#CALOTESIM como o SINPRO mudou de opinião em 24 horas

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Você deve estar se perguntando: bem, se saímos da greve é porque a proposta do governo melhorou. Errado: ela piorou!

O Sindicato dos(as) Professores(as), o SINPRO, é um dos sindicatos com mais dinheiro em toda América Latina. Chega a arrecadar mais de 2 milhões por mês com a contribuição de 1% de filiados(as). São 24 milhões de reais por ano ou 72 milhões de reais por gestão (3 anos). Dessa verba, cerca de 10% (200 mil reais por mês) da arrecadação do SINPRO vai para a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e outros 10% para a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação). Tanto a CUT como a CNTE não passam de secretarias do PT (Partido dos Trabalhadores), dinheiro que vai para nossos algozes, para aqueles que lutam contra o interesse de nossa categoria. É só pensar o seguinte: se o que garante o nosso reajuste são 12 milhões de reais por mês e tivermos 50% de filiados (e temos mais), são 6 milhões de reais mensais para pagar filiados ao SINPRO. Desses 6 milhões de reais, 60 mil vai pro SINPRO, 6 mil pra CUT e 6 mil pra CNTE. Pode parecer pouco mas é assim que se constrói o montante milionário que irrigam as campanhas petistas de forma indireta país afora, além da construção de suas figuras públicas.

Então agora que a CUT e CNTE retiraram todos os sindicatos que controlam das greves você já entendeu tudo. Quando pensaram que iam perder a mesada milionária que recebem do SINPRO, ou seja, de nós, trataram logo de colocar o garoto pra dentro de casa pra tomar banho e dormir. É assim que tratam os(as) professores(as). Foi por causa da cobrança da multa da justiça e do não repasse pelo corte de ponto dos(as) docentes que o SINPRO pensou: “ok pessoal, agora acabou a brincadeira porque vocês podem ficar sem reajuste, mas nós não podemos deixar de pegar sua contribuição mensal! Também ganharíamos mais com o reajuste de vocês mas mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.

Ser um sindicalista burocrático é o sonho de muito sindicalista corrupto. Há de se fazer uma ressalva com alguns militantes sérios que ainda estão no PT e que não aceitam as benesses do caminho fácil de rifar direitos trabalhistas em troca do conforto pessoal, mas são minoria e muitos já optaram por sair do partido ou mesmo deixar de militar. Ser um(a) sindicalista burocrático(a), pelego(a), é ser infinity ao não pagar conta de celular por três anos porque mesmo nas conversas demoradas com os amigos, justificará que é atividade de militância. É ir levar os filhos ao Nicolândia, abastecer o carro e mandar “fazer uma notinha” até maior do que a conta e em outra data, justificando como “piquete”, tudo para ser ressarcido pelo sindicato. Eu disse sindicato? Ressarcido por nós!

Fato é que o SINPRO em momento algum levou a greve a sério. Estava só esperando a justiça apertar a multa e o corte de ponto para encaminhar a saída do movimento. Leiam bem: essa pode ter sido a última ou uma das últimas greves de professores(as) no DF. Quando um sindicato não pode fazer greve por causa de multa e corte de ponto, automaticamente aceita a inconstitucionalidade de que não há direito de greve. Mais do que isso, a campanha salarial de 2015 não existiu e a de 2016 transformou-se em receber o reajuste depois de um ano e o retroativo só em 2017. Mas peraí: o reajuste já não foi conquista da greve de 2012? Foi sim. O nosso ganho no governo Rollemberg será receber em 2017 algo que conquistamos 5 anos antes. A isso se dá o nome de congelamento de salários, algo que o SINPRO não lhe falou ao encaminhar a proposta de encerramento da greve.

O TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios) até o momento nem fala de auditoria das contas do DF. A Câmara Legislativa do Distrito Federal não tem moral para votar mais nada, pois perdeu totalmente a credibilidade da população quando não pressionou Rollemberg a cumprir a Lei do Plano de Carreira. O Ministério Público lavou as mãos e não atende reivindicação das escolas nem quando a Defesa Civil alerta sobre riscos de desabamento, choque (o elétrico) e afins.

Rollemberg mandou a PM pra cima dos(as) professores(as), prendeu cinco, sendo um diretor do sindicato. O quê o SINPRO fez? Saiu da greve sem nenhuma conquista! O governador teve ganhos e perdas, mas do pouco que sangrou nada foi por causa de alguma ação do SINPRO, pois pisou e cuspiu no sindicato, como quem mata uma barata impotente. Logo agora que por nossa pressão as contas do DF começam a aparecer contradizendo o discurso de falta de recursos do governador, o SINPRO resolve sair da greve. O sindicato optou por brincar de Banco Imobiliário com a categoria e sai mais enfraquecido do que nunca, sem moral para construir outro movimento paredista. A marca da atual gestão do SINPRO é não ter conseguido nenhum ganho real para os(as) professores(as).

Resta ao SINPRO manter a coerência e a partir de agora fazer a campanha do #calotesim e, para não gastar tantos recursos que poderiam faltar aos nobres interesses da CUT e CNTE, é só fazer uma serigrafia na camisa, bordando o SIM por cima do NÃO. Aí convida a Sônia Báo (Vice-Reitora da UnB que SEMPRE foi contra greves e é odiada pelos funcionários), Celina Leão, Chico Vigilante, Reginaldo Veras, Israel Batista e toda leva de puxa-sacos que fingem se interessar com nossa causa e bate uma foto bem bonita, porque nossa luta é bem bonita, e em março de 2016 vamos fazer uma assembleia bem bonita, porque a categoria está de parabéns por ter feito uma opção bem bonita, e tudo é bem bonito quando se começa a campanha de 2018 em 2015.

