Quando a demagogia de Cristovam Buarque é a mesma dos revolucionários

Coordenando a Mesa “Políticas Públicas para a Educação Básica” no XXX ENEPe (Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia), na Universidade de Brasília. O Senador Cristovam Buarque, a relatora Fernanda Nascimento e a Professora Denise Botelho (FE/UnB). Faculdade de Educação, Auditório Dois Candangos, 20/07/2010.

– Professor Cristovam, o senhor matricularia seu filho numa escola pública, sendo ou não obrigado a isso?

– Não, mas isso não invalida meu projeto. Felizmente meus filhos e netos já estudaram e o meu projeto não é para que todas as pessoas matriculem seus filhos em escolas públicas. É, sim, para aqueles que são parlamentares, justamente para que cuidem melhor de nossa educação, mas se não quiser matricular, tudo bem, basta deixar de ser parlamentar.

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A passagem acima ocorreu durante o XXX ENEPe (Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia), na Universidade de Brasília, em 2010, quando uma estudante do Rio de Janeiro indagou o senador. Até então, Cristovam Buarque jamais havia sido questionado, publicamente, sem a intervenção típica da mídia burguesa, na qual muitos programas da TV Senado e TV Câmara se incluem, sobre o Projeto de Lei 480/2007, que obriga agentes públicos a matricularem dependentes em escolas públicas. Certo é que com essa resposta Cristovam deixou muita gente frustrada, que pensava que ele de fato defendia a escola pública. Ora, ao invés de se pautar no populismo, basta perguntar a qualquer professor do Distrito Federal que tenha dado aula de 1995 a 1999, durante o governo do ex-reitor no GDF, ainda no PT, o desastre que ele foi para a educação na cidade. Hoje sua retórica pode enganar os que o acompanham de longe, nos discursos em plenário, mas somente um professor do DF sabe o que foi enfrentar três meses de greve e ter professor que saiu desmoralizado do SINPRO (Sindicato dos Professores do DF) porque era pago para defender o governador no sindicato.

Já presenciei o debate desse Projeto de Lei do Cristovam com vários colegas da militância de esquerda. É só falar na palavra educação que parece que já vem na cabeça uma cartilha comunista e aí qualquer frase formulada tem que ter a palavra PROUNI, REUNI, FIES, universidade e por aí vai. Essa situação é anacrônica! Ora, os filhos de políticos ou estudam no Brasil em universidades públicas ou estão em universidades dos EUA ou Europa. Os que estão fora do país é mais pelo fato do pai ser um político mais destacado, líder de bancada ou de uma prefeitura de capital. Os filhos de trabalhadores deixam de entrar numa universidade pública porque não não há vagas para todos e não porque estão fora do país estudando. E deixam de entrar, mais ainda, porque não terminam o Ensino Médio. Logo, discutir o projeto de Cristovam só faz sentido se deixarmos a inocência de achar que a universidade é o epicentro da revolução socialista e começarmos a pensar na Educação Básica, na escola. É a escola o centro do debate desse projeto de lei e não a universidade. Fosse a universidade, faria sentido fazer uma cota para brancos nas IFES, uma vez que os negros representariam a maioria dos estudantes, quando sabemos que é o contrário. É desconhecimento ou má fé discutir esse projeto de Cristovam sob a ótica da Educação Superior.

Confesso que é difícil travar esse debate com companheiros da esquerda, o que é triste. Quando fui apoiador do DCE da UnB, na gestão AME (Autonomia no Movimento dos Estudantes), em 2004/2005, já fazia o debate de que educação não é somente no nível superior. Em nov/2007, no contexto das ocupações de reitoria e luta contra o REUNI, a esquerda retomou o DCE da UnB das mãos da UJS (União da Juventude do Sarney, juventude do PC do B) e aproveitei para criar uma coordenação simbólica (que não consta no Estatuto do DCE) a qual chamei de Coordenação de Educação Básica. Na época, participei de muitas assembleias dos professores do DF, mobilizações de grêmios estudantis e outros protestos contra os projetos nefastos de José Valente, Secretário de Educação de José Roberto Arruda, o chefe do Mensalão do Democratas no DF. Também como Coordenador de Comunicação da ExNEPe (Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia), em2007/2008, fazia o mesmo trabalho de discutir a Educação Básica que, aliás, foi a pauta que convenci os colegas da UnB a trazer como tema para o ENEPe da UnB anos mais tarde. É triste dizer que se pegarmos os planos de luta dos encontros da Pedagogia, que é um documento votado na plenária final pelos estudantes, encontraremos várias bandeiras de luta relacionadas à Educação Superior e pouquíssimas à Educação Básica, ao problema das escolas, das condições de trabalho do professor, da luta salarial, bem pior, com todo o respeito, do que as alardeadas pelo ANDES aos docentes universitários. Em 2007, no ENEPe de São Luís/MA, e em 2008, no ENEPe de Vitória/ES, apresentei trabalhos que tinham como tema a ausência do movimento estudantil, principalmente o de pedagogia, da discussão sobre financiamento da Educação Básica. Do PDE aprovado por Decreto em abr/2007, o REUNI era um dos diversos ataques à educação, mas só se discutia REUNI no movimento estudantil. Além de estudante da UnB, trabalhei nove anos como técnico-administrativo na universidade, acompanhando de que forma o SINTFUB (Sindicato dos Técnicos-Administrativos da UnB) pautava a Educação Superior e, pra variar, sua falta de articulação com o SINPRO, ainda que o fato de serem sindicatos cutistas os aproximassem. Nessa época de militância estudantil e servidor da UnB, enquanto DCE da UnB e membro da ExNEPe, eu tentava dar, ainda que de forma um pouco confusa, com erros e acertos, uma outra cara ao Movimento Estudantil, que não fosse apenas a luta centrada na Educação Superior.

Passados anos que não milito mais como estudante me deparo com o mesmo elitismo, tanto de militantes estudantis como de militantes sindicais ou do campo, que acham que educação é a má gestão de verba de pesquisas que não ajudam o país em nada. Má gestão da educação é, antes de tudo, não qualificar e pagar melhor professores da Educação Básica e investir em estrutura das escolas. Se isso fosse feito, teríamos muito mais jovens que, egressos do Ensino Médio, sem oportunidade de emprego, iriam engrossar a fila dos que lutam por mais vagas em universidades públicas. Não vou ser desonesto de dizer que meus colegas de militância continuam de olhos vedados falando somente de universidade porque são elitistas, mas a sua bandeira, ainda que não percebam, é sim elitista porque só falam de universidade, e nisso eles fazem coro com a direita. Há milhões de brasileiros analfabetos, que não tem o que comer, e aí quem se diz revolucionário foca seu tempo de rua e Facebook em atacar somente o PROUNI. O PROUNI é ruim? Não, é péssimo, mas ainda que não existisse esse repasse à iniciativa privada e todo o dinheiro fosse investido nas universidades públicas, a educação continuaria de má qualidade. Vejam bem, agora sou eu quem faz a associação de educação como sendo algo de base, o que eu acho que de fato é, e é tão ruim, mesmo em escolas particulares, que os que se tornam militantes da esquerda são incapazes de olhar para um escola e reconhecer que ali há um potencial muito maior de pessoas questionarem o Estado Burguês do que dentro das universidades. Isso significa que a galera aprendeu muito bem a fórmula de Bhaskara para passar no vestibular, mas a consciência crítica trabalhada nas escolas públicas e particulares ainda é um ponto que preocupa.

Falando em escolas privadas, há colegas socialistas que acham que elas devem terminar. Bobagem! Não é necessário acabar com a iniciativa privada, mas é fato que ela existe porque muitos estudantes que gostariam de se formar em uma universidade pública não podem porque não há vagas para todos. Existindo o acesso universal, com políticas de permanência, não há problema algum existir a iniciativa privada, não por falta de escolha do estudante, mas justamente pelo contrário, pela escolha deste. Temos de deixar o sectarismo de lado e assumir que as pessoas tem o direito de fazer as suas escolhas. O Estado pode lhe oferecer uma educação de qualidade e o cidadão deve ter a opção de renunciar à oferta. E continuarão as universidades católicas, confessionais, e as que almejam lucro. Se querem lucrar com os cidadãos que desejam pagar por educação, qualquer partido político, movimento ou indivíduo pode se opor e terá sua opinião respeitada, mas o Estado deve agir de forma legítima garantindo o direito do cidadão de matrícula onde lhe aprouver. Uma vez que as condições para a educação pública, gratuita, laica e de qualidade estão sendo oferecidas pelo Estado, a escola privada deixa de ter a importância que tem hoje e passa a ser mera oportunidade a mais para a população. O cidadão deve ter a liberdade de poder estudar numa universidade budista – que seria privada mas sem fins lucrativos – ou na Mackenzie – privada com fins lucrativos – se assim desejar. Vetar esse tipo de escolha é uma atitude stalinista. O mesmo ocorre com as escolas da Educação Básica! Uma mãe pode querer que o filho estude em escola evangélica, ainda que tenha uma excelente escola pública que, por força de lei, por ser estabelecimento oficinal, é laica. Nenhum partido de esquerda que defende a liberdade deve impedir isso. Devemos ser pela escola pública e contra a educação privada financiada pelo Estado. Não há problema em lucrar, desde que o lucro não venha de isenção de impostos, porque aí é fazer o cidadão pagar duas vezes pelo mesmo serviço. Agindo nesse sentido, a educação privada não teria razão de existir, senão pela opção de quem não quer o filho numa escola pública seja pelo motivo que for, e isso já reduziria a iniciativa privada à um número irrisório de instituições.

