Chak-birthday – ano XXVIII

Alô alô burguesia!

Dia 15 de maio, além de ser Dia do Assistente Social, comemoro mais uma volta ao mundo em 365 dias. Impressionante não? É sim, eu sei que é…

 Porém, mais impressionante ainda são as duas comemorações.

 A primeira será 5ª-feira, 12/05 no bar Por do Sol (408/9, Asa Norte, quadra do Big Box, em frente à UnB campus Darcy Ribeiro) a partir das 21h59. Não paga nada p/ entrar. Já contratei as bandas Asa de Águia, Chiclete com Banana, Maria Cecília & Rodolfo, Jorge & Mateus, Lulu Santos, Falcão (Rei do Brega), Trem da Alegria, Balão Mágico, U2, Aerosmith e covers do Tim Maia e Legião Urbana. Desculpem se não consegui ser tão eclético como o Rock in Rio. Vai ter sorteio de uma vaga no BBB 12, uma casa no centro histórico de Olinda e uma semana de visita orientada no gabinete do Tiririca. Cheguem cedo, pois a PM fecha a quadra para garantir um bom show.

A segunda será na Calourada/UnB, dia 14/05 (sábado) no Centro Comunitário, localizado no Campus Darcy Ribeiro, Asa Norte, a partir das 22h01. Convites à venda no próprio DCE ou lojas credenciadas.

Então, como diz o Telecurso 2000, “se liga aí que é hora da revisão”:

12/05, quinta-feira, 21h59 no bar Por do Sol, 408/9 Norte

14/05, sábado, 22h01 na Calourada/UnB (Centro Comunitário)

Compareçam e não tragam presentes, tragam sorrisos, piadas (principalmente de flamenguista) e críticas ao GDF!

Informações:

9333-6810

8153-3063

Axé!

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Impasse na posse dos Conselheiros de Cultura do DF

Olá colegas Conselheiros de Cultura do DF e interessados(as)!
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Não sei se receberam mensagem da Secretaria de Cultura do DF pelo e-mail politicasculturaisdf@gmail.com (com cópia para Nelson Gilles no e-mail nelson.gilles@gmail.com) falando do impasse da posse dos conselheiros de cultura, por conta do Art. 2º que se refere aos membros natos (um indicado pelo Gerente Regional de Ensino e outro pelo Gerente Regional de Cultura, cargo que algumas Regiões Administrativas não tem). Bem, para quem não recebeu, segue todo o material digitalizado ao final desse post (comunicado e Resolução n. 1/2009 do Conselho de Cultura).
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Pois bem, o fato é que o governo adiou a publicação da nomeação dos conselheiros visando refazer a Resolução n. 1/2009 e, se não nos mobilizarmos, vamos estacionar no tempo e o GDF não vai adiantar essa questão deliberadamente, no intuito de não pressionarmos pela implementação do Plano de Cultura que construímos durante a III Conferência de Cultura do DF.
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Conheça as 21 Diretrizes de Cultura do DF aprovadas na Conferência para o biênio 2012/2013.
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Acho que temos que pressionar para que as Administrações Regionais façam um reunião, urgentemente, com essa pauta, até para que os conselheiros de cada RA se conheçam e possam adiantar a forma como irão trabalhar para efetivar as propostas de cultura levantadas nas pré-conferências – a maioria, vale dizer, definidas como não prioritárias na Conferência.
Resolução n. 1/2009 do Conselho de Cultura, que dispõe, sobre outros pontos, dos 2 membros natos (que é o atual impasse):
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Para ler o Comunicado do Núcleo de Políticas Culturais e Descentralização da Secretaria de Cultura do DF, clique aqui!
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Segundo dia e encerramento da III Conferência de Cultura do DF: acirra-se o embate!

O segundo dia da Conferência de Cultura do DF foi bastante tenso. A organização do encontro bateu cabeça várias vezes com a plenária, substancialmente nos Eixos A e B (com mais participantes), fruto de uma desorganização na fase das pré-conferências, que não politizaram e prepararam os delegados para a Conferência, justamente para passar ou barrar mais facilmente as propostas que o governo queria. Para ler a relatoria do segundo dia da III Conferência de Cultura do DF, clique aqui!

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Visione ainda outros vídeos realizados na Conferência, como os Grupos de Discussão (GDs) das propostas que seriam votadas como prioridade do Eixo A:

GD_01; GD_02; GD_03; GD_04 (grupo étnico-racial, vídeo 01 e vídeo 02); GD_05; GD_06 e GD_07.

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Ocorreram algumas intervenções (2 de Vinícius do grupo Radicais Livres de São Sebastião e outra de um morador da Estrutural) e também houve votação sobre a permanência ou não de 5 propostas como prioritárias em cada eixo da Conferência. O debate era entre a proposta da mesa (5 prioridades por eixo) e a proposta de Vinícius (a plenária definiria o número de prioridades) você pode visionar nos vídeos a seguir:

Viníncius (intervenção 1 e intervenção 2)

Intervenção de morador da Estrutural

Votação Proposta 1 (Mesa)

Votação Proposta 1 (Mesa) – Recontagem

Votação da Proposta 2 (Vinicius)

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Visione os vídeos dos grupos que se organizaram para participar da Conferência:

Conheça a RECID (Rede de Educação Cidadã), na explicação de Alex.

Conheça a EDUnB (Editora da Universidade de Brasília), na explicação de Elisânia de Araújo.

Conheça o Projeto Pontos de Memória (Estrutural – DF), na explicação de Jacira.

Conheça a revista Caros Amigos, na explicação de Artur.

Conheça o Projeto Mala do Livro, da SECULT (Secretaria de Cultura do DF), na explicação de Edna Amaral.

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Encerramento

Não há muita coisa para falar do terceiro dia da III Conferência de Cultura do DF. Como a organização do evento já estava desgastada, pouparam de deixar na Mesa o Governador Agnelo Queiroz (PT), colocando o vice-governador, Tadeu Filipelli (PMDB) para ouvir as reclamações dos agentes culturais do DF. Também participaram da Mesa Pedro Pontual (Secretaria Geral da Presidência da República), Hamilton Pereira (Secretário de Cultura do DF), Cláudio Abrantes (Presidente da Comissão de Cultura da Câmara Legislativa do DF, mais conhecida como Casa do Terror pelas falcatruas de desvio de verbas) e Geraldo Magela (Secretário de Habitação do DF, que não se sabe o por quê de ter ido à Conferência na abertura e encerramento se não tem nada a colaborar com ela). Todos eles foram muito vaiados pelo público, que ficou insatisfeito com a metodologia adotada na Conferência. O público reclamou também de não haver um representante dos delegados e conselheiros na Mesa. Os conselheiros de cultura tomaram posse e o encerramento foi realizado pelo grupo Marafreboi.

