TICs e sindicalismo: questão de transparência

Antes de tudo… não deixe de assinar a petição on line que solicita ao SINPRO a transmissão ao vivo das reuniões com o Governo do Distrito Federal. Se você acha que o SINPRO deve começar a transmitir as reuniões com o governo, entre na petição no link abaixo e se manifeste, dura cerca de 16 segundos. Se possível, ajude a divulgar em seus grupos de Facebook, whats app, listas de e-mail, nas reuniões pedagógicas da escola etc. Colabore com essa luta para democratização das ações do SINPRO-DF.

http://migre.me/oOizy

Definição

Você já deve ter ouvido falar em drone mas, se tivesse que responder agora, iria falar que não sabe do que se trata mas deve ser algo referente a tecnologia? Está no caminho certo! Drone é uma aeronave não tripulada, controlada por controle remoto via rádio. Se você acompanhou as últimas manifestações das professoras do DF, viu que há sempre um drone sobre nós. Ele tem capacidade para filmar e fotografar com excelente qualidade, de ângulos melhores que qualquer ser humano poderia fazê-lo. Além das imagens, pode captar áudio – ainda com menor qualidade devido à tecnologia atual.

Muitas colegas professoras acham que o uso da tecnologia é algo chato ou desnecessário. Há um jargão nas escolas que diz: “tem muito professor que dá aula com giz e quadro muito melhor do que professores que usam computador”. Só esqueceram de falar pra eles que além do computador, o giz, o quadro, o ábaco, os canudinhos, as tampinhas, o material dourado, o livro, são todas tecnologias físicas. O construtivismo, o método montessouriano, a Pedagogia Libertadora de Freire, o ensino tradicional, essas estariam dentro do escopo das tecnologias organizadoras, também relacionadas ao modo de produção como o taylorismo e o fordismo. Já as tecnologias que dizem respeito à forma como nos comunicamos, seja escrita, oral ou pictórica, chamamos de simbólicas.

O drone é apenas um exemplo de como o governo utiliza a tecnologia a seu favor. E nós, podemos usar as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) para mobilizar nossa classe e dar mais transparência às reuniões do sindicato?

O que isso ter a ver com sindicalismo?

O uso das TICs para mobilizar as classes populares

O uso das TICs é cada vez mais comum na sociedade e, infelizmente, logo os movimentos progressistas como a esquerda e grupos autônomos tem ficado de fora desse debate. Digo logo eles porque foram quem começaram a utilizar a internet para mobilizar a população, ainda na década de 1990, em Seattle, EUA. Subutilizamos a internet! Dentro da categoria docente, o Facebook é mais utilizado como um divã, um muro das lamentações, como se o GDF fosse ficar com pena das inúmeras súplicas ali existentes. Sabemos que somente a luta organizada de nossa categoria, potencializada por um meio – a tecnologia -, pode reverter esse quadro.

Exigir a transmissão ao vivo das reuniões entre SINPRO e GDF

Ao término da assembléia de segunda-feira, dia 23/02/2015, o GDF informou à mídia burguesa que o SINPRO não repassa corretamente as informações das reuniões. De outro lado, o SINPRO insiste que o GDF mente para os professores e não cumpre o que acorda com a categoria. Em meio à tudo isso estão as professoras que não tem confiança para acreditar num sindicato cada vez mais desgastado que presta mais atenção nas ordens da CUT do que em nossas pautas, ou de um governo que mesmo depois de 2 meses não conseguiu fechar a conta de qual o verdadeiro rombo deixado por ONGnelo Queiroz (PT-DF).

Chegando ao ponto: as reuniões entre SINPRO e GDF devem ser filmadas e transmitidas ao vivo para as assembleias. À primeira vista pode parecer contraditório que com todo esse choque de informações nem GDF ou SINPRO queiram que suas reuniões sejam filmadas, menos ainda ao vivo, sem cortes. O problema é que caso isso fosse feito, trabalhadoras de outras áreas iriam exigir o mesmo direito e isso eliminaria todos os jogos de empurra-empurra entre governo e sindicatos em que ambos se aproveitam de não serem gravados para falar o que quiserem para sua base.

A transmissão pode se dar através de um canal exclusivo de streaming (transmissão de dados via web), ocultando a URL (endereço na web) para que outras pessoas não acessem de seus computadores pessoais e sobrecarreguem o servidor. O SINPRO garantiria a instalação de telões no Buriti com o sistema de áudio plugado na mesa de som do caminhão. Com isso teríamos maior controle sobre o sindicato e governo, ao invés de confiar em deliberações marcadas pelo jogo sujo do poder. O maior problema que teríamos seria um lag (latência, atraso na transmissão) de poucos segundos, com algum descompasso entre as imagens e o áudio, mas nada que atrapalhe a qualidade da transmissão e a lisura do processo de negociação entre sindicato e governo.

Um cuidado fundamental: assembleia é presencial!

Um cuidado fundamental que devemos ter atenta para não sermos capitulados em um suposto recuo do governo e SINPRO, acatando a proposta de filmar as reuniões mas condicionando-a a uma metodologia divisionista e de esvaziamento do espaço político das assembleias presenciais. Explico: o governo pode cadastrar as escolas com uma senha para entrar no canal de transmissão e, com isso, dizer que as escolas passarão as assembleias ao vivo em seus auditórios e assim os professores não precisam se deslocar até o Buriti. Com isso, retira nossa classe de frente da sede do governo, passando a ideia de uma transparência que nem fecha as vias da frente do Eixo Monumental e quiçá coloca os professores em contato para uma deliberação mais qualificada. Esse é um ponto que deve ser completamente refutado, como foi rejeitada a proposta do SINPRO na assembleia do dia 27/02/2015 de abandonar o Buriti e ir para a Câmara Legislativa “fazer pressão” nos deputados distritais. Esse comportamento tinha o único intuito de enfraquecer a assembleia, coisa típica de pequeno-burguês que se pauta unicamente pelo Estado.

Pra você que não acredita…#fikadica – alguns exemplos de uso das TICs na militância

1- A Ocupação da Reitoria da UnB em 2008. Lembro-me da ocupação da Reitoria da UnB em abril de 2008, quando integrei o DCE (Diretório Central dos Estudantes). Reivindicávamos democracia na universidade e, dentre outros pontos, a saída do reitor Timothy Mulholland, que nessa semana foi demitido pelo MEC por (sic) possíveis irregularidades entre UnB e fundações de apoio. Já no segundo dia de ocupação, a Justiça determinou que o DCE deveria pagar uma multa de 5 mil reais por hora por conta da ocupação do prédio. Tal atitude fascista de criminalização de um movimento popular deu nome à nossa rádio: 5 mil por hora. A rádio funcionava pela internet e tinha uma programação diária com música, informes da ocupação, do processo de negociação e era livre para que todos os grupos que estavam participando da ocupação se manifestassem. Colaboravam nessa rádio os colegas Arthur Sinimbu, Danilo Silvestre, Marcelo Arruda e muitos outros. Paralelo à isso, a Rádio Ralacoco – essa utilizando antena com amplitude em toda Asa Norte e parte da Asa Sul, Lago Norte e Setor de Autarquias Sul -, situada na Faculdade de Comunicação da UnB e coordenada por estudantes, colaborava na divulgação de informações que contradiziam a mídia corporativa. O resultado disso foi que fizemos uma festa para comemorar a multa quando esta chegou a 1 milhão de reais e, obviamente, o CNPJ do DCE continuou limpo sem ter que pagar nenhum centavo à esse processo maluco. O sucesso da rádio via internet foi tanto que as pessoas passaram a acompanhar a ocupação por ela e não pelas notícias desencontradas que saíam nos grandes jornais.

2- Ocupação da CLDF no Fora Arruda e Toda Máfia. A ocupação da Câmara Legislativa do Distrito Federal ocorreu na primeira semana de 2009, logo após estourar o escândalo da Caixa de Pandora. Uma das principais pautas era a saída imediata do governador Arruda. No terceiro dia de ocupação fui à casa de Gustavo Freitas Amora, amigo que mora na Asa Norte. Ele me falou de um streaming que ficava num bom servidor e transmitia áudio e vídeo do computador. Falou-me que esse tipo de serviço via web estava cada vez mais presente no Brasil, mostrou-me como funcionava e na mesma noite abri uma conta gratuitamente, fazendo minha primeira transmissão. Eu tinha um notebook de baixa configuração (placa de vídeo e processador), com microfone e câmera embutida. Comprei apenas um modem com um plano de 1 MB de velocidade (que sabemos que não chega a isso nem mesmo hoje) e transmiti várias de nossas assembleias na ocupação da CLDF. A população e colegas de militância participavam ao vivo pelo chat e os membros do governo tentavam identificar os líderes do movimento, como de praxe.

