Ideb em Vicente Pires

Artigo de opinião originalmente publicado em Conversa Informal, jornal comunitário da Região Administrativa XXX (Setor Habitacional Vicente Pires), Ano 17, n. 10/2020, Outubro de 2020. Disponível em: <https://jornalconversainformal.blogspot.com/2020/10/conversa-informal-de-outubro-de-2020.html>. Acesso em: 07 dez. 2020.

No dia 15/09/2020 o Ministério da Educação (MEC) divulgou os resultados do Ideb (Índice de Educação da Educação Básica), utilizado para aferir a qualidade das escolas brasileiras e, de uma forma geral, da própria educação. O Ideb é calculado a partir da nota padronizada (média aritmética) em português e matemática na Prova Brasil multiplicado pelo indicador de rendimento (taxa de aprovação) da escola para a etapa da educação calculada. Implantado em 2007, o objetivo do MEC era atingir Ideb 6 nas etapas da educação básica até 2022, bicentenário da independência. Em tese, a nota 6 significa que o Brasil se equipararia aos melhores colocados em educação da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) – na verdade entre os 20 melhores, por mais que o MEC não divulgue mais essa informação. Vejamos os resultados de Vicente Pires.

A Escola Classe Colônia Agrícola Vicente Pires (ao lado da Feira do Produtor) atingiu esta meta em 2013 e embora tenha caído de rendimento em 2017, voltou a subir em 2019. Subindo qualquer valor em 2021 atingirá a sua meta. A Escola Classe 02 de Vicente Pires, localizada na Vila São José, já atingiu a meta de 2021 (6,5) desde a observação de 2017 e se cair 3 décimos na próxima avaliação permanecerá dentro da meta projetada. Conclui-se, a partir desses dados, que as escolas de Ensino Fundamental I de nosso bairro tem um ótimo nível e não ficam atrás dos estabelecimentos particulares, com todos os problemas que ainda temos que superar. Mas quais são os fatores que levam as escolas públicas a terem esse desempenho?

As escolas públicas e particulares de Vicente Pires têm um fator em comum: o regionalismo. Por fatores como mobilidade as escolas concentram estudantes da localidade. Isso significa, dentre outras coisas, que enquanto um estudante de Taguatinga matriculado em uma escola do Plano Piloto perde mais de duas horas para ir e voltar à escola, o de Vicente Pires ganha esse tempo em estudos, sono, diversão etc. Há vários estudos sobre como o tempo no trânsito afeta a qualidade de vida. Um exemplo pessoal: em 1993 eu andava 800 metros de minha chácara até a via Estrutural, pegava um ônibus até o Palácio do Buriti e outro para a Asa Sul até chegar na Escola Classe 305 Sul. Depois, de 1994 a 1997, o mesmo se repetiu enquanto estudava no CASEB (910 Sul) – e a Estrutural não invertia.

Outro fator, esse pedagógico e portanto mais interno é saber quais foram as estratégias de ensino utilizadas nas escolas públicas de Vicente Pires: atividades no contraturno, número de estudantes por sala, formação de professores, construção coletiva das avaliações, estudo conectado ao cotidiano, integração do Bloco Inicial de Alfabetização com 4º/5º anos, atividades recreativas e artísticas etc. vale lembrar que aprender é ato contínuo e para além da escola, ou seja, participação dos responsáveis é fundamental para o sucesso escolar.

Um terceiro ponto é que o regionalismo torna a escola mais próxima da comunidade. É comum a adoção de escolas públicas no Canadá e em países nórdicos europeus, não somente com donativos e sim com ações de intervenção. São aulas de música, dança, economia doméstica, ações sociais, atividades extraclasse em empresas e órgãos públicos. Resguardadas as proporções, essa era a ideia de Anísio Teixeira para as escolas públicas do Plano Piloto. Em tempo: enquanto isso, regiões como o Sudoeste (DF) brigam para não terem escolas públicas. Peço desculpas, mas não resisti!

Resta agora avançarmos para termos escolas públicas de Ensino Fundamental II e Ensino Médio em Vicente Pires – e que consigamos ter bons resultados também nestas etapas, o que não ocorre com o Ideb nacional. E parabéns às escolas públicas de nosso bairro. Vocês merecem.

Sobre ayanrafael

Pedagogo, Assistente Social e Mestre em Educação pela Universidade de Brasília. Trabalhou como técnico-administrativo na Universidade de Brasília, como Professor de Atividades da SEEDF (Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal) e atualmente é Especialista Socioeducativo - Pedagogo na Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania do Distrito Federal, lotado na Secretaria Executiva do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDCA/DF).
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