Vou contextualizar um pouco da relação da Educação Básica com a Educação Superior no DF para vermos o quanto a esquerda está longe de se apropriar do debate da educação e de que forma Universidade de Brasília e escolas são inversamente proporcionais.

Sou professor do 4º Ano numa escola da Ceilândia, no DF, uma região com cerca de meio milhão de habitantes, com um déficit habitacional que cresce exponencialmente, problemas sérios de mobilidade urbana, falta de urbanização, dificuldades de acesso às políticas sociais e onde se encontra a maior favela da América Latina, o Sol Nascente. Quero frisar que quando lerem as informações contidas abaixo, falo desse contexto. A chegada da UnB na Ceilândia, em 2008, trouxe tantos benefícios aos moradores da cidade quanto a Copa da Corrupção trouxe aos moradores do Morro da Previdência no Rio de Janeiro. O projeto original da UnB na Ceilândia foi discutido pelo MOPUC (Movimento Pró-Universidade Pública da Ceilândia), com moradores independentes, representantes do CEPAFRE (Centro de Educação Paulo Freire da Ceilândia) e não tem nada a ver com o campus de saúde que a instituição construiu na região. Participei de reunião do MOPUC e outros movimentos sociais da Ceilândia com o então Decano de Graduação Prof. Murilo Camargo e Decana de Extensão Profa. Leila Chalub, em abr/2006, na Reitoria da UnB, quando fiz a disciplina Organização da Educação do DF com o Prof. João Monlevade (Consultor de Educação do Senado Federal). Digo abertamente que esses movimentos foram ignorados e enganados pela administração da universidade. Da relação que a UnB teria com as escolas da Ceilândia no projeto do MOPUC o que mais se “aproxima” foi ocupar salas do Centro de Ensino Médio 4 da Ceilândia Sul e deixar os estudantes se virarem – inclusive os graduandos – para assistirem aula em um espaço improvisado por anos. Não vimos improvisação no Estádio Mané Garrincha, o mais caro do mundo. Praticamente abandonaram as licenciaturas, que era um pedido da comunidade local no projeto original. A história dos campi da UnB no Gama e em Planaltina não são diferentes: para ampliar a UnB para fora do Plano Piloto, maquiava-se uma imagem de que a instituição estaria cumprindo o seu papel social e dessa forma se arrefecia a luta para que o GDF iniciasse a construção da Universidade Distrital. Esse é um pequeno exemplo de como a Educação Superior sufoca a Educação Básica e é triste saber que a esquerda participa dessa canalhice!

A universidade é um espaço de destaque e por isso um evento que nela ocorre é rapidamente noticiado na mídia. Porém, ao mesmo tempo em que se organiza um grupo anti-capitalista, até em discussões na perspectiva de gênero ou étnico-racial, muitos outros se constroem para frear o avanço dessas questões. Daí imbecis como William Waack, Reinaldo de Azevedo e Olavo de Carvalho acharem que universidades públicas são espaços dominados pela esquerda. Coitados! Se vissem ao menos uma reunião da ANDIFES (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) perceberiam que Davos ficaria envergonhada de como o liberalismo corre solto na veia dos reitores. Analogamente, focar nossas forças em greves de docentes universitários, que também são importantes, vale dizer, é esperar um resultado parecido com o de supervisores de uma fábrica de braços cruzados. De outro lado, uma greve nacional dos professores da Educação Básica (sonhar não custa nada!), que são o chão da fábrica, ou mesmo uma greve estadual ou em um município de mais de 200 mil habitantes, tem um impacto direto sobre o Poder Executivo. Resta saber se os docentes universitários vão apoiar essa bandeira ou se já estão mandando rodar o material de sua próxima greve que, como sempre, é a questão salarial e mais nada. Paridade real nas eleições para reitor e em conselhos universitários eles não querem porque dizem que fere a lei que regulamenta o processo de escolha de dirigentes universitários, mas quando a lei diz que deve haver cotas no vestibular, eles dizem que fere a autonomia universitária. Vai entender!

Assim, o que quis mostrar aqui é que a esquerda não inova em nada ao optar por fazer seu discurso de defesa da educação no nível superior. É algo tão automático que esquece que a maioria dos brasileiros que começa a estudar sequer irá concluir o Ensino Fundamental. Bem, se eles não concluem o Ensino Fundamental, do quê adianta acesso universal na universidade pública? Talvez adiante de votos para populistas como Cristovam Buarque. Aliás, fica claro nesse quesito que Cristovam Buarque e a esquerda falam a mesma língua. Obviamente que a esquerda tem uma preocupação com a melhoria da educação no país, mas insiste em optar pelo lado errado, em potencializar sua luta por melhoria num espaço que é reduto da burguesia e portanto o local que mais se conspira contra a revolução: a universidade. Sempre foi assim em toda a história da humanidade. Porém, Cristovam tem uma vantagem sobre os revolucionários: ele ao menos fala em escola. Foi um péssimo governador e os professores do DF sabem disso, mas mesmo de forma oportunista, ainda fala de escola. Longe de mim querer o mal menor. Fosse isso estaria filiado ao PT, mas é inegável que a esquerda tem que evoluir para se relembrar que temos mais de 10 anos de escolarização formal antes de pisar numa universidade. 

Para os que leram esse texto e sentem a necessidade de defender a educação, de defender as escolas, o façam de maneira séria. Se todas as escolas do Brasil tivessem recursos didáticos, os professores tivessem boa remuneração e formação continuada, as turmas tivessem menos alunos do que tem atualmente, a educação continuaria ruim. Isso porque o processo de ensino/aprendizagem exige muito mais do que as condições externas ao aluno. Não se aprende com qualidade mesmo numa ótima escola e com professores motivados se temos dor de dente (comum em crianças de escolas públicas), se enfrentamos horas de engarrafamento no trajeto de ida para a escola, se somos aliciados pelo tráfico de drogas na esquina de casa, se vemos a violência doméstica contra nossa mãe praticada diariamente pelo nosso pai ou padrasto, se somos explorados para vender balinha no sinal ou para o sexo com turistas que vem para a Copa. São todas manifestações da questão social que interferem diretamente no aprendizado das crianças e adolescentes.

Para dar um exemplo mais próximo: ninguém aprende handbol se não pode participar da atividade porque não tem tênis. Descobri esse tipo de situação em minha escola no dia 12/03/2014, o que deve ser mais comum do que imagino pelo fato de serem crianças pobres. Diante dessa situação, tenho duas alternativas. A primeira delas é esperar as condições ideiais de um governo socialista que vai pegar o nosso, repito, o nosso dinheiro de impostos, e gastar com a população, ao invés de fazer programas esdrúxulas de autopromoção, como é o caso do PT no DF. Para Cristovam ou para os revolucionários, essa é a opção ideal. A segunda opção é eu retirar do meu bolso e comprar um tênis para essa estudante, pois ela não pode continuar perdendo aula e, por eu desconfiar que até a próxima atividade de handbol não vai dar tempo de fazer a revolução socialista que alguns, inclusive eu, almejam. Há quem diga que isso é caridade, mas quem diz isso está tão preocupado dentro de uma universidade escrevendo artigos que levam do nada a lugar nenhum por não estarem inseridos em nenhuma luta social que sua própria história de militância pequeno-burguesa denuncia sua fragilidade de argumento.

Então colegas revolucionários, façam um favor para si e para as classes populares: não escrevam projetos para órgãos de fomento colocando Barbier e Freire em caixa alta, nas regras da ABNT, com o único intuito de captar recursos para ir três vezes numa comunidade durante o ano e depois fazer um relatório justificando que estão revolucionando a educação, postando foto nas redes sociais e fazendo banners para apresentar em encontros de pesquisa. É preciso mais do que isso para mudar a situação educacional do país. Chega de demagogia: já basta um Cristovam Buarque nesse país.