3- MEPe (Movimento Estudantil de Pedagogia). A primeira tentativa de socializar as discussões do MEPe antes das deliberações ocorreu no X FoNEPe (Fórum Nacional das Entidades de Pedagogia, UFC, 01 a 04/11/2007). Para mim esse evento foi marcante, pois foi quando tomei posse como Coordenador de Comunicação da ExNEPe (Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia). Conseguimos sistematizar as propostas dos Grupos de Discussão às 05h00, portanto 3 horas antes do início da Plenária Final. Enviamos a sistematização para a lista nacional do MEPe (pedagogiaestudantes@yahoogrupos.com.br) e assim os centros acadêmicos e executivas estaduais de estudantes de pedagogia puderam entrar em contato com seus representantes que estavam no Ceará para delinear como seria o voto da entidade. A segunda vez foi na reunião da ExNEPe em março de 2008 na USP, juntamente com o colega estudante de Pedagogia da UFPR, Daniel Ikenaga e Marco Aurélio Silva, do CAPPF/USP. Foi a primeira tentativa de socialização de reunião via internet em tempo síncrono. Criamos um grupo no extinto MSN (programa de chat) e, ao mesmo tempo que discutíamos a programação, atualizávamos essas informações no site da ExNEPe. A reunião tinha como pauta organizar o XI FoNEPe (USP, 19 a 21/04/2008). Em maio do mesmo ano, na UFES, com a mesma metodologia do ocorrido na reunião da USP, a reunião discutiu a organização do XXVIII ENEPe (Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia), UFES, 19 a 25/07/2008. Porém, o maior avanço veio mesmo em dezembro de 2009 na reunião da ExNEPe na sala de reuniões da Faculdade de Educação da UnB. A reunião tinha como pauta o XXX ENEPe (UnB, 17 a 24/07/2010). Eu já havia formado e estava ajudando na organização do evento. Aproveitando do know-how da transmissão na ocupação da CLDF que ocorrera na semana anterior, utilizando a mesma estrutura mas com uma internet melhor (rede wi fi da Faculdade), fizemos a transmissão por streaming. Pela primeira vez no MEPe, quem não foi à reunião pôde acompanhar por áudio e vídeo, com atraso de mais ou menos 4 segundos, tudo o que era deliberado na reunião, inclusive podendo participar por chat – e muitos nomes para as mesas redondas foram indicações via web de estudantes. A Faculdade de Educação da UnB, uma das pioneiras na discussão do uso educacional das TICs e que pesquisa o tema desde a década de 1960, mais uma vez saía na frente nesse debate. Soube que depois disso o MEPe continuou a utilizar essa ferramenta, principalmente com Deise Rocha e Tayane Pessoa, hoje também professoras da SEEDF.

4- Estudantes do Sistema UnB/UAB. A Universidade Aberta do Brasil (UAB), através de universidades públicas, oferta gratuitamente – é bom dizer, embora pareça pleonasmo em tempos de avanço do neoliberalismo na educação – cursos de graduação a distância, com foco em licenciatura para professores leigos. Na greve das universidades federais de 2010 e 2012, o curso de Pedagogia da UnB foi o único que paralisou suas atividades na universidade, mantendo a postura de que não diferenciamos a graduação a distância da presencial em termos de qualidade de ensino. Talvez tenha sido a primeira greve da educação a distância no país. Especificamente em 2012, o Comando de Greve da ADUnB (Associação dos Docentes da UnB) realizou atividade que foi transmitida para todos os polos, com articulação da Professora Maria Luiza Pinho Pereira e dos Professores Erlando Reses e Carlos Alberto Lopes de Sousa. Quando fiz o mestrado, dediquei uma parte da dissertação à essa passagem. Caso queira saber mais, CLIQUE AQUI.

http://repositorio.unb.br/handle/10482/15138

Contradição: a seletividade do uso das TICs pelo SINPRO

Enfim, passou da hora do sindicato atuar com mais transparência e ética. O SINPRO tem muito dinheiro. estima-se que a folha de arrecadação do SINPRO seja mais ou menos 2 milhões de reais mensais. Desse montante, a CUT deve abocanhar 10% e por isso desloca militantes de todo o país para fazer campanha para as suas chapas brancas de 3 em 3 anos. Os cutistas (ou petistas, como queiram) não podem admitir que um dos sindicatos mais ricos da América Latina fique nas mãos da oposição, até porque seria um importante fundo de financiamento indireto da campanha da companheirada aos parlamentos do país.

Nosso sindicato trabalha com um sítio eletrônico e recentemente, principalmente após as críticas que escrevi sobre a comunicação do SINDOURADO, começou a movimentar mais o seu perfil no Facebook e Instagram. Diz que não quer fazer anúncio na mídia burguesa para não financiá-los. Nesse ponto até tenho certa concordância com o SINPRO, por achar que temos que manter canais de comunicação independentes. Porém, o Programa Alternativo é hospedado dentro de um canal de TV da grande mídia, o que traz consequências nada cumulativas para nossa queda-de-braço com o GDF. Há o jornal Quadro Negro, conhecido na categoria por Quadro 13, que durante as eleições de 2014 sofreu uma ação por fazer campanha para Agnelo Queiroz e Dilma Roussef. O Sinpro conta ainda com outras publicações e mais recentemente tem feito vídeos sobre o atraso dos pagamentos. Quem apresenta são seus diretores, insossos, com a mesma linguagem chata de sempre.

O GDF não possui publicações como jornais e revistas. Para isso, compra estatísticas e anúncios em jornais de grande circulação, seja mídia impressa, digital ou na TV. Também trabalha gratuitamente para o GDF os bobos da corte órfãos da dama de ferro britânica, como Alexandre Garcia. Esse é especialista em falar besteira e destilar seu moralismo logo na hora do almoço, mas se esquece que sua família e ele mesmo já pintou e bordou pelos asfaltos candangos desde os anos 80, quando puxou saco da rainha da Inglaterra no caso das Ilhas Malvinas contra a Argentina. Essa babação lhe rendeu o título de The Big Apple Polisher (O Grande Puxa-Saco).

Estamos cercados de inimigos e infelizmente assistimos quietos a raposa vigiando o galinheiro. Tantas quantas forem as vezes que o SINPRO for negociar com o GDF, pela composição do SINPRO e do GDF, seremos enganados. A forma de garantir o mínimo de ética e principalmente transparência é exigir que as reuniões sejam transmitidas. E se alguém do SINPRO quiser lhe intimidar perguntando se acaso está duvidando da idoneidade do sindicato, responda prontamente:

– Sim, eu estou. Mas não se trata disso, até porque quem não deve não teme. Duvidando ou não da idoneidade do sindicato, vocês não prestam contas do gasto financeiro somente conversando mas sim com notas fiscais, recibos e extratos bancários. Chegou a hora da prestação de contas das reuniões com o governo. E dessa vez com provas concretas.

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Paródia: professoras cantam uni duni tê

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Meu dinheiro quero ver

Trem da Alegria do PSB

Paródia baseada na música Uni duni tê

Autor: Prof. Rafael Ayan – Ceilândia – CAIC Prof. Anísio Teixeira

Acompanhe com áudio da música original:

http://m.letras.mus.br/trem-da-alegria/69952/

 

Fui perguntar para a categoria

Quanto que devia

O governador larápio

 

Me responderam: gratificação,

Férias e rescisão

De quem é temporário

 

Não quero ouvir Alexandre Garcia,

Correio e Companhia

Falar das crianças

 

Júlio Gregório vai aconselhar

Melhor não planejar

Salário é esperança

 

REFRÃO (2 vezes)

Meu dinheiro quero ver

Não vem com chororô

Não quero nem saber

Se o PT roubou

Você tá no poder

Ou assume o cargo

Ou vai se dar mal*

 

Vai ter aumento o valor da passagem

Empréstimo eu faria

Mas não tenho margem

 

Essa gestão tem choque, tem Rodrigo,

BOPE, fogo amigo

E ainda austeridade

 

Pra nos pagar é só verborragia

Com a Globo está em dia

Grana de propaganda

 

E quando um nono das férias chegar

O BRB vai lá

Desconta e vem cobrança

 

REFRÃO (2 vezes)

Meu dinheiro quero ver

Não vem com chororô

Não quero nem saber

Se o PT roubou

Você tá no poder

Ou assume o cargo

Ou vai se dar mal*

 

*Nessa parte interpretação livre.

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Professoras do DF: uni-vas!

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Contextualizando…

Na tarde dessa quarta-feira, 25/02/2015, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) decretou ilegal a “greve” das professoras do DF. Qual greve? Em assembléia no dia 23/02/2015 as professoras decidiram paralisar as aulas até dia 27/02/2015, quando haverá nova negociação. Portanto, ninguém falou em greve. Tudo bem que o SINDOURADO não queria a greve por agora, pois teme perder o controle da situação e não quer cumprir minimamente o que diz o Estatuto do Sindicato no que diz respeito à formação de Comissão de Negociação com integrantes da base. Porém, o descaso do GDF causou tanta fúria nas professoras que foi natural irem ao Buriti já com a decisão de paralisar as atividades até proposta mais concreta do governo.

O mais curioso é que tanto o Poder Judiciário (TJDFT, TCDF) quanto o Poder Legislativo (CLDF) locais agiram como o SINDOURADO: passaram os 4 anos do governo Agnelo fechando os olhos para todos os atos inconseqüentes do petista. Logo, parte da culpa pelo rombo bilionário nas contas do DF está com esses parasitas que se escondem quando exigimos nossos direitos mas aparecem para cobrar nossos deveres.

ARO: o engodo que o SINDOURADO fez para te enrolar junto com o governador

Direitos trabalhistas como 13º Salário, rescisão das Professoras de Contrato Temporário, diferença da gratificação natalícia e outros não são pontos negociáveis em nenhuma circunstância, menos ainda para serem avaliados por quem não realizou o seu trabalho de fiscalização dos relatórios das contas do DF. O SINDOURADO, bastante desgastado por defender o corrupto governo do PT, tinha que dar uma satisfação à categoria docente e causar o arrefecimento das mobilizações.

A primeira ação do SINDOURADO foi esquecer o governo Agnelo e atacar somente Rollemberg, outro incompetente na política que entrou no Senado pela janela e vai sair do GDF pela porta dos fundos. A rejeição à Agnelo continuou alta mesmo em 2015 e como a estratégia de esquecer o governo do PT não surtiu efeito, o jeito foi tentar valorizar as ações chapa branca do final do governo Agnelo, colocando-as inclusive numa linha do tempo, como se justificassem que a mobilização do SINDOURADO teria começado no governo anterior.

Rollemberg e o PSB nunca tiveram base social: ganharam o GDF mais no contexto de Arruda e a Lei da Ficha Limpa, tal qual Agnelo ganhou em 2010 pelo mesmo contexto contra Roriz. Tanto Agnelo quanto Rollemberg não são figuras expressivas da política do DF a ponto de chegarem a se tornar governadores, como o são Roriz, Arruda e futuramente o picolé de chuchu José Reguffe. Nem no movimento estudantil da UnB o PSB consegue se restabelecer e, com o GDF, vai ficar ainda mais difícil manter o papel nefasto que queriam fazer de companheiros dos movimentos sociais. Porém, a diferença é que o PT ainda tem alguma base social, em processo avançado de esfacelamento – ainda bem – devido aos escândalos tanto de nível federal quanto do pior governo que o DF já teve.

O SINDOURADO, sabendo que está de mãos atadas sem os cargos do governo Agnelo e com pouco diálogo com um governo que derrotou os petistas na eleição e apoiou Aécio no 2º turno contra Dilma, pensou na única solução que poderia lhe mostrar como símbolo de resistência ainda que soubesse que Rollemberg não iria pagar os professores senão de forma parcelada: a ARO (Antecipação da Receita Orçamentária). O SINDOURADO tinha plena consciência que a solicitação da ARO é um processo demorado e que ela só sairia em data praticamente igual à do parcelamento apresentado pela equipe tucana do GDF. Esse foi o “acordo de cavalheiros” entre SINDOURADO e GDF em que de um lado o sindicato parece brigar pela categoria porque achou uma saída técnica para o caso mas que na verdade não passa de um engodo para não se queimar com as professoras e o GDF permanecer com sua orientação inicial de parcelar direitos.

A mídia e seu eterno rabo preso com as verbas de publicidade do GDF

Além do GDF, quem fala em greve são os eternos sanguessugas do dinheiro público através de contratos milionários de publicidade. Dentre esses, os dois maiores exemplos são o Correio Braziliense e a Globo, esta última usando o arauto da moralidade Alexandre Garcia. Obviamente que ninguém acredita em parcialidade e que da grande mídia, da qual fazem parte Globo, Diários Associados (Correio Braziliense) e outros grupos de poder não vão ser imparciais ou direcionar sua preferência à demanda das trabalhadoras, mas a falta de caráter é tanta que chegam a querer reverter a situação até o ponto de nos chamarem de improdutivas.

Nos governos Roriz a situação de simbiose com a imprensa já era assim. Com Arruda (2007-2009) e Agnelo (2011-2014), a receita de “molhar a página” dos maiores jornais de circulação (um impresso e outro na TV) seguiu pelo mesmo caminho. Rollemberg e seu testa de ferro, que é jornalista, não perdeu tempo e tratou logo de amansar Globo e CB enchendo suas borras de ouro, pois já sabia que com o pacote de austeridade fiscal que iria iniciar precisa do apoio de uma comunicação aparentemente imparcial e de grande circulação funcionando como porta-voz do governo. Nada melhor do que pagar vendidos como Alexandre Garcia e CB para voltarem a população do DF contra as demandas das professoras.

Aprovar o indicativo de greve na Assembléia de 27/02/2015

Diante dos ataques do GDF à nossa categoria, é urgente que saibamos dar a devida resposta ao governo. Abaixar a cabeça e concordar com o calendário proposto pelo governo é aceitar o Caixa 3 de empréstimos que Rollemberg faz com o BRB, afundando mais as professoras por não pagá-las. Funciona mais ou menos assim…

João: ei Zé, tem 100 reais pra me emprestar?

: tenho sim, mas por favor, me pague mês que vem que vou precisar.

João: pode deixar comigo.

E no mês seguinte…

: fala João, tô precisando daqueles 100 reais. Por favor, poderia me pagar?

João: eita Zé, não vai dar. Mas olha só, como você está precisando muito, posso te emprestar 100 reais e te cobrou um juros de 1,69%. Aí você me paga mês que vem R$ 101,69 e todo mundo sai ganhando.

João: …

Devemos aprovar o indicativo de greve e, em seguida, greve geral. Não podemos esperar a boa vontade do GDF em nos pagar e tampouco um sindicato que está perdido porque nos últimos anos fez papel de Secretaria de Educação. Outros pontos que nos foram tomados como a retirada de coordenadores, o calendário escolar imposto por Júlio Gregório e os aumentos de março e setembro que o GDF ameaçou não pagar só serão conquistados com mobilização agora. Aceitar a retirada de direitos ou condicionar as conquistas históricas da classe trabalhadora ao pacote de austeridade do PSB é abrir a guarda para um governo que não tem base popular e que por isso é mais fácil de ser derrubado.

Pra não dizer que só temos notícias ruins, soube que havia um carro de som passando no Guará informando que as escolas estavam fechadas por todo o descaso do GDF com a educação. Essa foi uma atitude simples que independe de sindicato e desgasta bastante Rollemberg. Se não tivermos carro de som, que as nossas coletivas, nossa ida para casa no metrô, no ônibus, nossos grupos de whats app, nosso Facebook, listas de e-mail, nosso momento de café na igreja ou reunião com responsáveis das alunas, que todos esses espaços sejam de militância, de denúncia de um governo medíocre que escolheu a educação para aplicar seu plano neoliberal.

Resistiremos. Todas à Assembléia de sexta, 27/02/2015 no Buriti.

Professoras, avante!

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O assalto institucionalizado do BRB com o aval do Ministério Público

Para entender o sistema financeiro: a historinha da permuta de Medeiros e Maria

Era uma vez um padeiro de 40 anos chamado Medeiros que trabalhava na Padaria Rollembelo, em Vicente Pires, da proprietária Maria. Medeiros recebe R$ 1.000,00 mensais de Maria. Em Janeiro de 2015 Maria disse que, por dificuldades financeiras deixadas pela administração anterior, iria atrasar o salário das funcionárias. Logo, Medeiros se viu desesperado, pois tinha contas a pagar. Maria, para “dobrar” as funcionárias”, fez a seguinte proposta: como o pão custava R$ 1,00, as funcionárias poderiam pegar seu salário em forma de 1.000 pães, ou seja, uma permuta, a partir do dia 15. As funcionárias reclamaram e aí Maria teve que “ceder”: abriu uma margem de 20% e elas puderam pegar 1.200 pães dividido em 10 parcelas.

O Sindicato das Funcionárias de Padarias Populistas, o SINDIPAPO, muito amigo da administração anterior do estabelecimento, disse que era melhor elas aceitarem a proposta pois era uma grande vitória e a luta continuava, inclusive parando a produção de pães no próximo mês caso Maria não cumprisse o acordo. Desse modo, o SINDIPAPO fez uma nota explicativa da questão salarial dizendo que foi uma conquista muito grande ter aumentado o valor do salário em 200 pães e que a luta continuava porque a entidade queria uma permuta ainda maior, para 1.500 pães, por danos morais, além da redução do aumento dos 200 pães de 10 para “apenas” 5 parcelas. Assim, das pessoas que trabalhavam na Padaria Rollembelo, algumas ficaram revoltadas e se desfiliaram do SINDIPAPO enquanto outras aceitaram dizendo que Maria pegou uma padaria abandonada pela gestão anterior e que deveriam ter paciência.

Nenhuma das duas situações levou as trabalhadoras a terem uma forma de sanar diretamente suas dívidas. Clemente, que era o gerente da padaria de Maria, disse que as funcionárias não deveriam fazer planos com seus pães. Uma semana depois os pães estragaram. O pagamento de férias, 13º salário e outros direitos trabalhistas foram negociados em troca de latas de salsicha, pacotes de biscoito e papel toalha, ao passo que o SINDIPAPO recusou e propôs trocar o papel toalha por papel higiênico. Outra ação do SINDIPAPO foi se negar a chamar uma assembléia das funcionárias, alegando que todo dia fariam uma paralisação em um setor diferente: segunda no forno, terça nos laticínios, quarta nos vinhos e assim por diante. Como ninguém vive somente de pão, salsicha e biscoito, as funcionárias foram obrigadas a pegar cada vez mais produtos na padaria onde trabalhavam para não passar fome, ao passo que Maria via seus lucros aumentarem de forma exorbitante com isso.

A maioria das funcionárias não percebiam mas a mais-valia de Maria era proveniente da força de trabalho delas, força essa que Maria não pagou, gerando um ciclo de auto sustentação financeira dessa exploração. O Ministério Público de Vicente Pires nada fez na situação e nisso as operárias em construção iam se tornando escravas por dívidas de Maria. Aliás… Eu já falei que as dívidas continuaram?

Já diria Lênin: assaltar um banco não é nada perto de fundar um banco.

Ouvimos histórias de assalto a banco quase que diariamente mas falamos pouco de assalto DO banco! O assalto, algo semelhante ao roubo, é quando se mantém contato com a vítima. Nessa quarta quase fui vítima de um assalto quando recebi ligação do BRB e a funcionária gerundista me disse assim:

– Senhor Rafael Ayan, estamos fazendo uma linha de crédito especial para esse período de crise e os juros baixaram de 2,65% para 1,95%. Se o senhor quiser estar passando aqui conosco podemos estar calculando um melhor plano que possa estar satisfazendo suas necessidades. O BRB agradece, qualquer dúvida o senhor pode estar entrando em contato e boa tarde.

Vejam só pessoal, que interessante! O BRB que por coincidência tem como mandatário Rodrigo Rollemberg (PSB), governador do DF, tem dinheiro para especular mas não para o próprio GDF fazer um empréstimo e pagar as professoras. As professoras do DF estão com as contas atrasadas porque nosso chefe, o governador, não nos paga. Aí o banco do chefe, o BRB, que tem o cadastro de todo o funcionalismo público do DF, sabendo de nossa situação financeira, te liga e te oferece uma linha de crédito especial, baixando os juros.

Cerca de 75% do capital que circula em todo o mundo é especulativo, ou seja, ele não “existe” de forma concreta mas participa da maior e mais estruturada forma de crime organizado no mundo, a economia global. Por qual motivo as professoras que devem pegar empréstimo no BRB, um banco estatal e de política orientada pelo GDF, para que este recurso substitua o salário que deveria ter sido pago pelo próprio governo, gerando lucros em operações de crédito a quem, legalmente, já deveria ter pago suas funcionárias? Depois do Caixa 1 do fundo partidário e do Caixa 2 de empresas envolvidas nos mesmos escândalos do governo anterior e que financiaram a campanha do PSB ao GDF, chegou a hora do Caixa 3 de Rollemberg: forçar a inadimplência do funcionalismo público e gerar lucros para o BRB, uma forma moderna e criminosa de arrecadar recursos e que conta com o aval do MPDFT, o arauto da moralidade, da ética e da justiça. Será?