Ah, sim, já ia esquecendo que a culpa não é do SINPRO mas sim da categoria que votou pelo fim da greve. Outra vez o SINPRO não tem culpa de nada uma vez que as falas que foram feitas no carro de som, “misteriosamente”, foram de pessoas do sindicato e de fora dele que nem se inscreveram. O SINPRO também não tem culpa se a oposição teve o volume do microfone reduzido e bem na hora de sua fala ocorreu microfonia. O SINPRO não tem culpa se a última fala foi de alguém dizendo “ano que vem não iniciaremos o ano sem uma proposta do governo que respeite os(as) professores(as)” enquanto alguns dos que tem celular e gasolina pagos por nós batiam palmas. O SINPRO não tem culpa de ter saído com uma proposta do Buriti ontem à noite e mesmo com toda a tecnologia que temos hoje – e que em 2014 foram utilizadas para fazer campanha para Dilma e Agnelo -, não publicizaram o documento da reunião com Rollemberg para já começarmos a fazer nossa análise, deixando tudo para ser atropelado numa assembleia em que se lia algo que já poderia estar no celular de todos(as) professores(as). Interessante que se fosse foto com parlamentar do PT na mesma hora já sai no perfil do Facebook de nossos representantes do sindicato. O SINPRO? Não, calma lá, o SINPRO não tem culpa de nada disso. Tudo isso ocorre em todas as assembleias. Não passam, pois, de coincidências.

 

 

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Professor(a): sempre quebrado(a), mas é do vidro que as pessoas tem pena

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Qual das duas fotos acima lhe chama mais a atenção?

Provavelmente você dirá que é a primeira, por não lhe ser tão familiar quanto a do professor Raimundo, personagem brilhantemente interpretado pelo finado humorista Chico Anysio. Quando a imprensa divulga uma foto de um vidro quebrado a primeira ideia que lhe vem à cabeça é violência. Essa violência, por princípio burguês, religioso, apolítico ou tudo isso junto, não pode ser associada à imagem de um(a) docente.

A figura do(a) professor(a) não é a de profissão, mas de vocação. Portanto, se dá aula por amor, se faz tudo pelos(as) alunos(as), não precisa de salário: o que vier é lucro. Por décadas nos acostumamos a rir ao ouvir a expressão “e o salário ó!” do Professor Raimundo, sem entender que a genialidade de Chico nunca foi a de ferir a honra dos(as) docentes, mas usar da ironia para demonstrar a falta de respeito com a categoria. Porém, há muitas pessoas interesadas em manchar a imagem dos(as) professores(as). Não basta ter vocação para ser explorado(a): é preciso baixar a cabeça e não se revoltar contra as diretrizes do governo.

Em outras palavras: foi Rollemberg (PSB) quem mandou quebrar o vidro na manifestação em frente ao Palácio do Buriti na manhã de 11/11/2015!

Não precisava estar no ato para comprovar isso. Quem desligou a TV quando o Alexandre Garcia começou seu show de horror e entrou em qualquer grupo de professores(as) no Facebook viu as pessoas que lá estavam com uma história completamente diferente da Globo ou do Correio Braziliense. Aliás, esses dois veículos de comunicação recebem o dinheiro de nosso reajuste em forma de propaganda do GDF ou incentivo fiscal como perdão de dívidas, ambas situações já ocorridas no governo “socialista” do PSB.

Resumindo: os estilhaços de vidro estavam todos para fora do Buriti, o que indica que foi quebrado do lado de dentro, local não acessado por ninguém da manifestação. O resto de vidro que ficou no chão foi varrido mais rápido do que o reajuste de nossas contas. Além disso, a manifestação não se aproximou da porta, de modo que pudesse quebrar o vidro com um chute ou outro objeto. Por fim, não há pedras no local, mas novamente sobrou cacetete e gás de pimenta nos(as) professores(as). O Palácio do Buriti é totalmente monitorado por câmeras, principalmente do lado de dentro, mas obviamente Rollemberg não vai entregar o capataz que pagou para quebrar o vidro e colocar a culpa no ato. Tampouco o Ministério Público, nosso arauto da imparcialidade e defensor da população irá solicitar as imagens para ver quem realmente quebrou o vidro. Parece que para termos direitos já concedidos, só se for na porrada, ainda que nessa briga entremos sem nenhuma proteção ou reação e a PM com todo o seu aparato de guerra. E no final nós que somos os(as) vândalos(as).

Essa tática de quebrar patrimônio público e colocar a culpa em servidor é mais velho que o trem da alegria que colocou o Rodrigo Rollemberg como concursado no Senado Federal. Timothy Mulholland, o ex-reitor da UnB famoso pelas lixeiras de mil reais, também tinha seus capangas que quebraram vidros no térreo da reitoria em local que nenhum manifestante acessou.

Os militares (sempre eles) também deram a sua contribuição com essa tática imunda: em 1981, no Rio Centro, antes da apresentação de artistas como Gonzaguinha, Chico Buarque, Gal Costa e Alceu Valença que iniciava as comemorações do Dia do Trabalho, detonaram uma bomba matando um dos seus, o sargento Guilherme do Rosário. Colocaram a culpa em quem? Claro, nos perigosos comunistas radicais comedores de criancinhas que queriam dominar o país. Descoberta a farsa, os militares admitiram que a intenção era matar os artistas. Até a Globo que sempre acobertou os vândalos, digo, militares, teve que reportar o fato. Clique no link abaixo e relembre o caso na reportagem do Fantástico:

Militares assumem ter a intenção de matar artistas no Rio Centro

E então, qual é a sua preocupação? Você olha para onde a mídia manda, que agora é a janela do Buriti, ou já aprendeu a olhar pros seus direitos, renegados diariamente pela imprensa?