Assim que encaminharem as 5 propostas prioritárias de cada eixo, bem como o restante do Plano de Cultura, socializo aqui no blog.

Acompanhe também a Galeria de Fotos do segundo dia e encerramento da Conferência:

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Fotos do encerramento da Conferência:

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Acompanhe aqui como foi o primeiro dia da III Conferência de Cultura do DF!

Oi pessoal,

infelizmente não consegui transmitir a III Conferência de Cultura do DF ao vivo, pois o Museu da República Honestino Guimarães não conta com rede de internet sem fio (wireless). É lamentável que um dos maiores museus de nosso país não tenha algo tão simples como internet sem fio para uma conferência desse porte.

Para quem quiser acompanhar como foram as atividades, basta ler a relatoria do primeiro dia 29/04/2011, clicando aqui!

Visione o Hino Nacional entoado na abertura da III conferência de Cultura do DF!

Após as atividades dentro do Museu, o pessoal da Bicicletada fez uma intervenção na rampa do museu reivindicando que a população utilize transporte alternativo. Além da galera das “magrelas”, a área extena do Museu da República estava lotada de várias outras tribos, como podemos ver dando um giro de 360 graus na área externa do Museu da República. Para encerrar a noite, show do grupo Mambembrincantes, que ao final fizeram uma grande ciranda (clique para ver vídeo1 e vídeo2). Ellen Oléria (vencedora do Festival de Música Interna Candanga da UnB) e o grupo Pedra Branca fecharam a noite.

 Confira abaixo algumas fotos da III Conferência de Cultura do DF:

 

 

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Vicente Pires e Orçamento Participativo: nova data e descaso da ARVIPS e Administração

Apresentando: ARVIPS e Administração de Vicente Pires

É impressionante pessoal!

Como se não bastasse ARVIPS e Administração de Vicente Pires não terem mobilizado nossa comunidade para a primeira plenária do Orçamento Participativo, ocorrido dia 30/03/2011 no Espaço Brasil Verde, agora eles trocaram a data de realização que foi divulgada anteriormente. E o pior: só atualizaram em seu site depois que foram divulgadas as datas “erradas” aqui por esse blog e pelo meu e-mail pessoal!

É inacreditável o tamanho do descaso que ARVIPS e Administração de Vicente Pires tem conosco. Sequer nos enviaram um e-mail para falar sobre a mudança, é muita incompetência e desleixo juntos!

Bem, fique de olho nas datas e locais (sempre às 19h00), e que não mudem, como fizeram arbitrariamente dessa vez:

Dia 28/4 (quinta-feira) – Vila São José, na Escola Classe 02

Essa plenária foi realizada dia 26/04 (segunda-feira) e também não avisaram da mudança, por isso nem adianta comparecer amanhã – pior pra população da Via São José. Pra quem não compareceu à primeira plenária do orçamento participativo dia 30/03/2011, a Administração de VP divulgou uma cartilha em que constava a data (mas não o local) da plenária da Vila São José. Pois bem, novamente foram prejudicados.

Dia 05/05 (quinta-feira) – Col. Agrícola Samambaia

Até as 15h15 de 27/04/2011 eles não informaram o local, mas soube que vai ocorrer na  Rua da Misericórdia, Chácara 111 A.

  • Dia 18/5 – Vicente Pires – Capital Park – EPTG

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Vocês podem conferir as datas das plenárias de Orçamento Participativo no site da ARVIPS clicando aqui! A reunião do dia 28/04/2011 foi mudada sem o consentimento dos moradores e vocês comprovar o descaso ligando no telefone da Administração de Vicente Pires: 3383-7500.

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Para quem quiser saber como foi a primeira plenária do Orçamento Participativo de Vicente Pires, leia a relatoria que fiz clicando aqui!

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III Conferência de Cultura do Distrito Federal

Atenção pessoal: dos dias 29/04 a 1º/05/2011 ocorrerá, no Museu da República, ao lado da Rodoviária do Plano Piloto, a III Conferência de Cultura do DF. É muito importante participarmos, visto que as propostas discutidas nas pré-conferências que ocorreram nas 30 Regiões Administrativas, e também nas conferências setoriais (por área de atuação cultural), serão aprovadas e balizarão as ações do GDF no Plano de Cultura 2012/2013.

Aos moradores de Vicente Pires que quiserem conversar sobre alguma proposta, contem comigo. Embora não tenha poder de voto, tenho voz e posso conversar com os outros delegados por ser Conselheiro Suplente de Cultura de nosso bairro. Porém, é bom lembrar que não devemos agir no sentido de adotar uma postura bairrista e egoísta de pensar somente na melhoria da cultura de Vicente Pires, mas sim na cultura de todo DF. Informo ainda que tentarei atualizá-los sobre o que for discutido na Conferência, provavelmente com um canal aberto de streaming (uma espécie de webconferência). Fiquem de olho no blog!

Em tempo, acabo de receber (15h17, 26/11/2011) e-mail da Secretaria de Cultura do DF com as propostas de Vicente Pires sistematizadas, que foram discutidas e aprovadas no dia 18/03/2011. Para acessá-las, clique aqui!

Chamo a atenção para as 3 propostas que encaminhei no GD (Grupo de Discussão) que participei e que foram aprovadas em nossa pré-conferência, e que vão ser defendidas pelos delegados eleitos naquele dia. São elas:

  • Capacitar os artistas para acessar o FAC e as Leis de incentivo.

Pensei nessa proposta porque muitos artistas ainda não sabem de que forma podem solicitar os recursos do Fundo de Apoio a Cultura e outras leis para divulgarem seu trabalho.

  • Ampliar o acesso dos artistas aos editais e recursos da SEC-DF, desburocratizando o processo

Outro ponto importante, pois por mais que se saiba como conseguir o recurso, a burocratização dos órgãos de Estado acaba por fazer o artista gastar para trabalhar, ou seja, ele não consegue ter acesso à verba e no final acabam sendo prejudicados por artistas do circuito comercial, que já agem com lobbystas para abocanhar um dinheiro que poderia favorecer bons trabalhos produzidos em nosso bairro.

