Os três inimigos da educação

A greve da educação acabou, ou melhor, foi acabada por animais que se complementam. Embora distintos, se fundem numa simbiose. São três os que compõem essa fauna: o pinguim, a tênia e o peixe traíra.

O pinguim tem o coração de iceberg e congela muita coisa, como o vencimento básico do magistério. É tão frio que em plena pandemia, com pessoas gritando pelas ruas com fome, apareceu na TV ensinando receita de ossobuco em sua mansão no Lago Sul avaliada em 20 milhões de reais. Não fecha o bico e sempre ameaça professores de corte de ponto. Tem o dorso escuro e ventre claro para auxiliar na camuflagem, como em época de campanha que diz que professor deve ganhar igual juiz. Bem, talvez ele quisesse dizer juiz de futebol da quarta divisão porque não o esperaram molhar o bico e completar a frase. Fecha o olho pra educação e abre o outro para a segurança. É ave, mas não consegue voar. Logo, vai ficar pelo DF enchendo o saco como candidato ao senado e depois novamente ao governo. Contudo, por ter penas curtas e densas que garantem o isolamento térmico, pode nadar até outros biomas como o cerrado, a savana brasileira. Nesses ambientes abandonam a monogamia e se juntam com Leão, por exemplo.

O segundo animal inimigo da educação é um verme achatado – e chato – e do grupo dos platelmintos. Trata-se de um parasita. Para a biologia, “é um organismo que vive em ou sobre outro organismo, chamado hospedeiro, e retira dele nutrientes e abrigo, geralmente prejudicando o hospedeiro” (Google). No dicionário, o termo se refere a “pessoas que vivem às custas de outras, sem contribuir de forma equivalente” (idem). Em qualquer definição, uma escória. As mais comuns são as solitárias e as podium. As solitárias são aquelas que ignoram qualquer discussão política na escola, dizendo que devem apenas fazer o trabalho de dar aula, como se educar não fosse um ato político. Xingam os piquetes porque acham que são autossuficientes após casarem com alguém da Polícia Militar ou do Corpo de Bombeiros. Têm uma mente conturbada que permeia a ideia subjetiva de família protegida ao frenesi de “ando de carro que paguei à prestação”, como diz Max Gonzaga na música Classe Média. Recomenda-se não deixar bolsas com cartão de crédito perto dessas tênias. O nome da espécie vem de docentes de Centros de Ensino Especial que lecionam para poucos estudantes e não avisam que não fizeram greve aos pais de alunos. Assim, pais não levam os filhos e eles ficam ali na escola, solitários por uma hora até saírem para curtir a vida adoidado. Já tênias do tipo podium têm certeza que são vencedoras porque são encostadas em familiares de maior poder aquisitivo do que os cães de guarda do pinguim. Lecionam apenas porque detestam a alcunha de não estarem empregados e desfilam jóias tão bregas quanto os vestidos que usam nas festas de fim de ano na escola, quando sorteiam um porco no bingo. Cuidado: do porco é que vem a cisticercose. O contágio por tênia é pelos ovos deixados por parasitas, que vêm em formato de palestra de coach, convites para lanches da tarde (em que se descobre que é pirâmide ao chegar no local) e defesa de candidatos da extrema-direita. Você perceberá que os ovos se transformam em cisticercos, forma larval, quando as tênias começarem a falar e você sentir dores abdominais e vontade de vomitar ao observar maquete da Terra plana.

Por fim, existe o peixe traíra. Ele chega com um papo de que todos estão no mesmo cardume e te leva para passear no shopping, mas é só para jogarem spray de pimenta na sua cara. São pagos com o seu dinheiro e contratam seguranças carecas com mais tatuagem na cara que o Tico Santa Cruz para te descer a porrada. Também chamam a Polícia Militar para os protegerem quando sabem que vão praticar algum crime, como encaminhar um fim de greve à revelia da categoria. O peixe traíra é carnívoro, voraz e fará de tudo para alterar a realidade. Edita vídeos de assembleia colocando imagem de drone para não mostrar que a maior parte dos sindicalizados optou por continuar em greve. É um peixe que manipula o som da assembleia para na hora que votarem o fim da greve, ampliar a captação na frente dos traíras sexagenários, querendo dar a impressão de que são maioria – e ainda assim não conseguem! O peixe traíra vai te chamar para nadar contra a correnteza e quando estiverem vencendo, quase no fim, vai dizer que é mais fácil descer tudo que subiram para não correr o risco de morrerem na beira da praia. Fazem spam em seu Whats App e não cansam de te chamar de companheiro, mas assim como as tênias lhes falta a honestidade para te chamar do que realmente pensam que é: hospedeiro. Esse tipo de peixe tem sempre um candidato a deputado distrital e depois da assembleia de 25/06/2025 acabou com qualquer chance da esquerda vencer as eleições para o GDF em 2026, pois proporcionou um ódio em toda a população, não só docentes. Prova disso é que passadas 48 horas, nenhum deputado progressista comentou o fim da assembleia. O peixe traíra é encontrado enrolado em jornal do Sinpro. No Zodíaco, Leão agradece aos peixes.

Pronto, agora você já sabe quais são os três animais inimigos da educação. Não pode mais se fingir de desentendido. Deixe sua vida livre de pinguim, tênia e peixe traíra e seja a mudança que quer ver no mundo.

Avatar de Desconhecido

About ayanrafael

Pedagogo, Assistente Social e Mestre em Educação pela Universidade de Brasília. Trabalhou como técnico-administrativo na Universidade de Brasília, como Professor de Atividades da SEEDF (Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal) e atualmente é Especialista Socioeducativo - Pedagogo na Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania do Distrito Federal, lotado no Centro Integrado 18 de Maio.
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário