CUT e as eleições do SINPRO

chapa_2

A eleição para o SINPRO (Sindicato dos Professores) em 2016 tem concentrado muita baixaria. A CUT (Central Única dos Trabalhadores), preocupada em garantir suas dezenas de milhares de reais mensais que vêm do nosso bolso, começa a temer – com “m” minúsculo, que fique claro ao PCO (Partido da Causa Operária) – a vitória da Chapa 3 Alternativa.

As chapas 1 e 2 dizem que são propositivas e que não gostam de debate rasteiro, mas não é o que tem se visto na campanha para o SINPRO. Tanto a Chapa 1 como a Chapa 2 são cutistas. Se você acha que a atual gestão do SINPRO que nada conquistou durante 3 anos deve continuar à frente do sindicato, então você pode votar na Chapa 1. Ou na Chapa 2! Sim caro(a) leitor(a), é isso mesmo que você leu: há duas opções para você votar para a CUT continuar com a mão em seu bolso e fechando os olhos para os projetos que visam cortar direitos dos(as) trabalhadores(as).

A Chapa 2 não tem nenhuma crítica à atual gestão. É só uma chapa laranja da CUT que se inscreveu para atacar a Chapa 3 enquanto a Chapa 1 passa incólume aos seus devaneios políticos. Aliás, a Chapa 2 não passa de uma única só pessoa, assim bem redundante mesmo: Thelma Maria. Ora, não sou eu quem quer individualizar a questão. Vejamos a publicação do perfil da Chapa 2 no dia 3 de maio às 07h23, com o print abaixo que é para não editarem ou apagarem de sua página:

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Em vez de “programação da Chapa 2 para essa semana” poderiam ser mais sinceros e divulgar como “programação da Thelma Maria para essa semana”.

Ora colegas, está certo de que isto é qualquer coisa, menos uma chapa que concorre ao SINPRO. É inegável que a CUT preza pela personificação ao invés de processos coletivos, ou seja, constrói os candidatos a deputado do PT utilizando a verba que recebe de sindicatos como o SINPRO. Foi assim com Rejane Pitanga em 2010, pra citar o exemplo mais recente. Seria assim com Washington Dourado, não fosse o escândalo do sonho da casa própria (sonho mesmo). Logo, parece que a CUT só queria mesmo a assinatura dos professores para registrar a Chapa 2 e colocá-la como moleque de recados da Chapa 1. Então a Chapa 1 faz campanha e utiliza a Chapa 2 para atacar a Chapa 3, que cresce exponencialmente o seu apoio na categoria.

E se você não gosta de picuinha durante a eleição – e principalmente após ela -, então é bom não deixar que a CUT fique mais 3 anos afundando o SINPRO. Vários foram os professores que não se sindicalizaram ou retiraram a sindicalização com a atual diretoria, um recorde que dificilmente será batido. A Chapa 2 sabe disso mas, novamente, em seu jornal, parece que os problemas do mundo são todos culpa da Chapa 3, única de oposição ao SINPRO. Veja você mesmo(a) colega se é a Chapa 3 quem não quer debater propostas:

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Olha só o absurdo, dizer que a Chapa 3 é do Rollemberg quando somos oposição à ele desde a época em que ele se candidatou ao senado e não somente agora que “roubou” a reeleição do corrupto ONGnelo do PT. Pergunte ao PCO, ou melhor, à Chapa 2, se eles reclamavam do Rollemberg em 2010 quando este se elegeu senador com apoio do ONGnelo e apoiando o mesmo:

31/08/2010. Crédito: Carlos Silva/Esp. CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF. Eleições 2010. Candidato a governador do Distrito Federal pelo Partido dos Trabalhadores - PT, Agnelo Queiroz, durante almoço com Tadeu Fillipeli, Rodrigo Rollemberg, Cristovam Buarque e ruralistas em galeteria do Lago Norte.

31/08/2010. Crédito: Carlos Silva/Esp. CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Eleições 2010. Candidato a governador do Distrito Federal pelo Partido dos Trabalhadores – PT, Agnelo Queiroz, durante almoço com Tadeu Fillipeli, Rodrigo Rollemberg, Cristovam Buarque e ruralistas em galeteria do Lago Norte.

Outro problema do jornalzinho do PCO: querer reduzir as chapas a 3 pessoas! Pior ainda: Thelma se colocar como salvadora da pátria. Certamente essa Veja Trotskysta não passou pela aprovação dos(as) professores(as) da Chapa 2, que devem estar atônitos vendo a Chapa 2 se transformar num comitê de campanha de “vote Thelma 29algumacoisa” e não de campanha de sindicato.

Aliás, até onde eu saiba antecipação de campanha a deputada distrital é crime, mas pra Thelma Maria 2018 é agora. E pra você que ainda não lembra quem é Thelma Maria, basta lembrar que foi ela quem apresentou a sugestão de “greve geral até o retorno dos dinossauros” na Assembléia de 23/02/2015 no Buriti, uma proposta bomba que ninguém entendeu direito – e nem era pra entender – e fez com que perdêssemos a votação do início da greve em fevereiro. A proposta da oposição (Alternativa e independentes), mais palatável, teve mais votos que a proposta da Chapa 1 de não iniciar a greve naquele momento e, ainda assim, Júlio (eterno diretor do SINPRO que tenta sua rererererereleição) encerrou a assembleia dizendo que a proposta da diretoria tinha ganhado. Você se lembra disso professor(a)! Foi aquela assembleia que você saiu xingando, “p da vida” com o sindicato e a manipulação do resultado. Pois é, agradeça à CUT pela proposta bomba feita por Thelma. O resultado daquela assembleia todo mundo sabe: Rollemberg enfraqueceu a categoria no segundo mês de governo e aplicou o calote em outubro do mesmo ano, congelando nossos salários e impedindo campanha salarial por quase todo o seu mandato, fora a continuidade do sucateamento das escolas públicas feitas por este governo.

Bem, não poderia finalizar este texto sem fazer uma analogia à altura da Chapa 2, este antro de sabedoria política em meio ao caos marxista que representa todo o resto do mundo. A Chapa 2 fará história: será uma das últimas lembranças do PCO, o partido que tem tanta importância histórica quanto o Fofão na Fórmula 1. Em abril deste ano, 38 militantes saíram do PCO porque achavam o partido muito governista. Os encontros nacionais de toda a militância do PCO, que ocorriam na casa de alguém devido ao baixo número de filiados(as), agora podem ser feitos telefonando diretamente para o Rui Costa Pimenta. Na prática, já é assim que essa legenda de aluguel do PT funciona há anos.