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Os desafios da esquerda na Copa da Corrupção

“O que acho mais curioso são os capitalistas que sempre reclamaram das greves dos professores, argumentando que atrapalha a aprendizagem dos alunos. Pois bem: temos um mês de calendário escolar interrompido por um saque aos cofres públicos travestido de Copa do Mundo e não estou vendo ninguém reclamar disso! Parar aula para melhoria salarial dos professores não pode, mas para bater palma para a corrupção, aí tá permitido?”

Em junho haverá paralisação institucional de vários setores, inclusive da educação, por conta da Copa do Mundo. Até mesmo em cidades que não serão sede de jogos as escolas vão parar por semanas e não somente nos dias das partidas. Das 27 unidades da federação, somente 12 terão jogos, nas capitais. Ainda, é no mínimo curioso que nessas cidades sede se proíba a circulação de ambulantes, algo saudável e que enriquece o ambiente dos jogos de futebol, fazendo parte da cultura do povo brasileiro e movimentando a economia informal. Ao invés disso, a afronta as leis do país, com áreas delimitadas pela FIFA em que só se pode comercializar os produtos superfaturados e sem graça de seus patrocinadores, uma verdadeira zona de exclusão criada pelo capitalismo e que elitiza a nossa paixão pelo futebol, fazendo do consumismo um esporte.

A Copa no Brasil só não é mais longe do que as que ocorrem em outros países porque sentimos o gás lacrimogêneo da polícia dentro de nossas casas, reprimindo quem protesta – pacificamente ou não – contra a corrupção e por uma gestão mais eficientes de nossos recursos. Qual a diferença entre o Brasil jogar no Maracanã ou em Tóquio, se os valores cobrados pelos ingressos são abusivos? O jogo continuará sendo assistido pela televisão.  O quê muda na vida das 15 unidades federativas que não terão jogos, ou mesmo nas cidades sedes, se a população mais pobre não terá dinheiro para ir ao estádio? Parte disso já começou a ocorrer em jogos do Campeonato Brasileiro 2013 e nos campeonatos estaduais de 2014, com baixíssima média de público nos estádios.

A FIFA, juntamente com o governo brasileiro e a mídia (sobretudo a Globo) querem enganar que haverá um espírito de Copa no Brasil, pois ganharão muito dinheiro com direitos de imagem ou capital político com a exposição de políticos “amigos da seleção”. Porém, o espírito que de fato tomou conta de nosso povo foi o de indignação contra a transformação do dinheiro público em um circo eleitoreiro e a maior oportunidade que a FIFA já teve de lucrar em um mundial.

O que acho mais curioso são os capitalistas que sempre reclamaram das greves dos professores, argumentando que atrapalha a aprendizagem dos alunos. Pois bem: temos um mês de calendário escolar interrompido por um saque aos cofres públicos travestido de Copa do Mundo e não estou vendo ninguém reclamar disso! Parar aula para melhoria salarial dos professores não pode, mas para bater palma para a corrupção, aí tá permitido? Parar uma escola por motivo de obras que comprometem a segurança dos alunos não é permitido porque isso significa criança em casa e menos votos, mas parar o país porque duas seleções estrangeiras vão jogar a mais de 1.000 quilômetros de sua casa, sendo que você não tem dinheiro sequer para assistir aos jogos na sua cidade, é encarado como algo positivo. Parar o trânsito por algumas horas para fazer um protesto exigindo concurso para profissionais da saúde não pode, mas causar engarrafamentos a perder de vista para fazer transportes futuristas que ligam aeroportos a hotéis, como se essa fosse a demanda de fluxo dos trabalhadores brasileiros, aí tudo bem.

No DF, por exemplo, temos o estádio mais caro do mundo na mesma região de escolas com falta de livro didático, sem contar o calote que o próprio governador deu em verba específica (PDAF) para direções de escolas pagarem pequenas reformas e comprarem material de ensino. Por parte do Governo do Distrito Federal, do partido da Presidenta da República, não há nenhum plano de enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes, concentrada na Rodoviária do Plano Piloto e Setor Comercial Sul. Essa exploração ocorre ao lado dos setores hoteleiros sul e norte, onde se concentrarão a maior parte dos turistas que virão aos jogos, dentre eles os pedófilos e traficantes internacionais de pessoas e órgãos. Outro dado importante: a exploração ocorre a 2 km de distância do Congresso Nacional e outros 2 km do Estádio Mané Garrincha, um fator que potencializa a atuação de criminosos com a ausência de políticas sociais. Talvez seja o DF a maior representação de que espírito da Copa não passa de um eufemismo para camuflar o jogo de poder entre empreiteiras, patrocinadores, governo e FIFA.

Entretanto, a Copa do Mundo mais cara já realizada também deixou algo bom, por mais que tenha cobrado o preço injusto do superfaturamento: a indignação do povo brasileiro manifestada não somente nas redes sociais, mas tomando o espaço público das ruas em todo país! O que era para ser uma vitrine para os investidores internacionais, afirmando que os trabalhadores brasileiros são dóceis e aceitam a flexibilização de direitos trabalhistas, transformou-se na dor de cabeça dos governistas e da oposição de direita. Compactuo com a avaliação do camarada Renato Roseno, do PSOL, que disse que nos cenários de revolta popular todo mundo apanha mas no final a direita cresce, com pautas como a redução da maioridade penal, e a esquerda cresce mais ainda, com a cobrança por direitos fundamentais.

Diante disso, a Frente de Esquerda (PCB, PSOL e PSTU) deve ser a alternativa não apenas nas urnas mas principalmente nas lutas, nas ruas, que é o espaço democrático de transformação da sociedade. Nosso programa político deve ser o programa de junho de 2013, ressalvadas as reivindicações da burguesia infiltrada que nunca saiu de casa e aproveitou da reivindicação dos trabalhadores para dar visibilidade ao seu egoísmo de sempre. Que a esquerda não jogue fora essa chance, sejam os inconsequentes que querem fazer chapa pura para rachar partidos e se projetar em seus domínios eleitorais, sejam os próprios militantes que devem se preparar para uma estrutura de guerra armada pelo PT para frear as lutas populares, como o empenho para a aprovação da lei contra o terrorismo que tem como pano de fundo o cerceamento a liberdade de expressão. A Frente de Esquerda juntamente com movimentos sociais como o MST, MTST, autonomistas e outros coletivos devem se unir taticamente para causar derrotas ainda maiores no flanco aberto pelos abusos da Copa da Corrupção e não deixar que esse evento se transforme no pão e circo que o PT quer.

Pelo nosso amor ao futebol, mas sobretudo por nosso amor ao povo brasileiro, das crianças que não tem o que comer aos idosos que morrem por falta de medicamentos na fila do SUS, que nos preparemos para a guerra de junho que se aproxima.

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Beijo gay é o que falta nas novelas da Globo

foto: http://migre.me/hFqgS

Primeiramente, se você é daquelas pessoas chatas que acha que novela da Globo é a raiz de todos os problemas do mundo, na boa, vai procurar outra coisa para fazer, mas não venha encher a paciência aqui ok? Também não sou chegado a novelas, nem sou gay, mas o assunto que vai ser tratado aqui independe se alguém viu a novela inteira ou algum capítulo, ou qual seja sua orientação sexual.

Indo para o assunto principal…

Assassinatos, rapto de crianças, facadas, cenas tórridas de sexo entre casais hetero. Junte tudo isso numa novela e dê um nome: Amor a Vida. Durante meses, milhões de pessoas acompanharam a trama da médica com sua filha, a trama da jovem que queria casar por interesse mas se arrependeu, a trama da jovem que queria casar por interesse e não se arrependeu, a trama da mulher que não conseguia engravidar e fugiu com a criança, a trama de um hospital que era um show de sensualidade, enfim, várias tramas que ora se complementam, se fundem ou se distanciam.

O personagem Felix (Matheus Solano), um gay que começou como vilão, conquistou a graça do público com seus jargões. No final da novela, Felix se transforma em outra pessoa devido ao contato com outro gay, Niko (Thiago Fragoso), que consegue dar ao vilão um outro sentido para a vida.