  • Criar festival de cultura em todas as RA’s que culmine numa etapa geral com artistas de todo o DF. Referências: XXX.A.4

Esse Festival de Cultura poderia ter setoriais como dança, música, artesanato etc. que ao final se apresentassem num evento único de cultura para todo o DF e não somente numa Região Administrativa, ou só de uma arte. Essa ação daria uma visão do multiculturalismo presente no DF, construído por brasileiros e brasileiras de todo canto do país.

Uma proposta que foi consensual entre as pessoas que participaram da Pré-Conferência de Cultura de Vicente Pires, preparatória para a III Conferência de Cultura do DF, é a de que temos que revitalizar a Feira do Produtor de Vicente Pires como um espaço de propagação da cultura local.

Pra saber mais sobre a III Conferência de Cultura do DF, clique aqui!

Socializo agora os e-mails que recebi da Secretaria de Cultura do DF:

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deconferencia – sc <conferencia@sc.df.gov.br>
data: 20 de abril de 2011 15:43
assunto: Orientações para a Plenária Final – III Conferência de Cultura (credenciamento e ficha dos Eixos)

Amigos e amigas da cultura

Segue em anexo as orientações para o credenciamento dos delegados(as), conselheiros(as), convidados e Conselho de Cultura do DF para a Plenária Final da III Conferência de Cultura do DF (que será realizada nos dias 29 e 30 de abril e 1º de maio).
Segue em anexo também a ficha para manifestar a opção de Eixo de Discussão que os(as) delegados(as) realizam para participar na Plenária Final. (a ficha deverá ser enviada para este email – conferencia@sc.df.gov.br – até as 18hs do dia 26 de abril.

Aguardamos resposta.

Viva a Cultura!______________________________________________________

deconferencia – sc <conferencia@sc.df.gov.br>
data: 25 de abril de 2011 10:00
assunto: Proposta para o Distrito Federal III Conferência de Cultura Distrito Federal

Amigos e Amigas da Cultura,

Estas são as propostas para o Distrito Federal saídas de 30 pré-conferências regionais e setoriais. Faltam ainda sistematizar 17 pré-conferências, que serão enviadas ainda até quarta-feira 27 de abril*.

Lembramos ainda que estas propostas serão hierarquizadas por ordem de prioridade durante a Plenaria Final, sugerimos assim que se já puderem se organizar no sentido de irem trabalhando as propostas isso vai ajudar no andamento dos trabalhos.

As propostas por Região Administrativa serão encaminhadas até o fim do dia de hoje.

Abraços

Nelson Giles

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deconferencia – sc <conferencia@sc.df.gov.br>
data: 25 de abril de 2011 15:30
assunto: Programação da Plenária Final – III Conferência de Cultura DF

ocultar detalhes 15:30 (1 hora atrás)

Amigos e amigas da cultura

Segue em anexo a Programação da Plenária Final (reformulada e reenviada em 27/04/2011 às 17h41) da III Conferência de Cultura do Distrito Federal que será realizada nos dias 29 e 30 de abril e 1º de maio.
Viva a cultura!

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* Assim que o restante das propostas distritais forem encaminhadas, bem como fizerem sua subdivisão nas RAs (Regiões Administrativas), divulgo aqui no blog.

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Tragédia de Realengo: precedentes, presente e perspectivas

você pode efetuar o download desse texto clicando aqui!

 

Trabalho da disciplina FHTM 3 (Fundamentos Históricos, Teóricos e Metodológicos do Serviço Social 3), Professora Kênia Augusta Figueiredo, do Departamento de Serviço Social da UnB, também disponível em www.ayanrafael.wordpress.com

 

O mundo inteiro se comoveu com o massacre cometido por Wellington Menezes de Oliveira em Realengo, Rio de Janeiro, matando 12 crianças e ferindo várias outras na própria escola em que estudou. Para além dos comentários no calor da emoção, que atinge não só os familiares, mas a todos que têm o mínimo de respeito pela vida humana, é bom fazermos alguns apontamentos para tentar explicar aspectos que antecederam, que ocorrem nesse momento e que são perspectivas advindas diretamente dessa carnificina – mesmo que o momento atual se confunda um pouco com o futuro. Em se tratando de educação, uma das 7 políticas sociais brasileiras – juntamente com saúde, assistência social e previdência, que compõem a Seguridade Social, e habitação, transporte e trabalho –, torna-se claro que a escola tem um papel importante para a resolução de conflitos dessa natureza, mas precisa de auxílio de distintos profissionais. Adiante, a temática de direitos humanos não está relacionada somente à crimes de tortura ou segurança alimentar, mas encontra na educação um de seus pilares.

Quando ocorre um assassinato em série e a polícia prende o homicida, além da sensação de alívio que as pessoas sentem, é como se pudessem vingar a morte de seus familiares. Mesmo quando o assassino não é encontrado, há a esperança de que um dia seja preso e pague pelo que fez. Porém, há também resignação, impotência mesmo, quando ocorre do assassino morrer no tiroteio com a polícia e, mais, quando este se mata, como no caso em questão. E por quê Wellington se matou? Mais que isso: por quê matou criaQuando as crianças são vítimas de bullyingnças que nem eram de sua época na escola? Uma das respostas, mas não a única, é que se trata de um caso típico de bullying. Algumas pessoas que estudaram com Wellington disseram que ele era muito quieto, com relações sociais mínimas (inclusive depois de adulto, já no mercado de trabalho) e, como se não bastasse, quando criança, era constantemente agredido (física e psicologicamente) em sua turma. Não é à toa que Wellington escolheu a escola em que estudou para fazer sua vingança, ou outro chamado que até o momento não foi descoberto. O bullying, nesse caso, não se manifestou diretamente contra quem o praticou, mas sim posteriormente. A carta que escreveu tenta negar o bullying, mas é reveladora no aspecto de que o sofrimento de Wellington vinha de muito tempo, daí a dedução. Para nós, obviamente, um absurdo, pois projetamos nossa cabeça no corpo do assassino e não vemos razão para isso. Para ele, tranquilidade quase que absoluta, mesmo porque já sabia que iria morrer e preparou todo o cenário para a polícia, com cartas, mensagens em casa e outros elementos que ainda são cacos de um grande mosaico na compreensão da mente doentia do homicida.