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Escola Classe aprova aluna na UnB!

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Por volta de 17h05 o telefone de Maria tocou. Era uma amiga que, esbaforida, gritava:

– Parabéns lindaaaa! Vai pagar a pizza!

Maria esqueceu completamente o dia em que seria divulgado o resultado do vestibular da UnB. Tomou um susto! Gaguejando, retornou à amiga:

– Você tá-tá-tá falando sé-sé-rio?

– Mas é claro Maria! Vê se eu ia brincar com uma coisa dessas. Entra aí no site da UnB e vê seu nome. A menos que aprovada seja não passar, você tá dentro amiga. Muito feliz por você. Vamos pra lá comemorar. Te encontro na entrada norte. Chamam de Ceubinho. Corre, não demora.

Maria foi na internet, acessou o site da UnB e viu seu nome. Não acreditou. Viu de novo! Não acreditou de novo. Viu por uma terceira vez e gritou pro Cruzeiro inteiro ouvir:

– Mãe eu passei!

A mãe lhe deu um abraço apertado e chorou. Dona Vera era seu nome. Há bastante tempo alugou uma quitinete no Cruzeiro Center. Trabalhava de costureira no mesmo prédio e seu marido, Carlão, padrasto de Maria, era porteiro no Cruzeiro Novo. O pai biológico de Maria abandonou a mulher grávida, como abandonou outras, quase sempre grávidas. Carlão, que conheceu Vera grávida, assumiu Maria e com ela teve mais dois filhos, José e Danilo.

Maria vestiu a roupa mais velha que tinha, pois sabia que ia levar ovada, e postou no Facebook #partiuUnB #caloura2016 acompanhada de uma selfie, claro. Naquele momento passou um filme na cabeça de Maria…

No ônibus que fazia o trajeto para a Asa Norte, passando pelo terminal do Cruzeiro Novo, Maria lembrou que teve dificuldade em matemática no 8º ano para entender a diferença entre quadrado da diferença e diferença dos quadrados. Era muita diferença mas Maria só enxergava multiplicação e o professor brigando pelas suas perguntas, sempre repetidas, mas sempre com dúvidas, claro. Foi aí que sua memória teve flashes e lembrou da professora do 1º Ano que lhe ensinou o que era contorno e que só podia pintar até ele. Neste instante Maria aperfeiçoou o uso do polegar opositor e, pintando, aprendeu a posição que usa até hoje para escrever e realizar outras tarefas.

O ônibus, nesse momento, chegava perto da entrada do Parque da Cidade. Maria olhou uma placa escrito “vendo apartamento mais exijo entrada de 30%”. Lembrava-se agora que a professora do 9º ano ensinara aos berros a Aninha – a amiga que ligou dando o resultado do vestibular – a diferença entre mas e mais. Mas – sem o i –,  lembrou-se também da professora do 5º ano que lhe havia dito que quando se representa uma ideia oposta ao que se falou primeiramente, usa-se o mas, e quando se escreve querendo dar ideia de soma, usa-se o mais.

Maria via sua vida escolar passando aos poucos pela janela suja… O barulho ensurdecedor dos bancos velhos do transporte público a traziam para a realidade, como num balanço.

Ao passar pelo Setor de Indústrias Gráficas, olhou para a esquerda e viu o Sudoeste. Leu na carroceria de um caminhão: Metais Paraenses. Recordou a época em que estava no 1º ano do Ensino Médio e teve que estudar a tabela periódica. Queria ter dinheiro pra fazer reforço escolar, mas trabalhava diuturnamente para ajudar a manter a casa, sobrando a parte da noite com hora-aula de 45 minutos para concluir os estudos. Por mais que não tivesse que trabalhar, não conseguiria reforço escolar, pois essa é uma prática que acaba ao entrar nos Anos Finais do Ensino Fundamental. Maria lembrou agora de quando estava no 4º ano e o professor lhe explicava cuidadosamente, no contraturno, as regiões administrativas do DF, as operações envolvendo divisão, as tipologias textuais…

Bocejou bem devagar…

O ônibus chegou ao Eixo Monumental e Maria avistou o Memorial JK. Agora a lembrança era das aulas de história do 3º ano do Ensino Médio. Lembrou de um professor que quase não falava em aula e dizia:

– Gente, estudar o período populista é fácil. Tem no Youtube, nos slides que mandei pro e-mail da turma, nos jornais, não aceito ninguém errar isso na prova.

Foi aí que Maria,que não tinha computador ou internet em casa – e se virava no seu smartphone que comprou usado – lembrou das aulas de história de quando era criança: tinha teatro, música, trabalho com arte, a professora se pintava e contava a história de uma forma bem mais divertida. Certa vez, quando criança, Maria perguntou à mãe se ela tinha conhecido alguma escrava, o que demonstra que não compreendia a periodização da História do Brasil. Bem, Maria conseguiu ser aprovada com o professor virtual porque lembrou que sua professora tinha dito, não com essas palavras, que história é a nossa vida, está em tudo e devemos fazer associações não para lembrar datas, mas para contextualizá-las.

Ainda no Eixo Monumental, pouco antes da Torre de TV, Maria deu sinal e desceu. O ônibus a deixaria na L2 Norte, perto da UnB, mas Maria desceu antes. Desceu e logoem seguida pegou um ônibus para a Asa Sul. As recordações de sua vida escolar não paravam e, por mais que se lembrasse do nome de todos os professores do Ensino Médio, deixou uma lágrima escapar ao reviver em pensamento as aulas de educação física, flauta doce e reciclagem de papel na Escola Parque da 308 Sul nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. O telefone tocou. Era Aninha:

– Maria, cadê você? Tá todo mundo aqui! Os professores trouxeram uma faixa bem grande com o nome da nossa escola. Vem logo comemorar e agradecer.

– Pois é Aninha. Pensei nisso mesmo. Já cheguei pra fazer isso.

– Não te vejo. Levanta a mão. Tô aqui ao lado do portão. Onde você está?

– Na Escola Classe 305 Sul.

– Oi?

– Vim agradecer a quem de fato contribuiu, no que diz respeito à escola, com a maior parte da minha aprovação no vestibular. Vim agradecer aos professores da Escola Classe 305 Sul. Beijo amiga, depois nos falamos.

