Você deve estar se perguntando: bem, se saímos da greve é porque a proposta do governo melhorou. Errado: ela piorou!
O Sindicato dos(as) Professores(as), o SINPRO, é um dos sindicatos com mais dinheiro em toda América Latina. Chega a arrecadar mais de 2 milhões por mês com a contribuição de 1% de filiados(as). São 24 milhões de reais por ano ou 72 milhões de reais por gestão (3 anos). Dessa verba, cerca de 10% (200 mil reais por mês) da arrecadação do SINPRO vai para a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e outros 10% para a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação). Tanto a CUT como a CNTE não passam de secretarias do PT (Partido dos Trabalhadores), dinheiro que vai para nossos algozes, para aqueles que lutam contra o interesse de nossa categoria. É só pensar o seguinte: se o que garante o nosso reajuste são 12 milhões de reais por mês e tivermos 50% de filiados (e temos mais), são 6 milhões de reais mensais para pagar filiados ao SINPRO. Desses 6 milhões de reais, 60 mil vai pro SINPRO, 6 mil pra CUT e 6 mil pra CNTE. Pode parecer pouco mas é assim que se constrói o montante milionário que irrigam as campanhas petistas de forma indireta país afora, além da construção de suas figuras públicas.
Então agora que a CUT e CNTE retiraram todos os sindicatos que controlam das greves você já entendeu tudo. Quando pensaram que iam perder a mesada milionária que recebem do SINPRO, ou seja, de nós, trataram logo de colocar o garoto pra dentro de casa pra tomar banho e dormir. É assim que tratam os(as) professores(as). Foi por causa da cobrança da multa da justiça e do não repasse pelo corte de ponto dos(as) docentes que o SINPRO pensou: “ok pessoal, agora acabou a brincadeira porque vocês podem ficar sem reajuste, mas nós não podemos deixar de pegar sua contribuição mensal! Também ganharíamos mais com o reajuste de vocês mas mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.
Ser um sindicalista burocrático é o sonho de muito sindicalista corrupto. Há de se fazer uma ressalva com alguns militantes sérios que ainda estão no PT e que não aceitam as benesses do caminho fácil de rifar direitos trabalhistas em troca do conforto pessoal, mas são minoria e muitos já optaram por sair do partido ou mesmo deixar de militar. Ser um(a) sindicalista burocrático(a), pelego(a), é ser infinity ao não pagar conta de celular por três anos porque mesmo nas conversas demoradas com os amigos, justificará que é atividade de militância. É ir levar os filhos ao Nicolândia, abastecer o carro e mandar “fazer uma notinha” até maior do que a conta e em outra data, justificando como “piquete”, tudo para ser ressarcido pelo sindicato. Eu disse sindicato? Ressarcido por nós!
Fato é que o SINPRO em momento algum levou a greve a sério. Estava só esperando a justiça apertar a multa e o corte de ponto para encaminhar a saída do movimento. Leiam bem: essa pode ter sido a última ou uma das últimas greves de professores(as) no DF. Quando um sindicato não pode fazer greve por causa de multa e corte de ponto, automaticamente aceita a inconstitucionalidade de que não há direito de greve. Mais do que isso, a campanha salarial de 2015 não existiu e a de 2016 transformou-se em receber o reajuste depois de um ano e o retroativo só em 2017. Mas peraí: o reajuste já não foi conquista da greve de 2012? Foi sim. O nosso ganho no governo Rollemberg será receber em 2017 algo que conquistamos 5 anos antes. A isso se dá o nome de congelamento de salários, algo que o SINPRO não lhe falou ao encaminhar a proposta de encerramento da greve.
O TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios) até o momento nem fala de auditoria das contas do DF. A Câmara Legislativa do Distrito Federal não tem moral para votar mais nada, pois perdeu totalmente a credibilidade da população quando não pressionou Rollemberg a cumprir a Lei do Plano de Carreira. O Ministério Público lavou as mãos e não atende reivindicação das escolas nem quando a Defesa Civil alerta sobre riscos de desabamento, choque (o elétrico) e afins.
Rollemberg mandou a PM pra cima dos(as) professores(as), prendeu cinco, sendo um diretor do sindicato. O quê o SINPRO fez? Saiu da greve sem nenhuma conquista! O governador teve ganhos e perdas, mas do pouco que sangrou nada foi por causa de alguma ação do SINPRO, pois pisou e cuspiu no sindicato, como quem mata uma barata impotente. Logo agora que por nossa pressão as contas do DF começam a aparecer contradizendo o discurso de falta de recursos do governador, o SINPRO resolve sair da greve. O sindicato optou por brincar de Banco Imobiliário com a categoria e sai mais enfraquecido do que nunca, sem moral para construir outro movimento paredista. A marca da atual gestão do SINPRO é não ter conseguido nenhum ganho real para os(as) professores(as).
Resta ao SINPRO manter a coerência e a partir de agora fazer a campanha do #calotesim e, para não gastar tantos recursos que poderiam faltar aos nobres interesses da CUT e CNTE, é só fazer uma serigrafia na camisa, bordando o SIM por cima do NÃO. Aí convida a Sônia Báo (Vice-Reitora da UnB que SEMPRE foi contra greves e é odiada pelos funcionários), Celina Leão, Chico Vigilante, Reginaldo Veras, Israel Batista e toda leva de puxa-sacos que fingem se interessar com nossa causa e bate uma foto bem bonita, porque nossa luta é bem bonita, e em março de 2016 vamos fazer uma assembleia bem bonita, porque a categoria está de parabéns por ter feito uma opção bem bonita, e tudo é bem bonito quando se começa a campanha de 2018 em 2015.
Ah, sim, já ia esquecendo que a culpa não é do SINPRO mas sim da categoria que votou pelo fim da greve. Outra vez o SINPRO não tem culpa de nada uma vez que as falas que foram feitas no carro de som, “misteriosamente”, foram de pessoas do sindicato e de fora dele que nem se inscreveram. O SINPRO também não tem culpa se a oposição teve o volume do microfone reduzido e bem na hora de sua fala ocorreu microfonia. O SINPRO não tem culpa se a última fala foi de alguém dizendo “ano que vem não iniciaremos o ano sem uma proposta do governo que respeite os(as) professores(as)” enquanto alguns dos que tem celular e gasolina pagos por nós batiam palmas. O SINPRO não tem culpa de ter saído com uma proposta do Buriti ontem à noite e mesmo com toda a tecnologia que temos hoje – e que em 2014 foram utilizadas para fazer campanha para Dilma e Agnelo -, não publicizaram o documento da reunião com Rollemberg para já começarmos a fazer nossa análise, deixando tudo para ser atropelado numa assembleia em que se lia algo que já poderia estar no celular de todos(as) professores(as). Interessante que se fosse foto com parlamentar do PT na mesma hora já sai no perfil do Facebook de nossos representantes do sindicato. O SINPRO? Não, calma lá, o SINPRO não tem culpa de nada disso. Tudo isso ocorre em todas as assembleias. Não passam, pois, de coincidências.