Há décadas assistimos na Globo cenas de estupro, de violência gratuita, ode ao consumismo, ridicularização dos comunistas, roubos, assaltos, coronelismo e neocoronelismo, tudo isso com muita traição e cenas de sexo entre casais hetero. Porém, o tão esperado beijo gay ainda não saiu de mera gravação nas novelas da Globo. O beijo entre mulheres já apareceu no Big Brother Brasil, mas não em novelas, devido a maior aceitação que tem principalmente por uma sociedade patriarcal, machista, em que o beijo lésbico é incentivado como forma de saciar a tara de homens sexistas e o beijo entre homens é visto como algo promíscuo e nojento.

Com Felix a Globo tem uma grande carta na manga: o personagem, mesmo quando vilão, ganhou o público com sua forma irreverente, sobretudo com suas afirmações do que teria feito de errado em outras encarnações quando lidava com alguma situação difícil, usando para isso passagens bíblicas mas sem atacar a filosofia judaico-cristã. Logo, talvez a Globo jamais tenha tido outro personagem com tanta força política para beijar sem ser condenado pela opinião pública. Adiante, Niko é outro que conquistou o carinho dos noveleiros devido à forma carinhosa como trata seu filho, o que muito pai hetero não faz.

É verdade que a maior aceitação de um beijo gay não viria pura e simplesmente da interpretação de um ator, por melhor que ela seja. Essa aceitação vem de muitas lutas que estão sendo travadas pelo público gay, das marchas, da atuação de parlamentares progressistas como Jean Willys (PSOL-RJ) e outros, da morte de muitos gays pelo simples fato de serem gays, que ganha os noticiários e as redes sociais, chocando a população. Triste é um beijo gay precisar de ter conjuntura para acontecer: ter um personagem que agrada ao público, um homossexual espancado ao sair de uma boite e jogado embaixo de um viaduto em São Paulo, com local do crime e consequências corrompido pela polícia, ou uma marcha para dar visibilidade aos travestis, com seu eterno problema de aceitação num mercado de trabalho patriarcal que zela pela “boa aparência”. Sonhamos com o dia em que para acontecer um beijo entre dois homens na novela basta que isso dependa da trama escrita pelo autor e não da aceitação do público ou do alto escalão da Globo.

Na novela já teve facada, disparo de arma de fogo, acidentes simulados contra uma secretária do lar, extorsão, sexo por interesse. Os gays estão por aí, andando de mãos dadas, nos parques, nos shoppings, nos bares e até nos filmes, sendo vistos por crianças, por idosos, mas infelizmente são invisibilizados naquilo que é um dos passatempos preferidos da população brasileira: a novela. Para que Amor a Vida tenha um final feliz, com muito amor, com amor a vida, e possa deixar uma boa impressão para o público, falta o principal: o amor. Sendo assim, o amor pode ser mostrado quebrando um paradigma preconceituoso e inaugurando uma nova fase nas novelas. Ei Globo, se é verdade que a gente se vê por aí, tá faltando o beijo gay na novela!

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Pra quê diabos serve Torcida Organizada?

Extra! Extra! Corintiano pego em briga no Mané Garrincha no jogo Vasco X Corinthians do dia 25/08/2013 é o mesmo que ficou preso por 5 meses em Oruro, na Bolívia, acusado de matar o garoto Kevin Espada, de 14 anos, com fogo de artifício.

Essa é uma manchete grande, mas infelizmente repetitiva. Leandro Silva de Oliveira parece não ter se intimidado com a justiça boliviana e menos ainda com a brasileira. Ele era um dos muitos corintianos que, juntamente com outros vascaínos arruaceiros, deveriam estar presos nesse momento, e não apenas em noticiários. Afinal: qual a função de uma Torcida Organizada? O quê elas organizam que não seja violência?

Sou vascaíno, amo o Vasco da Gama, mas jamais iria agredir um corintiano, flamenguista ou qualquer torcedor que fosse se ele passasse com a blusa de seu time por mim. Menos ainda se eu estivesse acompanhado de vários outros vascaínos. Que honra há em juntar dezenas de pessoas, armadas com paus e outros pedaços de cadeiras do estádio (superfaturados e construídos com dinheiro público) para bater em uma pessoa que torce para outro time? Se eu vejo um grupo de vascaínos espancando um flamenguista e vejo que posso socorrer o agredido sem descuidar de minha segurança, é certo que irei fazê-lo. E é certo que irei depor contra os vascaínos agressores, pois acima de minha identidade enquanto vascaíno está minha identidade enquanto ser humano. O Vasco da Gama, o Flamengo, o Corinthians, o Gama, o Brasiliense, o IBIS, o XV de Piracicaba e principalmente  nós, torcedores, somos muito maiores que esses marginais que mancham o nome de nossos times, de nossa paixão.

O maior risco que animais domésticos, como cães e gatos, podem oferecer, são as zoonoses. Porém, animais selvagens são mais agressivos e podem matar. Por que então a justiça deixa que animais selvagens se organizem em torno de Torcidas Organizadas e, mais que isso, quando os prendem, permitem que eles voltem a conviver com a sociedade? Acha a comparação absurda? Então diga um só ponto positivo que uma Torcida Organizada tem. O quê você faz na segunda-feira de manhã? Estuda? Trabalha? Procura emprego? Os membros de Torcida Organizada vão pro aeroporto apedrejar jogador, como se isso interferisse nos salários astronômicos que os jogadores recebem. Torcida Organziada age como máfia e se acha “reguladora” do mercado de futebol, como se fosse a voz do torcedor dentro do clube. Balela! Os torcedores podem se organizar de forma independente ou mesmo em conjunto sem o caráter de uma organização criminosa sempre disposta a agir de forma violenta antes de tudo. Você consegue assistir o resultado de um carnaval sem partir para vias de fato? Membros de Torcida Organizada intimidam os e rasgam o resultado, assim, na frente das câmeras, numa demonstração de poder pura e simplesmente imbecil.

O finado jogador Sócrates, que atuou pelo Corinthians e na Seleção Brasileira de 1982, considerava que as torcidas organizadas “daria a linha do nosso futuro”. O único futuro que pode haver com torcidas organizadas é de sangue, violência, morte, destruição. A verdade é que não precisamos de Torcida Organizada para absolutamente nada nesse país. O que mais me revolta é que quando temos militantes camponeses ou estudantes nas ruas lutando por direitos, protestando contra algum corrupto – e nesse país corrupção é mato -, a polícia age sem dó nem piedade. Porém, quando é contra esses marginais que causam um alvoroço nos estádios, correria para todos os lados, como se não houvesse crianças, idosos, ou mesmo os adultos que querem assistir ao jogo, a polícia é bem mais branda. Pura covardia!

Acho que existe ressocialização para muita coisa nesse mundo. O adolescente que mata pra roubar um tênis, o viciado em crack que assalta para fazer uso da droga, o jovem que rouba som de carro pra ter dinheiro pra sair, o pai de família que sequestra para dar de comer ou porque quer ter dinheiro pra gastar com farra, que seja. Com todos esses casos podemos dialogar, há uma razão – que podemos discordar, claro -, mas há a situação de vulnerabilidade, de exclusão, que não justifica mas explica a ação dessas pessoas. Porém, qual a motivação de espancar um torcedor de outro time? Ele torcer para outro time? Deveria torcer para o seu? É isso que tem que acabar, e não conseguimos ressocializar um animal selvagem, alguém que não pensa, que age instintivamente com o único intuito de se impor através da força.

Devemos matá-los? É certo que não, pois matar animais selvagens é crime ambiental. Porém, não podemos deixá-los soltos. Se você que lê esse texto achou a comparação muito forte, saiba que nem tudo está perdido para essas torcidas. Felizmente, esses animais selvagens desenvolveram o polegar opositor, o que lhes permite realizar uma série de tarefas complexas aos outros selvagens. Algumas delas: construir macas, carteira escolar, escolas, reformar centros de referência para idosos, construir ginásios poliesportivos. Essa seria uma das funções para esses brigões que não sabem se comportar em sociedade e, se você não tem a mínima possibilidade de viver com o diferente, com torcedor de outros times, certamente não está preparado para lidar com as contradições da sociedade capitalista, muito piores que as de cunho estritamente futebolístico. Vai ter gente que diz que as torcidas tem vários projetos sociais. Sabemos que todos eles poderiam existir independente de torcidas e, mais importante que isso, não se pode colocar as mazelas da população de escudo para os atos covardes de violência gratuita.