 

O papel do Ministério Privado das Empresas e Territórios

 Todo o assalto cometido pelo BRB com o aval de seu chefe, Rodrigo Rollemberg, poderia ter sido contestado pela justiça, mas essa ficou calada. Só falta Rollemberg nos pagar com empréstimos feitos com nosso próprio dinheiro e a justiça continua como se nada tivesse acontecido. O mais interessante é que todas, absolutamente todas as vezes que as professoras fazem greve, o Ministério Público se coloca contra o movimento paredista. Ninguém defende tão bem os patrões quanto o Ministério Público, que parece Ministério Privado. Pergunte a qualquer professora, rodoviária, metroviária, profissional da saúde e outras categorias quantas foram as vezes que o MPDFT considerou nossas greves (sic) abusivas e, de outro lado, fica refém dos infindáveis e demorados relatórios do Tribunal de Contas do DF, outro órgão sem transparência que ajuda o governo em suas falcatruas.

Dessa vez não foi diferente. Não há nenhuma ação do MPDFT para que Rollemberg cesse o Caixa 3 que vez fazendo com o dinheiro de direitos trabalhistas das servidoras públicas. Não foi movida ação para que essas operações de crédito inconstitucionais, seja poupança ou empréstimo com o dinheiro da desgraça alheia, seja cessada. O último absurdo de Rollemberg foi dividir a tabela salarial do funcionalismo do GDF e pagar por partes, como se tivesse essa prerrogativa. A confusão nas contas é tanta que daqui a pouco vai ter mês que vai ser “engolido” sem pagamento e aí o governo volta a pagar no quinto dia útil do mês, alegando regularização da situação deixada pelo governo anterior.

Sai a quadrilha do PT, entra a quadrilha do PSB e o MPDFT assiste de camarote os direitos trabalhistas serem violados da forma mais cruel possível.

Descapitalizar o BRB: saia o quanto antes e deixe o GDF se virar.

Uma das formas de revidarmos os ataques sofridos pelo governo é mexendo onde ele mais sente: na arrecadação. Para isso, estejamos preparados para as mentiras que o BRB vai contar para tentar nos manter vinculado à essa droga, mais ou menos como um traficante faz com um viciado em crack.

  • Portabilidade. Se o máximo que o GDF pode fazer pelas suas funcionárias é redução de juros e não o seu cancelamento, num banco que é de seu domínio e por responsabilidades que são do Estado não recebemos, então não há nada para fazer nessa instituição.
  • Conta Salário. Ao solicitar a portabilidade, você ficará apenas com a conta salário no BRB. Todo mês, quando o salário cai na conta do BRB, automaticamente é transferido para o banco de sua escolha. Se a funcionária disser que cai 2 dias depois é mentira e estou a disposição para provar isso.
  • É proibido o BRB cobrar taxas pela portabilidade. As funcionárias do BRB estão orientadas a fazer terrorismo e dizer que você perderá muitas vantagens ao solicitar a portabilidade. São bem treinadas, quase atrizes ao olhar nos seus olhos e querer te convencer que você vai pagar juros mais altos se sair do BRB. Na última tentativa, a atendente chamará a gerência que te dirá que vai cobrir a taxa de juros de qualquer banco para o empréstimo que você quer fazer. Não conseguindo, vai te mandar assinar um documento em que reconhece que para fazer a portabilidade o BRB cobra uma taxa de administração. Não aceite! Qualquer cobrança de taxa para portabilidade é proibido pelo Banco Central, que é o órgão que regula essas operações. Seja firme e faça o que deve ser feito. Você tem o direito de receber o salário na conta que quiser, por mais que o empregador, seja governo ou empresa privada, já tenha convênio com algum banco.
  • Não consegue se desligar de imediato do BRB. Essa é uma situação em que também me encontro, pois tenho um financiamento pelo BRB. Isso não impede de ter uma conta salário que continue a descontar consignações em folha e você receber por outro banco. Foi o que fiz. Uma coisa não tem nada a ver com outra e não deixe que a funcionária te convença do contrário. O seu vínculo com o BRB continuará sendo os empréstimos que pagará nos descontos que vem em seu salário, mas toda a sua movimentação de saque, transferência, débito em conta e outras será feita no banco que escolher.
  • As conseqüências da descapitalização do BRB. Alguém pode pensar que a descapitalização do BRB terá um fim lastimável que é um rombo maior na arrecadação do GDF. Pensemos o contrário então: com o BRB, o GDF arrecada mais e nos paga. É o que acontece agora? Claro que não! O BRB consegue praticar menores taxas de juros em algumas linhas de crédito sim, isso há de ser reconhecido. Porém, sempre foi um banco sem prestígio, utilizado em inúmeros esquemas de corrupção principalmente com Arruda (DEM), Agnelo (PT) e Roriz (PMDB). Com Rollemberg não achei que seria diferente, só não esperava que fosse tão cedo. O BRB é uma instituição financeira e como tem toda sua política estabelecida pelo GDF, por mais técnico que pareça nessa história, é um instrumento de controle financeiro do governo sobre suas funcionárias. Ao mudar de banco, fica muito mais difícil de Rollemberg e governos futuros nos usarem nesse jogo do capital especulativo, tendo que dourar a pílula com medidas menos tiranas e pensar duas vezes antes de nos emprestar a juros o que não nos pagou.
  • Sugestão: vá para o Banco do Brasil. Obviamente que não estou ganhando nada do Banco do Brasil para fazer propaganda, mas sem dúvida é de longe o banco que tem mais caixas eletrônicos e apresenta razoáveis taxas de juros em empréstimos para aquisição de automóveis ou imóveis, compras de material de construção, plano de previdência complementar e seguros. Além disso, o Banco do Brasil tem o melhor aplicativo de smartphone para gerenciamento financeiro, permitindo transferências, extratos, pagamento com código de barras e até recarga de celular. O aplicativo do BRB é tão ruim que prefiro nem comentar, fruto da política do banco do ineficiente investimento em tecnologia da informação. O ideal é que tivéssemos banco popular, gerido pelas trabalhadoras, ainda que uma instituição financeira demande decisões rápidas que devem interferir na estrutura de um banco contemporâneo. Não estamos mais na época de trocar pimenta por madeira. Porém, fazendo uma análise reformista por dentro do capitalismo, o mínimo que temos que fazer é retirar toda a nossa circulação de capital do BRB.

Diante do cenário de completo abandono por parte do MPDFT frente a esse assalto institucionalizado do BRB, o que nos resta é nos organizarmos coletivamente para um período de retirada de direitos como Rollemberg anunciou, informando que será difícil pagar os reajustes salariais que conseguimos nas últimas mobilizações. Uma das medidas passa pela descapitalização do BRB e essa deve ser uma ação não apenas das professoras mas do conjunto do funcionalismo público do DF. Portanto, temos a obrigação de conversarmos com nossos familiares e amigos que trabalham em outras áreas sobre esse assunto e, assim como o PT de Agnelo e o PSB de Rollemberg fez conosco, atingir o dragão em seu coração: o banco. A dica é essa: mantenha os seus empréstimos no BRB, faça a portabilidade para outro banco e organize-se cortando gastos para não se endividar novamente. Sei que esse último ponto é o mais difícil e parece a idiotice que o Secretário Júlio Gregório disse, mas é o único meio de nos desvincularmos do BRB de uma vez por todas.

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O SINDOURADO e a luta das professoras do DF por direitos trabalhistas

Agnelo foi ao Sinpro-DF com os senadores eleitos, Rodrigo Rollemberg e Cristovam Buarque, e expôs seus planos para a Educação

Agnelo, logo depois de eleito, vai ao SINPRO com Rollemberg e Cristovam. Os senadores abandonaram Agnelo, mas o SINPRO, com o dinheiro das professoras, continuou com ele até o fim. E ainda continua! Foto: Jornal Coletivo.

Pra começar: o SINPRO coletivo versus o SINDOURADO personalista

 

Falar de sindicalismo é traçar as lutas trabalhistas vividas não só no Brasil mas no mundo. O próprio Dia do Trabalho é uma homenagem à um dia de luta, embora hoje seja relembrado pelas centrais sindicais governistas através de sorteio de brindes e shows, ambos superfaturados. O espetáculo do pão e circo moderno conta com a ajuda da farra de ministérios, como foi o caso de Paulinho da Força Sindical e o Ministério do Trabalho, reduto histórico do PDT nos governos do PT. A CUT e CTB, outras centrais sindicais pra inglês ver, não ficam atrás e por vezes traem os direitos das trabalhadoras para não atacar o chamado bem maior: a imagem de um governo que, segundo eles, é progressista.

O sindicato das professoras do DF, como extensão do PT, não poderia ser diferente. Porém, o esvaziamento de formação política do SINPRO é tão grande que este ganhou uma característica peculiar e ainda mais cruel: o personalismo de Washington Dourado, ou WD, para simplificar. WD é professor, deve ter seus posicionamentos políticos respeitados independentes de quais forem e gozar de plena autonomia para prover seus meios de comunicação de forma pessoal ou terceirizada. Até aqui problema algum – vivemos num país livre! O problema é a forma como isso é usado. Qualquer professora em todo o Brasil quando quer saber algo sobre vagas para concurso, indicativos de greve, sinalização de não cumprimento de acordo trabalhista por parte do governo e outras demandas vai ao site de seu sindicato. Aliás, em quase todo o Brasil: no Distrito Federal, as professoras procuram pelos informes de WD na internet.