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Reflexões para entender as eleições 2015 no PSOL

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Contextualização da composição do PSOL

No dia 08 de novembro de 2015 ocorreram eleições para a presidência de diversos diretórios estaduais do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). Historicamente, as eleições para direção de qualquer partido, seja qual for a sua orientação ideológica, são marcadas pela disputa de ideias de forma democrática e respeitosa. O PSOL é um partido que permite a existência de correntes, ou seja, agrupamentos de pessoas em torno de uma diretriz ideológica que tensiona as ações da sigla para seu lado. Como exemplo, podemos citar como tendências (sinônimo para correntes) do PSOL o MES (Movimento Esquerda Socialista), CST (Corrente Socialista dos trabalhadores), Insurgência, LSR (Liberdade, Socialismo e Revolução), CRZ (Coletivo Rosa Zumbi), APS-CC (Ação Popular Socialista – Corrente Comunista), APS-NE (Ação Popular Socialista – Nova Era), US (Unidade Socialista) e outras.

A US teve maioria no último Congresso Nacional do PSOL, ocorrido em Luziânia em dezembro de 2013. Com isso, o PSOL ficou sob o comando do presidente Luis Araújo, professor da Faculdade de Educação da UnB e membro da US. Participam desta corrente ou estão próximos à ela parlamentares como Edmilson Rodrigues (PA) e Ivan Valente (SP), além de Toninho e Maninha, ambos do DF. Frente à política equivocada da US de por vezes abandonar a luta nas ruas para tentar mais espaço institucional, com a política de gabinete, quase todas as correntes do PSOL uniram-se no chamado BE (Bloco de Esquerda), um agrupamento de quase todas as correntes do partido. O Bloco atua conjuntamente nas eleições para presidência do PSOL, bem como em outros espaços da luta partidária, e tem tido importantes vitórias sobre a US a ponto desta corrente ter feito plenárias paralelas aos congressos estaduais/distrital, como ocorreu no Ceará e no Distrito Federal.

Bloco de Esquerda X Unidade Socialista

Alguns militantes novos, pessoas que acompanham o PSOL não tão de perto ou mesmo a imprensa devem estar se perguntando: por qual motivo houve dois congressos em algumas localidades? O primeiro ponto a desmistificar é que não houve dois congressos. O que a US realizou no Ceará e no DF foi uma plenária, e tem todo o direito de fazê-lo. Os congressos do PSOL no DF e no Ceará, que contaram com a participação de todas as correntes, mesmo as que não se organizam pelo Bloco de Esquerda, ocorreu conforme horário e local anteriormente divulgados. não foram, portanto, um golpe. A US, percebendo que mesmo com inúmeras manobras iria perder o controle do partido, preferiu fazer uma plenária e chamar de congresso, atividade essa que não contou com nenhuma corrente além dela mesma.

Bem, isso foi o que ocorreu. Mas você ainda deve estar com dúvida: por qual razão o BE, ou seja, quase todas as tendências do partido, se unem contra a US? Para quem é socialista, essa é a questão mais fácil a ser respondida. A US, desde o congresso de 2013, tem piorado a forma como lida com as outras correntes e, além disso, repetido o erro do PT (Partido dos Trabalhadores), que é acreditar que existe aliança com setores da burguesia que tradicionalmente agem como inimigos dos trabalhadores. Vamos exemplificar para ficar mais claro…

A US tentou emplacar o senador Randolfe Rodrigues (AP) como candidato do PSOL à presidência do Brasil nas eleições de 2014. O partido disse que não faria campanha para Radolfe e alguns militantes já participavam da organização da campanha do candidato Mauro Iasi, Professor do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, candidato a presidência pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro). Foi aí que prevendo o fracasso que seria a verborragia de Randolfe nas eleições, com a militância do PSOL fazendo campanha para Iasi, a US resolveu tirá-lo de linha. Então o PSOL emplacou a gaúcha Luciana Genro, do MES, que fez uma importante campanha em pautas como a legalização do aborto, descriminalização das drogas, desmilitarização da PM, criminalização da homofobia, taxação de grandes fortunas, laicização do Estado e outros pontos. Defender essas bandeiras ou colocar o dedo na cara de Aécio Neves, definitivamente, não era tarefa para Randolfe. No DF, a US defendeu, inclusive em sua tese, a união do PSOL com (sic) setores progressistas, como o PSB de Rodrigo Rollemberg. Hoje os servidores do DF travam a maior luta contra congelamento de salários de sua história, algo que não ocorreu de forma tão desgastante nem com Arruda, Roriz, Cristovam e Agnelo.

A derrocada da US ficou mais evidente após Marina Silva conseguir no STF a criação de seu partido (seu mesmo), o Rede Sustentabilidade. Ranfolfe já caiu na Rede junto com Jefferson Moura e outros próximos à US. A propósito, é o entrevistado da semana nas páginas amarelas da Veja e as frases em destaque são todas criticando a esquerda. Tudo isso enfraqueceu a US num momento crucial, que era eleição dos diretórios estaduais. Porém, certo é que mais cedo ou mais tarde a US iria à lona uma vez que o PSOL se legitima cada vez mais como uma alternativa de esquerda nas eleições e nas ruas, política essa que não é a do tapinha nas costas bancada pela então corrente majoritária.

Perspectivas para os diretórios estaduais do PSOL

Coma a chegada da Rede, alguns militantes da US ainda avaliam se continuam no PSOL ou embarcam no carnaval ecocapitalista criado por Marina Silva, com destaque para candidaturas bancadas por empreiteiras e política econômica ditada pelo Bradesco. Ficando no PSOL,então a escolha não será pelo lado fácil da eleição, da burocratização das ações, mas por disputar um projeto socialista de sociedade, com as contradições que isso demanda. Nesse sentido, os mandatos de Ivan Valente, Edmilson Rodrigues e a luta de muitos militantes da US tem muito a somar com o partido, pois não são todas as pessoas da US que concordam com o vale-tudo eleitoral que alguns ali provocam.