Depois disso, desligou o telefone. Era uma sexta-feira e faltavam 5 minutos para a saída. Alguns pais já levavam as crianças pela mão. O guarda indagou:

– Posso ajudar moça?

– Não, obrigada. Só vim me olhar.

– Como?

– Vim sentir meu cheiro, ver meu vestido da festa junina, ver meus dedos com tinta, colocar meus pés aqui de novo. Enfim… Vim me olhar e agradecer.

O sinal tocou e aquela criançada toda saiu correndo pra frente da escola. Professoras saíam com mais calma, pedindo às crianças para não correrem. Com a escola quase vazia, abre a porta uma menina de uns 10 anos banguela, de óculos, correndo com a lancheira em uma das mãos e um desenho na outra. O cadarço desamarrado, por sorte, não a fez cair. Maria e a menina se deslocavam em caminhos opostos e não havia fonte sonora para se calcular Efeito Doopler. O silêncio é quebrado pelo som de uma caixinha com uma bailarina que rodava e a transportava para um tempo passado, para um pretérito perfeito, que Maria ganhara no Dia das Crianças. A garotinha passa por Maria atônita que, quase se enxergando na menina, sente uma brisa gostosa. O transporte escolar da aluna já buzinava. A menina deixa o desenho cair e, como quem não quer saber, entra na van para ir embora. Maria chama:

– Ei, menina, espera, o seu des…

A van acelerou. Maria, que pegou o desenho pelo lado que estava em branco, virou o papel. Era o desenho de uma menina na grama, sorrindo, brincando com tinta. Numa cadeira, desenhada de lado, um animal – parecia uma coruja – olhava pra frente. No canto direito, em letra de forma, lia-se: Maria.

E foi assim que a Escola Classe aprovou Maria e milhares de outras pessoas na UnB.

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SECRIA 2015 – Ranking Pedagogo (ampla concorrência)

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Olá pessoal.

Segue abaixo o ranking de classificação do concurso SECRIA 2015, cargo 102 (Pedagogo), ampla concorrência. O resultado já está com a nota da Prova Objetiva e nota parcial da Prova Discursiva. Em caso de empate da nota total, os nomes estão por ordem alfabética (consultar critérios de desempate no edital do concurso).

A nota de corte foi 40,33 (até a 50ª colocação), que foram as pessoas com Prova Discursiva corrigidas.

Para acessar o ranking, clique no link abaixo:

secria_pedagogo_ranking_20_04_2016_15h50!

O próximo passo é a avaliação psicotécnica e, posteriormente, avaliação psicosocial.

Abraços e ótimos estudos.

Prof. Rafael Ayan

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A quase delação de Nestor Cerveró

ADSA146   BSB -  02/12/2014  -  CPMI PETROBRÁS / ACAREAÇÃO -  POLITICA - Nestor Cerveró saindo após a  CPI Mista da Petrobras reunida para fazer a acareação entre os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, no Senado Federal,  em Brasilia.  FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAO

Não é novidade  que o juiz Sérgio Moro sempre teve lado na Operação Lava Jato, escolhendo seus corruptos de estimação. A delação de Nestor Cerveró nesta segunda-feira, 18/04/2016, mostra bem isso. Não sou eu quem diz e sim um dos patrocinadores do impeachment, o jornal Folha de São Paulo, ao divulgar trechos da delação de Cerveró.

Embora personagens conhecidos se afundem ainda mais na corrupção, como Renan Calheiros e Eduardo Cunha, outros personagens, incluindo senadores, iriam aparecer. Iriam, pois Moro sequer permitiu que Cerveró concluísse a delação, alegando que senadores tem foro privilegiado. Parece que o critério de foro privilegiado funciona pra qualquer um, menos para a presidenta Dilma, ministros ou senadores favoráveis ao governo, com conversas inclusive pessoais grampeadas e divulgadas ilegalmente.

Ora, porque Moro não esperou Cerveró falar qual senador estava envolvido e colocou o áudio sobre sigilo? Também seria falta de ética, mas nem tanta como proibir o depoente de concluir o que ele estava lá para fazer: delação! Parece que o grupo humorístico Porta dos Fundos adivinhou como iria ser o depoimento de Cerveró e, duas semanas antes, no vídeo Delação, revelou o caráter de corrupção seletiva de Moro. O vídeo pode ser visto no link abaixo:

Vídeo Delação – Porta dos Fundos

O texto da Folha de São Paulo pode ser lido no link abaixo:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/04/1762504-em-depoimento-como-delator-cervero-envolve-renan-e-cunha-no-petrolao.shtml 

E antes que a Folha de São Paulo edite ou apague a reportagem com a famosa desculpa “mas pode mudar se quiser”, famosa após “ligações perigosas”, dei print e coloquei aqui abaixo pra todo mundo conferir:

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Independente de sua opinião sobre o impeachment, ou até da falta dela, o acordão para salvar Cunha, Renan e outros, cada vez mais citados na Lava Jato, já começou. E quem deu o pontapé inicial não é sequer do Legislativo, o quê significa que as coisas ainda vão piorar muito.

Bem que Eduardo Cunha avisou ao dar o voto a favor do impeachment: “Que Deus tenha misericórdia desta nação”.

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Manifesto em defesa das escolas públicas

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Na Câmara dos Deputados, Kim Kataguiri posa entre os fascistas Eduardo Bolsonaro e Marcos Feliciano.

Em debate na TV Folha, o representante do MBL (Movimento Brasil Livre) fez a seguinte afirmação:

“A educação está muito mais no ensino básico, no ensino fundamental, no ensino médio e é… não é a questão das cotas que vai resolver essa questão da inclusão social. O problema ta lá quando o menino da periferia ali não está tendo acesso à uma escola de qualidade, quando a escola pública é um verdadeiro centro de recrutamento de traficantes, quando o cara vai cair na criminalidade porque a escola não tem segurança e ao mesmo tempo o professor não tem segurança, não tem infra-estrutura, não tem nenhuma qualidade, porque aquilo é mal gerido porque é gerido pela 4ª medida que Milton Friedman explicava.”

A educação como um direito social, ou até como direito observado de forma mais ampla, é algo recente na história do Brasil e que está vinculada ao período republicano. A Constituição do Império, em 1824 não trata de educação, ensino ou instrução, mesmo em âmbito privado. Na Constituição de 1891, a primeira da República, versa sobre o ensino superior e o ensino leigo em estabelecimentos públicos, mas sem obrigatoriedade de oferta pelo Estado. A palavra educação e, obviamente, toda a sua representação, só entra no texto constitucional em 1934 com Getúlio Vargas, no Título V, atrelada às concepções de família e cultura. Em seguida veio a Polaca (1937), a Constituição Populista de 1946, a Constituição da Ditadura Militar de 1967 – e Emenda Constitucional n. 1/1969 – e a atual Carta Magna.