Nessa onda de protestos pelo país, um bom grupo que deveria surgir seria o Movimento Contra as Torcidas Organizadas, ou algo do gênero. Torcida se organiza quando o pai de família pode ir com o neto para o estádio sem levar spray de pimenta na cara, ou quando o casal de namorados que torcem para times diferentes podem adentrar a mesma área, ou quando eu, vascaíno, puder levar o Seu Ferreira, um botafoguense de 75 anos, ou a Dona Elisa, uma flamenguista de 77 anos, para assistirmos um jogo de futebol como pai, mãe e filho, sem termos que nos proteger das brigas desses bandidos travestidos de torcedores. Sócrates errou feio quando achou que as torcidas organizadas iriam evoluir para algo que não fosse o crime. Será que nós concordamos com Sócrates e estamos esperando que crocodilos aprendam a falar?

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Depois do Estádio Mané Garrincha, agora o PT quer superfaturar o Autódromo!

Nada é tão ruim que não possa piorar. A conhecida Lei de Murphy parece ser levada à sério pelo governador do DF, ONGnelo Queiroz, do PT. Após o superfaturamento do Estádio Mané Garrincha, orçado em 700 milhões (e custo de 1,5 bilhão de reais), o Autódromo é a bola da vez. A criatividade petista não tem limites e, por isso, agora vamos sediar o incrível Moto Grand Prix. Mas como é rico esse tal de Distrito Federal não é mesmo minha gente?Bem, para quem acha que não passa de picuinha, segue o link da matéria divulgada no próprio site do GDF:

http://www.df.gov.br/noticias/item/8347-aut%C3%B3dromo-internacional-de-bras%C3%ADlia-ser%C3%A1-reformado.html

Se segura aí gente que lá vem mais um banho de superfaturamento. Sorte de quem vende entulho, concreto e apoio à parlamentares canalhas que aprovam esse tipo de afronta. Acho que estou na profissão errada. O futuro do país é a infra-estrutura, é transformar o cerrado em shopping que chamamos de estádio, em shopping que chamaremos de autódromo, vetando a participação da população através de ingressos à preços astronômicos – mas se lotam os estádios, então que morram os pobres, é o que pensa o governo. Às vezes me perguntam porque eu continuo como professor? Pois é, prefiro ganhar mal e não ter condição de trabalho mas ser honesto do que me tornar um corrupto como os que estão no governo ou os pelegos cúmplices dos saques petistas aos cofres públicos. Não estou acreditando até agora nessa notícia. Peraí que vou ver se li certo…

… É, realmente é verdade. Vejam só:

“Brasília avançou bastante nas tratativas e estamos a um passo de ter a nossa capital e o Brasil sediando esse evento. Estamos muito otimistas com essa possibilidade de realizar a prova âncora que colocará Brasília no circuito dos grandes eventos”, destacou hoje o governador Agnelo Queiroz.

Poderíamos sediar alguma olimpíada internacional de matemática para ver se conseguiríamos entender as contas do governo ou por qual motivo as escolas não são reformadas. Ou jogos escolares internacionais pra ver se conseguimos ao menos quadras poliesportivas cobertas. Se bem que o Rio de Janeiro vai sediar as olimpíadas e as escolas não melhoraram, ao contrário, quiseram até demolir escolas pra construir estacionamento e MC Donald´s… Já não bastasse segurar Eike Batista, Delta e Odebrecht no colo, o GDF vai dar mais uma mãozinha para os empresários corruptos e entregar o Autódromo para que possamos sediar o Moto GP e outros “grandes eventos”. Então é isso: ao invés de termos um governador, temos um apresentador de “grandes eventos”, que transforma a cidade num imenso cardápio, uma contrapartida dada aos bandidos que financiaram mais de 80% de sua campanha. Vejamos só:

“A primeira fase das obras contemplará a modificação do traçado da pista e a troca da pavimentação e, em seguida, serão melhoradas as arquibancadas e outras instalações.” 

Ou seja, é outro Autódromo. como fizeram com o Estádio Mané Garrincha. Se duvidar ainda arrumam um túnel que vai levar o pessoal do Autódromo ao Centro de Convenções, só pra ver se chega em 1,5 bilhão de reais novamente e mostra ao mundo que o DF é um saco sem fundo para a corrupção.

Pois é, a coisa está feia mesmo. Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. O que restará do DF após a sede de poder do PT, PMDB e suas legendas de aluguel como o PC do B? Menos ainda do que sobrou dos governos José Roberto Arruda, Joaquim Domingues Roriz, Rogério Rosso e Cristovam Buarque. Se não conseguimos conter o ímpeto petista no caixa 2 via “mega eventos”, que acabemos com esses eventos internacionais antes que acabem com todo nosso dinheiro. Que não venham sediar Campeonato Internacional de Caiaque em Brasília. Coitado do Lago Paranoá, não iria aguentar a investida petista. Já foi duro ver parte de sua margem invadida pela quadra de tênis da casa de ONGnelo no Lago Sul.

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Aprender brincando: paródia de Matemática (Geometria)

O físico alemão Albert Einstein revolucionou a forma de se pensar a matemática e, por conseguinte, o mundo. Você o conhece? Já pesquisou sobre ele?

Na semana passada, quando estava dando aula de reforço de Matemática, me surgiu a ideia de fazer uma paródia que pudesse trazer a compreensão do assunto de forma lúdica. Como a estudante era jovem, com 15 anos, pensei que essa seria uma boa música, mas também podemos usar com crianças e outras idades, pelo fato da música ser bastante conhecida.

A paródia é baseada na música Vícios e Virtudes, do conjunto Charlie Brown Jr, uma das preferidas dos jovens.

Para baixar o arquivo da paródia, CLIQUE AQUI!

Vícios e Virtudes – Paródia

Charlie Brown Júnior 

Acompanhe a música original aqui:

http://letras.mus.br/charlie-brown-jr/751729/

Agora eu tirei cem

Aprendi Circunferência

Ângulo e Reta também

Agora eu tirei cem

Aprendi Circunferência

Ângulo e Reta também

90 graus é ângulo reto

Ângulo agudo é menor que isso aê

90 graus é ângulo reto

Ângulo obtuso é maior que isso aê

Se de um ponto já sai uma reta

Teremos semirreta bem aí

Se temos 2 pontos sobre uma reta

Segmento de reta tem aí

Retas Paralelas eu já sei

Elas ficam assim de lado e não se cruzam um segundo

Retas Concorrentes eu já sei

Tem um ponto em comum, olhe bem, não vá dar furo

Aprendeu, e agora o conteúdo está mastigado

E entre duas semirretas tem um ângulo invocado

Aprendeu, e agora o conteúdo está mastigado

E entre duas semirretas tem um ângulo invocado

_______________________

obs.: Pessoal, que tal agora um desafio? Para que essa paródia seja colaborativa, você pode fazer a segunda parte da música e colocar aqui nos comentários. Assim, poderei juntar com a primeira parte e teremos um trabalho integrado. Para os(as) professores ou outras pessoas que irão tentar fazer isso, um ótimo trabalho!

“A matemática pura é, à sua maneira, a poesia das ideias lógicas”.

Albert Einstein.

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Uma outra Educação a Distância é possível… e necessária!

Contribuição ao debate de formação profissional e educação a distância no XXXV ENESS (Encontro Nacional de Estudantes de Serviço Social). Cuiabá, UFMT, 16 jul. 2013.

Rafael Ayan

1.                  Primeiramente… o que é Educação a Distância?

Educação é um processo de formação bem mais amplo do que o ensino. Didaticamente e matematicamente falando, ensino está contido na educação mas educação não está contida no ensino. Portanto, educação remete à um olhar sobre a ontologia do(a) ser social, sua totalidade, o que não ocorre quando fazemos um recorte e falamos apenas em ensino. Acredito que é possível fazermos educação a distância, mais do que ensino, que é o que vemos nessas faculdades sem qualidade denunciadas pelo conjunto CFESS/CRESS. Nesse contexto, o uso das TICs na modalidade a distância deve ser um potencializador de seu aprendizado e não o seu fim.