É evidente que deverá haver um desarmamento em todos os lados, mesmo das correntes que sofreram por muito tempo a política autoritária da US nos diretórios estaduais. É hora de uma lavagem no partido, de retirada imediata das filiações em massa feitas em Alagoas pelos capachos de Renan Calheiros para minar o PSOL, dos homofóbicos no Acre, dos apóstolos de Daciollo no Rio de Janeiro que não respeitam o Estado Laico. A disputa do partido se faz com militantes que acreditam em socialismo e liberdade. Quem não tiver esse objetivo, sem paredão, sem ofensas, mas há dezenas de siglas para seguir e o PSOL não é seu lugar. Não sou que quem diz isso mas o estatuto do partido: se tivermos que disputar o socialismo dentro do partido então não teremos tempo de trabalho de base nas comunidades. É dessa forma que devemos chegar ao congresso nacional do PSOL em dezembro: mais experimentados, com desgastes de encontros estaduais não tão fáceis, mas também longe das trapaças que fizeram dos delegados da US o epicentro da revolução mundial que logo sumiram e nos deixaram Randolfe de presente para fazermos campanha. Esse ano os super delegados amapenses estão tão fracos que não há cpragem sequer para pedir união com a Rede.

Perspectivas para o PSOL no Distrito Federal: Fábio Felix presidente

Após a avaliação da conjuntura nacional, voltamos ao ponto inicial desse texto: as eleições para presidentes de diretórios estaduais/municipais. No Distrito Federal, é inegável que o presidente do partido, eleito democraticamente, é Fábio Felix. Toninho, assim como sua esposa Maninha, pecam pelo personalismo: a cada eleição diminuem o número de votos e capilaridade social e não formam novos militantes em sua corrente. De outro lado, Fábio Felix, negro, LGBTTT, militante da área da infância e juventude, é eleito no congresso do PSOL por unanimidade de todas as correntes, com exceção de uma: a US, que fez seu plenarinho paralelo ao congresso e elegeu Toninho como presidente.

Toninho, psicólogo do Ministério da Saúde, candidato nas últimas 3 eleições para governador, concentra seus votos no Plano Piloto, na classe média. Fábio, ex-aluno da graduação e mestrado na UnB, também tem muitos votos no Plano, mas conta com militantes que fazem sua campanha nas regiões administrativas mais afastadas e inclusive no Entorno. Toninho insiste no argumento da eficiência, da gestão transparente, algo que não deve ser bandeira mas obrigação de qualquer gestor. Fábio coloca a cara a tapa e em meio a heteros brancos e engomadinhos bancados por multinacionais, se apresenta como gay, trabalhador, opção ao conservadorismo. Toninho, com toda a sua visualização em debates para governador desde 2006, conseguiu pouco mais de 34.000 votos para governador. Fábio, um jovem de 30 anos, obteve mais de 6.000 votos disputando com centenas de nomes para deputado distrital. Toninho: o de sempre. Fábio Felix: a inovação. Fica claro perceber por qual motivo, repetindo, todas as correntes do PSOL-DF optaram por Fábio Felix para presidir o partido no biênio 2015-2017.

Não quero dizer que a carreira política de Toninho está encerrada, mesmo porque Plínio de Arruda Sampaio viveu um dos melhores momentos de sua vida política ao ser candidato do PSOL em 2010, pouco antes de falecer. “Não votem em mim pelo meu passado, votem pelo meu futuro”, disse no último debate do primeiro turno, na Rede Globo. Porém, a diferença entre Plínio e Toninho é que o primeiro, militante histórico das pastorais da igreja católica, não hesitava em defender as bandeiras do PSOL com unhas e dentes e denunciar estratégias oportunistas em nossa legenda, como a tentativa de realização de congressos paralelos. Toninho parece ter esquecido dessa parte quando defende Randolfe e aparece cada vez mais solitário em suas redes sociais, curtindo seus próprios posts e falando para si. Ao tentar se eleger presidente do PSOL-DF Toninho aprofunda ainda mais o buraco em que se enfia, do qual os números de sua votação para governador e em seu Facebook são a menor parte dessa expressão de decadência.

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Paródia – o ajuste vem aí – #forarollemberg

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Música: A bruxa vem aí (marchinha de carnaval)

Paródia: o ajuste vem aí

Autor: Rafael Ayan – Professor – Atividades

Relembre a música: https://www.youtube.com/watch?v=zwMCRMWLeJE

obs: Os ajustes fiscais são de Dilma e Rollemberg mas a foto que ilustra esse post marca o último verso desta paródia, qual seja, o de um passatempo que Rollemberg e Aécio Neves gostam bastante. Alguém saberia dizer qual é?

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Aaaaaiiiiii o ajuste vem aí    (2 vezes)

Sem retroativo e sem aumento me ferrei*

 

Vem, vamos pra luta!

Que ele não tem dó

Junta com Aécio e o dinheiro vira pó

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*Para o verbo sublinhado recomenda-se livre interpretação.

 

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Paródia – cano ponto 40 – #forarollemberg

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Música: Coração Corintiano

Paródia: cano ponto 40

Autor: Rafael Ayan – Professor – Atividades

Relembre a músicahttps://www.youtube.com/watch?v=yt8ML5kIbPY

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Doutor, eu não me engano            (2 vezes)

O Rollemberg nos deu o cano

 

Tô com muita dívida

No BRB

Mas já sei a lição

Que 40 é PSB

 

Aaaaaaiii doutor eu não me engano:

Propina ou nudes é o governo zapeando

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Jogo rápido: 10 perguntas para Rolla!