Por todo esse tempo, foram várias as lutas da população brasileira, sobretudo negros, mulheres e pobres, para que a educação deixasse de ser um privilégio e passasse a ser direito público subjetivo. A democratização da educação feita via escola pública é, antes de tudo, uma democratização da própria sociedade brasileira, uma disputa pelos recursos do Estado para que as classes populares possam investir em sua formação.

Interessante notar que até mesmo liberais como Roquette Pinto, Cecília Meireles e Anísio Teixeira reconheciam a importância da escola pública e lutavam pela sua universalização. É de Anísio Teixeira a criação das escolas parque e do modelo educacional implantado no início de Brasília, influenciando a construção dos CIEPs (Centro Integrado de Educação Pública) com Darcy Ribeiro e Brizola no Rio de Janeiro e, sem seguida, dos CAICs (Centro de Apoio Integral à Criança).

Kim disse que a privatização das escolas, com o pagamento de vouchers para crianças pobres em escolas particulares, seria um modelo mais eficiente. Esquece ele que o capital cultural obtido pelas crianças, ainda mais em época de revolução informacional, é tão importante fora da escola como dentro dela. Tentar camuflar a situação secular de descaso com a educação brasileira citando vouchers da Suécia, como fez Kim, é negar os sucessivos assaltos dos países europeus à África, primeiramente no século XVI e depois no século XX, constituindo assim boa parte de sua riqueza. Não é à toa que a Argélia é um dos países mais fáceis para o Estado Islâmico (agora sim) recrutar militantes para ataques na França. A crise imigratória vivida atualmente é outra consequência das atitudes imperialistas na África.

É claro que alguns problemas são responsabilidade direta do Estado, embora a culpa recaia sobre a escola. São exemplos os livros didáticos desatualizados, material pedagógico insuficiente, salas não climatizadas, falta de atividades extraclasse. Contudo, boa parte dos problemas que interferem diretamente no aprendizado são extrínsecos ao trabalho docente: dor de dente, baixa visão, violência doméstica, trabalho infantil, abuso sexual, fome, insegurança alimentar, falta de transporte e até assédio pelo tráfico na volta pra casa, dentre outras vulnerabilidades sociais, todas elas atingindo de forma efêmera os futuros Kim Kataguiris de escolas particulares que choram contra as cotas e exigem “igualdade” nos processos seletivos para as universidades.

Pela Constituição de 1988 é dever do Estado garantir “educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria”. A Constituição cita claramente a educação, algo maior que ensino. A propósito, o desconhecimento de Kim sobre educação é tamanho que ele fala diversas vezes “ensino básico”, expressão que não existe nem na CF/1988 ou na Lei n. 9.394/1996 (LDB). Ensino é algo menor que educação. Por isso se diz educação infantil, que é um espaço em que a criança desenvolve muito mais do que habilidades e competências, como ocorre no Ensino Fundamental ou no Ensino Médio. Pela forma como Kim se refere a “ensino básico” várias vezes, percebe-se que ele acha que a expressão se refere à creche e pré-escola e/ou que o termo tem amparo legal. Tudo é válido quando a preguiça intelectual não permite ler a LDB.

Sou professor de escola pública com orgulho e meus alunos não são traficantes. Ainda que fossem, mereceriam mais respeito do que moleques de recado de bandidos como Eduardo Cunha que falam em transparência e omitem o financiamento de sua organização política. Porém, se há algo que escolas públicas não têm é cerca separando pensamentos divergentes como na Esplanada dos Ministérios. Na escola pública há professores contra o impeachment, a favor dele e indecisos. Ao contrário de Kim e algumas escolas particulares, temos liberdade de pensamento e sabemos lidar com discordâncias – por mais que queiram nos proibir de discutir política na escola. Quanto mais escolas públicas tivermos, mais tolerância e menos cercas. dizer que escola pública é centro de recrutamento de traficantes é responsabilizar crianças e adolescentes carentes por sua condição social, ao invés de garantir-lhes direitos. É típico de quem quer destruir a escola pública para concentrar ainda mais renda. Basta de criminalização da pobreza!

É bom dizer que Kim não tem legitimidade alguma para falar de escola pública. Kim não é um militante estudantil: surgiu de forma oportunista nas manifestações de 2013 e de lá para cá a única grande transformação de sua vida foi largar a faculdade na Universidade Federal do ABC para ser bancado por jornais. Quem pagou os semestres que Kim deixou para trás com sua ética protestante? Os contribuintes que ele diz defender. Também não é trabalhador: viaja mais do que o Zeca Camargo, mas nunca explicou quem financia seus caprichos. Já que faz parte do Movimento Brasil Livre, poderia aproveitar que tem bastante tempo livre e fazer duas ações para si e para o mundo: ler a LDB e visitar uma escola pública, já que não participou das combativas ocupações contra as arbitrariedades do governo de Alckmin (PSDB).

Por fim, o líder do MBL não deve saber que os “traficantes” recrutados pelas escolas públicas paulistas, após derrubarem o Secretário de Educação tucano, começaram a ocupar escolas estaduais e municipais em Goiás e Rio de Janeiro. Se droga é uma questão de saúde e não de polícia, Kim erra novamente por insultar as escolas de QG do tráfico. As escolas públicas com seus funcionários são uma das poucas instituições respeitadas por traficantes, milicianos ou o que for. É a escola pública quem combate o tráfico de drogas sem disparar um tiro sequer. Da próxima vez que Kim quiser reclamar de traficantes, ao invés de procurar em escolas públicas, é só tirar a mão do Aécio Neves de seu ombro.

Rafael Ayan

Professor do Centro de Ensino Fundamental 30 – Ceilândia – DF

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O lixo

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Leia a paródia do texto O lixo de Luís Fernando Veríssimo, baseado na conjuntura nacional atual.

Texto original em:

O lixo – Luis Fernando Veríssimo

 

O lixo

 

Encontraram-se no Palácio do Planalto. Cada um com o seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.

– Bom dia…

– Bom dia.

– A senhora é do 13.

– E o senhor do 15.

– É.

– Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente…

– Pois é…

– Desculpe a indiscrição, mas tenho visto o seu lixo…

– O meu quê?

– O seu lixo.

– Ah…

– Reparei que é muito. Sua família deve ser enorme…

– Na verdade somos sim.

– Mmm. Notei também que o senhor usa muito revólver e bala.

– É que a Bancada da Bala é minha amiga. E como não sei atirar…

– Entendo…

– A senhora também…

– Me chame de você.

– Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Soja, coisas assim…

– É que tem muita gente pra agradar. Latifundiários diferentes. Mas, como não estou sozinha, às vezes sobra…

– A senhora… Você não tem aliados?

– Tenho, mas não no 13.

– No 11.

– Como é que você sabe?

– Vi uns envelopes em seu lixo. Lei antiterrorismo.

– É. Maluf escreve toda semana.

– Ele é fisiologista?

– Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?

– Ele não gosta de trabalhar. Achei que fosse fisiologista.

– O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.

– Pois é…

– No outro dia tinha uma carta amassada.

– É.

– Más notícias?

– Sarney. Não morreu.

– Sinto muito.

– Ele já está bem velhinho. Lá no Maranhão. Há tempos não nos víamos.

– Foi por isso que voltou a falar com o Jucá?

– Como é que você sabe?

– De um dia para o outro começaram a aparecer pedidos de cargos no seu lixo.

– É verdade. Não consegui segurar o Kassab e Kátia Abreu dessa vez.

– Eu, graças a Deus, nunca nomeei.

– Não sei. Mas tenho visto uns atos de nomeação em seu lixo…

– Blindagem errante. Foi o Lula. Não passou.

– Você brigou com os pastores, certo?

– Isso você também descobriu no lixo?

– Primeiro a Comissão de Direitos Humanos, com a pauta LGBT, jogados fora. Depois muito espaço ao Feliciano.

– É, briguei bastante, mas já passou.

– Mais ainda tem uns Paulinhos…

– É que o PL 257 é minha vida.

– Ah.

– Vejo muitos extratos estrangeiros em seu lixo.

– É. Sim. Bem. O Cunha deu o endereço da minha casa. Sabe como é.

– Da Suíça?

– Não.

– Mas há uns dias tinha um extrato da Suíça em seu lixo. Até longo.

– Eu estava vendo um cruzeiro para a África. Coisa antiga.

– Você rasgou o extrato. Isso significa que, você pode estar tramando um golpe.

– Você está analisando meu lixo!

– Não posso negar que seu lixo me interessou.

– Engraçado. Quando examinei seu lixo, decidi que queria conhecê-la. Acho que foi a Carta ao Povo Brasileiro.

– Não! Você leu a Carta ao Povo Brasileiro?

– Vi e escrevi a Ponte para o Futuro.

– Mas são muito ruins!

– Se você achasse ruim mesmo, teria rasgado. Ela só estava reformulada.

– Se eu soubesse que você ia ler…

– Só não fiquei com ela porque, afinal, estaria roubando. Se bem que não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?

– Acho que não. Lixo é domínio público igual plano de governo.

– Você tem razão. Através do plano de governo, o público se torna particular. O que sobra após pagar o superávit primário vai pra nossa cueca. O plano é comunitário. É nossa parte mais capital. Será isso?

– Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que…

– Ontem no seu lixo…

– O quê

– Me enganei, ou era lista de deputados a favor do impeachment?

– Acertou. Comprei uns deputados graúdos e me salvei.

– Eu adoro deputado corrupto.

– Me salvei, mas ainda não venci. Quem sabe a gente pode…

– Governar juntos?

– É.

– Não, já tenho meus aliados.

– Carlos Marun.

– E você vai ficar sozinha?

– Nada. Num instante o Moro grampeia todo mundo e deixa os tucanos de fora.

– O Delcídio ou o Dirceu?

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Pobre também pode manifestar

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Na noite dessa quinta-feira, 24/03/2016, em ato contra a Rede Globo em Brasília, foram presos os camaradas Yuri Soares e Chico Carneiro com seu filho de 5 anos, Uirá. A ação da PM, completamente desproporcional, infelizmente não é a primeira. São vários os exemplos de abuso da força policial que, estranhamente, agem de forma mais enérgica quando estão em atos de classes populares, contra veículos de comunicação como Globo e Veja ou contra governos autoritários.

Para quem acha que manifestação não é lugar de criança é bom dizer que há pouco tempo diziam que política não é lugar de mulher e cidadania não é lugar de negros. Os direitos conquistados pelas mulheres e negros vieram tardiamente no Brasil e são fruto de muita luta, da tomada do espaço público como algo que deve ser representativo de todas as demandas da sociedade. Lembro bem de que no Fórum Social Mundial de 2005, em Porto Alegre, participei de atividade em que as crianças, até as que não sabiam ler ou escrever, participavam do orçamento de uma escola pública. A experiência no estabelecimento de ensino foi tão boa que estavam pensando em ampliá-la para as outras escolas, públicas e particulares, para posteriormente ser adotado algo parecido no orçamento participativo do município. Esta é uma boa forma de perceber como as crianças podem ser protagonistas de seu processo histórico e colaborar com os adultos na discussão de sociedade que querem.

Para quem é contra crianças em manifestação, olhe para os atos na Europa, berço da civilização ocidental, e observe que em vários deles há crianças participando: Alemanha, Bélgica, França, Grécia, Holanda, Inglaterra e Itália são alguns dos países em que crianças figuram entre os manifestantes. Nesses países, várias manifestações são organizadas por liberais, contra aumento nas mensalidades de faculdades ou por direitos civis como casamento igualitário e não criminalização do aborto. A participação em atos públicos está na vida do povo francês desde o seu nascimento. Paris é uma eterna avenida de manifestantes e universidades como Sorbonne são palcos de grandes paralisações nacionais.

Na maioria das vezes as manifestações ocorrem tranquilamente, sem atritos com a polícia. Em outras, há confrontos violentos, com lançamento de coquetéis molotovs e depredação de empresas multinacionais. O mais interessantes é que a quase totalidade dessas pessoas não se identifica com ideais socialistas e querem melhor distribuição de renda dentro do regime capitalista em que vivem. Detalhe: por piores que sejam estas manifestações, muito antes de conflitos, as crianças são retiradas pelos pais e até os adultos que preveem o confronto com a polícia saem do ato. As pessoas que ali participam são trabalhadores e liberais, bem diferentes do estereótipo de “comunista desempregado e maconheiro” que algumas pessoas querem taxar quem manifesta.