2.                  Que porra é essa de TICs maluco?

TICs são Tecnologias da Informação e Comunicação. A Petrobras utilizou o rádio desde 1953 para formação continuada de funcionários(as). Na década de 1960, o mesmo aparelho foi utilizado pelo MEB (Movimento de Educação de Base) e Igreja Católica Apostólica Romana para alfabetização de jovens e adultos(as). Ainda nessa década, como afirma Belloni, a Rede Globo fez de Vila Sésamo (remake de Sesame Streetnos EUA) a primeira grande experiência pedagógica brasileira em meios de comunicação de massa. Programas como Telecurso 2000, Um Salto para o Futuro (RJ), TV Escola, Instituto Universal Brasileiro e outros utilizaram o telefone, fax, caixa postal como forma de contato entre os(as) Participantes. A UFMT foi a universidade que primeiramente teve uma graduação a distância, em 1996. Quais TICs utilizaram, se o computador não era um eletrodoméstico comum e menos ainda a internet, discada, ou a Web tinha tanta informação como tem atualmente? E como o Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), do qual participam apenas universidades públicas, utiliza as TICs? São algumas perguntas para começarmos a debater EaD. Giz, caneta, data show também são tecnologias. Há professores que utilizam a mesma apresentação em Power Point há anos, como utilizavam o retroprojetor. Se o pensamento de que a aula não deve mudar, nem mesmo para facilitar a compreensão, então a tecnologia não pode fazer muita coisa. Isso ocorre quando somos dominados, mesmo sem perceber, pela tecnologia, ao invés de dominá-la. Então, mesmo dominados, achamos ter autonomia sobre a tecnologia, o que não passa de autonomia operacional, como afirma Feenberg ao abordar a Filosofia da Tecnologia no livro Racionalização Democrática, Poder e Tecnologia.

3.                  Mas EaD não é mercantilização da educação?

Pode ser até pior do que isso, como pode ser melhor. Pode inclusive ser EaD pública: basta retirar-se da defensiva de apontar para os péssimos exemplos de faculdades particulares (como se os cursos presenciais delas também fossem bons) e apresentar o contraponto com um curso público! Há três leis do materialismo histórico dialético que devem ser observadas nesse debate: Lei da Unidade dos Contrários, Lei da Passagem da Qualidade à Quantidade (e vice-versa) e Lei da Contradição. Peguemos essa última lei para analisar a conjuntura de mercantilização da educação. Os dossiês da UNOPAR e UNITINS de que fala o CFESS são a contradição secundária desse processo, pois são somente reflexo de uma política de educação sem qualidade ofertada sem muita regulação pelo MEC, essa sim a contradição básica. O cerne do debate é a política global de EaD do governo federal, que está no poder desde o crescimento exponencial dos cursos a distância no início do século XXI. Nessa conjuntura está a atuação dos organismos internacionais por uma formação tecnicista para o mercado de trabalho, que precisa de mão-de-obra especializada para gerar mais lucros aos patrões. Então a EaD, via de regra, é como a modalidade presencial: mercantilizada! Podemos ter um curso com 2.000 estudantes na mesma turma, como pode ser uma turma de 50 estudantes por professor, como na UAB. Pode ter estágio sem acompanhamento, como pode ter estágio acompanhado pelo Professor Supervisor (o mesmo que dá aula na modalidade presencial) e Professor Tutor (mestrando ou doutorando com prática profissional). A forma de contratação nos Sistema UAB ainda é precarizada, por bolsas, e o trabalho na EaD não conta para estágio probatório nem como carga horária para os docentes que nela atuam. Outros problemas como número insuficiente de encontros presenciais ou o próprio tempo destes são questionados por docentes. Mas vejamos… mercantilização da educação não nasceu com a descoberta do computador e internet. Os ataques à universidade pública não datam de agora e pouco se fala em fechar cursos de graduação presencial ruins. Há cursos noturnos que não tem pesquisa, extensão e até o ensino é ruim, inclusive em universidades públicas, mas por serem presenciais a pressão para fecharem as portas não é tanta. Um peso e duas medidas?

4.                  Fala merda não, ôxi, tem que garantir é campus pra todo mundo estudar!

Depende. Garantir campus para a população estudar por que ELA quer ou por que VOCÊ do alto de seus conhecimentos adquiridos com os imortais acadêmicos acha que deva ser assim? A construção de um campus universitário gera movimentação de pessoas, serviços, mercadorias (portanto valores) e um consequente aumento no curso de vida da região. Nem toda localidade quer ver o aumento do número de circulação de automóveis, por exemplo, em sua cidade. O discurso de “tem que garantir o campus lá pra ele estudar” tem duas faces que não costumamos observar. A primeira leitura é automática e subjetiva do que é apresentado, ou seja, deduzimos que está se falando de democratização da educação. A segunda, menos comum, tem a ver com algo simbólico, de modo que é mais difícil identificar, pois relaciona-se com um discurso aparentemente revolucionário mas que tem em sua constituição de fundo a manutenção de status quo via jargão, palavra de ordem ou outra artimanha que se camufle de preocupação com o social. Temos que ler as entrelinhas de quem apresenta esse discurso e qual a prática que realiza para democratizar a educação, pela construção de campus universitários ou outras mais importantes.

 

5.                  Mas véi, meus professores são todos contra a EaD!

O que é um(a) docente? O que é a sua função? Para quê ele existe? Como se constitui num espaço de conflitos e disputas como a universidade? Ora, antes de tudo o professor é um facilitador do processo de ensino/aprendizagem. Ele não é detentor do poder e tampouco você deve aceitar ser educado por difusão, numa educação bancária que por não ter relação dialética entre os(as) participantes não pode ter outro produto senão a reprodução das relações sociais. A função do(a) docente é provocar reflexões, dúvidas, e não fechá-las. Se um docente pergunta qual era a orientação do primeiro código de ética do Serviço Social (mesmo que a profissão não tivesse configurada dessa forma) e uma aluna responde que era o de vocação, de assistencialismo, não é tarefa do docente fechar o debate e castrar outras possibilidades de construção e sim perguntar se alguém na turma discorda, se tem outra opinião, se pode acrescentar algo. Não estou aqui defendendo ficar em cima do muro, a estratégia pós-moderna de tomar pedra dos dois lados por não se posicionar, um engodo que só tem colaborado com o pensamento conservador que infelizmente avança em nossa sociedade. Falo, isto sim, do docente descer de seu pedestal e permitir outros tipos de debates, que estimulem a turma como um todo e não deixe as falas polarizadas entre o militante da UNE, o da ANEL, o ecochato e o direitista que só quer pegar o diploma e sair fora. Perdão pelos estereótipos mas foram necessários nesse momento. E sem essa de que na modalidade presencial todo mundo participa da aula e não tem ninguém no Facebook, deixemos de nos enganar! Docente tem que exercer sua autonomia, mas sobretudo perceber a autonomia do estudante, como na EaD. Docente tem que ser revolucionário na prática: chamar usuário de política social para construir o programa da disciplina, discutir coletivamente processo de avaliação do estudante e do curso, trazer debates atuais da ABEPSS, CFESS e ENESSO e não se prender somente à bibliografias que se repetem ano após ano. Professor(a) que acha a ementa de uma disciplina ruim mas diz que nada pode fazer porque é norma do departamento, por favor, que não venha falar de revolução, de superação do capitalismo, se mesmo as tarefas mais básicas da burocracia pautam a sua ação e lhe deixam esbanjando fúria na Bastilha. Quem é o professor que lhe aconselha: o revolucionário na teoria e na prática ou o burocrático com máscara de Marx?

 

6.                  EAD: um termo em extinção!

Com o tempo, não vamos mais falar em EaD ou modalidade presencial, pois estarão integradas em uma só coisa, de modo que voltaremos a debater qualidade da educação, como deve ser. A distância não tem somente a conotação física, mas muitas outras esferas. Michael Moore fala da distância transacional, que é justamente um avanço sobre essa visão simplista de entender a distância como uma separação física entre pessoas. 50 pessoas podem estar numa sala de aula e não aprender nada da aula, pelo fato do professor ser ruim. 50 pessoas podem estar no Moodle, um Ambiente Virtual de Aprendizagem, e aprender por várias ferramentas distintas melhor do que estudantes da modalidade presencial, tudo isso sem excluir a possibilidade de encontro presencial. O problema é que há professores tão ruins que só tem matrículas em suas disciplinas por serem os únicos a ministrarem aquela matéria e, trabalhando com o Moodle, poderiam ser mais facilmente fiscalizados, não no sentido de punir mas de melhorar seu rendimento. As TICs permitem isso e com a utilização de AVAs como o Moodle na educação presencial, docentes estão ficando sem alternativa. A aproximação da modalidade presencial com a modalidade a distância caminha para algo que não é a educação semi-presencial, ou híbrida, ou o B-Learning (Blended Learning), mas para um conceito ainda não definido, que começa a se revelar e retira do(a) docente o centro do processo de ensino/aprendizagem, causando algum desconforto.