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O governador Rodrigo Rollemberg, o Rolla, insiste que não há dinheiro para pagar o funcionalismo público. Assim, pensando na esticada do feriadão realizada pelos diretores de escola, ou melhor, na solidariedade de 48 horas e na conjuntura que se apresenta para 2016, perguntar não ofende:

  1. O GDF dificulta o pagamento do auxílio transporte de professores(as) residentes na RIDE e não realizou o reajuste do auxílio alimentação de todos(as) professores(as), que deve ser aumentado sempre em maio. De onde o GDF acha que temos dinheiro para alimentação e transporte?
  2. O GDF encara o reajuste como dívida do governo passado, apesar de, na pessoa de Rollemberg, enquanto senador em 2012, ser um dos signatários do acordo desse mesmo reajuste. Por qual motivo o GDF assume dívidas para realização de eventos das Olimpíadas 2016 no DF sendo que essas dívidas também foram contraídas no governo ONGnelo?
  3. O GDF aponta que o reajuste foi dado sem previsão orçamentária pelo governo anterior. De que forma esse reajuste passou, à época e novamente em 2015, pela avaliação do TCDF, TJDFT, MPDFT e CLDF, além da bancada federal?
  4. O GDF afirma que a entrada das OS (Organizações Sociais) na educação do DF é somente para creches, ao passo que em países desenvolvidos essa faixa etária é atendida pelos(as) profissionais melhores capacitados(as). A falta de concurso “só” para as creches depois vai se generalizar nas outras séries e aumentar a precarização dos professores temporários, que serão “rebaixados” de nível de direitos e se transformarão em professores da rede privada com o piso dessa categoria?
  5. O GDF liberará o gozo de licença prêmio (sic) de acordo com as possibilidades da Administração Pública e sugere pagar o 13º na folha normal (sic) assim que as condições financeiras permitirem. Quando serão essas possibilidades e condições se na verdade o governo mira na retirada de direitos e não no cumprimento deles?
  6. O GDF relata que irá manter a Mesa Permanente de Negociação, aberta desde 16/04/2015, Mesa esta que ainda não garantiu absolutamente NENHUM direito já conquistado pelo movimento docente. Quando essa mesa deixará de ser a Mesa Permanente de Enrolação, instrumento de cooptação de sindicatos que não renderam nenhum direito concreto até o momento?
  7. O GDF assegura não ter dinheiro em caixa apesar de ter arrecadado mais em todos os meses de 2015 comparativamente ao ano anterior, segundo dados do próprio governo. Como o governo não tem dinheiro para pagar trabalhadores(as) mas tem dinheiro para gastar mais de 50 milhões somente em propaganda em 2015, incluindo Globo, Correio Braziliense e outras mídias corporativas que sempre nos atacam em suas reportagens?
  8. O GDF, pela segunda vez em 2015, afirma entrar em contato com o BRB (seu próprio banco) para agendar reunião sobre débitos dos(as) professores(as) com a instituição. O governo quer resolver nosso problema financeiro ou aumentá-lo sob a camuflagem de novos empréstimos com juros mais baixos e menores parcelas, tornando-nos escravos do BRB?
  9. O GDF roubou o nosso Iprev e diz que irá pagar, em 180 dias, o dinheiro que nos subtraiu. E a continuidade do superávit da nossa aposentadoria desse período corrigida? O GDF irá pagar essa subtração do superávit ou é mais uma que entra pra conta do calote?
  10. Concluindo e mais importante do que tudo, o GDF diz que não tem dinheiro para pagar o funcionalismo público mas abastece as empreiteiras corruptas que financiaram sua campanha sem absolutamente nenhuma intervenção do poder judiciário, esse arauto da moralidade que sempre é o primeiro a declarar nossas greves como ilegais. E nós professores(as)? Já parou para pensar que pagamos para trabalhar? Além de todos esses calotes, o GDF ainda irá cortar o nosso ponto? Ficaremos um ano sem reajuste e, mais do que isso, sem retroativo e sem salário do mês?

Para você que não está de greve, lembre-se que SEQUER foram aprovados os pacotes de ajuste fiscal de Dilma e Rollemberg, que aumentarão impostos. O reajuste iniciado em 2013 é uma recomposição salarial que não considera o aumento da inflação que fez o preço da cesta básica, combustível, aluguel e tarifas de transporte crescerem de forma absurda. Isso significa que olhando o reajuste em 2013, quando ele foi conquistado, ele já estava defasado, como denunciou a oposição ao SINPRO em assembleia já naquela época. Para 2016 a nossa campanha salarial transformou-se em conseguir o reajuste e retroativo referentes a greve de 2012 – voltamos no tempo!

E você? Acha que faltou alguma pergunta para Rolla? Comente!

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Paródia – Imundo Caloteiro – #calotenão

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Música: Defunto Caguete de Bezerra da Silva

Paródia: Imundo Caloteiro de Empreiteira da Birra

Autor: Prof. Rafael Ayan – Atividades 

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Mas é que muito notório, foi um grande engano

Ocorreu na última eleição

De um lado o Frejat com buzão de um real

E do outro o Rodrigo e o 40 ladrão

 

A chapa se dizia coesa

Que era defensora da democracia

Mas já tomou posse e virou safadeza

Calote é moda de noite e de dia

 

REFRÃO

Ele é caloteiro sim, ele é caloteiro sim

A polícia chegou no Eixão

Foi metendo a porrada era o início do fim

 

Ele é caloteiro sim, ele é caloteiro sim

Olha aí a polícia foi abrindo carro

Descendo o sarrafo coitado de mim

 

Caloteiro é mesmo um tremendo canalha

Agora que foi eleito

Soltou o verbo, diz que tá quebrado

Pra Leila ou empreiteira não falta dinheiro

 