Algumas pesquisas apontam que o aumento da agressividade em crianças, substancialmente após a década de 1990, está relacionado a 3 fatores, a saber: a) uma alimentação rica em produtos industrializados, com muito açúcar, que aceleram o metabolismo mais ainda em época de crescimento; b) o Estado, a família e a igreja perderam poder sobre as crianças e, consequentemente, essas não lhes veem mais como exemplos; e c) uma quantidade cada vez maior de informação em um curto período de tempo, fazendo com que não haja transformação da informação em conhecimento, principalmente em crianças, que estão começando a formar seus conceitos para a vida adulta. Coincidência ou não, Wellington parece se encaixar nesses 3 quesitos: alimentação com excesso de ovos e refrigerantes, quase nenhum contato social e tempo excessivo na internet. A diferença é a idade física de Wellington, embora sua idade mental seja mais atrasada – o que não  o impediu de ter acesso à uma arma e muita munição. Note que não é objetivo desse trabalho concordar com esses exemplos, mas apenas colocar alguns elementos para ajudar a pensar o caso de Realengo com a conjuntura atual a partir de uma atuação cada vez mais próxima entre Pedagogia, Serviço Social e Psicologia nas escolas. Também, minha perspectiva de trabalho, como Pedagogo e estudante de Serviço Social, não é a do discurso conservador, policialesco, de que aulas de educação moral e cívica e religião aliadas ao corte do acesso à internet e uma boa alimentação resolveriam o problema. O bullying é uma questão social muito mais complexa, que se expõe nas contradições do sistema capitalista de forma cada vez mais latente.

Dada as possíveis condições que levaram Wellington a cometer o crime, há desdobramentos para o período atual. Um deles, e que infelizmente veio dessa forma, é a retomada do debate sobre desarmamento e da situação das escolas no país. Sobre o desarmamento, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não foi votado todo o seu teor no plebiscito de 2005, mas tão só o artigo 35, que trata do comércio de armas de fogo e munição. O resto todo já tinha sido aprovado pelos parlamentares. Essa é uma questão tão emblemática que faz corruptos como Sarney, que defendem o desarmamento, posarem de bonzinhos diante da dignidade do desarmamento. Outro ponto debatido é a segurança das escolas, o que acaba por ser um debate inócuo, pois não ataca a raiz do problema, mas somente sua superficialidade. Ora, Wellington estava disposto a fazer tudo o que fez. Não seria um detector de metal ou a presença da polícia na frente da escola que iria impedí-lo. Ele já tinha visitado a escola anteriormente, falou com um professor no dia do crime, correu do policial militar que o alvejou na perna e, depois, suicidou com um tiro na cabeça. Sendo assim, o problema é anterior, de modo que para resolvê-lo temos que responder às seguintes perguntas: como fazer para que não surja outro Wellington? Existem outros do mesmo tipo e é possível identificá-los? O que fazer para que seu lado cruel não se manifeste? Nossas crianças estão seguras de uma escola excludente, que não tem olhar para o sujeito construir sua própria identidade e estimula o individualismo?

Um fator preponderante para a emancipação do ser humano é trabalhar as relações sociais desde a mais tenra idade. Contato com amigos no contra turno escolar, aulas de música, reciclagem, jogos recreativos, ou seja, uma perspectiva de educação integral. Animais domésticos, além de ter uma representação simbólica de responsabilidade e ajudar no processo de ensino/aprendizagem, contribuem no processo de socialização do indivíduo. Conviver com uma diversidade multicultural (pessoas com deficiência, de outras religiões, etnias etc) colabora tanto quanto viver fora de risco social, num ambiente em que a criança seja respeitada, ouvida, questionada, aprendendo a ter limites e criando seu próprio espaço, seu universo, expandindo seus horizontes mas sem prejudicar o próximo. Essas atitudes certamente contribuem para que não surjam outros assassinos como Wellington, que humilhado na infância alimentou em si o germe de uma revolta sem fim contra o espaço – com seus recursos físicos e humanos – que considerava o culpado pela sua solidão e tristeza.

O importante nesse momento, além do reconforto aos familiares, é combater qualquer tipo de discurso extremista que venha querer combater a violência com mais violência. Somam-se a esses discursos posturas de gestores públicos ou religiosos que querem transformar as escolas em prisões, em que o verdadeiro objetivo não é proteger as crianças, mas sim prepará-las para um terrorismo de Estado, aproveitando-se de um momento de dor para alterações curriculares que vão de encontro ao avanço que movimentos sociais da área da educação conquistaram com muita luta, como a autonomia didático-científica que permite debates importantes em sala de aula como educação sexual e drogas. Exemplos desse fundamentalismo encontramos no racista e homofóbico Jair Bolsonaro (PP-RJ) e em alguns fanáticos de igrejas, felizmente minoria.

Caso não consigamos, por mais difícil que seja, colocar a razão sobre a emoção, além de não conseguirmos frear o surgimento de outros personagens como Wellington, ora assassinos em Realengo, ora em cinemas de shopping em São Paulo ou em outros países, estaremos fadados ao fracasso. Hoje as crianças da escola de Realengo começam a voltar ao normal, com uma readaptação feita com diversos profissionais e posto de atendimento psicossocial permanente na escola. Fazem várias atividades de artes e educação física, o que segundo relato dos próprios estudantes não era uma realidade antes do ocorrido. Infelizmente, essas atividades, com um trabalho de conscientização sobre o bullying, só vieram agora, após o assassinato de 12 crianças. 12 crianças… Talvez se o Governo do Rio de Janeiro tivesse tido a mesma postura de melhorar a escola de Realengo anos atrás as 12 crianças não tivessem morrido e, melhor, o Wellington Menezes de Oliveira, tal qual o conhecemos, não teria nascido.

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Recepção aos Calouros como espaço de convivência e transformação

Trote Solidário da UnB realizado na Estrutural: um exemplo de integração entre veteranos, calouros e principalmente comunidade. Foto: Associação Viver

oi pessoal,

 

abaixo segue artigo de 3 colegas da Universidade de Brasília, que relatam a experiência do trote solidário no curso de Pedagogia, com uma perspectiva completamente diferente do escárnio de trotes tradicionais. Serve para refletirmos um pouco do papel nefasto que alguns veteranos fazem com calouros e mostrar uma alternativa concreta e que integra bem mais os estudantes. Para fazer o download do artigo em Word, clique aqui!

 

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

 

Recepção aos Calouros como espaço de convivência e transformação

 

GABRIELA FREITAS DE ALMEIDA

MÔNICA PADILHA FONSECA

RAFAELLA SOUZA CERVEIRA

 

 

Resumo

 

    A Recepção aos Calouros da Pedagogia da UnB é realizada pelos veteranos do curso desde 2001. São realizados encontros de organização, uma Semana de Recepção ao Calouro, e atividades ao longo do semestre. Ao final desse processo, percebe-se formação de grupos onde as diferenças e identidades são reconhecidas e respeitadas. O caráter ético, solidário, crítico e humano dos participantes se fortalecem e a prática coletiva e democrática se efetiva dentro dos espaços propostos.