No Brasil, há quem ache que manifestação não é lugar de criança. É uma opinião e deve ser respeitada. Porém, se perguntarmos à essas pessoas o motivo de não quererem que seus filhos participem de atos públicos e exerçam sua cidadania elas dizem que é inseguro e que criança não entende as razões pelas quais estão protestando.

Ora, há uma probabilidade muito maior de crianças serem vítimas de violência em bares, estádios, assembleias de sindicatos ou até mesmo na escola por professores fascistas que passam a maior parte do tempo julgando o que os pais fazem com o dinheiro do Bolsa Família do que dando aula. Embora professores não saibam, isso é agressão e reflete na forma como o trabalho pedagógico é organizado para aquela comunidade. No Rio de Janeiro, somente nos três primeiros meses de 2016, foram cinco os casos (pasmem) de bebês agredidos porque usavam vermelho! Isto significa que além das crianças não poderem ir à manifestação, não podem vestir vermelho para ir passear e os pais não devem receber Bolsa Família. Não quero aqui defender que qualquer ambiente é bom para crianças, como os bares, mas são as generalizações que me preocupam.

Há mil coisas que fazem para as crianças e elas não entendem, inclusive festas milionárias para comemorar aniversário de um ano. Não é a segurança ou a compreensão o cerne do debate, mas sim o de querer que os pobres e sua prole permaneçam sem protestar. Se possível, que esses pobres ajudem a construir o discurso do opressor: “sou contra filho de pobre ou de rico ir à manifestação, criança é criança, não existe isso de classe social”. Pode ter certeza que o rico desde cedo constrói a cidadania de seu filho em todos os espaços, principalmente os que os pobres não ocupam, seja a manifestação ou os espaços de aquisição de capital cultural como a escola, museus, cinemas, shows, viagens, escola de idiomas e outros.

Não é certo usar criança de escudo contra fundamentalistas, sejam eles militares ou civis. Isto é lamentável. A proposta é a de que deve-se trabalhar para mostrar que o espaço público é livre para manifestações, contra ou a favor de qualquer governo, e que isto tem que ser respeitado por quem discorda de sua opinião. No ato contra a Globo em Brasília, por exemplo, não houve provocação alguma por parte de civil, mas foi a própria PM que desestabilizou o protesto. O policial militar que deteve o perigoso Uirá com sua ficha criminal que todo garoto de 5 anos tem é tão ignorante e despreparado que mandou que o camburão levasse a criança para a DCA (Delegacia da Criança e do Adolescente), como se ele tivesse cometido algum delito.

Se queremos ser um povo que respeite os direitos humanos devemos começar por cortar as nossas atitudes que legitimam as ações violentas da polícia. A detenção de Uirá, do pai Chico Carneiro e de Yuri Soares foi abusiva e ganha legitimidade se as pessoas vomitam seu moralismo dizendo “o quê uma criança de 5 anos estava fazendo em manifestação?”. Se pensarmos assim, nunca chegaremos ao nível de outros países em que pessoas não precisam de partido ou outras organizações oportunistas e corruptas como MBL (Movimento Brasil Livre), Revoltados On Line (do garoto propaganda e estuprador confesso Alexandre Frota) e Vem pra Rua para serem chamadas às ruas.

A foto que ilustra esse post é de um diretor de futebol do Flamengo indo para a manifestação do dia 13/03/2016 no Rio de Janeiro, com mais de 300 mil participantes. Ela foi compartilhada milhares de vezes nas redes sociais. Nenhuma sociedade protetora dos animais reclamou do Poodle no protesto. Ninguém, por mais que ache que lugar de criança não é em atos, reclamou do diretor ter levado os dois filhos ao protesto carregados pela babá. São essas ações que as pessoas fazem e não percebem que acabam por revelar seu preconceito de classe. Pobre também pode – e deve – manifestar. Que tenham a decência de não criminalizar Chico Carneiro por levar o filho Uirá, de forma segura e com a mãe, à um protesto contra uma emissora que há 50 anos constrói as opiniões moralistas dos brasileiros, ainda que eles não saibam.

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O vermelho das bandeiras

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As pessoas que dizem que a nossa bandeira jamais será vermelha demonstram uma falta de conhecimento de Brasil e de mundo. O vermelho, presente não só em bandeiras de países socialistas mas também de países liberais representa muita coisa, como por exemplo, o sangue dos que lutaram por independência.

O vermelho da bandeira francesa, um país capitalista, representa uma das cores do brasão de Paris e, historicamente, está associado aos sans cullotes da Revolução Francesa de 1789. Na bandeira das Filipinas o vermelho representa a justiça e na do Japão, o Sol. Na bandeira da Itália o vermelho simboliza o sangue derramado nas lutas pela independência do país, mesmo significado que possui o vermelho das bandeiras de Cuba, Estados Unidos, Colômbia, México, Peru e Portugal. Portanto, o vermelho é uma das cores mais representativas para se colocar em bandeiras de nações, sejam eles capitalistas ou socialistas.

Essa briga de vermelhos X azuis é algo que já acontecia no interior do país. Lembro de uma reportagem, em 2014, no Profissão Repórter – um dos poucos programas que consegue abordar o jornalismo de forma séria na Globo golpista – que tratou o tema. Essa luta por cores e não por ideologia já permeava o imaginário popular em cidades do interior do Brasil. Infelizmente, esse tipo de disputa rasteira se estendeu às cidades e agora somos reféns de vândalos que atacam pessoas por causa de uma camisa vermelha, como um catador que em 2015 foi agredido e sequer tinha preferência na eleição de 2014, tanto que não votou. Ainda que tivesse, nada justifica a violência desses vagabundos que optam pela agressão a qualquer custo por enxergar no vermelho a cor do inimigo.

Boa parte da cultura do vermelho como algo negativo foi divulgado pelo macartismo pós II Guerra Mundial pelo senador estadunidense Joseph McCarthy, para associar as mazelas do mundo a cor vermelha da bandeira da antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Antes não existia esse negócio de “nota vermelha”, “caneta vermelha para corrigir” ou “a empresa está no vermelho”. As pessoas que seguem com o ódio ao vermelho ou não estudaram história social e política do mundo ou estudaram e fazem o terror com a cor vermelha por má fé, como se o problema de um partido ou país fosse a cor vermelha e não a corrupção (dos parlamentares e dos não parlamentares), o “troco do café”, o tapinha nas costas e outras formas de burlar a lei. Fosse isso, bastava trocar a cor vermelha por outra qualquer e do dia para a noite o Brasil seria a primeira economia do mundo.