E agora vem o Renato Santana

Me pede uma grana, não vou aguentar,

E o PSB que é um bom caloteiro

Roubou o Iprev e não quer nos pagar

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A greve também é espaço pedagógico

  

15 de outubro: Dia da Professora. Numa época do Estatuto da Família, que não reconhece as diferentes formas de amor, passando inclusive por cima da interpretação que o STF faz da Constituição, é importante colocar o significado da data assim, generalizado no feminino para uma profissão que tem maioria de mulheres.
Para além disso, é preciso comemorar sim, mas sem esquecer de nossas lutas. Não podemos deixar o governo incompetente do PSB e PSD acabar com o DF, como tem feito Rodrigo Rollemberg e Renato Santana. Já nos pagam com nosso próprio dinheiro, como fizeram esse mês, descapitalizando nossa previdência social (Iprev). Não obstante, o GDF deixou de pagar a última parcela de um aumento salarial acordado em 2013 e que já está defasado, ou seja, através do terrorismo de “não temos dinheiro” atacou a campanha salarial (que não veio) enquanto o SINPRO comia mosca sem fazer qualquer mobilização por ampliação de direitos, sem esperar que Rollemberg fizesse o óbvio: retirasse as garantias que já conquistamos. Vale notar que o aumento acordado em 2013 passou pelo crivo da CLDF, TCDF e MPDFT, que agora lavam as mãos sobre a questão.
Adiante, embora o DF não tenha pesquisas que identifiquem problemas de saúde dos professores relacionados ao trabalho, encontramos artigos com amostragem em RJ e SP que exploram essas variáveis, com destaque para perda da voz e problemas de audição ocasionados por poluição sonora (do sinal de presídio da escola à gritaria de alunos e alunas e barulho das ruas). 
Sobre a greve, há professoras que não querem fazê-la por achar que vai prejudicar sua turma, mas esse prejuízo é, em parte, diminuído, pois somos uma das poucas categorias que faz reposição dos dias não trabalhados. Volta e meia aparece algum iluminado para dizer que professora não deve trabalhar por dinheiro, mas por amor. Interessante notar que nenhuma dessas pessoas paga suas contas com beijos ou abraços. Um terceiro motivo que professoras alegam para não fazer greve é dizer que ela é política. Ora, qualquer greve é política! Política é um conceito que não se resume aos partidos institucionais. Tem política na igreja, na mesada de seu filho, na forma como você lida na sua reunião de trabalho ou de condomínio. Não há um só teórico da Ciência Política que dê à política um conceito que se relacione apenas aos partidos institucionalizados. As greves ocorrem por diferentes motivos, a maioria deles para ampliar direiros e outras poucas, como essa, para que aqueles não se percam, e há professoras que sempre bradam: “essa greve é política”. Seria menos infantil assumir que o problema está em você e não na greve. Portanto, se o sindicato não te representa, seja o sindicato. Se acha ridículo aposentadas que são compradas pelo SINPRO com viagens para Caldas Novas, fora as professoras que ainda estão na ativa e acham que professoras já tem muitas derrotas na vida então é melhor votar na chapa da situação que sempre ganha, não reclame da inércia do SINPRO frente aos seus direitos. Quando você continua a trabalhar normalmente enquanto outros fazem greve e terão que repor aula, você tem uma atitude oportunista. Se você se importa tanto assim com a escola, no mínimo deveria propor a criação de um fundo composto pelo aumento dado aos não grevistas e que seria investido diretamente na escola que você trabalha. Aí sim faz sentido não ganhar dinheiro numa luta que você não fez parte. Ao contrário: atrapalhou completamente! Dessa forma, você passará do status de sanguessuga para o de mecenas.
Para as direções de escola que utilizam as reuniões pedagógicas como um espaço de dar informes do GDF, entendam que vocês não foram indicados pelo governo mas sim eleitos pela comunidade. O tempo da Eurides Brito acabou! Então, deixem de coagir professoras temporárias a não fazer greve. Vocês não tem nada com isso. Isso é papel de Diretor de Regional de ensino que, ele sim, é indicado para umidificar o saco escrotal de Rollemberg. Fazer ou não greve é da vontade individual de cada profissional e não pode ser objeto de assédio moral. Quando a direção coage uma professora temporária a não fazer greve automaticamente prejudica a mobilização de todos os demais, pois impede o crescimento da pressão sobre o governo. Aliás, entendam de uma vez por todas que OU vocês estão ao lado da escola (professoras, incluindo temporárias, bem como outras profissionais, alunas e população) OU estão ao lado do governador e serão tratadas como ele. Somos nós, a comunidade escolar, que fazemos a escola acontecer e não essa matilha de vagabundos corruptos travestidos de gestores públicos que tiveram suas campanhas patrocinadas por empresas corruptas que agora cobram seu investimento. Assim, escolham com sabedoria de qual lado dessa guerra vocês irão ficar, porque nós, trabalhadores e trabalhadoras, não exitaremos na hora de identificar quem faz papel de duas caras para ajudar nosso inimigo.
Nesse contexto de greve, é importante fazermos o debate, principalmente, com professoras da área Atividades (Educação Infantil e Séries Iniciais). Estatiticamente, Pedagogia é o curso das licenciaturas que mais tem profissionais formados na modalidade a distância. Não quero aqui fazer uma crítica sine qua non à modalidade, mas é notório que a maioria dos cursos a distância não passa de uma escolinha que acha que Pedagogia é um curso pra aprender a dar aula e não que pensa a educação em seu sentido ontológico. Professora é a profissional que a todo momento é cobrada por seus resultados, numa lógica produtivista do sistema capitalista de aumentar índices para nos aproximarmos de países melhores colocados na OCDE. É assim com o IDEB e outras avaliações do Ensino Médio que se comparam ao PISA, esquecendo-se que a realidade no país é completamente distinta dos países capitalistas desenvolvidos. A avaliação, que ao invés de ser colocada como fonte de dados para colaborar com o processo de ensino/aprendizaem, é não nais do que um parâmetro para aporte de recursos e forma de intimidação da professora em sua autonomia docente. Mesmo os cursos presenciais não fogem a essa regra: professores tecnicistas que pensam a escola como uma bolha isolada do mundo em que a técnica, pensada muitas vezes em países europeus, se sobrepõe à conjuntura socioeconômica brasileira.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios já se antecipou em dizer que a nossa greve é ilegal. Até aqui nenhuma surpresa! Queria saber qual foi greve que esse escritório do GDF decretou como legal. Talvez no dia em que greve for pelo Facebook eles se pronunciem dizendo que a greve é legal, mas desde que as publicações tenham até 140 caracteres, como no Twitter. Nunca vi decretarem ilegal greve dos oficiais de justiça. A doutrina pensada pelos juristas burocratas é a do mal menor, de que é menos pior as professoras continuarem a dar aula mesmo tolhidas em seus (pasmem) direitos do que a população sofrer com uma interrupção no processo educativo, uma política social que deve ser oferecida obrigatoriamente e gratuitamente – no que tange a Educação Básica – pelo Estado. Ao que tudo indica, também o trabalho caminha para ser gratuito, ou seja, ser professora deixará de ser profissão e passará a ser vocação. No entanto, mesmo com menos despesas, a arrecadação de tributos aumentará, como ocorre agora com os ajustes fiscais de Dilma e Rollemberg.
Como podem ver, os ataques vem de todos os lados, de dentro e de fora da categoria. Resta a nós darmos a resposta política que GDF, direções tiranas, CLDF, MPDFT, SINPRO e toda sorte de parasitas que lucram com a “crise” financeira, como os banqueiros, merecem ter.
Concluindo, nesse 15 de outubro inicia-se a greve das Professoras do DF. A lição de hoje é bastante clara: venha para a greve e sejamos insurgentes contra toda forma de opressão.
Prof. Rafael Ayan