 

7.                  A cabeça fala de onde os pés pisam!

Deixei para me apresentar por último, justamente para que a leitura desse texto não fosse enviesada ou que eu pudesse conter parte dos juízos de valor. Formei em Pedagogia na UnB em 2008 e atualmente faço mestrado em educação e graduação em Serviço Social pela mesma universidade. Fui coordenador de Comunicação da ExNEPe (Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia), do Centro Acadêmico e do DCE da UnB à época da queda de Timothy Mulhollan, o reitor fanfarrão (2008). Também participei do início do MPL no DF e nunca fui filiado À nenhum partido, até 03/04/2013 quando me filiei ao PSOL, partido que já acompanhava desde 2005 e com o qual participei de ocupações de terra, de reitoria, formação política etc. Não votei no PT por achar que é um partido que se integrou à ordem burguesa e esqueceu a luta dos trabalhadores, mas longe de mim achar que a base do PT (militantes, sindicalistas, líderes comunitários) são bandidos como José Dirceu e outros. Quando militante do ME, sempre fui contra a EaD. Participei de muitos seminários, congressos estudantis, debates em aulas, sempre defendendo o posicionamento de que EaD era uma forma de privatização da educação e mercantilização das relações trabalhistas. Hoje tenho muito mais críticas à EaD, mas com mais fundamento e sem a retórica vazia de um estranhamento por não conhecer a estrutura da modalidade de perto. O que quero dizer é que me permiti a quebra de um paradigma, ou vários deles. Talvez o maior deles foi riscar da cartilha do militante a seguinte máxima: “socialismo e EaD são inversamente proporcionais”. Foi a participação enquanto Professor Tutor na UAB, nos polos de Águas Lindas de Goiás, Alexânia e Cidade de Goiás, algumas vezes lecionando para a mesma turma em semestres distintos, que pude ver o crescimento dos(as) alunos(as) e constatar que em nada deviam aos que estavam se formando na modalidade presencial. E não é formação aligeirada, uma vez que o curso EaD de Pedagogia tem duração de mais de um ano do que o curso presencial, com as mesmas disciplinas e respeitando os mesmos prazos de calendário acadêmico para ambas modalidades.

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

Albert Einstein

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Tá vendo protestos de sobra? Imagina na Copa!

Para quem mora em Brasília e esperou pra sentir o gostinho de ver um jogo da Copa das Confederações, demorou mais tempo no trânsito para chegar ao Estádio Mané Garrincha do que vendo a Dilma ser vaiada. O esquema de segurança organizado pelo GDF (Governo do Distrito Federal) foi tão ineficiente, burro e incompetente que deixou as pessoas estressadas antes mesmo de ver com os próprios olhos que o Luis Gustavo foi de fato convocado pelo Felipão. Pois é, parece que Agnelo Queiroz (PT-DF), o governador com maior índice de rejeição no Brasil, não conseguiu angariar votos de confiança com a realização do lobby para que a abertura da Copa das Confederações ocorresse em Brasília.

Os protestos já começaram há muito tempo, mas ganharam destaque com a participação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) na sexta-feira, 14/06/2013. O PT não gostou nada disso e tratou logo de comprar uma matéria na Falha de São Paulo, um guia comercial travestido de jornal, para acusar militantes do grupo B & D (Brasil & Desenvolvimento), para numa tacada só criminalizar o coletivo de jovens ligados ao PSOL (mesma estratégia de Alckimin em SP, que disse que o PSOL leva punks para as manifestações) e, ao mesmo tempo, dar aos protestos um sentido burguês ao afirmar que eram pessoas pagas para militar. Fazer esse tipo de acusação, de pagar militantes para protestar contra o governo, é algo extremamente grave. E como a Falha de São Paulo quis comprar essa briga? Utilizando de uma das estratégias mais sujas que remontam aos tempos da ditadura: publicaram foto, salário e cargos dos integrantes do B&D, sinalizando que eles fazem o que fazem com o único intuito de desgastar o governo. Confira a resposta do grupo B&D clicando aqui.

Ora, o que era para ser a vitrine de cooptação de votos do PT se tornou o seu grande vilão: o pão e circo começa a apontar a espada pro imperador e exigir a sua cabeça, como a rainha das copas fazia em Alice no país das maravilhas, como a rainha da copa Dilma faz em Brasil no país das falcatruas. Tanto em Brasília como em cidades governadas por outros partidos, as pessoas gritam em uníssono que não querem o aumento das passagens, que não estão dispostas a continuar pagando o valor superfaturado da Copa e tampouco aceitarão os desmandos da Lei Geral da Copa e da FIFA querendo brincar de ter Poder Moderador por um ano. Em Brasília, por exemplo, o estádio custaria 700 milhões de reais, já incluídos o “arrego” dos distritais, o lucro dos empresários, a mão molhada do IBRAM para driblar licenças ambientais, as cuecas com bolso atrás cheio de dólar pra realizar contratos de emergência com dispensa de licitações e enganar o Tribunal de Contas e por aí vai. Porém, não se sabe da onde mas o estádio foi para 1,5 bilhão de reais. Se nos 700 milhões já existia corrupção, como podemos chamar esses 800 milhões excedentes? Fundo partidário petista? Como conseguiram mais do que duplicar o valor superfaturado do estádio? Só para constar, sou professor em Ceilândia e meus alunos ficaram 2 meses sem livro, além de serem privados de uma série de outras coisas que compõem uma educação pública de qualidade por conta de um Estado de Exceção Petista que tomou o GDF de assalto. A corrupção é tanta que essa é uma das poucas vezes que liberais e comunistas estão de saco cheio! A Lei de Gerson não vai pegar por aqui.

Mas e a polícia, por quê fica do lado do governo? Bem, não é preciso ler Althusser para saber que a polícia é o aparelho repressor do Estado, como a mídia é o aparelho ideológico do Estado. Se quiser ver polícia batendo em corrupto, assista Tropa de Elite 2. Vai ser a única chance de assistir à uma cena dessa. De resto é se acostumar a ver a polícia fazendo corredor de isolamento para proteger Sarney, Renan Calheiros, Alckmin, Aécio Neves, Dilma, Agnelo, Roriz, Arruda, Rodrigo Roolemberg, Gim Argelo, Fraga, Marconi Perilo, Cid Gomes, Gilmar Mendes, Cachoeira e outros canalhas enquanto apontam suas armas para contribuintes revoltados com tanta corrupção. É o mesmo que você se assaltado na rua na frente de um policial e ele ficar entre você e o batedor de carteira, impedindo que pelo menos possa se indignar contra a situação. Polícia, em todo lugar do mundo, sempre foi covarde. É mais fácil ver policial fazendo cafuné em Holigan do que vê-los deixar uma manifestação pacífica acontecer. Mas há resistências nisso tudo. Em Berlim, na Alemanha, policiais que acompanhavam um ato de brasileiros que protestavam em solidariedade aos manifestantes de São Paulo retiraram seus capacetes e caminharam ao lado dos “revoltosos”. Se isso algum dia vai ultrapassar o cinema e chegar na realidade, basta a nós sermos catalisadores dessa ação.

Bem, para quem tentou andar pela região central de Brasília, só encontrou dor de cabeça. Até nas regiões mais afastadas foi problemático. Já no Parque da Cidade – há mais de 2 quilômetros do Estádio – nunca vi tanta estupidez na condução do trânsito. Começo a achar que não havia ingressos para todos que compraram e por isso o governo não queria que as pessoas chegassem ao estádio. Vi que teve gente que comprou ingresso e sentou na escada, pois (pasmem) a cadeira não existia! Pergunta se a FIFA, administradora do Estádio, sabe o que aconteceu!

Às vezes penso que só pode ser um pesadelo. Como podem construir um estádio com nosso dinheiro e depois arrendá-lo à iniciativa privada? Como podem decidir que a baiana não pode vender acarajé, ou o ambulante não pode vender camisa a preços populares, tudo isso num raio de 2 quilômetros do estádio? Essas representações estão no imaginário do povo brasileiro, está na conjuntura de qualquer jogo no Brasil, o país do futebol. Somos nós quem decidimos pelo país, quem pagamos essa farra de caixa 2 dos governadores. Nós reclamamos das brigas de torcidas organizadas, mas sempre gostamos de ter preços populares na alimentação e produtos de times como bandeiras e camisas. Não pagamos caro para ver uma arena se transformar numa revista Veja onde não se sabe o que é campo e o que é propaganda. Importante lembrar: para quem não sabe, 90% da receita da FIFA vem da Copa do Mundo.