O mais intrigante é que as mesmas pessoas que não querem que a nossa bandeira seja vermelha – e acredite, ela não vai ser, com ou sem impeachment – são aquelas que votam em políticos que por décadas saquearam o erário público. São as pessoas que votam em Bolsonaro, o nazista que se diz liberal e que votou a favor do Código Florestal que retira o verde de nossa bandeira – aprovado com voto favorável do relator Aldo Rebelo do PC do B. São os que se dizem contra o PT mas não publicam memes do Eduardo Cunha em seu Whats App, o atual presidente da Câmara que costura um acordão para que seja aprovado o Código de Mineração, que vai acabar com o que resta do ouro e outras riquezas do Pará e Minas Gerais,  o amarelo de nossa bandeira. São os que nada dizem do PMDB, do deputado Leonardo Quintão, irmão de dono de mineradora que polui os rios de nosso país, eliminando o azul da bandeira nacional. São os que aplaudem as arbitrariedades de Gilmar Mendes no STF, fazendeiro assassino de índios em suas terras roubadas em Mato Grosso do Sul, acabando com a paz representada pelo branco da bandeira nacional. Sobra o lema positivista Ordem e Progresso, esquecido pelos militares de 1964 a 1985 e pelos que defendem a volta desse, ao aumentarem substancialmente a dívida externa e tornar o país uma franquia dos Estados Unidos.

Vale a reflexão se é viável continuar a propagar mensagens contra bandeiras vermelhas pela web. Mais do que isso, vale a reflexão se vale a pena continuar a revelar sua preguiça intelectual de procurar saber o significado do vermelho das bandeiras e parar de agredir pessoas que discordam de seu posicionamento na rua. Cada vez que você usa as redes sociais para destilar seu ódio camuflado por sua burrice, você aumenta sua contribuição para o acirramento da incipiente guerra civil catalisada por Sérgio Moro. Pior do que Foro privilegiado, é Moro privilegiado.

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Sinpro paralisa para paralisar dia 31/03

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Poderia ser apenas um trava-línguas mas é a mais nova trapalhada do Sinpro.

Se você, professor(a) temporário(a), aposentado, adaptado, coordenador, supervisor pedagógico ou outro e está sem receber direitos como alimentação e transporte, saiba que tudo que é ruim pode piorar. Na Assembleia dessa quinta-feira (17/03/2016), o nosso “aguerrido” sindicato não poderia tentar outra coisa: salvar o PT da investigação da Lava Jato.

Pouco se discutiu da pauta salarial ou da mesa de benefícios. que está congelada a mais de um ano. Para defesa dos aloprados pelos aloprados não faltou tempo de fala. E adivinhem o que aconteceu: foi aprovado para dia 31/03/2016 o Dia Nacional de Mobilização, que também pode ser lido por “Dia Nacional para defender o PT”. Se toda vez que o PT corromper alguém pararmos as aulas o governo vai estabelecer que os ensinos fundamental e médio serão a distância”.

Pois é, o Sinpro paralisou dia 17/03 e a única coisa que pôde ser vista como encaminhamento é a assembleia do dia 31/03. Vejam até que ponto chegamos: paralisamos para decidir outra data de paralisação, que é dia 31/03/2016. Por coincidência, mas só por coincidência, essa data é a mesma que o PT está convocando para sua base sair às ruas e defender Dilma, Lula e o partido.

Para quem acha que a saída é a desfiliação do sindicato, saiba que isso só faz com que o Sinpro se fortaleça ainda mais nos espaços que tem gerência. Precisamos, isto sim, ganhar nas urnas e fortalecer um sindicato combalido pelos inúmeros ataques do PT e de Rollemberg

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O ódio ao PT e o ódio do PT

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Mais um dia de manifestações contra o governo e as brigas nas redes sociais denunciam o que cada um dos lados, o que defende e o que ataca o governo, têm a oferecer para a sociedade: ódio. O discurso do ódio não pode mais ser colocado como patente do lado A ou B, mas está presente em ambos. Aliás, já passou do discurso para práticas absurdas como as agressões físicas.

O PT luta para tentar concluir seu quarto mandato consecutivo. Após 3 derrotas também consecutivas de Lula ao Planalto, o partido que nasceu dos movimentos sociais, das greves, das ocupações estudantis, abre mão de toda a sua história e passa a governar como os seus antecessores. As conquistas como o aumento do salário mínimo e facilidade de crédito para compra de eletrodomésticos da linha branca e financiamento da casa própria cedem lugar a uma das mais graves crises econômicas do país, ou seja, volta-se à estaca zero e com um agravante: o partido que reclamava a bandeira da ética para si é o centro de inúmeras investigações.

Se formos pensar qual o avanço que o PT teve de 2005, ano do primeiro grande escândalo do partido que foi o mensalão, para 2016, com o cerco se fechando em torno de Dilma, Lula e outras figuras do governo, vemos que nada mudou. Ao contrário, a legenda se envolveu em crimes cada vez piores, com personagens nefastos que jamais deveriam ter passado nem de avião pelo PT. A militância ficou a reboque da mídia que criticava, procurando deslegitimar as graves denúncias feitas ao partido. Mesmo que as denúncias fossem aumentadas por setores da mídia corporativa e pela elite que não aceitou perder poder, com o tempo, essa mesma mídia,  essa mesma elite, passou a ver que o PT não representaria risco aos seus lucros.

Os bancos, por exemplo, conseguiram sucessivos recordes de lucro. O agronegócio cresceu assustadoramente sobre a agricultura familiar e aprovou um código que retrocede no respeito ao meio ambiente. Os grupos de mineração cavam tantos buracos no solo quanto na economia e para quem achava que o país lucrava com esta atividade, basta ver o estrago que a Vale do Rio Doce fez em Minas Gerais e Espírito Santo para perceber que não existe fiscalização alguma. A Bancada BBB (Boi, Bala e Bíblia) nunca esteve tão forte na Câmara dos Deputados. E o PT? Onde estava esse tempo todo? Estava se coligando com toda a sorte de bandidos e fazendo com que o Congresso Nacional se transformasse num espaço ainda pior e sem possibilidades de ação até para os governos petistas com suas propostas reformistas e de conciliação com o Capital.