Atividades – CAIC Prof. Anísio Teixeira

Ceilândia – DF

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O Boticário, gays e a evangelhosfera

Os Simpsons, Madonna e diversos artistas já utilizaram a cruz em performances ou para escárnio da religião/religioso. Os programas de humor na TV, no rádio, as charges, as tirinhas, o Charlie Hebdo, todos esses em algum momento falaram da cruz e a colocaram em espectros não religiosos – algumas vezes com protestos e outras não!

Dois assuntos que foram bastante debatidos nas redes sociais nos últimos dias: o comercial com casais homoafetivos do Boticário e a transexual que desfilou “crucificada” na 19ª Parada do Orgulho Gay de São Paulo. Chama a atenção, nos dois casos, o ódio cada vez mais latente de intolerantes, grande parte religiosos, com homossexuais. As escolas não cumpriram – como ainda não cumprem – o seu papel de debater a diversidade sexual e acham que trabalhar cultura de paz é respeitar a todos. Contudo, nessa generalização de todos não cabem os gays, os praticantes de candomblé, os ateus, os agnósticos e outras minorias. É o “respeitar a maioria” com eufemismo de “respeitar a todos”. Isso significa que não há um horizonte próximo de respeito aos direitos humanos, que não dependem somente de legislação mas principalmente do tipo de educação que oferecemos em nossas escolas.

Seguindo a tendência das atuais e inclusivas agências de publicidade, O Boticário investiu em uma propaganda audaciosa para o Dia dos Namorados. Usando como fundo a música “toda forma de amor”, de Lulu Santos, o comercial mostra 3 casais, sendo um heterossexual e dois homoafetivos (um de mulheres e outro de homens). A reação dos que vivem de ódios, sobretudo neopentecostais, foi imediata e pode ser resumida nas palavras de Silas Malafaia: “querem atacar a estrutura básica da família, que é macho e fêmea, homem e mulher, por isso não comprem produtos do Boticário, eles que vão vender perfume pra gay”. Assim, segundo Malafaia e outros disseminadores do ódio como o pastor Marcos Feliciano, o boicote ao Boticário iria fazer com que a empresa recuasse e retirasse o comercial ou, no mínimo, impedir uma naturalização da aceitação de casais gays pela população. Não deu certo! Pior que isso: os fundamentalistas cavaram a própria cova, uma vez que o leque de empresas que apoiam a diversidade sexual é maior do que esperavam: Coca-Cola, Oreo e até as redes sociais como Youtube e Facebook, em que os pastores postam a raiva contra homossexuais, apoiam a causa LGBT. Não é preciso dizer que Malafaia, covarde e contraditório como é, não solicitou que os fiéis boicotassem as redes sociais, tampouco tirou o biscoito e refrigerante da boca das crianças de sua igreja.

O desfile de uma transexual apoiada em uma cruz na parada LGBT foi outro evento bastante comentado. Num dos comentários que li em sites de jornais, uma das pessoas falou que os participantes da Parada não acreditavam em Deus porque andavam seminus. Por certo a pessoa que disse isso deve julgar que quem desfila seminu no carnaval, anda de bicicleta de sunga, joga futebol sem camisa e de short curto, as atrizes das novelas, todas essas não passam de hereges, de ateus. A cruz tornou-se um símbolo religioso, vale dizer, principalmente na cultura ocidental e após a escrita da bíblia. Os Simpsons, Madonna e muitos artistas já utilizaram a cruz em performances ou para escárnio da religião/religioso. Os programas de humor na TV, no rádio, as charges, as tirinhas, todos esses espaços em algum momento falaram da cruz e a colocaram em espectros não religiosos – e sem protesto algum! Expressões populares como “fulano é minha cruz” ou “devo ter jogado pedra na cruz” ou ainda “enfrentei uma via-crucis danada pra chegar até aqui” são comuns no maior país católico do mundo. A Legião Urbana, uma das bandas preferidas pelas juventudes das igrejas, criou o personagem João de Santo Cristo e disse que a via-crucis virou circo. Onde estão os protestos? Fica evidente que se fosse um protesto de um católico ou evangélico crucificado com as mensagens “Os homossexuais querem matar nossa fé” não teria essa revolta por parte dos fundamentalistas. Viviany quis mostrar como transexuais são crucificadas diariamente. Não profanou a cruz em momento alguma e nem a imagem de Jesus Cristo. A propósito, Cristo, se vivesse hoje, ao comer com prostitutas e ladrões ouviria um famoso “leva pra sua casa” dos fãs de Rachel Sheherazade.