Ora, isso por si só é sintomático de algo muito maior, que é demonstração da completa incompetência do SINPRO de gerir sua comunicação de forma mais eficaz e eficiente que um de seus diretores. Se o próprio WD é diretor do SINPRO, por qual motivo as informações de interesse das professoras saem primeiro em seu blog e depois nos meios de comunicação do SINPRO? Na hora de subir paras as comissões de negociação com o governo e posar de papagaio de pirata de bandidos como Agnelo aí é o sindicalista WD. Entretanto, quando é para socializar informações através do SINPRO, aí ele vira o professor WD e publica em suas redes sociais, controlando com isso uma legião de seguidoras ávidas por informações que deveriam ser priorizadas para divulgação pelo site do sindicato. Corrijam-me se eu estiver enganado, mas acho que o SINPRO deveria ser o principal meio de comunicação das professoras. Até onde é ético que um diretor do SINPRO escolha o momento de ser um representante do sindicato e o momento de ser um professor “avulso” (há 13 anos sei lá!), acumulando com isso capital político para si ao invés de fortalecer um instrumento de luta da categoria? Pensemos nisso!

Sindicalismo e partidos políticos: os analfabetos políticos criaram conta no Facebook

Quando passei no Mestrado em Educação em 2011 na UnB lembro que recebi muitas mensagens SMS de felicitações – à época não havia o aplicativo whats app. Uma delas, de um amigo da USP, me recordo até hoje. Dizia assim: “Chakrinha, agora que você passou no Mestrado, você vai entrar na ExNEPe de novo?”. Respondi objetivamente: claro que não! A ExNEPe é a Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia e naquela época eu ainda não era filiado ao PSOL e  militava com e contra colegas de partidos institucionalizados (como o PSDB, PT, PC do B, PSOL, PSTU, PCB) ou não (como o MEPR, PCR e até a Juventude Monárquica do Rio de Janeiro na figura de um único, redundante e pleonástico representante). Militei no Movimento Estudantil durante a primeira graduação (2003 a 2008) e fui Coordenador da ExNEPe de 2007 a 2008. Lembro aqui da concepção de partido político de Lênin, que é algo muito maior ao que se conhece no senso comum – disputa de eleição. Eu já tinha acabado a graduação e achava, como acho, que era hora de outras pessoas assumirem o Movimento Estudantil de Pedagogia, tanto a nível nacional como no Centro Acadêmico de Pedagogia e no Diretório Central de Estudantes da UnB. Uma coisa é ajudar na organização de alguma atividade e outra é estar sempre vinculado como membro de uma entidade, algo comum na UNE e no sindicalismo, como no SINDOURADO. Também na UnB, trabalhando nove anos como técnico-administrativo, participei de todas as greves e, novamente, não consigo enxergar como que os partidos políticos podem ter sido algum problema.

Analisando a fundo, se fosse proibido a participação de partidos políticos em sindicatos, movimento estudantil e outras organizações coletivas, aí sim estaríamos pior do que hoje. Para quem não lembra na época da ditadura militar não havia partido nos sindicatos nem em lugar nenhum. Qual avanço as trabalhadoras tiveram na ditadura? Nenhum. Mas você pode pensar que foi por causa da ditadura, que é algo que até coxinhas como Aécio Never não querem ser vinculados, e não por causa da inexistência de partidos. Errado novamente! No período do populismo, da Era Vargas, da política de Café com Leite, em todos eles não há pesquisadores que afirmam que a luta trabalhista regrediu por causa da atuação dos partidos políticos nos sindicatos. Ao contrário: a sociedade sempre se organizou através de instrumentos coletivos e os partidos estão entre os mais importantes. A luta pela extinção do INAMPS, das caixas de pensão e a garantia de um SUS que atenda a todos independentemente de contribuírem ou não com a previdência é uma conquista que foi feita na Constituinte de 1988 utilizando, vejam só, o PT como um dos interlocutores da sociedade.

Você não precisa ter participado da Constituinte para saber disso. É fato que vários livros ou pessoas podem comprovar. O PT, com apenas 8 anos, teve uma presença marcante na conquista de muitos direitos trabalhistas que, posteriormente, foram completamente destruídos por Lula e Dilma, começando pela Contra-Reforma da Previdência em 2003. Portanto, há colegas que ainda acreditam no PT e devem ser respeitadas por isso, por mais que o partido tenha entrado num caminho sem volta. O SINDOURADO sabe muito bem disso e por mais que saia em fotos com parlamentares, tenta passar a imagem de que são independentes, técnicos, imparciais, que agem visando unicamente o interesse das professoras. De outro lado, está a oposição ao SINDOURADO, que infelizmente não se apropria das redes sociais e deixa para se articular enquanto grupo nas vésperas de eleição. Por ficar a reboque das ações de compadrio governistas do SINDOURADO e não fazer a formação política nas escolas em que atua, seja na hora do café ou nas reuniões de coordenação, pra ser bem básico, a oposição aparece mais como partido político e o SINDOURADO como opção de voto, nem que seja o menos pior, discurso que o PT, sem projeto pra nada, aperfeiçoou com o terrorismo a qualquer um que ameace lhe tomar a chave do cofre.

Essa contextualização sobre partidos e sindicato é importante para que não se pense que a saída para crises, por mais tempo que durem, seja a desfiliação ou a culpabilização de partidos e a generalização destes como se todos tivessem a mesma ideologia. A partir daqui podemos compreender o próximo ponto, que é a atuação do SINDOURADO no governo Rollemberg.

A nova estratégia do SINDOURADO: esquecer Agnelo e mirar em Rollemberg

 

Nenhum sindicato quer sua imagem atrelada ao de um governo, mesmo que faça campanha descaradamente para ele utilizando a estrutura milionária de um dos maiores sindicatos do Centro-Oeste. Durante os quatro anos da gestão corrupta de Agnelo, o SINDOURADO, seja a gestão anterior ou a atual, trataram de agir como um legítimo moleque de recados do governo petista. É notório que vários diretores do SINDOURADO indicaram familiares e amigos para cargos comissionados na imensa estrutura criada pelo PT no GDF para abarcar os dezesseis partidos da coligação de 2010. Com um trem da alegria sem fim, a independência do sindicato ficou seriamente prejudicada, como foi inclusive admitida por diretores, incluindo o próprio WD, presidente da entidade, como a mídia burguesa o anuncia ainda que não exista esse cargo no sindicato.

Após a tão esperada saída de Agnelo, o que mais se leu nas redes sociais das professoras são duas cobranças:

  • Exigir do novo governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), o recebimento imediato dos direitos trabalhistas não pagos por Agnelo; e
  • Ir à Justiça para que esta julgue as sanções cabíveis (incluindo prisão) de Agnelo por não ter realizado os pagamentos às professoras.

O primeiro ponto o SINDOURADO irá cumprir, até mesmo porque a estratégia política é ótima: faz-se um ato dia 06/01/2015, antes mesmo do prazo dado inicialmente por Rollemberg para o pagamento da dívida de Agnelo. Desse ato só podem sair duas conseqüências:

  1. Se Rollemberg pagar a dívida de Agnelo, o SINDOURADO posa pra foto (mais uma), desvia um pouco a lembrança do governo que apoiaram e diz que “só a luta e a mobilização constante das professoras são capazes de garantir nossos direitos”.
  2. Se Rollemberg não pagar os direitos das professoras dia 08/01/2015, o SINDOURADO convoca outro ato e diminui o desgaste que vem sofrendo constantemente na web, quase um cyberbullying, afirmando que já está na luta desde os primeiros dias do ano.

A tendência é que ocorra a primeira opção e Rollemberg pague as professoras, o que significa salvar a pele do SINDOURADO e de Agnelo. Contudo, engana-se quem pensa que o sindicato irá mover uma palha sequer para que Agnelo pague por seus crimes. Isso é completamente impossível! Jogar Agnelo na cadeia é se acusar de estúpido ou, pior, de corrupto. Rollermberg diz que Agnelo deixou 64 mil reais em caixa. O SINDOURADO diz que Agnelo deixou mais de 1 bilhão de reais, fora os recursos do mês. É vexatório para o SINDOURADO querer bancar o herói a essa hora do jogo e de forma tão mesquinha. Afinal: se Agnelo deixou 1 bilhão em caixa, por qual motivo professoras esperam pagamento há dias? Por quê Agnelo, ele próprio, não pagou o que era dívida de seu governo? É claro que com 64 mil reais ou 1 bilhão de reais isso tudo é uma farsa, pois discute-se apenas uma dimensão do problema, que é o pagamento das professoras, deixando a outra vertente de lado, que é a resposanbilização criminal de Agnelo por improbidade administrativa.

O SINDOURADO utilizou a verba de contribuição sindical das professoras para tentar a qualquer custo manter o trem da alegria petista e para isso nosso dinheiro foi para o ralo. Petistas como Rejane Pitanga, Wasny de Roure, Magela, Agnelo e Dilma ganharam destaque com depoimento e foto de eventos que participaram exclusivamente com intuito eleitoreiro. O resultado veio nas urnas e foi a derrocada do PT que diminuiu a bancada na CLDF de seis para quatro distritais. Na Câmara Federal perdeu um deputado, sendo que Kokay foi reeleita com a ajuda dos votos de legenda do pastor fundamentalista Ronaldo Fonseca. Magela ficou atrás até do fantasma Gim que só conseguiu ser senador porque era segundo suplente de Roriz e assumiu com o escândalo da bezerra de ouro em 2007. Agnelo ficou atrás até mesmo de Frejat que assumiu a vaga de Arruda no final da campanha e Dilma tomou uma lavada no primeiro e segundo turno nas urnas do DF. A publicação Quadro Negro do SINDOURADO virou Quadro 13, mas as edições de número 188, 189 e 190, correspondentes aos meses setembro, outubro e novembro e que fazem campanha deliberada para a companheirada e balanço do governo Dilma sumiram do site (veja em: http://www.sinprodf.org.br/quadro-negro/ – acesso em 05 jan. 2015). Alguém sabe dizer por qual motivo isso aconteceu?

