde o 1/2011 atuo como professor da disciplina Construção de Projetos Sociais Multidisciplinares, código 200212, lotada no DEx/Decanato de Extensão da Universidade de Brasília, assim como muitos outros mestrandos, doutorandos ou pessoas que estão em outro tipo de situação mas felizmente não são perseguidas politicamente por este DEx ou outros órgãos da universidade;

2-      Além de mestrando, sou servidor desta instituição desde 03/05/2004, entrando com 20 anos por concurso e me orgulhando de todo o tempo que passei na UnB, mesmo com problemas de patrulhamento ideológico que em nada colaboram para a salutar diferença de pensamentos que se espera de uma universidade e de professores que se julgam educadores e formadores de opinião;

3-      Desde minha chegada ao Núcleo, em 4 semestres, contando todas as turmas pelas quais passei, apresento apenas quatro faltas em aulas presenciais;

4-      Durante esse período, estive como professor em várias turmas, sendo um dos responsáveis por solicitar a abertura da disciplina no noturno, o que ocorreu a partir do 1/2012, contemplando os estudantes trabalhadores da universidade que queriam conhecer o ensino em interface com a extensão;

5-      A prática docente de mestrandos é algo não somente comum mas indicada por diversos motivos, dentre eles o de aprendizado acadêmico, supressão de demanda reprimida de universidades públicas que, cada vez mais, tem menos condições de manter as disciplinas com professores do quadro ou substitutos ou por outros motivos que não convém explicar nessa nota;

6-      Um dos temas transversais abordados em minha dissertação é o Moodle e, por mais que a pesquisa não seja na disciplina supracitada mas sim na UAB/UnB nos cursos de Pedagogia e Biologia, utilizo esse conhecimento para aperfeiçoar o aprendizado dos estudantes em espaço extra-classe presencial;

7-      Acompanho in loco as saídas de campo aos sábados de praticamente todas as turmas do curso, organizando as atividades que são realizadas na Horta Comunitária e Escola Zilda Arns do Itapoã, dentre outras;

8-      Praticamente todos os estudantes que fizeram alguma saída de campo ao final do semestre, em que se passa um período em algum município do Brasil, passaram por capacitação elaborada por mim juntamente com outros professores e monitores;

9-      Nesses dois anos como professor, jamais registrei um só pedido de revisão de menção por parte de qualquer um dos quase duzentos estudantes que cursaram a disciplina comigo, justamente pelo fato da avaliação ser processual e toda ela fiscalizada, desde o início, por todos os discentes, que podem a qualquer momento solicitar revisão de alguma nota, fazendo com que não ocorram pendências ao final do semestre;

10-  Além de não registrar nenhum tipo de revisão de menção, tenho ótima avaliação por parte dos discentes, o que pode ser comprovado nas avaliações que faço ao longo do curso e que tenho guardadas comigo até hoje, comprovando a eficiência do processo e a sua amplitude para as demais turmas da disciplina;

11-  Tenho ótimo relacionamento com os professores, tanto do campus Darcy Ribeiro como do campus FCE e de outras instituições que já trabalharam comigo no Projeto Rondon, sendo que sempre trabalhamos em conjunto e obtivemos ótimos resultados;

12-  Desde a última semana, não tenho mais acesso à disciplina Construção de Projetos Sociais Multidisciplinares – 2/2012 no Moodle, o que impede a comunicação com as turmas e a conclusão do processo de avaliação com os estudantes;

13-  A atual forma de avaliação que consta no programa da disciplina, assim como de participação nos fóruns do Moodle, foi criada única e exclusivamente por mim e em momento algum dei autorização para que isso fosse utilizado por outras pessoas sem o meu consentimento;

14-  A atual gestão do DEx, não bastasse demonstrar sua incompetência política no processo de transição do coordenador do Núcleo, revela sua total incapacidade técnica de administrar as aulas presenciais em construção coletiva com os monitores e operacionalizar o Moodle, com atraso para abertura dos fóruns e desconhecimento de ferramentas simples como deixar o fórum visível para o trabalho dos discentes ou responder questões básicas sobre a disciplina, o que tem deixado as turmas impacientes e inseguras quanto ao processo avaliativo que vinha sido cumprido não somente nesse semestre mas em todos os outros;