 

Palavras chave: Trote, humanização, mudança social

  

Recepção aos Calouros como espaço de convivência e transformação

           

            A Recepção aos Calouros de Pedagogia teve início em 2001, pela percepção da necessidade de acolhimento aos estudantes ingressantes e de combater o trote violento. Os veteranos do curso de pedagogia da UnB buscavam maneiras de articular os estudantes com a universidade e entre si, num coletivo capaz de modificar a realidade com a participação de todos.

A Recepção aos Calouros se iniciou tímida, com apenas uma atividade, e foi ocupando espaços e apoios dentro da Faculdade de Educação da UnB, sendo realizada mais tarde nos três turnos e com 120 calouros semestralmente. A todo semestre o grupo se refaz, estudantes se inserem e saem do processo de organização da Recepção, o que possibilita novas reflexões e críticas.

    Acreditamos que a Recepção se aproxima do sétimo Saber: A ética do gênero humano, pois contribui para:

  • Trabalhar para a humanização da humanidade;
  • Respeitar no outro, ao mesmo tempo, a diferença e a identidade quanto a si mesmo;
  • Desenvolver a ética da solidariedade;
  • Desenvolver a ética da compreensão;
  • Ensinar a ética do gênero humano.

A Recepção aos Calouros atua também na busca pelas melhoras possíveis, a partir de atividades que poderiam “tratar do processo multidimensional que tenderia a civilizar cada um de nós, nossas sociedades, a Terra” (MORIN, 2000, p. 114). Ela busca a transformação do individuo para que se amenize a barbárie, a dominação e opressão humana no nosso planeta.

 

Objetivo geral

  • Criar espaços que favoreçam o diálogo horizontal entre as pessoas como condição da solidariedade intelectual e a compreensão mútua da humanidade pela ética e democracia.  

Objetivos específicos

  • Combater os espaços de violência e a opressão do veterano contra o calouro, por meio de uma vivência pedagógica reflexiva;
  • Integrar os estudantes e familiarizá-los com as discussões acadêmicas, políticas e sociais que permeiam o curso de pedagogia e a universidade;
  • Desenvolver a autonomia e a solidariedade dos estudantes recém ingressos na universidade;
  • Possibilitar a construção de coletivos, incluindo os espaços do Movimento Estudantil,  a partir de diálogos emancipadores entre os estudantes;
  • Suscitar a auto-estima do futuro pedagogo e a valorização da educação.

Descrição dos processos e da intencionalidade da Recepção:

 

Etapa 1: Reflexão e Organização coletiva das atividades de Recepção aos Calouros

    Esse espaço é iniciado com uma avaliação da edição anterior da Recepção e onde são colocadas as expectativas futuras. Ele serve para reconhecimento e integração da nova comissão, tendo duração de duas à quatro horas semanais para organização das atividades. Assim, os futuros pedagogos refletem sobre ações da recepção, seus significados, suas dimensões e características, além de temas relevantes a formação para a futura atuação. Exercem uma prática de planejamento e juntos pensam sobre os desafios levantados pelos atores da última vivência e como superá-los.

 

Etapa 2: Atividades pré-recepção

Reunião pré-matrícula

Dinâmicas empregadas: Esse evento é realizado pela direção da Faculdade de Educação da UnB juntamente com a comissão organizadora da Recepção. O convite aos calouros é realizado por cartas individualizadas. Após a reunião, os veteranos do curso auxiliam os calouros individualmente, tirando dúvidas e ajudando na execução da matrícula.

Objetivos: Visto que o novo estudante geralmente desconhece os processo de matricula, o currículo e possibilidades de atuação, essa atividade tenta informar e esclarecer dúvidas comuns à matrícula, ao curso de Pedagogia, às instâncias da faculdade e da universidade, aos serviços que oferecem; além da reflexão sobre o sentido de estudar numa universidade pública.

Recursos: Materiais informativos

Duração: 3 horas

 

Etapa 3: Semana de Recepção aos calouros

            Ocorre na primeira semana de aula, no espaço das disciplinas voltadas para os calouros nos três turnos.

Professor carrasco

Dinâmica Empregada: Consiste em uma encenação onde um estudante, se passando por professor, teria postura de um “carrasco”, ditando regras e tomando atitudes autoritárias. Num segundo momento, após um possível impacto, essa encenação se transformaria em uma discussão em torno da postura dos agentes sociais dentro desse e outros contextos acadêmico.

Objetivo: Descontrair o espaço, assim como introduzir questões político-acadêmicas referente a passividade dos estudantes, e da postura do professor, principalmente em uma faculdade de educação onde a metalinguagem é constante.

Recurso: Estudante-ator.

Duração: 3 horas

Passeio pelo campus (tour)

Dinâmica Empregada: Os veteranos-guias levam o grupo de calouros para conhecer pontos importante na universidade.

Objetivo: Situar o calouro dentro do campus, mostrando locais (DCE, Reitoria, Biblioteca, Restaurante Universitário e demais faculdades), sua história, suas funções e possíveis problemas, realizando uma análise crítica sobre a forma de funcionamento da universidade.

Recursos: Recomenda-se o uso de calçados para caminhada, garrafa d’água. À noite usa-se tochas ou lanternas.

Duração: 4 horas.

Atividade Artística

Dinâmica Empregada: Os veteranos apresentam uma atividade artística, com músicas e poesias para os calouros, com temas ligados à sentimentos e política.

Objetivo: Trazer a tona que todos somos seres com sentimentos múltiplos, que não se contrapõem a razão, e nos completamos ao demonstrar as emoções comuns nessa nova fase da vida. A atividade também contrapõe a visão de outros trotes  uma vez que não é o calouro que se expõe, mas sim o veterano, sendo essa exposição sempre uma vontade da pessoa, e nunca uma obrigação e consequência de coação.  

Recursos: Violão, poesias impressas, equipamento de projeção de imagens e frases

Duração: 4 horas

Cine-debate

Dinâmica Empregada: São exibidos filmes que geram discussões sobre diversos assuntos, ligados à história da UnB, Brasília, Movimento Estudantil ou Educação. Sugerimos os seguintes filmes: “Barra 68”, “Sociedade dos poetas mortos”, “Pro dia nascer feliz”, “Verônica”, “Conterrâneos velhos de guerra”, “O Sorriso de Monalisa”. Lembrando que os assuntos discutidos após o filme podem surgir dos próprios calouros sem estarem estabelecidos previamente.