Pois é professoras, nem com todo nosso dinheiro gasto o PT conseguiu se recompor da lambança que foi Agnelo como governador. Consequentemente, o maior desejo do SINDOURADO é esquecer as fotos e declarações que deram de que o governo Agnelo avançou muito no DF, sobretudo em educação. O SINDOURADO e o governo do PT no GDF se misturam, então não há como eles solicitarem a prisão ou outra medida mais dura do ex-governador. É como se eles falassem pra eles mesmos que tem que ir juntos dividir cela com Agnelo, porque o apoiaram até na greve chapa branca que agora fazem questão de anunciar. Com grande parte do orçamento familiar vinculado à Agnelo através dos cargos comissionados entregues aos “amigos do SINDOURADO”, ai do sindicato se ousasse fazer algo contra o governo. A relação nunca foi entre governo e representantes das professoras mas entre patrão e empregados. Foi assim que o Agnelo aproveitou para deitar e rolar em quatro anos de mandato. Seria mais fácil recuperarem 100% do dinheiro desviado da operação Lava-Jato do que o SINDOURADO mover uma ação judicial maior que o teatro que fizeram em dezembro de 2014.

Rollemberg, por sua vez, teve financiamento de campanha tão ou mais comprometido que Agnelo e Arruda. Seus aliados na CLDF, como Celina Leão (PDT), não farão absolutamente nada para que as professoras passem a perceber maiores remunerações ou tenham melhores condições de trabalho. Hélio Doyle, braço direito de Rollemberg, é especialista em plantar crises pra conter gastos, menos o seu salário, claro. Há quem se engane com o novo governo que de socialista tem apenas o nome na sigla e as chamadas no Correio Braziliense, mas a situação que nos aguarda é caótica e o SINDOURADO vai querer se mostrar como o salvador da pátria para perpetuar as mesmas figurinhas na Direção. Então professora, reconheça que parte dessa grande piada de péssimo gosto que é a negação de nosso pagamento advém do seu voto no “colega de muitos anos”, na viagem pra Caldas Novas com o tapinha nas costas, no transporte de eleitoras, nas urnas sem fiscalização e em todo o tipo de voto de cabresto que você participou para dizer que a “sua chapa” ganhou o sindicato. Bem, está ai o resultado. Se acha que porque mudou o governo a próxima chapa do SINDOURADO, que serão praticamente as mesmas pessoas, irá lhe representar bem, porque dialoga, porque não são os “comunistas doidos”, por favor, ao menos da próxima vez assuma a sua parte nessa dívida ao perceber que há algum tempo não temos SINPRO, mas sim um SINDOURADO. Se era diálogo o que queria, o SINDOURADO conversou muito bem com Agnelo e agora quer te fazer esquecer de que foi o cão de guarda do pior governo que o DF já teve. E olha que pra superar Roriz, Cristovam, Arruda e Rosso tem que se esforçar muito, mas Agnelo e SINDOURADO, juntos, conseguiram.

*Em respeito à questão de gênero e à luta das professoras por visibilidade em uma sociedade patriarcal, o texto foi todo generalizado no feminino por se tratar de uma categoria composta em sua maioria por mulheres.

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Uma conversa para além do voto

Olá colegas!

Venho aqui dialogar não só com quem ainda não definiu o voto, mas com quem já decidiu, com quem votará nulo, com quem não acredita mais em política, com quem não vota na esquerda de forma alguma, com quem não vota em liberais etc. Além de apresentar meus candidatos, gostaria de esclarecer alguns pontos que são extremamente importantes e que, infelizmente, não são debatidos, pois as pessoas só querem o seu voto e nada mais. Pensemos para além das eleições.

Temos que entender, de uma vez por todas, a diferença entre eleição majoritária e eleição proporcional. Na eleição majoritária vence quem tem o maior número de votos. É o que ocorre com os cargos de Presidente, Governador e Prefeito, no caso do Poder Executivo, e Senador, no caso do Poder Legislativo. Na eleição proporcional, que são os cargos de Deputado Federal, Deputado Estadual (ou Distrital, no caso do DF) e Vereador, os partidos e coligações elaboram uma lista aberta. As vagas dependem do quociente eleitoral, que é o número de votos válidos dividido pelo número de cadeiras que o Estado (ou DF) dispõe, no caso da Câmara dos Deputados. O DF conta com 8 (oito) vagas na Câmara dos Deputados e 24 vagas na Câmara Legislativa do DF. É por isso que muitas vezes o seu candidato, mesmo tendo mais votos, não ganha. É que os votos são contados dentro do partido e coligação e não por candidato. Daí, um candidato com muitos votos fica atrás de outros que, mesmo com menos votos que ele, pertencem ao mesmo partido ou coligação e aí é aquela velha história de sempre: os puxadores de votos!

Foi assim que Enéias puxou vários candidatos em São Paulo, ou Arruda em 2002 puxou candidatos com denúncias de corrupção. Tiririca parece ter descoberto sua vocação: ser puxador de mensaleiros! Em 2010, foi o candidato mais votado em São Paulo e levou consigo os mensaleiros João Paulo Cunha e Valdemar Costa Neto. Esse ano, por incível que pareça, Tiririca está novamente à frente das pesquisas. Em 2014, no DF, as coligações sem consistência ideológica permanecem. Você pode votar na candidata Érika Kokay, uma excelente defensora dos Direitos Humanos e da comunidade LGBT, e eleger o Capitão Bruno da PM (famoso pelo jargão “fiz porque quis” enquanto abusava de autoridade contra manifestantes em ato contra os desmandos da Copa). Porém, a situação é ainda pior: o candidato principal da coligação é Ronaldo Fonseca, mentor do Estatuto da Família e membro da Bancada dos Fundamentalistas Neopentecostais da Câmara dos Deputados. Vejam que coisa bizarra pessoal… Você vota numa candidata progressista e ajuda um representante do conservadorismo.

Portanto, é bom ter coerência na hora do voto. Não basta olhar as propostas do seu candidato, mas saber quem são os concorrentes que estão à frente pelo mesmo partido ou coligação, pois são eles que herdarão o voto daquele candidato que está mais próximo de você por ser da sua categoria profissional, igreja, bairro etc. O PSOL no DF não está coligado com ninguém e qualquer tentativa de ir de encontro às nossas bandeiras, como ocorreu recentemente, é duramente combatida pelo partido, que não aceita que direitos humanos sejam rifados em nome de mais tempo de TV no horário eleitoral, financiamento de cartéis ou eleger candidatos a qualquer custo. Por isso, apresento meus votos em 2014, todos do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), não para que votem neles, mas para que conheçam essas pessoas, pois independente do resultado da eleição, já na segunda-feira (06/10/2014), elas continuarão na luta com a população, como sempre estiveram, como sempre continuarão a estar.

Deputado Distrital: Fábio Felix n. 50.321 – Para Deputado Distrital, meu voto é de Fábio Felix 50.321. Fábio foi meu colega no DCE da UnB na época em que derrubamos o reitor em 2008 e atualmente é Assistente Social da Secretaria da Criança e Adolescente. É mestre em Política Social pelo Departamento de Serviço Social da UnB e participou do VIOLES (Grupo de Pesquisa sobre Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, Violência contra a Mulher e Tráfico de Pessoas). É uma das principais lideranças da comunidade LGBT no DF. Trabalha com jovens infratores que cumprem medida sócio-educativa e é um defensor intransigente dos Direitos Humanos. Também esteve no Movimento Fora Arruda e Toda Máfia e no combate aos desvios de verba da Copa do Mundo promovidos pelo GDF.

Deputado Federal: Rafa Madeira n. 5.000 – O Rafa Madeira é um colega de muito tempo. Foi eleito pela comunidade do Plano Piloto Conselheiro Tutelar da Asa Norte por duas gestões e é um incansável defensor dos direitos da criança e adolescente. Participou dos principais atos da política recente no DF, como a Ocupação da Reitoria da UnB em 2008, nos ajudando a derrubar o reitor. Rafa também colaborou no Movimento Fora Arruda e Toda Máfia, no Comitê Popular da Copa, denunciando os abusos feitos pelo Estado para aumentar os lucros da FIFA e empresários. Trabalhou o Disque 100 e com o Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua. Rafa é formado em Direito e atualmente estuda Serviço Social comigo na UnB. É uma pessoa inserida nas lutas há muitos anos e será um mandato coletivo na Câmara dos Deputados, com a participação dos movimentos sociais como MST, MTST, dentre outros.

Senador: Aldemário Araújo n. 500 – Para Senador, votarei em Aldemario Araújo, número 500. É procurador da Fazenda, membro da OAB-DF, Professor do curso de Direito da Católica e combate os abusos em financiamentos de campanha, principalmente por bancos e empreiteiras. Já denunciou vários desses financiamentos corruptos que certamente destruirão ainda mais o patrimônio do DF.

Governador: Toninho n. 50 – Para Governador, meu voto vai para Toninho, n. 50. Psicólogo, Servidor do Ministério da Saúde, Toninho não é desses oportunistas que aparecem somente em ano eleitoral com financiamento de multinacionais para ocupar o GDF e lotear as licitações entre seus patrocinadores. O que Toninho fala é coerente com sua prática cotidiana. Defensor dos movimentos sociais, Toninho não abre mão da luta em defesa dos servidores públicos, do concurso, e quer acabar com a farra dos cargos comissionados em que se transformou o GDF, onde a “companheirada” ocupa, sem mérito algum, grande parte dos cargos que deveriam estar à disposição para concorrência pela população.

Presidenta: Luciana Genro n. 50 – Para Presidenta, votarei em Luciana Genro n. 50. Luciana é advogada, militante dos Direitos Humanos e em 2013 enfrentou a polícia que, a mando do próprio pai, Governador do Rio Grande do Sul pelo PT, atacou os manifestantes que fizeram o enfrentamento exigindo redução do aumento da tarifa de ônibus e dos gastos da Copa do Mundo. Luciana foi quem trouxe, pela primeira vez, a questão da criminalização da homolesbotransfobia ao debate dos presidenciáveis. Não tem rabo preso com multinacionais, bancos ou outras empresas que financiam os principais candidatos a presidência e, por isso, tem liberdade para cumprir um mandato de luta e ao lado da população brasileira.