A celeuma ao redor da cruz não é um debate que se trava somente in locus, face a face, mas sobretudo no campo da comunicação. Após criarem a evangelhosfera com o domínio dos canais de rádio e TV, muitos neopentecostais perceberam que, embora crescendo em número de fiéis, sua atuação estava concentrada em cidades de pequeno e médio porte, portanto um pouco fora do circuito de debate de temas polêmicos como aborto, drogas, maioridade penal e união civil entre pessoas do mesmo sexo, para ficar apenas nesses exemplos. Enquanto os fiéis de sempre se reuniam em frente à TV ou rádio para escutar as pregações, uma nova juventude apareceu, menos preconceituosa e um pouco mais politizada, ávida por informação e de olho em uma mídia não linear que é a internet. Esses jovens, nativos digitais, diante da interatividade da web não acham a TV ou rádio tão atrativos, logo as tecnologias físicas que tornaram-se quase que patentes das igrejas. Desse modo, alardearam o que seria a última geração de intolerantes e seus meios de comunicação. Foi aí que veio a ofensiva conservadora, um novo Tribunal do Santo Ofício, só que agora com protestantes e católicos do mesmo lado, colocando homossexuais, abortivas, menores infratores e dependentes químicos, dentre outros, no Index Libro rum Prohibitorum (uma espécie de livro das leituras proibidas que identifica os inimigos). Para isso, tiveram que se render e entrar num espaço que é impossível dominarem, ainda que tenham tentado atacando a neutralidade no texto do marco civil da internet, criando uma rede por pacotes em que os mais pobres seriam limados do direito à comunicação.

Por fim, não quero aqui apontar as contradições dos neopentencostais e colocá-los como únicos culpados nesse embate de posições. Considero, sim, que há abusos em todas as partes, mas não devemos generalizar ações de grupos extremistas como se representassem mais do que as pérolas que falam e fazem. A ameaça a Viviany é só mais uma das várias que ocorrem diariamente no país. Assim como há os raivosos que ameaçam transexuais, há os que se dizem politizados por fazerem um ato colocando cruz no ânus. São duas faces da mesma moeda! Nem todos muçulmanos apedrejam mulheres adúlteras, mas há os que o fazem e acabam prejudicando a imagem do Islã. Nem todos evangélicos acreditam que família é composta somente de homem e mulher mas sim de qualquer núcleo em que pessoas são capazes de se amar. Podemos citar o exemplo do relacionamento da cantora Daniela Mercury com a jornalista Malu Verçosa ou do ídolo da infância de muitos intolerantes, Rick Martin, do grupo Menudos, que se assumiu gay (e em seguida outro menudo, Ângelo Garcia, fez o mesmo). Mas podemos citar o exemplo de milhares, milhões de brasileiros e estrangeiros anônimos que se amam ou que, como eu, são heterossexuais mas reconhecem toda forma de amor, como a música de Lulu Santos, como o comercial de O Boticário, e que lutam contra as opressões, como a que sofreu Viviany, como a que sofrem os milhares de gays alvejados diariamente pela covardia alimentada por religiosos mercadores da fé.

Embora agnóstico, tenho fé que um dia iremos evoluir para que respeitemos coisas simples como o direito de amar das pessoas, o direito à religião (e à falta dela), o direito à liberdade de expressão com suas responsabilidades. A crucificação pela qual passa a comunidade LGBT, o “aviãozinho” de 13 anos preso por tráfico, os usuários de maconha, a abortiva que tem o atendimento negado na rede de saúde, todos esses sofrem uma crucificação maior do que a de Viviany, sem o final feliz do comercial de O Boticário. Sejamos firmes de criticar, pois, o que merece ser criticado, preparando-nos para uma nova cruzada no campo virtual e nas ruas. Leia-se por ruas a participação em marchas, nos debates no trabalho, nas escolas, nas universidades, na vizinhança e, substancialmente, nas igrejas. Sejamos livres e respeitosos com seres humanos, sem restrições.

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The books are on the web – Aprenda inglês gratuitamente com material da Oxford

Colegas que queiram estudar Inglês gratuitamente: todo o material utilizado pelo UnB Idiomas, a escola de línguas da Universidade de Brasília, está disponível gratuitamente. O material é um produto da Universidade de Oxford e, além de custar caro, só é encontrado em livrarias especializadas. Porém, agora encontram-se livres para download.

Apesar de ser todo em inglês, é bastante didático e dá para aprender inglês sozinho. Para iniciantes, recomenda-se conhecimento de noções básicas de inglês, como leitura e audição de numerais cardinais em inglês, para compreender a que lição o áudio se aplica.

São livros, CDs de áudio, livro de exercícios e até livro do professor divididos nos níveis Elementary, Pre-Intermediate, Intermediate, Upper-Intermediate e Advanced. Para acessar o material, clique no link abaixo:

https://vk.com/page-25003531_46254302?=

Aproveite e divulgue para outras pessoas.

Bons estudos!

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