O mais revoltante é que ainda tem gente que vem pedir para as manifestações serem pacíficas, sem violência. A violência não são os manifestantes que fazem, mas a polícia que resolve agir a mando de quem está sendo desgastado em panfletos que explicam os gastos com a Copa e o descaso com a saúde, educação, segurança, saneamento básico, trabalho, renda etc. Tudo bem que a Globo e a Falha de São Paulo sejam contra os protestos que tomam conta do Brasil, afinal, são pagas pra isso e publicam o que mandarem, não tem independência nenhuma e ganham rios de dinheiro com os megaeventos. Mas e você cidadão? O quê ganha se colocando contra o seu povo? O quê ganha reclamando de quem luta para que você não tenha um aumento na passagem de ônibus, ou que possa desfrutar do futebol e não do show megalomaníaco que a FIFA quer transformar o país para encher seus cofres? Colega, vamos ser sinceros: você não consegue conter seus palavrões quando o Neymar perde um gol, e quer pedir para que a população se contenha quando vê o filme chorando de fome em casa sem poder protestar contra o aumento das tarifas de ônibus ou o superfaturamento da Copa? Faça o favor de renunciar ao século XXI e deixe quem tem consciência política e não se vende por cargos resolver essa história! Conserve-se na sua insignificância de não fazer coro com governos corruptos que só querem utilizar da sua argumentação de “protesto pacífico” para que não se tenha protestos.

Quando seu filho ficar doente, leve-o ao estádio pra ver onde está o dinheiro que pagaria os médicos. Quando os professores fizerem greve, vá ao estádio ver onde está o dinheiro do salário deles. Quando você for removido de casa, vá ao estádio e veja onde foi parar o dinheiro do Minha Casa Minha Vida. A Copa foi excelente pra uma coisa: mostrar que o Brasil tem muito, mas muito dinheiro. Ao menos nas cidades sede da Copa, não ha mais desculpa de que não há orçamento para as demandas sociais. O papo de que a Copa traria investimentos, que seria algo bom pro país, não passa de uma balela para justificar os desvios que foram feitos e agora engordam a conta da Odebrecht, Delta e outras que sempre mamaram com o aval do PT.

Ah, e para quem está em Brasília, já era Copa das Confederações. Foi 1,5 bilhão de reais para isso aí: vaias na Dilma, 3 X 0 no poderoso Japão, engarrafamento quilométrico e muitos hematomas em quem pagou a conta do estádio. Se teve turista japonês que se machucou, imagine como ficaram os brasileiros, de quem a PM não tem dó. Volte a trabalhar o quanto antes que tem o restante da conta da Copa pra pagar e ainda temos que fazer o Caixa 2 do PT pra 2014. A Copa das Confederações vai ser tão importante em nossas vidas como foi o Emerson na Copa do Mundo em 2002. Só que o Emerson se quebrou, não foi pro Japão e fomos campeões. Nós ganhamos do Japão, vamos sofrer pra sermos campeões com uma seleção de mercenários e a Copa das Confederações nos quebrou. É tanta retranca que nem o Parreira acredita.

SE LIGA AÍ!

Veja os inúmeros protestos que ocorrem ao redor do mundo em solidariedade às manifestações no Brasil.

AUCKLAND (22/Jun)https://www.facebook.com/events/550748674973719
BARCELONA https://www.facebook.com/events/202433683240284
BERLIN https://www.facebook.com/events/165396716966531
BOLOGNA https://www.facebook.com/events/468817986538368
BOSTON https://www.facebook.com/events/238595646265111
BRISBANE (23/Jun)https://www.facebook.com/events/260842227391920
BRUSSELS https://www.facebook.com/events/594266403939531
BUENOS AYREShttps://www.facebook.com/events/193499234142111
CALGARY https://www.facebook.com/events/674695089212397
CHICAGO https://www.facebook.com/events/474892132587144
CIUDAD DE MEXICOhttps://www.facebook.com/events/163069633872720
COIMBRA https://www.facebook.com/events/200661703420881
COLONIA https://www.facebook.com/events/186464351518068
CORDOBA https://www.facebook.com/events/571135546270345
DEN HAAG https://www.facebook.com/events/363696367086327
DUBLIN (16/Jun)https://www.facebook.com/events/268625579944061
EDMONTON https://www.facebook.com/events/153694814817084
FIRENZE https://www.facebook.com/events/560400697344845
FRANKFURT https://www.facebook.com/events/175117009324268
GENÈVE https://www.facebook.com/events/657023217645222
GLASGOW https://www.facebook.com/events/470942426322399
GOLD COAST https://www.facebook.com/events/185294188298493
GOTEBORG https://www.facebook.com/groups/brasileirosemgoteborg
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DF tem a maior favela da América Latina!

Olá pessoal! Segue abaixo link da reportagem que saiu no dia 08/05/2013 no Correio Braziliense.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2013/05/08/interna_cidadesdf,364811/distrito-federal-esta-a-um-passo-de-ter-a-maior-favela-da-america-latina.shtml

A reportagem informa que o Distrito Federal tem hoje a maior favela (comunidade) da América Latina: o Sol Nascente. Algumas pesquisas ainda reconhecem a Rocinha, comunidade localizada no Rio de Janeiro, como sendo a maior. Porém, ainda que o Governo do Distrito Federal não reconheça, a reportagem estima que a população do Sol Nascente ultrapasse os 100 mil moradores.

Sol Nascente fica em Ceilândia, a maior região administrativa do DF, em se tratando de número de habitantes. É também o maior colégio eleitoral. Ceilândia tem esse nome porque começou como um CEI (Centro de Erradicação de Invasões), uma espécie de depósito de todas pessoas que não tinham moradia. Processo análogo, ressalvadas algumas diferenças, ocorreram em alguns morros no Brasil, principalmente Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Salvador. O que chama a atenção é que o DF tem apenas 53 anos e alguns morros tem processo de ocupação que data do final da abolição da escravatura, em 1888! Enquanto a Rocinha no Rio de Janeiro não tem mais perspectiva de crescimento por ser um morro, o Sol Nascente, em topografia de terreno plano (típica do Planalto Central), pode até conurbar com municípios do território de Goiás.

A escola em que dou aula fica no P Norte, na Ceilândia, exatamente na divisa com o Sol Nascente, região da Ceilândia. Todos meus alunos moram na comunidade e me relatam diariamente, obviamente com um misto de inocência e um início de revolta, o abandono a que estão submetidos. Infelizmente, esse abandono começou como o de muitas outras regiões carentes do DF: curral eleitoral de Joaquim Domingos Roriz, que foi governador por 14 anos! os governadores Cristovam Buarque (PT – 1994-1998), José Roberto Arruda (DEM – 2006-2009) e Agnelo Queiroz (2010-2014) jamais fizeram algo de concreto para melhorar as condições de vida da população. Ao contrário, assistem indignados ao superfaturamento de 800 milhões de reais (era 700 milhões já contando o lucro dos empresários e o estádio pronto!) no estádio Mané Garrincha e o silêncio da militância petista que nada fala contra o pior governo que o DF já teve.

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Após a Bezerra de Ouro de Roriz, a Capa de Diamantes do PT!

arte02Simplesmente não há nada mais a ser dito. Aliás, há sim, na verdade, algumas perguntas: onde estão os petistas do DF em suas marchas contra corrupção? Onde estão os petistas que falavam que os governos Roriz e Arruda eram corruptos? Será que acham o governo de ONGnelo honesto?

Pois bem, dessa vez parece que os petralhas se superaram. Uma capa de chuvas que não deveria passar de R$ 50,00 – mesmo com o superfaturamento típico de vendas para o poder público – conseguiu ser comprada por R$ 314,00. Para driblar o TCDF, o espertalhão Agnulo, que já foi denunciado por fraudes em licitações desde quando era ministro dos esportes, fez acordo com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Pelo jeito o governador gosta mesmo de organizações internacionais. Deve ser por isso que desonerou a FIFA de pagar impostos em 2013, 2014 e 2015 (sim, mesmo depois de finalizada a Copa), para pegar um empréstimo de 35 milhões de dólares e não atrasar, pela quarta vez, a entrega do estádio Mané Garrincha.

Bem, é essa confusão de utilizar a rubrica da Copa do Mundo pra tudo que permite que as contas se juntem e virem um mosaico de corrupção. Rubrica para compra da Copa do Mundo não é capa de chuva. Ainda que fosse, prioridade da polícia, como ela mesma argumenta nos noticiários, é outra.

Dando um exemplo bem prático… A escola em que dou aula na Ceilândia não tem 30 mil pra reformar o banheiro das crianças. Enquanto isso, a petezada se esbalda na corrupção e gasta 5,5 milhões em capas de chuvas, como se o contrato terceirizado para segurança da Copa não desse à esses profissionais condições básicas de trabalho. Daqui a pouco tem até vale-cueca para os funcionários que irão trabalhar nos mega eventos, pois eles chegam nus às empresas que, tadinhas, por sua vez, ganharam pouco do governo.

Continua o silêncio da militância petista frente à roubalheira do governador e seus discípulos na CLDF.

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