Mais importante que o voto, faço um chamado para que a disposição de mudança permaneça após as eleições. Não podemos discutir política apenas em época de eleição ou votar e delegar funções a parlamentares, dando uma carta branca à atuação deles. É preciso ir além! por isso, organize-se após as eleições, seja em partido, seja na sua reunião de condomínio, no seu sindicato, na sua igreja, em movimentos sociais (movimento estudantil, partidos políticos institucionalizados ou não). Participe da vida política de seu país e contribua para a melhoria do país.

Caso a sua opção seja pela via partidária e queira conhecer o PSOL, estaremos de portas abertas esperando as suas críticas, elogios, sugestões, mas sem dar um passo atrás na defesa dos movimentos sociais, da população socioeconomicamente vulnerável, da comunidade LGBT, dos direitos reprodutivos das mulheres, de uma política de saúde que substitua a guerra às drogas, da não aprovação da redução da maioridade penal. Essas são algumas de nossas bandeiras. Venha conhecê-las, venha fazer parte dessa mudança, de uma política que não é nova porque já a defendemos há muitos anos, mas não se pinta de novidade e tem na sua prática e em seus apoiadores os maiores ladrões desse país.

“Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

Mahatma Gandhi

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Arruda e gangue agridem fisicamente manifestante do PSOL

Na tarde de hoje, 19/09/2014, o ficha suja José Roberto Arruda agrediu Amintas Rocha, que é policial civil e candidato a deputado federal pelo PSOL. A confusão aconteceu na Feira dos Importados e teria começado quando Arruda chegou para cumprimentar Amintas em uma das bancas, fazendo o seu papel esdrúxulo de “paz e amor”. O candidato, que não é ficha suja, recusou o aperto de mão, ao passo que Arruda o xingou e partiu com sua claque para cima do candidato do PSOL.

O ódio de Arruda ao PSOL é antigo. O PSOL foi um dos partidos que participou do Movimento Fora Arruda e Toda Máfia, que se iniciou com a ocupação da antiga sede da CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal) em dezembro de 2009 e terminou com a saída do governador pouco tempo depois. O PSOL foi também o partido que entrou com pedido de impugnação de Arruda no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) por considerar Arruda ficha suja.

Arruda, que já antecipou que vai sair da vida pública, poderia ter ficado sem mais essa mancha em seu currículo, ainda que seja a menor delas diante de tantas denúncias de corrupção. Para quem não lembra, Arruda violou o painel do Senado e saiu para não ser cassado. Depois disso, foi flagrado recebendo dinheiro de propina, no escândalo que ficou conhecido como Mensalão do DEM (Partido Democratas). Já nesse ano, foi novamente flagrado pelas câmeras em reunião que afirmava ter maioria de votos no Judiciário para conseguir ser absolvido no processo do TRE que cassou sua candidatura. Hoje, Arruda mostrou que não é uma pessoa sem ética somente na política e partir para a agressão física contra um candidato que tem todo o direito de não apertar sua mão suja de corrupto.

Qual será a próxima denúncia contra Arruda?

Veja vídeo em que Arruda aparece no tumulto:

https://www.youtube.com/watch?v=wNcIXomNLc4

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Maniversa: sou chapa 4 em versos alternados

 

Tinham dois ali parados

E um terceiro a chegar

Do RU eles reclamavam

Que não dava pra agüentar

 

Logo adiante, caminhavam

Meninas em grupo pelo ICC

Os estupros aumentavam

Algo tinham que fazer

 

E no Gama, outro estudante,

Quase o Rei da Derivada,

Começou a achar irritante,

A Copa superfaturada

 

Na Ceilândia, uma negra,

Moradora do Sol Nascente

Contestava uma regra

De festa para os discentes

 

Foi um homem lá do campo

Em Planaltina, na área sua,

Que com cara de espanto

Protestou, saiu às ruas

 

E o negro que estava passando

Se sentindo incapaz

Viu um black ali pintando

Outro black no cartaz

 

Oprimido, veio o gay,

Deu uma olhada e assim falou:

Que babado é esse eu sei

E tô dentro, sou amor

 

Veio a lésbica da engenharia

Que temia se mostrar

E gritou com alegria:

Também vou participar

 

Do 110 os trabalhadores

Cansados de humilhação

Chegavam sempre aos montes

E nos davam a razão

 

Gente jovem, velha gente,

Gordo e magro, podes crer

De partido e independente

Gente assim, como você

 

E o grupo reunido

Até que enfim ousou brigar

E a trincheira do coletivo

É o local de estudar

 

Fez-se assim a confiança

Permitiu-se construir

Isso sim é aliança

Para além de consumir

 

Pois os tais parlamentaristas

De outrora, agora são,

Da dinastia dos partidos

De direita sem filiação

 

O discurso é batido

Todos sabem, tá manjado:

Por não ser contra partidos

Sempre lançam um deputado

 

Mas na hora do assento

Ao cargo de DCE

É só mostrar o documento

Não sei o quê lá do TRE

 

Democracia é com a Aliança

Na enquete manipulada

Jogou as cotas na lama

E ainda se faz de coitada

 

Esse foi o estopim

Que me fez acreditar

Que não dá pra ser assim

DCE é pra lutar

 

Nunca polo de racistas

De luta contra o negro

Acusando os cotistas

De serem baderneiros

 

Tome partido, tome lado,

Mesmo que não seja institucional

Pois o que não se diz filiado

É candidato a Distrital

 

Chega de DCE parado

Lutando pelo que não deve

Bem mais sujo que nossos rabos

É a caixa-preta do CESPE

 

Não tem política a Reitoria

Para estudantes necessitados

Mas tem a Aliança corrompida

Seu moleque de recados

 

Da luta eu não saio

Ser covarde não me interessa

Nos dias 14 e 15 de maio

Vote 4: Manifesta!

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UnB e a privatização escancarada do RU

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Tudo bem que o Reitor da UnB, Prof. Ivan Camargo, nunca teve vergonha na cara de apresentar seu projeto privatista que vem destruindo a universidade de forma exponencial a cada ano. Mesmo com a chegada das cotas sociais, é impressionante como a atual gestão da UnB conseguiu elitizar ainda mais a instituição. Trabalhando na UnB por 9 anos percebi bem como esse processo ocorreu.

A última dos liberais é a privatização, em larga escala, do RU, o Restaurante Universitário. A compra de refeições para apenas ser distribuída nos refeitórios já é uma prática antiga, que esteve presente na gestão do ex-reitor José Geraldo de Souza Júnior. Tempos antes, em 2004, na gestão do ex-reitor Lauro Morhy, mudou a configuração da natureza administrativa dos funcionários do RU, que deixou de ter a maior parte desses trabalhadores como sendo do quadro da FUB, portanto concursados. Os dados que informam essa mudança estão no Anuário Estatístico UnB de 2004, disponível no site do DPO (Decanato de Planejamento e Orçamento).

Desde a primeira gestão de Lauro Morhy (1997-2001), os funcionários foram substituídos, pouco a pouco, por terceirizados, chegando a representar a maior parte do RU no final do segundo mandato. Isso foi uma das ações que minou de forma substancial a greve dos servidores, principalmente quando a URP, gratificação do salário dos técnicos e docentes que corresponde a 26,05% do vencimento básico, estava em pauta. Assim, é em 2004, com a latente privatização da mão-de-obra do restaurante, que é lançado o embrião do que vem a ocorrer a partir da próxima segunda-feira, dia 14/04/2014: a venda de refeições a R$ 21,58 o quilograma!

Ao lançar o post acima em seu perfil no Facebook, vários alunos da UnB questionaram o ocorrido, reclamando da decisão que ninguém sabe onde foi tomada. Caso queira acompanhar a repercussão da mensagem do RU, basta clicar no link abaixo:

https://www.facebook.com/pages/Restaurante-Universit%C3%A1rio-Unb/643873832315032?hc_location=timeline

Ao responder o questionamento de um dos estudantes que reclamou do “serviço” prestado, a empresa que administra o RU disse que

Esse é um serviço novo que não será subsidiado pela UnB, e não interferirá nas filas, tendo em vista que estamos aproveitando para esse fim um espaço que há muito tempo estava desocupado. No passado, o mezanino já abrigou um restaurante a la carte.

Quando entrei na UnB, em 2003, lembro que existia um restaurante a la carte. Lembro também, mesmo que não seja justificativa para o espaço do RU, que ele tinha preço muito mais acessível do que a atual empresa cobra hoje e a UnB tinha 1/3 a menos do total de estudantes que tem em 2014, considerando somente o campus Darcy Ribeiro. E a empresa parece preparar o público para a notícia 2 dias antes, ao anunciar num post de 9 de abril, também em sua página no Facebook, o tempo médio de espera nas filas. Para a empresa, já que não se usa o mezanino até agora para o público em geral, a solução capitalista encontrada para lucrar mais foi abrí-lo e vender refeições pela bagatela de R$ 21,58, uma ninharia perto do aperto que passam alunos de baixa renda que chegam a passar fome em finais de semana que não tem o apoio do RU para comer.

Diante disso, algumas perguntas que a Reitoria deveria responder:

1- Se o RU é um prédio construído com verba pública, por qual motivo os usuários devem ceder o terceiro andar para que se venda refeições enquanto outros esperam na fila? E olha que estou sendo bastante reformista de nem questionar o fato de restaurante privado na universidade, mas “apenas” questionando o espaço em que isso é feito.

2- Se um dos objetivos da universidade é promover o humanismo, conforme consta no seu Estatuto que está disponível no site, como isso pode ser feito promovendo uma segregação de espaços no RU entre quem pode pagar e quem comerá a comida que volta e meia os estudantes publicam fotos de lesmas nojentas nas guarnições e saladas?

3- Por qual motivo no mesmo restaurante universitário teremos refeitórios com usuários comendo (sic) bife a cavalo, supremo de frango, panqueca de soja com ricota e espinafre, macarrão ao sugo, saladas verdes variadas, tábua de frios, pudim de leite e, em outros refeitórios teremos filas para comer Silveirinha?