Objetivo: Inserir o calouro em um ambiente de reflexão, onde ele possa ser sujeito crítico e reflexivo, reafirmando o poder de fala de todos.

Recurso: Televisão ou telão com retroprojetor, aparelho de DVD e filme.

Duração: 4 horas.

Corrida das Fotos

Dinâmica Empregada: A turma é dividida em grupos de aproximadamente 6 calouros e 1 ou 2 veteranos-instrutores. Cada grupo recebe uma foto de um local da Faculdade de Educação, achando o local da foto, procura-se um envelope com outra foto. Para abri-lo precisa-se fazer uma dinâmica e só após ela o grupo prossegue para o próximo local da foto. Isso ocorre até todos os grupos chegarem à última foto, que é um local comum a todos os grupos e onde é realizada uma dinâmica coletiva e avaliação da atividade.

Objetivos: O objetivo dessa atividade é inserir o calouro na realidade da Faculdade, mostrando os lugares físicos como o centro acadêmico, a direção, secretarias, salas de projetos de pesquisa e de extensão, laboratórios, entre outros. Promove também o entrosamento do grupo, descoberta de afinidades pessoais; incentiva a inserção em projetos de extensão e pesquisa e a reflexão sobre a inclusão e tolerância a partir das dinâmicas realizadas nos subgrupos.

Recursos: fotos de diferentes locais da Faculdade, instrutores com a relação das dinâmicas e materiais (papel, caneta, tiras de pano).

Duração: 4 horas.

Etapa 3: Continuidade

Projeto 1

A partir da necessidade de dar continuidade a Recepção aos Calouros, optou-se pela participação de veteranos num espaço já existente no curso de pedagogia da UnB: o Projeto 1. O espaço faz parte do currículo do curso e objetiva o reconhecimento da universidade e da profissão, tendo encontros semanais de 4h durante todo o semestre e sendo obrigatório aos calouros. O trabalho conjunto de veteranos e professores da disciplina, significou a possibilidade de reconhecimento de pontos de vista diferenciados sobre os temas tratados; a divulgação da idéia de que os estudantes, embora sem a formação específica, têm um conhecimento aprofundado sobre a universidade e seus espaços; e o estreitamento dos laços entre veteranos e calouros.  

 A Recepção aos Calouros como espaço natural da aprendizagem, do lúdico, do engajamento pela reforma do pensamento e da ética da solidariedade.

 A Recepção aos Calouros de Pedagogia da UnB nasceu a partir da necessidade concreta dos próprios estudantes de criar espaços de discussão e formação política dos estudantes que ingressavam no curso, tornando os temas e espaços mais familiares e qualificando as falas a partir do debate de idéias. Isso faz com que a motivação para a realização das atividades está na sua própria execução, tornando o espaço desejado pelos seus participantes.

Temas pouco tratados na universidade, e de importância ímpar na sociedade, tem seu espaço de aprofundamento, crítica, e ação na Recepção aos Calouros. Desses temas podemos citar o trote tradicional, uma vez que é inerente a ele um sistema de opressão, pois parte da hierarquização dos conhecimentos; a universidade pública, seu papel social, as políticas e filosofia que a regem e a responsabilização dos estudantes; e o papel de professor e estudante, no reconhecimento do ser humano  capaz da atuação nos espaços sociais.

O próprio espaço de vivenciar essas atividades também possibilita uma mudança de comportamento individual, coletivo e uma organização social através do coletivo. Possibilita a formação de grupos, de espaços de interação, preocupados em cuidar uns dos outros e do espaço em que se está e em possibilitar o crescimento individual.  

Por si só, essa prática é educativa, uma vez que possibilita o reconhecimento de espaços horizontais, reafirmando a idéia de que todos têm direito a voz e poder de decisão, independente do seu espaço na sociedade ou de serem calouros ou não, reafirmando o outro enquanto ser capaz e o diálogo. Prática essa fundamental ao trabalho de futuros professores, pois é essa relação que ele deverá manter no futuro, em seus espaços de atuação profissional.

 Avaliação

A avaliação de caracteriza por uma parte importante do projeto, pois possibilita  entender o erro como parte integrante da construção do conhecimento (MORIN, 2000). Essa reflexão dos acertos e erros é fundamental a partir do diálogo com os indivíduos das suas próprias percepções. É realizada ao final de cada atividade, onde todos os participantes e organizadores tem a oportunidade de se expressar de forma oral, escrita ou artística. Durante a avaliação, os objetivos d cada atividade são explicitados para que elas ganhem sentido. Essa discussão é rememorada e refeita ao inicio da realização da nova edição da Recepção aos Calouros, possibilitando pensar em novas maneiras de atuação.

 Bibliografia:

 BESSA, Dante Diniz. Homem, pensamento e cultura: abordgens filosófica e antropológica. Mimeo, 2005.

 FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17a ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.

 MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro; 2ª ed. São Paulo, Cortez; Brasília, UNESCO, 2000.

 VASCOLCELOS, Paulo Denisar. A violência no escárnio do trote tradicional:um estudo filosófico em antropologia cultural. Santa Maria, Universidade Federal de Santa Maria, 1993. 

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#forabolsonaro Fora Bolsonaro! Na internet e nas ruas por um Brasil sem preconceitos!

 

Brasília, 31 de março de 2011. 

“Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu.”

Jair Bolsonaro (PP-RJ), em resposta a pergunta da cantora Preta Gil no Programa CQC sobre o que faria se um filho seu se apaixonasse por uma negra.

 

Várias pessoas ficaram chocadas ao ver, no dia 28/03/2011, a entrevista do Deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) ao programa CQC (Custe o Que Custar), da Rede Bandeirantes. Há aspectos jurídico-políticos que merecem ser discutidos, como a natureza do comentário aliado à condição de parlamentar do réu – é assim que deve ser tratado. Um segundo objeto interessante para se analisar é a tentativa de amenização da declaração, após alertado por assessores e, num terceiro momento, o que fazer para tirar de cena não somente Bolsonaro, mas o seu pensamento conservador e sua prática imbecil de desrespeito a determinados seguimentos da sociedade.