15-  Estranha-me que a atual decana Thérèse Hofmann Gatti, que participou comigo da elaboração do curso de Formação de Tutores a Distância em 2010 da UAB/UnB e é coordenadora do curso de graduação a distância em Artes Visuais pelo mesmo sistema, além de ter orientado vários trabalhos na graduação e pós sobre esse tema, como revela seu lattes, desconheça o funcionamento das ferramentas mais simples da plataforma Moodle, tendo que ligar para monitores para ser orientada;

16-  Nos dois últimos anos passei em diversos órgãos governamentais, federais e do GDF, bem como em empresas privadas, sempre em meu nome, recolhendo material para que pudessem ser aprimoradas as ações de extensão dos estudantes dentro da sala de aula e nas atividades de campo;

17-  Ao me ausentar de Brasília para participação na Operação Canudos do Projeto Rondon do Ministério da Defesa, no município de Campo Alegre de Fidalgo, Piauí, fui surpreendido pela mudança arbitrária da fechadura da sala do Núcleo, deixando que meu material fosse disponível somente através de uma cópia da chave deixada com uma monitora, criando um empecilho antes não existente para o acesso direto ao material que recolhi, fazendo-me sentir subtraído de tempo, despesas com a busca e principalmente autonomia didático-pedagógica para as atividades acadêmicas;

18-  Em quase dez anos trabalhando com comunidades, seja em ações de extensão universitária ou outras, é ultrajante passar por esse tipo de situação e penso que os estudantes tenham a mesma opinião;

19-   Depois de muito pensar, avaliei que o melhor a se fazer é comparecer à aula dessa semana para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido, deixando a disciplina a partir de então para que o DEx faça a continuidade da forma que melhor lhe aprouver, esperando não encontrar seguranças patrimoniais da UnB bloqueando a entrada da sala, o que iria piorar sobremaneira uma situação que já causou enormes prejuízos não somente para o DEx mas principalmente para os discentes que não tem nada a ver com essas questões políticas que parecem ser de cunho pessoal;

20-  O meu afastamento da plataforma Moodle não tem motivações legais, pois outras pessoas continuam com perfil de facilitadores, da mesma natureza técnica do que eu utilizava;

21-  Meu afastamento da disciplina tem também motivações políticas, visto que Thérèse tem recalques por nunca ter aceitado a derrota política que sofreu ao abrir processo de sindicância contra mim em 2005 e não ter conseguido lograr êxito, não fazendo nada contra o racista Marcelo Valle Silveira Melo – a outra parte interessada do processo –, que se beneficiou dessa sindicância pra tentar se livrar dos crimes que cometera;

22-  Esse racista, que foi beneficiado pelo racismo institucional da UnB, foi preso pela Polícia Federal em 22/03/2012 no Paraná, acusado de planejar um atentado na UnB e de manter um blog intolerante, história que pode ser melhor conhecida aqui: https://ayanrafael.wordpress.com/2012/03/26/marcelo-valle-silveira-mello-um-racista-alimentado-pela-unb/

23-  Repudio qualquer tentativa de assédio moral, seja por meios virtuais ou presencialmente, de estudantes, monitores e professores que se manifestaram contrariamente à desorganização gerada pelo DEx, bem como rechaço tentativas de intimidação por processor ou outros que não concordam com a política de desmonte da extensão promovida pelo DEx; e

24-  Mesmo não tendo mais acesso ao Moodle e ainda que não tenha culpa por toda a crise gerada pelo DEx, peço desculpas por todo esse transtorno e solicito divulgação desta nota na plataforma Moodle, redes sociais, listas de e-mail e afins, para que todas as pessoas, sobretudo os estudantes da disciplina, possam compreender o momento pelo qual estamos passando.

Despeço-me de forma triste mas torcendo para que as coisas se resolvam da melhor forma possível para os estudantes e comunidades trabalhadas pelo Núcleo do Projeto Rondon UnB, ainda que para isso haja a promoção de um grupo famoso por patrulhamento ideológico e inquisição não só de opositores mas de indiferentes.

Att

Rafael Ayan Ferreira

Brasília, 28 de janeiro de 2013.

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