A última esperança do PT seria a sua militância, mas esta também se degenerou. Assim como o PC do B, que comanda a UNE há 3 décadas, o PT caiu no discurso revisionista de João Amazonas e acha que é possível fazer um governo de coalizão com partidos historicamente corruptos como o PMDB, PP (o filho prodígio da ditadura) e as recém criadas legendas de aluguel como PSD, PROS e outros. A sigla comandou tantos esquemas de corrupção que é impossível qualquer juiz, tribunal ou até os petistas perceberem o que fizeram com o dinheiro dos impostos da população. A militância petista sequer defende o governo, visto que é tarefa impossível. Se uma pessoa for paga para ficar o dia inteiro à disposição do PT para tentar defender a sigla de suas lambanças, ela não consegue. Quando falam algo do PT, respondem de imediato:”ah, mas o PSDB fez pior”. Então foi esse o objetivo do PT chegar ao poder, quer dizer, fazer um governo menos pior que o do PSDB? Isto é difícil? Ainda que o PSDB tenha feito coisas piores, e eu tenho certeza que fez, significa carta branca para o PT continuar com sua política de “toma lá, dá cá” e mergulhar o país no precipício econômico?

Porém, ainda que com toda essa crise econômica e política, para usar as palavras do Planalto, uma coisa é reivindicar contra a corrupção e outra completamente diferente é querer a volta dos militares, tirar foto com corruptos como Jair Bolsonaro (citado com Aécio Neves no esquema da Lista de Furnas) ou querer bater em uma pessoa simplesmente porque ela passou com uma camisa vermelha pelo meio do “seu” protesto. Existem essas pessoas nos protestos contra o governo? Claro que existem, mas são minoria. Esse é o ódio ao PT que o Brasil não precisa.

De outro lado, de nada adianta a militância petista dizer que quem participa dos protestos contra o governo são pessoas homofóbicas, machistas e que querem a volta da ditadura militar. Este é o maior absurdo que se pode dizer e afunda o PT ainda mais na crise que ele próprio construiu. Ora, há milhares de pessoas nas ruas e milhões que, mesmo em casa, não suportam a Dilma. Falta ao PT tomar ter vergonha, assumir seus erros – ao invés de dizer que o PSDB é pior – e perceber que colocar a pecha de elite e intolerante nos manifestantes só afasta o governo do povo. Parodiando Wesley Safadão: “99% é anjo, perfeito, mas aquele 1% é vagabundo”. Não queira o PT dizer que todo mundo que foi às ruas é discípulo do Malafaia e Feliciano. A favela também já começa a bater panela. As pessoas podem – e devem – se indignar sem serem insultadas pela militância petista, perdida no debate político. Os bonecos infláveis do Pixuleco, Acarajé ou outros nomeados pelos sinônimos de propinas inventados pelo PT não devem ser furados – isso é antidemocrático! Pessoas que fazem isso devem ser presas tanto quanto as que atiram para o alto na Marcha das Mulheres Negras, pois são todas criminosas. Esse é o ódio do PT que o Brasil não precisa.

Estava dias desses à noite no Sol Nascente, a maior comunidade da América Latina. Quando começou o discurso da Dilma, adivinhem: panelaço! E aí, vamos dizer que essas pessoas carentes, que moram em barracos em locais sem saneamento básico e qualquer intervenção do Estado são sexistas, burras e que não tem cultura? Vamos dizer que elas precisam de aulas de história? Bem, pelo menos votar elas sabem. Ao menos o PT não reclamou quando eles votaram em massa na Dilma ou em Lula nos últimos anos. O quê houve da eleição pra cá? Ficaram ignorantes?

O PT colhe o que plantou. Foram suas coligações que fizeram o conservadorismo crescer no Congresso e na população. A inclusão pelo consumo, e não pela cidadania, criou sim pessoas intolerantes, mas mesmo elas têm o direito de reclamar. A auditoria cidadã da dívida externa brasileira é uma bandeira histórica da legenda. O quê fez a Dilma? Vetou que esta auditoria fosse realizada, seja com a participação da população ou até pelos técnicos liberais dos órgãos de tributação e controle fiscal. Depois o PT vem reclamar quando nem mais os partidos de esquerda querem participar de seus atos. Ora, se o governo é de direita, que chame os partidos de sua base para as manifestações pró-Lula. Nessa disputa de discurso e outras práticas de ódio, não há somente duas opções: ou marcha contra ou a favor do governo. Esse é o pensamento do “voto no menos pior” que o PT vem trabalhando desde 2003. O resultado do voto no menos pior é o caos atual.

Se me chamarem para um ato contra a ditadura no país, ou contra a demissão de trabalhadores, ou de luta por direitos LGBT, ou contra a tortura, certamente irei. Porém, o PT não quer organizar atos contra o conservadorismo mas sim para defender Lula e outros aloprados petistas. O próprio Lula defendeu as empreiteiras no dia em quefoi conduzido coercitivamente à Polícia Federal e a militância petista quer sua volta. É evidente que não há possibilidade alguma de defender esse governo. Tentar pegar atos e transformá-los em algo para defender o governo, como foi tentado no ato do Dia Internacional da Mulher, é promover a confusão entre a militância de esquerda. Por isso, adianto, os atos do PT dos dias 18 e 31 de março serão esvaziados. O número de pessoas que desacreditou no partido aumentou exponencialmente e este parece ser um processo que não vai ter fim.

Também não participarei dos atos contra o governo. Não porque ache que marcharei com a direita, mas porque não há provas contundentes para tirar Dilma do poder, bandeira que esses atos vem afirmando. Esse tipo de atitude abre espaço, em nossa frágil democracia, para golpes como o que vivemos de 1964 a 1985, por mais que muitas pessoas não percebam ou até não queiram isso. E para os que querem Aécio Neves ou Marina Silva, saiba que as campanhas deles foram pagas pelas mesmas empreiteiras que doaram ao PT, então que sejam justos e solicitem que eles não participem do pleito também. Os cybermilitantes inconsequentes não percebem isso, mas não exitam em tirar foto com canalhas como Eduardo Cunha.

O golpe está pronto e o ódio, de todos os lados, só é bom para quem quer derrubar o governo. Que a militância petista pense nisso antes de dizer que manifestantes são todos coxinhas. E que agora, mais do que nunca, percebam que aquela história de “temos que governar com a burguesia” não levou a lugar algum senão à ruína do próprio PT.

#asaidaépelaesquerda

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