Pra começo de conversa, no aspecto jurídico-político: sim, ele é racista (e isso é crime), homofóbico declarado (e isso não é crime, ainda, e ele é um dos principais parlamentares que quer enterrar o PLC 122/2006, que criminaliza a homofobia no país) e faz apologia à intolerância (que também não é crime, mas é repudiada institucionalmente desde a conferência de Durban na África do Sul, em 2001, e observada por governos de vários países). Não estou dizendo que ele tenha ser gay, comunista, que siga a ideologia A ou B, mas tais posturas são incompatíveis com a vida numa sociedade democrática em qualquer lugar no mundo. No caso de Bolsonaro, torna-se um agravante por sua condição como deputado, que tem obrigações não somente com seus eleitores, mas com toda uma sociedade que tem negros, gays, usuários de maconha e outros que repudia. Portanto, ser eleito não é ter carta branca (outra expressão racista) para se fazer o que quer e achar que é inimputável. O desrespeito é tamanho que, continuando sua saga, afirmou, depois do caso com Preta Gil, que tem imunidade para falar e para roubar.

 Porém, há um problema que antecede tudo isso, que é o papel do partido político institucionalizado (ou seja, que participa das eleições) na sociedade. Bolsonaro só consegue concorrer a alguma eleição e ganhar não porque votam nele – consequência – mas porque antes disso, em algum momento, um partido permitiu a sua inscrição, filiação, bancou a campanha e não se sente incomodado de ver um parlamentar de sua sigla lançar comentários criminosos (como o racismo) e intolerantes (como a homofobia) em rede nacional. Portanto, também o PP (Partido Progressista) não pode ser negligente nesse debate, a menos que queira mudar seu nome para Partido Preconceituoso.

Após alertado por assessores, Bolsonaro voltou atrás e disse que não compreendeu a pergunta perfeitamente. Pior: disse que havia entendido que Preta Gil tinha perguntado sobre o que faria se o filho se apaixonasse por um gay, e não por uma negra. Ora colegas, esse argumento não procede por dois motivos. Primeiro porque negra e gay são palavras que sequer rimam, o que não daria margem para Bolsonaro confundir algum som. Relembrando Mamonas Assassinas: “o meu nome é Djair, facinho de confundir com João do Caminhão”. Sinceramente não dá! Vamos então para o segundo e mais crítico argumento, o de que mesmo que admitíssemos que Jair Bolsonaro confundiu a pergunta e acreditássemos nisso, que aí sim não há problema algum. Fazendo outra analogia, é o mesmo que justificar que se bateu numa empregada doméstica achando que era prostituta, ou que se queimou um índio dormindo numa parada de ônibus porque se pensou que ele era mendigo. Na verdade, o que Bolsonaro teme é ser condenado por racismo, esse sim crime inafiançável e imprescritível. Daí sua intenção em desviar o foco para a questão dos gays, que infelizmente ainda não gozam desse mesmo dispositivo constitucional como os negros.

Essa jogada medíocre de Bolsonaro para ser enquadrado como intolerante e não como racista permite que continue a emitir seus comentários infames contra os gays, como se esse país não fosse livre, como se os impostos do público LGBT que paga o seu salário para vomitar seus preconceitos fosse moeda menor que o dinheiro dos heterossexuais. Às vésperas de se completar 47 anos do Golpes de 1968, Bolsonaro replica uma imagem estereotipada que muitos militares brasileiros querem apagar de sua história, que é a do sujeito turrão, imbecil, incompetente, relutante a qualquer mudança que vise a democracia e capaz de matar o próprio povo para se manter no poder.

Não é a primeira vez que Bolsonaro destila seu veneno, mas pode ser a última. Em oportunidade anterior, chegou a dizer que iria esbofetear a então deputada Maria do Rosário (PT-RS), hoje Secretária de Estado dos Direitos Humanos. Chegou a empurrá-la e chamá-la de vagabunda, dizendo que nem para ser estuprada serve. Caso o poder público e a sociedade organizada se omitam, mais uma vez estará se dizendo que não existe penalidade para o fundamentalismo no Brasil e, assim, outros germes de Bolsonaros se encorajarão para fazer o mesmo ou ate pior.

Por isso, é primordial uma campanha nacional, na internet e nas ruas, pela saída de Bolsonaro. Com certeza qualquer pessoa concorda que ele é só um sintoma do preconceito em nossa sociedade, e que é preciso atacar a doença na sua raiz e não somente com medidas paliativas, que seria a cassação de Bolsonaro. De fato, cassar Bolsonaro não resolve o problema, mas ajuda muito. Didaticamente falando, a luta pela cassação de Bolsonaro carrega, ela mesma, um processo pedagógico de emancipação, onde as pessoas perceberão que existe um mundo bem melhor livre de racismo, de preconceitos, de Bolsonaro, onde não é necessário pedir a sua cassação porque sequer ele existe, pois não há um PP para filiá-lo e quiçá eleitores que concordem com a intolerância para elegê-lo. Façamos um chamado, então, a todos os brasileiros e brasileiras, ao movimento LGBT, ao movimento negro, ao movimento estudantil, às igrejas, às escolas, às empresas, partidos políticos, universidades, a todas organizações para que figuras como Bolsonaro e sua ideologia estúpida sumam do mapa do Sistema Solar. Resumindo, façamos de nossa vida, em nossa casa e em nosso trabalho, um ambiente de Preta Gil!

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Miss Vicente Pires 2011 ou Mister Dirsomar Kadafi século XXI?

na foto, Dirsomar entrega flores para Barbara Ferreira da Silva (primeiro plano), terceira colocada no dia 26/02/2011,  que após recontagem dos votos ficou em primeiro lugar, a frente da candidata Laiane Araújo (segundo plano), que havia vencido o “primeiro turno”.

 Imagem original e reportagem:

http://noticiasdefato.wordpress.com/2011/03/12/confusao-na-escolha-da-miss-vicente-pires/

 Brasília, 18 de Março de 2011.

 

Bem, se fosse para definir o Miss Vicente Pires 2011 em uma só palavra, ela seria: 

POLITICAGEM

Vamos entender o processo…

O Miss Vicente Pires 2011 foi realizado dia 26/02/2011, sábado. Pergunta-se: por quê foi organizado em cima da hora, em cerca de 2 semanas? Simples, porque já estava marcada a eleição da ARVIPS para dia 27/02/2011, domingo, portanto um dia depois. Assim, o Miss Vicente Pires foi uma forma de chamar os moradores para votar na nova gestão da ARVIPS e dar um mínimo de credibilidade para uma associação que hoje em dia não passa de uma secretaria do PT em nossa comunidade, utilizando para isso o Dirsomar Chaves.