4- Por qual motivo no mesmo restaurante universitário, pertencente à UnB (ou pelo menos achamos que assim o seja), temos um (sic) cardápio variado e sabor requintado e, para os mortais, o prato do dia?

5- Por qual motivo o restaurante universitário, conhecido ponto de encontro dos estudantes da UnB, que agrega todas as classes, cores e pensamentos, quer criar um espaço de exceção, atingível pelo poder econômico? Quem ganha com isso é quem tem dinheiro para comer nesse espaço e a empresa ou os estudantes que não podem pagar pelo serviço e esperarão as migalhas desse manjar?

6- Por qual motivo a empresa que administra o RU quer se aproveitar, de forma oportunista, de uma obra já construída para atender à comunidade universitária, bem como a comunidade externa, como sempre o foi, para aumentar sua frente de capital e ter lucro para além do firmado em contrato? O que mais será vendido no RU? Protetor solar? Havaianas? Ingressos para a Copa da Corrupção? Qual o limite do olhar capitalista do dono da empresa e da negligência, ou seria conivência, da Reitoria?

7- Se uma empresa quer ter lucro, pode ela se locupletar de uma concessão para agir ao arrepio da lei acreditando que a única coisa que se deve olhar nessa questão é o subsídio direto do valor da alimentação pela UnB? A energia gasta na refrigeração das carnes, é para o cupim dos seres humanos ou para a Friboi dos deuses? Quem fiscalizará o alface com verme que irá para a “Geral” e o que irá para a “Cadeira Cativa”? Quando se abrir uma torneira para lavar um frango no RU, é o frango dos pobres ou dos ricos? Um Centro Acadêmico quando faz festa no Centro Comunitário paga taxa de limpeza. Uma empresa Júnior paga 5% de FAI (Fundo de Apoio Institucional). A empresa paga algo para a UnB? Quanto? Cadê a transparência Reitoria? Coitado de quem acredita que usar o RU é só uma questão de subsídio de alimento.

8- O contrato de permissão para exploração (literalmente) do RU (e de nós) permite a utilização do mezanino e, caso permita, instrui de que forma o espaço deve ser utilizado? Quem fiscaliza essa farra do RU com a estrutura paga por nossos impostos para enriquecer sabe-se lá quem? Já foi investigado se os acionistas da empresa tem alguma relação de parentesco com servidores da FUB, inclusive da Reitoria? Está aí uma boa pesquisa de jornalismo investigativo para os jornais da cidade.

9- Pode a Reitoria ter feito uma concessão para que a empresa servisse alimentações utilizando o RU e, aproveitando-se de “brecha” em contrato, a empresa começasse a usar o espaço de forma indevida?

10- Só por curiosidade de saber “quem está no comando”, quem administra o perfil do RU no Facebook é a UnB ou a empresa privada? Quem anuncia o preço, cardápio, tempo nas filas, e como é gerido o perfil, passa por algum controle da UnB ou eles podem fazer o que quiser usando o nome da universidade? Será que no pacote da concessão a empresa comprou a ética da Reitoria junto?

Para mim a atual administração do RU comete o mesmo crime que cometeu Timothy Mulholland ao ser DEPOSTO pelo Movimento Estudantil da UnB em 2008. Ele morava num apartamento funcional, com fins de representação da imagem institucional que um reitor exige. Nossa, que pompa! Porém, a conta de água, luz e mesmo os móveis utilizados no apartamento de Timothy não eram somente para fins de representação, mas para tomar um banho, escovar os dentes, ver um filme, tirar uma soneca (sim, tinha cama no apartamento, não se sabe para quê se é representação institucional!) e outras coisas. Tudo bem a empresa ter lucro, mas que construa seu restaurante e não utilize o espaço e o dinheiro público para isso, de forma descarada, separando os que podem ou não pagar.

Com uma Reitoria que trabalha contra os estudantes de baixa renda, um DCE da Aliança pela Lambança que aprova qualquer iniciativa de venda da UnB e uma ADUnB não menos porca tendo um moleque birrento de presidente que dá socos na mesa em assembleias de docentes, faz sentido a atual empresa agir como bem entender. Resta aos atingidos por essas medidas agirem para impedir, na luta, na ação direta, na ocupação do RU, os desmandos de quem autoriza – ou neglicencia seu papel de lutar contra autoritarismos, como o DCE – e devolver o RU à comunidade acadêmica e à sociedade. A nova roupagem de desvio de verba das fundações privadas está colocada de forma bem caracterizada no RU. E que o reitor Ivan Camargo tenha o mínimo de vergonha na cara e abra a garagem de sua casa para a empresa montar o seu self-service por lá.

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A mágica do aprendizado de novos signos…

Para começar a contar a minha história com as letras, números e outros signos não começarei pelos meus pais, mas pelos meus avós. Por parte de meu pai, não conheci os meus avós, mas sei que meu avô paterno era português e exigia uma educação rígida dos filhos, ao passo que minha avó materna ajudou a criar meus irmãos (sou o filho caçula) na mudança de meus pais de Belém para Brasília. Meu pai finalizou o Ensino Médio cursando técnico em contabilidade e trabalhou como caixeiro viajante (profissão extinta) no interior do Pará, vendendo livros e remédios. Conheci meus avós maternos e tenho uma boa lembrança deles. Cibhy Ayan, um sírio que chegou no Brasil na década de 1930, não deixava as filhas estudarem. Minha mãe, portanto, estudou até a quinta série e somente uma irmã concluiu o Ensino Superior, ao passo que os homens, se não optavam pelo estudo, ajudavam no comércio com o pai. Minha avó materna cuidava dos 14 filhos e meu avô administrava o comércio em Belém, além de ter que prover os 14 filhos com minha avó e outros filhos de uma segunda esposa. É desse contexto que inicio minha prática de aprendizagem.

Desde criança fui cercado de muito material em língua portuguesa. Sempre tive muitos gibis ou revistas jornalísticas em casa, fruto do trabalho de meu pai como “publicitário prático” – na época em que trabalhou a graduação não era tão necessária como é hoje. Andava a chutar páginas e páginas de letras pela casa, ouvindo minha mãe reclamar que tudo sempre estava desarrumado, mas aquela desarrumação, com aqueles signos, mesmo que minha mãe não percebesse, iriam fazendo sentido em minha cabeça. Chutei o A, o B, o C, maiúsculo e minúsculo, em várias fontes, de vários tamanhos, e devo ter chutado muitas outras letras e números que não me recordo agora. O A, o B e o C me lembro que chutei. Também chutei gravuras, capas, editoriais, opiniões. Tudo que passava pela minha frente era como o Mandarim para a maioria dos brasileiros, mas com o tempo se tornou, cada vez mais a minha língua, a minha forma de comunicação com o mundo.

O fato é que desde muito pequeno o meu pai sempre jogava aquelas letras em cima de mim. Às vezes pegava em meu braço, outras na perna, pegava no ombro. Em cada lugar que me tocavam alguns signos ficavam e outros caiam no chão para serem varridos, ou melhor, eram varridos, mas não precisava. Talvez se eu passasse novamente poderia aproveitá-los, ali pelo chão, para compor uma musica. No início, o que mais ficavam em mim eram as gravuras. Com três anos, eu já sabia ler gravuras e não as estranhava como um recém-nascido. Ainda bem! Um pouco mais tarde, li a palavra cachorro, numa revista de cães que tinha em casa. Lembro-me perfeitamente disso, porque associo o aprendizado dessa palavra com a Tuty – com um t e um y, era assim que se escrevia o nome dela – uma cadela vira-latas que tínhamos em casa. Hoje, como Pedagogo e professor, acho no mínimo curioso que tenha lido uma palavra com dois dígrafos, mas era o que fazia sentido para mim, era cachorro, não era o que insistiam em me ensinar na escola, em casa ou nas aulas de reforço que volta e meia eu fugia para ir jogar bola, até minha mãe descobrir e me levar até a casa da professora.

Com o passar do tempo, meu corpo foi ganhando mais cola, e cada vez eram varridas menos letras do chão de casa. Recordo-me que meu pai era diretor no Estado de São Paulo no fim da década de 1980 e eu estava começando a me alfabetizar. Aqueles jornais largados pela casa iam cada vez mais sendo incrustados, acho que é essa a palavra, ao meu corpo, à minha subjetividade, e eu ia crescendo e absorvendo todos aqueles signos. Foi assim com o DCI (Diário, Comércio e Indústria), com a revista Globo Rural, com o Meio & Mensagem e outras publicações em que meu pai trabalhou. Era ele entrar para trabalhar numa empresa e, como um ímã, quando eu me aproximava dos signos que estavam naquelas revistas, eles pouco a pouco tomavam conta de mim.

Hoje vejo o quanto foram importantes esses signos em meu aprendizado e minha paixão pela escrita e pela leitura. É claro que não descarto o papel dos professores que tive na Escola Classe 305 Sul e das aulas de artes e práticas desportivas na Escola Parque 308 Sul, em Brasília. Não, de forma alguma poderia esquecer que sei N + O = NO porque é a primeira sílaba de nota, e foi na Escola Parque que aprendi a tocar flauta doce e hoje ensino para meus alunos. Não esqueci que T + A = TA porque é a segunda sílaba de lata, e foi numa campanha de reciclagem em 1992 na Escola Classe 305 Sul em que comecei a minha coleção de latinhas que tenho até hoje encaixotada em algum lugar aqui de casa.

Porém, é inegável que sem quadro, sem sinal sonoro que parece sirene de presídio, sem uniforme, sem cadeiras duras e currículos desvinculados de minha realidade que saíram da cabeça de algum desses burocratas que insistem em falar de educação sem nunca ter pisado em uma escola, também aprendi muita coisa. Foi chutando as letras, os números, as gravuras, as músicas, os vídeos, quando ainda nem sabia identificar seu significado, que passei a dominar esses signos e conheci meu primeiro professor, sem sequer ele dizer que estava me ensinando. Valeu meu velho! Valeu pai!

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