Ora, não foi enviado nenhum e-mail com o estatuto da ARVIPS e as formas de se montar uma chapa para concorrer à associação – e de antemão digo que não tenho interesse algum. O que reivindico é democracia. O fato de não divulgar como se dá o processo de disputa da ARVIPS teve uma intencionalidade: reeleger Dirsomar por mais 4 anos como presidente da ARVIPS num processo em que não se dá espaço para que os moradores sejam votados, apenas para que votem, ou seja, na eleição de 2014 teremos a ARVIPS como uma espécie de comitê de campanha de Dirsomar, que já usa o site da ARVIPS para divulgar seu blog pessoal, dentre outras coisas. O Miss Vicente Pires 2011 não foi nada menos que uma forma de enganar as jovens, colocando-as como se estivesse fazendo parte de um concurso, para fazer propaganda pra eleição da ARVIPS e outros oportunistas de plantão.

Para quem duvida disso, vamos aos fatos:

O concurso teve 12 candidatas inscritas, um número baixo para uma comunidade de 70.000 habitantes. De juízes, foram 9 (isso mesmo, 9), muitos deles sem nenhum envolvimento com Vicente Pires ou sequer com moda. Um dos que patrocinaram o evento, como o candidato a deputado distrital em 2010 pelo PSL, Alberto Meireles, ganhou cadeira de juiz e o nome de sua empresa anunciado de 5 em 5 minutos, enquanto as jovens assistiam em pé a politicagem.

Outro juiz do concurso foi um diretor da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Pensemos: o que um burocrata engomadinho da ANTT entende de Vicente Pires ou de moda para ser juiz do Miss Vicente Pires 2011? Isso é só uma prova de como o evento tornou-se um palanque político para oportunistas. Mas a lambança não parou por aí. Com a palavra, Celeste Liporoni, a Administradora de Vicente Pires:

“Nossa, estou impressionada, eu não imaginava que Vicente Pires tinha meninas tão lindas assim! vai ser difícil a escolha”

E pra quem achou graça ou raiva desse tipo de comentário desrespeitoso da Administradora de Vicente Pires com nossas jovens, qual não foi a surpresa quando ela disse que chamaria um dos juízes para subir ao palco e fazer um pronunciamento, mas iria escolher o juiz mais bonito. Bem, pela opinião das meninas que ali estavam e que arriscavam alguns gritos de “lindo”, quem deveria subir ao palco era um juiz que é modelo e cantor de sertanejo em São Paulo, mas a administradora Celeste achou por bem que esse negócio de beleza é algo socialmente construído e resolveu escolher talvez o que tivesse o pior fenótipo entre os presentes: o diretor da ANTT. Só podia ser armado! Ele já agradeceu aos presentes e não se constrangeu nem um pouco diante da risada do público, enquanto fazia a sua politicagem falando de tudo, menos de miss e de Vicente Pires. É mais um rostinho conhecido na eleição de 2014. Se tivéssemos num concurso de miss, jamais um diretor da ANTT teria subido ao palco, mas como o evento foi uma chamada providencial pra eleição da ARVIPS e para os candidatos a deputado distrital de 2014, então foi tudo dentro do planejado.

O início do concurso estava marcado para 19h00, mas só às 21h00 vimos as jovens entrarem pra desfilar. Os 3 quesitos em que as jovens foram julgadas foram: desfile, beleza e simpatia. O que não entendi é como que julgaram simpatia, se não foram feitas perguntas para as jovens, perguntas essas que não faltaram aos politiqueiros.

Como que se julga se uma candidata é simpática somente pelo seu desfile e beleza? Aliás, esse é um erro gravíssimo, pois na disputa da Miss DF essa é uma etapa em que a Miss Vicente Pires vai ter que passar, e poderia já estar mais preparada para tal. Se o tempo destinado aos oportunistas fosse dado a quem de fato pertence o concurso, às candidatas a Miss Vicente Pires, teríamos um concurso bem mais sério e pautado por questões técnicas, mas faltou profissionalismo justamente para atender aos interesses de promoção pessoal e política de Dirsomar e outros.

O mais revoltante é que a ARVIPS não dá nenhum tipo de explicação para a população de Vicente Pires. Em seu site só há mais do mesmo: propaganda do Dirsomar e da eleição fantasma pra ARVIPS, eleição de 4 anos, de fachada, só pra garantir o mesmo grupo na associação de moradores e fazer campanha pra reeleição de Agnelo ou para outro que o PT indicar.

A apresentadora do Miss Vicente Pires, Sabrina, moradora da comunidade, até tentou contornar alguns problemas, mas sempre esbarrou nos limites de um concurso que em nada se assemelhava a uma seletiva de Miss. As candidatas esperaram muito tempo, em pé, a contagem dos votos, até que perceberam que iria demorar e pediram pra que se retirassem pra trás do palco. Aliás, um dia após o concurso e, portanto, de contabilizados os votos, a ARVIPS pronuncia-se, de forma não oficial, que o programa utilizado para fazer a contagem dos votos errou! Como assim errou? Talvez se não tivessem 9 juízes, tendo que dar 3 notas cada um a 12 candidatas (o que dá 324 notas para somar) o resultado sairia mais cedo, mas a politicagem de Dirsomar fez questão de atrapalhar tudo.

Outra coisa: se o computador teve problema, porque só foram alteradas as notas das 3 primeiras colocadas? Quem disse que a última não foi a primeira? Pra ter transparência, uma cópia das fichas assinadas pelos juízes com as notas de cada candidata tem que estar disponíveis, pelo menos, para as próprias candidatas. Vai haver um pedido de desculpas formal da ARVIPS publicada no site ou vão abafar tudo?

Finalizando, fica a lição para que em 2012 haja mais profissionalismo por parte da ARVIPS, e que os critérios para a escolha de juízes não sejam de ordem econômica, de patrocínio, ou fisiologista, de proximidade com o GDF. Não se interrompe um concurso de Miss para ficar falando o nome de patrocinadores. Não se interrompe concurso de Miss para falar da importância que é ter fulano ou ciclano conosco. Não se interrompe concurso de Miss para se dizer que a eleição da ARVIPS vai ser amanhã!

Nenhuma jovem vai gostar de chamar sua família para vê-la num concurso de Miss e, ao chegar, perceber que montaram um circo para promoção de políticos utilizando sua imagem. Ainda mais políticos como Dirsomar Chaves, que poderia ser chamado, pela sua “eterna disposição de ajudar Vicente Pires”, de Dirsomar Kadafi, uma adaptação do ditador da Líbia que não sai do poder.

Faço votos de que no Miss Vicente Pires 2012 quem apareça sejam as candidatas e que os oportunistas deixem para falar suas asneiras e atrapalhar o sábado à noite das famílias de Vicente Pires somente em 2014, ou nem isso.

 

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